sábado, 12 de dezembro de 2009

Guerra Junqueiro e Fernando Pessoa

«Um povo imbecilizado e resignado, humilde e macambúzio, fatalista e sonâmbulo, burro de carga, besta de nora, aguentando pauladas, sacos de vergonha, feixes de miséria, sem uma rebelião, um mostrar de dentes, a energia dum coice, pois que nem já com as orelhas é capaz de sacudir as moscas; um povo em catalépsia ambulante, não se lembrando nem donde vem, nem onde está, nem para onde vai; um povo, enfim, que eu adoro, porque sofre e é bom, e guarda ainda na noite da sua inconsciência como que um lampejo misterioso da alma nacional, - reflexo de astro em silêncio escuro de lagoa morta.» (Balanço Patriótico, Guerra Junqueiro)
Guerra Junqueiro (1850-1923) e Fernando Pessoa (1888-1935) são dois poetas portugueses de valor desigual, não tanto a nível da qualidade poética, mas sobretudo a nível da dimensão do pensamento. Ambos escreveram duas obras em torno da missão de Portugal no mundo global: a Pátria de Junqueiro (1896) e a Mensagem (1934) de Pessoa. A História da Literatura Portuguesa, escrita e ensinada sob o signo da falsificação e das mentiras lavradas pelo provincianismo centralista, asteca, colonialista, imperialista e racista de Lisboa, procura silenciar as vozes do Norte, sobretudo as vozes da Escola do Porto, de modo a atribuir uma falsa centralidade aos seus escritores, como se Portugal fosse Lisboa. Perante esta falsificação da História de Portugal, pensada e difundida por António Sérgio, entre outras figuras pardacentas, a missão do pensador honesto é repor a verdade no seu devido lugar, recuperando e actualizando as forças vivas do passado que trouxeram mérito e glória à nação de todos os portugueses e não apenas a meia dúzia de saloios que atribuem a si próprios o estatuto de cidadãos de primeira classe. Fernando Pessoa pensou dar o nome de Portugal à única obra que publicou em vida, mas, como uma tal designação era demasiado ambiciosa, optou modestamente pelo título de Mensagem, embora Lisboa fosse outra possibilidade mais apropriada à imagem mitológica que apresenta de Portugal. A única obra de poesia portuguesa que merece o nome de Portugal é, de facto, a Pátria de Guerra Junqueiro, a obra seminal que revela a verdadeira imagem de Portugal sem a auréola do mito sebastianista que, sob influência de Sampaio Bruno, Pessoa lhe acrescentou muito mais tarde. O próprio Fernando Pessoa fez tudo para eclipsar a renovação da cultura portuguesa levada a cabo pelos ilustres pensadores do Porto (Sampaio Bruno), usando diversos expedientes pouco honestos e malucos para se a-propriar dela e sitiá-la em Lisboa: «Como é individual, e o meio social não está organizado, a cultura portuguesa está anarquizada, cada homem de génio vivendo consigo próprio, e, o que é pior, cada um escrevendo um pouco sem disciplina. Cabe afastar alguns deste juízo - Junqueiro supremamente. E cabe advertir que essa organização da cultura nacional começou, no Porto, com a "Renascença Portuguesa". /Onde está o erro da "Renascença Portuguesa"? O primeiro é estar no Porto. De resto, não poderia ter nascido senão no Porto, de modo que, como em tudo, se repararmos bem, na própria única cousa possível está o defeito inevitável. Sem esse defeito, não teria havido a causa, nem o efeito portanto» (F. Pessoa). Para todos os efeitos, Fernando Pessoa reconhece que o Porto - a Cidade Invicta - é a vanguarda de Portugal: a ascensão social e cultural de Portugal realiza-se rumando cada vez mais para o Norte e não para o Sul, porque é no Norte da Europa que o Ocidente mostra o seu azul-anímico mais profundo, puro e democrático.
A Mensagem de Fernando Pessoa é inegavelmente uma obra de grande qualidade poética e até mesmo filosófica, mas a sua "mensagem" - a imagem de Portugal - não é original. Como José van den Besselaar e Lúcio de Azevedo demonstraram, a concepção sebastianista da história de Portugal e da sua missão no mundo global deriva, em última análise, do messianismo, tendo sido explicitada pelas trovas de Gonçalo Anes Bandarra e retomada por António Vieira: o sebastianismo é, segundo Pessoa, a crença religiosa de que Portugal «perdeu a sua grandeza com D. Sebastião e que só voltará a tê-la com o regresso dele (numa manhã de névoa, no seu cavalo branco, vindo da ilha longínqua onde esteve esperando a hora da volta), regresso simbólico mas em que não é absurdo confiar». O Evangelho do sebastianismo são as Trovas do Bandarra que Fernando Pessoa estudou minuciosamente: a Mensagem apresenta uma filosofia integral da História de Portugal escrita em verso e essa filosofia da história é precisamente uma versão especificamente portuguesa do messianismo. «Nascido na dor, nutrindo-se da esperança, (o sebastianismo) é, segundo Lúcio de Azevedo, na história o que é na poesia a saudade, uma feição inseparável da alma