sábado, 20 de julho de 2013

Fragmentos facebookianos

Experiência do Túnel
Hoje resolvi explorar o tema da morte e das experiências de quase morte no Facebook para afastar algumas criaturas indesejáveis. Eis alguns fragmentos de lucidez:

Nada é mais eficaz para afastar pessoas indesejáveis do que os momentos de lucidez: a maioria tende a ser zombie e foge do pensamento como o diabo da cruz. Querem rir mas rir de quê? Da sua vida vazia e idiota?

O Facebook não é saudável para pessoas que sofram determinadas perturbações mentais, como por exemplo a depressão: a identidade virtual adoptada pode assumir uma dimensão egocêntrica exagerada que não corresponde ao perfil da pessoa na vida real. O resultado desta clivagem é um perfil absolutamente tirânico e intolerante. A vida online é alienação.

Há uma hipótese metafísica que merece ser pensada para clarificar a questão da morte: Conceber Deus como memória infinita que alienou a sua majestade quando criou o mundo. Nesta perspectiva, a nossa identidade individual não morre, dado participar da memória infinita de Deus. Porém, coloca-se outro problema: conservamos a nossa individualidade ou submergimos na memória divina? Esta hipótese é sedutora porque livra Deus da responsabilidade pelo mal do mundo: Deus-memória infinita é "impotente"; ele aguarda que o homem o resgate.

Por que sou tão irónico? Herdei a ironia de Sócrates, provavelmente. Porém, tenho outra justificação: a ironia é o meu modo de ser entre os mortais. E por vezes a minha ironia tem uma tonalidade agressiva: ao partilhar a hipótese metafísica - Deus-memória-infinita - com os moçambicanos, fui lúcido confrontando-os com a inutilidade de uma memória colonial destruída. A ironia dissolve mundos e cria outros mundos mais saudáveis. Gosto de rir dos homens e da sua caducidade!

Amo almas metafísicas e, se todas as almas que conheço estivessem a salvo da morte, não desejaria coabitar com elas noutra dimensão: Que inferno de eternidade seria "viver" com essas almas fragmentadas e idiotas!

Vou usar outra imagem para retratar a nossa existência virtual: o nosso perfil é por vezes possuído por estranhas criaturas que na vida real exorcizaríamos. Este fenómeno de possessão virtual deve-se talvez à fome do nosso ego e corremos o risco de explodir de tanto inchar.

Igor Sousa

90 comentários:

J Francisco Saraiva de Sousa disse...

Eheheee... fala-se de Deus e os zombies fogem... É tudo manada! :(

J Francisco Saraiva de Sousa disse...

Chegou a hora de dizer às pessoas que opinam sobre tudo: "Olha, tu pensas mal; tu não pensas de todo". De facto, como adivinhou Bachelard ao condenar o senso-comum, as manadas não sabem pensar e, quando julgam pensar, geram fenómenos totalitários. Sempre foi assim no reino animal: a manada carece de individualidade. O homem-manada está privado de "self"; é uma besta.

J Francisco Saraiva de Sousa disse...

E há tantas bestas em Portugal e no mundo!

J Francisco Saraiva de Sousa disse...

Eu sou um animal político no sentido aristotélico do termo, mas a política real portuguesa afasta-me da minha própria natureza: já não suporto os comentários políticos do facebook; eles reflectem a política real portuguesa que gera um impasse permanente. Os portugueses não nasceram para a grande política, como o demonstra a ausência de tradição de pensamento político em Portugal.

J Francisco Saraiva de Sousa disse...

O conceito de colonialismo é usado para designar a ocupação, pela força e a longo prazo, por parte de um país metropolitano, de qualquer território fora da Europa ou dos Estados Unidos. Ora, um tal conceito é inadequado para discriminar todas as formas que o colonialismo reveste, e as teorias do colonialismo tendem a destacar uma ou outra forma. Karl Marx considerava que o colonialismo pode causar um choque necessário, ainda que doloroso, a sociedades mergulhadas durante muito tempo num absoluto torpor e impulsioná-las ao desenvolvimento. A verdade é que a descolonização não trouxe necessariamente libertação e desenvolvimento, pelo menos nos países africanos. Em face disso, é necessário repensar o colonialismo.

J Francisco Saraiva de Sousa disse...

O conceito de liberdade tem sofrido abusos. Um desses abusos liga-se à questão do ensino. Há a noção de que ensinar é permitir aos alunos expressar as suas opiniões pessoais. Os alunos pensam que aprender é opinar sobre qualquer tema. Ora, o abandono das teorias orientadoras gera o caos: alunos que opinam sem conhecer efectivamente a realidade e as teorias que a explicam. Com esta pedagogia do atrasado mental, a escola auto-dissolve-se.

J Francisco Saraiva de Sousa disse