portuguesa». Da articulação teórica variável entre o sebastianismo - uma visão messiânica da história que insinua que o povo português é o povo eleito dos tempos modernos - e a saudade - esse estado de alma típico dos portugueses (Pascoaes, Carolina Michaëlis de Vasconcelos, Dalila L. Pereira da Costa, Pinharanda Gomes) - resulta, segundo uma linha dominante do pensamento português (Teófilo Braga, Oliveira Martins), uma filosofia especificamente portuguesa, a que Teixeira de Pascoaes chamou Filosofia da Saudade. Na sua polémica com Teixeira de Pascoaes e os "saudosistas", António Sérgio quis ver nesta filosofia uma ânsia de regresso a um passado dourado, mas o poeta portuense reage com imensa ironia, lembrando ao seu ilustre adversário galhofeiro que a saudade tem uma face voltada para o Passado - a lembrança - e outra voltada para o Futuro - o desejo, a esperança: «a Saudade é a grande criadora do Futuro, mas não tira o Futuro do Nada, não consegue um Futuro de geração espontânea ou caído miraculosamente das estrelas», porque o Futuro - o Desejado - só pode ser construído com «a matéria do Passado» (Pascoaes). A esperança messiânica é sempre esperança histórica - distinta da esperança escatológica - e, como tal, é protesto político contra as condições internas e externas que oprimem um povo inteiro: a força do sebastianismo em Portugal é directamente proporcional ao grau de frustração e de humilhação a que os poderes estabelecidos submetem o povo português. O sebastianismo não é necessariamente uma filosofia retrógrada da história de Portugal, como pensa precipitadamente António Sérgio: a ânsia que o move é a preparação do solo terrestre - o solo pátrio - para a irrupção do messiânico (Walter Benjamin) - simbolicamente D. Sebastião - na história, isto é, a inauguração do Reino de Cristo - o Quinto Império - na Terra num futuro muito próximo. A esperança sebastianista num futuro glorioso para Portugal nutre-se da recordação de um passado glorioso, mas o que realmente a move é a atracção do futuro: a construção de uma nova sociedade liberta do medo, da corrupção e da opressão. A filosofia da saudade é a filosofia da esperança histórica do povo português. O último poema intitulado Nevoeiro que encerra a Mensagem de Fernando Pessoa fala assim:
«Nem rei nem lei, nem paz nem guerra,
Define com perfil e ser
Este fulgor baço da terra
Que é Portugal a entristecer -
Brilho sem luz e sem arder,
Como o que o fogo-fátuo encerra.
«Ninguém sabe que coisa quer.
Ninguém conhece que alma tem,
Nem o que é mal nem o que é bem.
(Que ânsia distante perto chora?)
Tudo é incerto e derradeiro.
Tudo é disperso, nada é inteiro.
Ó Portugal, hoje és nevoeiro...
«É a hora!»
A depressão e a preocupação pelo lado sombrio da vida que se instalam nalguns mundos pessoanos - as suas capelas imperfeitas (Joel Serrão) - auto-superam-se nestes dois versos derradeiros: «Ó Portugal, hoje és nevoeiro... /É a hora!». O sebastianismo é claramente visto nestes versos como o sonho diurno (Ernst Bloch) de Portugal. Sentindo a circular pelo seu corpo a angústia da influência, Fernando Pessoa revela a sua dívida à Escola do Porto: o sonho diurno - o sonhar para a frente, a saudade do futuro (Pascoaes), a ânsia do distante que perto chora (Pessoa) - exige activismo político no momento presente, isto é, luta política pela transformação qualitativa de Portugal alimentada por um optimismo militante (Ernst Bloch). O Encoberto é a promessa não-cumprida que urge realizar na conjuntura política presente: o futuro não pode ser eternamente adiado ao sabor da gula das classes dirigentes nacionais, o futuro começa hoje. Teixeira de Pascoaes - e não o Leonardo Coimbra do criacionismo - edificou a única filosofia portuguesa séria a partir da alma das palavras sagradas da Língua Portuguesa, tais como saudade, solidão, ermo, abandono, remoto, ausência, luar, sombra, silêncio, nevoeiro, enfim medo, mas, para sermos justos com a sua concepção do além homem, devemos considerá-la nalgumas das suas concretizações cristalizadas - as de Agostinho da Silva e de António Quadros - como uma filosofia passageira e transitória, seguindo esta sua indicação: «O silêncio fala, a sombra alumia, a ausência tem presença...» (Pascoaes). A expressão mensagem na garrafa foi cunhada por Theodor W. Adorno para referir a necessidade de produzir textos para as futuras gerações. Fechada na sua imensa solidão, Florbela Espanca anotou mensagens no seu Diário do Último Ano, na esperança de que Alguém no futuro ousasse compreender «o que eu fui ou o que julguei ser», realizando «o que eu não pude: conhecer-me». De certo modo, todo o pensamento transformador e crítico deixa mensagens numa garrafa que lança ao mar do tempo histórico, na esperança de que alguém de uma geração futura as descubra acidental e fortuitamente, lendo-as e realizando-as. Porém, as mensagens na garrafa escritas para as gerações futuras correm o risco de não ser descobertas: o legado está sempre em risco e pode ser irremediavelmente perdido. Na actual conjuntura portuguesa, o legado está coberto de nevoeiro: a actual crise de Portugal não é simplesmente económica, política e financeira, mas fundamentalmente uma crise nacional resultante da corrupção generalizada que se instalou em todas as esferas da vida nacional. «O inimigo mora-nos em casa» (Guerra Junqueiro): Portugal dura, mas já não existe. A realização dos grandes projectos políticos não pode ser adiada: as mensagens também devem ser escritas no presente para um público mais contemporâneo. "É a hora!" significa: a mudança qualitativa de Portugal é tarefa política urgente a ser levada a cabo pelos homens de hoje na actual conjuntura política, porque futuro adiado é futuro mítico. Este impulso para a acção revolucionária que move a Filosofia da Esperança Histórica é sempre dado por Guerra Junqueiro, cujo génio António Sérgio quis assassinar. A ironia de Junqueiro ilumina e orienta o sentido da acção política: «A história pátria resume-se quási numa série de biografias, num desfilar de personalidades, dominando épocas. Sobretudo depois de Alcácer. Povo messiânico, mas que não gera o Messias. Não o pariu ainda. Em vez de traduzir o ideal em carne, vai-se dissolvendo em lágrimas. Sonha a quimera, não a realiza» (Guerra Junqueiro). Para que a pátria ressurja, é necessário substituir a figura quimérica de D. Sebastião pela espada de Nun' Álvares. Fala o Doido, o símbolo da Pátria adormecida que atormenta os poderes estabelecidos:
«Ah, do sono da morte enregelado
Porque havias de, ó alma, despertar?!...
Que é da grandeza heróica do passado,
Que é das torres d'outrora olhando o mar?!...
Blocos no chão, vestidos d´heras,
Ameias, gárgulas, esferas,
Poeiras de sonhos, de quimeras,
Luto, nudez, desolação,
Eis os restos de tantos extermínios,
De tanta dor e tanta maldição!...
Já nem cabe sequer em meus domínios
À magra sombra vã do meu bordão!
Régios palácios, fortalezas,
Mosteiros, campas, catedrais,
Orgulhosos padrões de mil empresas,
Conspurcados de lama e de impurezas,
Entre montes de entulho e silveirais!
Meus impérios distantes divididos,
Minha terra natal inculta e só!...
Loucos de dor, em torvos alaridos,
Correm bandos de aldeões espavoridos,
Miseráveis tropeis de luto e dó...
Por mim passam atónitos, julgando
Ver um monstro maldito,
Um espectro soturno e formidando...
Da escuridão do nada ressuscito...
Abro os olhos na treva... estendo as mãos...
E de mim fogem com horror, clamando,
Meus parentes, meus filhos, meus irmãos...
«Deus, onde estás?!...
Deus! a mentira eterna!...
Algum lobo voraz,
Mais piedoso que o céu que nos governa,
Pode emprestar-me um antro, uma caverna,
Onde se durma e se agonize em paz?!...»
A dialéctica abre-se ao sebastianismo pessoano, dando-lhe caução filosófica, porque a filosofia elaborada pela Escola do Porto permite interpretar as suas figuras do Encoberto e do Desejado como conceitos nucleares de uma filosofia da esperança histórica de Portugal no seu contexto europeu, livrando-o da presença do elemento mitológico - o adiamento permanente da realização histórica do Desejado e a sua projecção para um futuro escatológico, fora do tempo histórico - ou mesmo do elemento autoritário - a paralisia da acção política do povo que aguarda passivamente o regresso do grande líder - o salvador nacional -, numa manhã de névoa, no seu cavalo branco, vindo da ilha longínqua onde esteve esperando a hora da volta. Graças ao trabalho conceptual da Renascença Portuguesa, sediada no Porto, Fernando Pessoa pode ser resgatado para o pensamento futuro: o Futurismo de Pessoa mais não é do que o retomar insípido dessa filosofia portuense, simulando uma ruptura impossível, porque a Escola do Porto nunca apregoou a «saudade da infância», como se olhasse somente para trás. Quando escreve que a «individualidade significa egocentrismo e certa impermeabilidade à obra de outrem» para exorcizar a sua angústia da influência (Harold Bloom), Fernando Pessoa contradiz os seus melhores vislumbres de pensamento filosófico: «A base da pátria é o idioma, porque o idioma é o pensamento em acção, e o homem é um animal pensante, e a acção é a essência da vida. O idioma, por isso mesmo que é uma tradição verdadeiramente viva, a única verdadeiramente viva, concentra em si, indistintiva e naturalmente, um conjunto de tradições, de maneiras de ser e de pensar, uma história e uma lembrança, um passado morto que só nele pode reviver. /Ora a vida - social ou outra - é essencialmente acção, e o pensamento em acção é a palavra, falada ou escrita. A base das relações sociais é portanto o idioma: não somos irmãos, socialmente falando, senão daqueles que falam a nossa língua - e tanto mais quanto mais falem a nossa língua, isto é, quanto mais nela ponham, como nós, por ela ser a língua-mãe deles, como nossa, toda a sentimentalidade instintiva, toda a tradição acumulada, que a estrutura, o som, o jogo sintáctico e idiomático trazem em si. /A base da sociabilidade, e portanto da relação permanente entre os indivíduos, é a língua, e é a língua com tudo quanto traz em si e consigo que define e forma a Nação. Estamos, neste mundo, divididos por natureza em sociedades secretas diferentes, em que somos iniciados à nascença; e cada uma tem, no idioma que é seu, a sua própria palavra de passe» (F. Pessoa). Ora, se a língua portuguesa nos une numa só nação e num só povo, o poder político estabelecido e as classes dirigentes nacionais dividem-nos, negando-nos a pátria da identidade: a corrupção e a decadência nacionais condenam os portugueses - irmanados na e pela língua materna - a ser apátridas - ou a viver como tal - na sua própria terra natal. O português vive no seu próprio solo pátrio como se fosse um estrangeiro, um imigrante e, o que é pior, um pedinte sem nada de seu (Georg Trakl): a gula dos corruptos usa e abusa do poder para privatizar em benefício próprio os bens públicos e o solo pátrio, entregando os portugueses ao abandono, à solidão e à privação totais. Portugal decadente e corrupto tornou-se estranho aos portugueses. Portugal decadente e corrupto é a alienação histórica, no sentido em que Portugal já não se lembra «nem donde vem, nem onde está, nem para onde vai» (Guerra Junqueiro). Portugal decadente e corrupto nega a pátria aos portugueses. Despido do seu elemento mitológico-inercial, o sebastianismo - que se identifica assim com a filosofia portuense da esperança histórica - é pensamento insatisfeito com a situação de decadência vigente em Portugal: o seu derradeiro objectivo político é devolver e restituir integralmente a pátria aos portugueses. Figura da consciência da queda nacional, o sebastianismo convoca todos os portugueses para a revolução, o salto qualitativo, - «Hora grande, momento único» (Guerra Junqueiro) - a ser levado a cabo ao som do grito de Nun' Álvares que os desperta e os livra desse polícia ingénito que é o medo (Guerra Junqueiro). Apesar de saber que «o português, apático e fatalista, se ajusta pela maleabilidade da indolência a qualquer estado ou condição» (Guerra Junqueiro), a filosofia da esperança nacional aposta no despertar de Portugal para o Novo Dia: o sebastianismo é o despertar da alma portuguesa, isto é, a docta spes que incita à tradução política do ideal nacional - o Desejado - em carne. Portugal ainda é uma promessa não cumprida: acorda do teu sono metabolicamente reduzido e ajuda a cumprir Portugal, escutando Uma Voz na Treva de Guerra Junqueiro.
«Já Deus, coveiro de colossos,
Ó Portugal, ó maldição!,
Dia e noite martela a tumba onde os teus ossos
Na cripta do silêncio eterno dormirão!
«Com fúria doida, ó vento, escarvas
Na poeira triste... Em vão, em vão!
Tudo é morto! Na terra há unicamente larvas,
E a luz que fosforeja ainda é podridão!
«Mas que castelo sobranceiro
Ao mar profundo erguendo estão?...
É reduto d'heróis, que em transe derradeiro
Querem bater-se com as feras bravas?
«O Castelo
« - Não!
«Uma Voz na Treva
Mas que trombeta, ó noite funda,
Clangora rouca ao seu portão?
É a alma da Pátria a bradar moribunda,
Num arquejo de dor e de vingança?
«O Castelo
« - Não!
«Uma Voz na Treva
«Mas que clamor de gargalhadas
Rasga, vermelho, a escuridão?
Lá dentro estão matando acaso a punhaladas
Algum pirata vil, filho de Judas?
«O Castelo
« - Não!
«Uma voz na Treva
«Quem és pois, quem és pois, sinistra fortaleza,
Que te ergues a cantar nesta desolação!
«O Castelo
«Noite! deixa cantar quem 'stá bebendo à mesa...
Silêncio! Viva el-rei!... Sou a torre do Outão!
«Calou-se tudo. A terra é torva... o céu vulcânico...
E a alma, pálida, à luz verde-negra do luar,
Pressente, na mudez cavernosa do pânico,
Que a boca dos trovões profundos vai falar». (Finis Patriae)
E o que diz a voz dos trovões profundos aos jovens portugueses?
«Por terra, a túnica em pedaços,
Agonizando a Pátria está.
Ó Mocidade, oiço os teus passos!...
Beija-a na fronte, ergue-a nos braços,
Não morrerá!
«Com sete lanças os traidores
A trespassaram, vede lá!...
Ó Mocidade!... unge-lhe as dores,
Beija-a nas mãos, cobre-a de flores,
Não morrerá!
«Turba de escravos libertina
Nem ouve os gritos que ela dá...
Ó Mocidade, ó louca heroína,
Pega na espada, arma a clavina,
Não morrerá!
«Já desfalece, já descora,
Já balbucia... é morta já...
Não! Mocidade, sem demora!
Dá-lhe o teu sangue ébrio d'aurora,
Não morrerá!
«Rasga o teu peito sem cautela,
Dá-lhe o teu sangue todo, vá!
Ó Mocidade heróica e bela,
Morre a cantar!... morre... porque ela
Reviverá!» (Finis Patriae)
J Francisco Saraiva de Sousa

50 comentários:

J Francisco Saraiva de Sousa disse...

Ah, uma mensagem para mim: lembrar a mensagem na garrafa de Adorno e a correspondência entre Marcuse/Horkheimer. :)

J Francisco Saraiva de Sousa disse...

E eis que, com o post mentalmente concluído, me deixo envolver por Pessoa: vou canalizar o "ódio" para António Sérgio! Bahhhh... :)

J Francisco Saraiva de Sousa disse...

Ah, e retomo a angústia da influência, a partir dos textos de Pessoa: a visão da decadência nacional é quase uma constante no pensamento português - crise nacional. A escola do Porto exige a renascença para superar a crise e é aqui que há uma ligeira clivagem entre Pessoa e Junqueiro: o primeiro aguarda a regresso de D. Sebastião e pensa o Quinto Inpério, enquanto o segundo prefere a espada de Nun´Álvares - o seu doido é uma figura genial bem construída. Para a pátria ressurgir é preciso derrubar o sistema luso-corrupto estabelecido. Os elementos contextuais não interessam: Sim, "Ó Portugal, hoje és nevoeiro... /É a hora!", mas a hora de derrubar o sistema estabelecido, a hora de combate de Junqueiro. Sérgio esquece - tal é a estupidez do seu entendimento - que a escola do Porto, talvez com a excepção de Sampaio Bruno cujo Encoberto prefiro ler em chave antropológica, é avessa ao sebastianismo. Porém, é preciso repensar o sebastianismo de Pessoa, porque ele não é tão mitológico como nos fazem crer António Quadros ou Agostinho da Silva: Pessoa a-propria-se de um velho pensamento, dando-lhe o cunho lisboeta - o da armadilha que bloqueia a chegada da hora! :)

J Francisco Saraiva de Sousa disse...

Ah, estou irritado com alguns vídeos que passam nas duas primeiras barras de video dedicadas ao Porto, mas como isso reflecte uma adesão ao blogue vou fingir que não vejo a presença não-portuense! ;)

J Francisco Saraiva de Sousa disse...

Bem, eliminei apenas dois ou três que eram muito encarnados e mafiosos, embora persista um ou outro encarnado. :(

J Francisco Saraiva de Sousa disse...

A relação de Pessoa com o Porto é do mesmo tipo daquela que o actual governo tem com o Porto: o governo saloio e invejoso, sem estratégia nacional de desenvolvimento, vai roubar ao Porto a realização de Red Bull Air Race, levando-a para a capital, com a ajuda de 3 empresas públicas que manipula. A solução centralista é sempre a mesma - roubar a iniciativa e concentrar tudo em Lisboa, como se esta difundisse uma boa imagem do país. O que ela difunde é corrupção e falta de estratégia verdadeiramente nacional. Se esta decisão se concretizar, passo a criticar radicalmente este governo dito socialista: estou - estamos - farto(s) de padrinhos que dão entrevistas na TV onde se enterram!

Essa será uma decisão fatal para este governo de Sócrates!

J Francisco Saraiva de Sousa disse...

Acho bem que os deputados socialistas do Norte peçam esclarecimento ao governo e façam sentir o seu poder, começando a votar contra este governo! O seu compromisso é com o Norte e não com um governo sem estratégia verdadeiramente nacional. O modelo centralista faliu e é bom reconhecer isso para não insistir no mesmo ERRO: esta gula do poder central é estúpida! Que atitude mais irracional esta de se apoderar da iniciativa do Norte e do Porto! Imbecilidade total!

J Francisco Saraiva de Sousa disse...

Isto já é abuso do poder e os portugueses começam a estar atentos a indicadores deste tipo! Se Lisboa quer organizar eventos, organize-os sem os tirar pela via do poder corrupto ao Porto! Há muitos eventos que podem ser realizados sem serem roubados aos outros: o país todo pode ser palco, mas cada região com a sua marca. Por este caminho do roubo, qualquer dia um governo quer levar o FCPorto para Lisboa! Ah, isso já é muita doença mental! País de doidos! :(

J Francisco Saraiva de Sousa disse...

E tirar do Porto a realização de Red Bull Air Race não é espionagem política, é abuso de poder, é roubo, é falta de estratégia de desenvolvimento nacional, é cedência a interesses escuros que podem envolver a teia da corrupção! Estou mesmo desiludido com este governo! E cansado de justificações que não resolvem a miséria nacional; pelo contrário, decisões deste género fazem parte da miséria nacional! O PR já demarcou-se desse discurso... O governo está a ficar sem ideias! :(

J Francisco Saraiva de Sousa disse...

E, se a decisão pertence ao minstro da economia, então a credibilidade que tinha perde-se totalmente nesse acto feio que é invejar o próximo! Que governo feio o que sufoca o país para promover propaganda e desaire! Um tal governo não governa - rouba iniciativa, apropria-se, empobrece, gera miséria e tristeza. As oposições podem não ter ideias sérias e apostar irracionalmente no aumento da despesa, mas um governo que sufoca a projecção do Porto já não convence. Por este caminho o PS não vai vencer mais nada: a derrota é o seu "fado" - a canção de Lisboa! É bom que os deputados socialistas honestos comecem a abrir os olhos, porque correm o risco de não ser reeleitos! O povo começa a ficar muito chocado!

J Francisco Saraiva de Sousa disse...

E de um momento para outro tudo vira contra o PS! É melhor pensar e ser transparente antes de tentar enganar mais o povo!

J Francisco Saraiva de Sousa disse...

Aliás, o PSD se for esperto pode usar este caso de Red Bull Air Race para dar o golpe final a este governo que, em cenário de eleições antecipadas, não vai vencer! A sorte deste PS é o facto do PSD ter o Pacheco Pereira a demolir o próprio partido: basta tirar o Pacheco e mudar de estratégia e eis o PS na rua!

J Francisco Saraiva de Sousa disse...

Bem, já bloqueei alguns vídeos, aguardo que a coisa se regularize: quem deseja publicitar as suas coisas faço-o no seu próprio blogue e não no meu: o Porto é uma cidade portuguesa e europeia e o FCPorto é o seu clube que disputa a liga milionária na Europa! :)

J Francisco Saraiva de Sousa disse...

Bah... afinal, há interesses comerciais: vou ver um filme para canalizar a minha agressividade. Amanhã negocio melhor a coisa, porque de momento estou mesmo "lixado". P_P

Nina disse...

adorei isso, tudo a ver com o que eu acabei de escrever no meu blog... coincidência? vou copiar lá, ok?
abraço

J Francisco Saraiva de Sousa disse...

Olá Nina

Sim, o Balanço Patriótico de Junqueiro é delicioso e merece ser divulgado. Faz bem - até porque o seu post navega a mesma onda. :)

J Francisco Saraiva de Sousa disse...

Ah, há algum problema com o feed do seu blogue: adicionei-o mas não actualiza!

J Francisco Saraiva de Sousa disse...

Pretendia falar da nossa origem celta e do Rei Artur, mas não dá, porque iria desequilibrar o post. Lamento, mas já operei alterações substanciais no projecto mental inicialmente previsto: a dialéctica abre-se ao sebastianismo, dando-lhe caução filosófica. :)

J Francisco Saraiva de Sousa disse...

Bem, um comentário irónico: acho imensa graça ao facto dos meus últimos post terem ajudado alguns a clarificar as suas ideias sobre o mundo mental, mas não fica bem usar o conhecimento dos outros sem referência: uma tal a-propriação é ilusória. O legado exige respeito, honestidade e cooperação. Porém, cada um come a palha que quiser, porque comer muita palha não traz inteligência! Uma forma inteligente de chamar burrecos a tais indivíduos mentalmente não-honestos! :)

J Francisco Saraiva de Sousa disse...

Com este frio não é só a pila que fica murcha: a mente também pode ficar enregelada e murcha!

J Francisco Saraiva de Sousa disse...

Aliás, Teixeira de Pascoaes reservou um termo para designar este comportamento de ladrão: comportamento simiesco! Um sinal de falta de auto-estima e de respeito por si próprio! Regressão cognitiva: o ladrão, em vez de ser homem honrado, é animal - macaco ou papagaio que emita compulsivamente! Bahhh...

J Francisco Saraiva de Sousa disse...

A mudança qualitativa de Portugal passa pela eliminação deste comportamento simiesco ladrão - já viram os macacos nos templos indianos? -, que gera corrupção e degradação da autenticidade nacional. Precisamos de uma política da autenticidade que já foi elaborada pela esquerda americana! :)

J Francisco Saraiva de Sousa disse...

O FCPorto venceu o Setúbal por 2-0. Viva o FCPorto! :)

J Francisco Saraiva de Sousa disse...

Os comentários de Rui Santos na Sic - tempo extra de promoção do apito encarnado fascista - é um atentado contra a inteligência nacional e o convite à violência e à corrupção desportivas: que figura patética e ridícula a desta criatura que quer corromper o futebol a partir dos olhos da sua alma cega e ensanguentada! Bahhh... Mete nojo!

Sr disse...

:)

Ah e ai q nos tiram o red bull air blabla, e depois quem paga é o Pessoa e o Sergio,né! ahaha
LOL, axo meio esteril desenterrar toda essa brigada do reumatico lusiada, quando os problemas sociais de que Portugal padece são, de há anos, bem identicos e disseminados generalizadamente no seio do lumpen-escravo consumista europeu-ocidental.
Por ex, e pra ir direito ao problema, axa que se logo no 25 Abril tivesse sido cá implementada uma revolução semelhante à cubana, nós ainda teríamos todo este atraso e indolencia endémicas?
Mais, se considerar o conjunto das revoluções socialistas verificadas até à data, e se analisar as respectivas politicas educativas(de acção futura, portanto), restarão algumas duvidas que a esmagadora maioria delas impulsionaram grandes saltos economico-sociais dentro do quadro não so nacional como tb internacional??
Se eu estou a defender esses regimes? obvio q não, pois toda essa acção humana n é livre e verdadeiramente consciente, interessa é evidenciar q as causas actuais da retrasada mentalidade portuguesa tem as suas raizes no pp modelo e sistema de exploração secular, e não propriamente num qualquer mood pretensamente intrinseco à "alma" portuguesa blah
Ie, se existe, é pq ele nasce por compulsao manipulada, e não necessariamente pq nos seja natural.
LOL, é so pensar um pouco: país pequeno e sem conflitos identitarios, sol e tempo ameno quase todo ano, praias, auto-suficiencia de recursos - se bem explorados -, estrategigamente situado entre diferentes continentes etc...



Enfim...


Tou é a pensar no meu top pessoal de albuns 2009 :)

Sr disse...

ah! pode n parecer claro, mas na apreciação q fiz no anterior incluo tb a pp "escola do porto", já que, embora intelectualmente mais esclarecida e moderna, ela mesma participa duma mesma visão social e humana assente nos mesmos pressupostos burgueses de dominação*

J Francisco Saraiva de Sousa disse...

Acrescentei outro poema de Junqueiro que lhe dá uma resposta: a lembrança dessa tal "brigada do reumático" pode ter sido mais ousada do que os "jovens de hoje" habituados ao facilitismo sem vida mental superior! Outra figura demencial pós-moderna! :)

J Francisco Saraiva de Sousa disse...

E Portugal não é um país tropical! O frio move a mente criativa, como já sabia Montesquieu! O calor entorpece a mente! :)

Sr disse...

não, n axo nada q o tenham sido. mas, também confesso, n li as obras do leonardo coimbra e dele so tenho escassas referencias e quase nada de memoria . :P
resumidamente, é tudo pessoal que pensou um Portugal que, ou já n existe, ou n existirá nunca, o q só confirma a propria inadequação e falta de visao politica das suas propostas, imho.
Veja q quase ninguem hoje em dia se reinvindica da sua herança(e n é so pq tenham sido apagados da histª)*

J Francisco Saraiva de Sousa disse...

Bem, claro que não posso aceitar o criacionismo de L Coimbra, mas ele tem outros textos muito actuais. Um dos problemas da alma nacional é entregar os seus pensadores ao esquecimento substancial: podem ser nomeados mas não são lidos e compreendidos. Portugal habituou-se a viver das esmolas da União Europeia e esse é o nosso mal existente: o povo acredita numa segurança que não existe a não ser no universo da magia. Além disso, quanto ao sebastianismo, os portugueses têm direito a retomar a filosofia para pensar o seu próprio destino: todas as grandes filosofias, incluindo a de Hegel, dão força às nações onde germinaram. O sebastianismo é essa mesma filosofia a pensar Portugal - despido evidentemente de quimeras ou mitos desnecessários! Foi o que fiz neste post, tendo em conta a nossa situação presente: interpretar tb é actualizar a mensagem! :)

J Francisco Saraiva de Sousa disse...

Ah, a pós-modernidade - o pensamento neoliberal e global - tentou apagar a história, mas a actual crise desmente-a completamente - estamos na história! :)

J Francisco Saraiva de Sousa disse...

Ah, ninguém pode reclamar a herança que desconhece: o nosso problema é a regressão cognitiva imposta pela pedagogia administrativa e não só! :)

Sr disse...

Sim, o post tá bom. Arriscar-me-ia até a dizer q tá melhor q a importancia concreta do pensamento desses autores. :)
Yeah, nada a ver, olhe bem à sua volta: mundos e relaçoes sociais virtuais, moda, fama, gadgets, media etc - tudo coisas que estão melhor pensadas em criticas tipo a situacionista, baudrillard e afins.
É por isso q me faz rir e desligar a tv(nem sequer mudo de canal) sempre q vejo um pouco daqueles velorios tipo Pros e Contras tsc tsc

Sr disse...

J Francisco Saraiva de Sousa disse...

Ah, a pós-modernidade - o pensamento neoliberal e global - tentou apagar a história, mas a actual crise desmente-a completamente - estamos na história! :)



Isso! Nesse aspecto é mt importante trabalhar e não deixar cair a memoria. Agora, a saudade e alma e blabla, lol? negação consciente e livre sim!

Sr disse...

ou, ok, deixemos isso mais para os poetas e misticos* :)

J Francisco Saraiva de Sousa disse...

Ya, o pros e contras ontem foi mais do mesmo: Junqueiro diz que a crise nacional não pode ser resolvida por "Doutores", isto é, economistas que a ajudaram a produzir! Estive noutra - a ver no dia seguinte! :)

J Francisco Saraiva de Sousa disse...

Ya, essa negação está presente na escola do Porto e até em textos de Pessoa, mas é difícil desbravar tudo isso...

Sr disse...

A proposito de andar(ainda) a ler o Situaçoes, do Sartre(Sao 2 Vol e tenho pouco tempo:), mt interessante a cena do Sartre evidenciar o facto de ter sido o Descartes o 1º a fazer a ligação entre o livre arbitrio e negatividade. Isso e, muito bem, chamar a atenção para o facto de ter faltado a este conceber a negatividade como produtora o.O
Se por acaso n conhecer, está no excelente ensaio "Liberdade Cartesiana"*




sobre o Pros e Contras, lol, cheguei a casa e tava a dar. Ouvi aí uns 10m e foi o suficiente para ficar enjoado com aquela obscena visão "empreendoristica" materializada por aqueles "empresarios de sucesso". Ahhh vão-se foder, n ha paciencia, sempre a passar a mesma merda de ilusao q cada um de nos pode ser um empreendedor e o caralho a sete, quando é obvio que so os instalados e colaboracionistas do sistema é q conseguem ascender blahhh
Hoje vou rever mais um cadinho do Sociedade do Consumo pra n me esquecer do tipo de dialectica em q interessa perseverar :)))

http://www.youtube.com/watch?v=ZkVHna_FXMo&feature=related


\0/

Sr disse...

antes de fechar isto, ainda pesquei esta no facebook ahaha

http://www.ionline.pt/conteudo/37767-vaticano-proibe-casamento-baptizados-e-nao-baptizados



ROTFL

J Francisco Saraiva de Sousa disse...

Quanto ao empreendedorismo abordado no prós e contra, assino o que disse sem pestajenar: discurso mentiroso e tudo isso.

Sim, li esse ensaio de Sartre e é interessante, porque as meditações de Descartes fornecem esses elementos, apesar de se encontrar tb no duscurso do método. E a abordagem passa pelo dualismo. Aquela noção de racionalismo alheio à sociedade merece ser reavaliada, porque a sociedade se insinua na própria subjectividade e na metafísica cartesiana, mas já existem estudos que trazem alguma luz a esse problema.

Ya, Sartre é sempre boa leitura! :)

J Francisco Saraiva de Sousa disse...

Bah, o vaticano precisa ter bom-senso! :P

J Francisco Saraiva de Sousa disse...

Ah, finalmente as duas barras de vídeo estão regularizadas: até há um vídeo do Porto - Portugal visto do Brasil; andava triste por não ver a minha cidade! Até a Galiza tinha vídeos aqui! Agora já respiro Porto novamente! :)

J Francisco Saraiva de Sousa disse...

Sr

Estive a reler partes do Criacionismo de Leonardo Coimbra e devo confessar que a sua filosofia retoma elementos importantes dos autores abordados neste post. Aliás, ele encara-o como método dialéctico: "A filosofia, essa, é o órgão da liberdade. /A cousa é o maior pecado filosófico. /O homem não é uma inutilidade num mundo feito, mas o obreiro dum mundo a fazer". A sua crítica da cousificação inerente aos sistemas filosóficos é interessante, mas o seu idealismo deve ser confrontado com o diálogo que Sampaio Bruno estabelece com o marxismo. Enfim, a escola do Porto é uma mina a explorar. :)

J Francisco Saraiva de Sousa disse...

Aliás, Leonardo Coimbra desenvolve uma filosofia sistemática; outra é a de Sampaio Bruno.

J Francisco Saraiva de Sousa disse...

Leonardo Coimbra é um filósofo dotado de grande cultura científica, matemática e filosófica, fortemente marcado por Bergson. A dialéctica da ciência tal como ele a vê tem muita substância: a crítica da coisificação é profundamente dialéctica. Porém, a alma nacional que o habita adultera a sua compreensão: bons pensamentos que se perdem devido a esse idealismo visceral nacional.

"A Rússia de Hoje e o Homem de Sempre" é uma grande obra, onde ele dialoga com o marxismo e a revolução. O que falta à escola do Porto? Menos pseudo-racionalismo, menos idealismo nocional e mais intuição política e económica!

J Francisco Saraiva de Sousa disse...

Adicionei alguns links: um deles foi publicado numa revista com acesso online, referida pela Fundação Calouste Gulbenkien e publicitada por Reconstruir África, entre outras referências.

O meu agradecimento pela recepção desse estudo, especialmente pelo seu impacto na lusofonia. Nem sempre tenho tempo para fazer essas googleadas, mas fica aqui o meu agradecimento - que alargo à Wikipédia! :)

J Francisco Saraiva de Sousa disse...

E falta agradecer a algumas universidades estrangeiras e institutos de pesquisa que estão a adicionar muitos dos meus trabalhos: fico feliz por fazer parte do index de tantas instituições fabulosas e de mérito! :)

Fiquei admirado pela minha conferência sobre Descartes constar numa lista italiana dos melhores estudos sobre Descartes, até porque não me foi dado tempo para desenvolver o seu pensamento e a minha grelha de leitura.

A pesquisa de um estudo sobre anatomia sobre sistema nervoso não foi feita por mim, mas pelo meu professor: eu retomei essa pesquisa e escrevi esse estudo no âmbito de uma tese. O centro de neurociência que o refere é tão prestigiado que fiquei surpreendido! O meu agradecimento em português e obrigado pelo acesso aos artigos seminais! :)

Obrigado, obrigado a todos!

Sr disse...

so pra deixar isto a quem se interesse o.O

BBC – Human All Too Human: Nietzsche - 1999


SINOPSE
A semente do pensamento disseminado por Nietzsche no século XIX prefigurava o piloto do século XX sobre os conceitos do existencialismo e da psicanálise. Este programa conta com entrevistas de grandes estudiosos do pensamento de Nietzsche sendo eles: Ronald Hayman e Leslie Chamberlain (biógrafos de Nietzsche), Andrea Bollinger (arquivista), Reg Hollingdale (tradutor), Will Self (escritor) e Keith Ansell Pearson (filósofa) que sondam a vida e os escritos de Nietzsche. O documentário mostra também o papel da irmã de Nietzsche na edição de suas obras para o uso como propaganda nazista. Apresenta partes de prosas aforísticas extraídas de obras como a "Parábola de um louco" e "Assim falou Zaratustra", as quais transmitem a essência e o estilo desse pensador profético.

DADOS DO ARQUIVO
Áudio: Inglês
Legendas: Português
Duração: 51 min.
Qualidade: DVDRip
Tamanho: 165 MB
Servidor: Rapidshare (2 partes)


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J Francisco Saraiva de Sousa disse...

A saloia prostituta já tem o red bull air race: quer mostrar-se ao mundo de perna aberta - a vaca asteca!

J Francisco Saraiva de Sousa disse...

Estou solidário com Rui Rio e Filipe Menezes, que juntamente com outros autarcas devem fazer como o Jardim da Madeira: dizer não ao centralismo e exigir verbas avultadas ao estado para investir em megaprojectos do Porto. Se pensarmos bem, lisboa é um peso para nós, lisboa saca e empobrece o país: sozinhos estavamos melhor para negociar o nosso desenvolvimento com os grandes paises. Não precisamos desta capital corrupta, não precisamos mesmo.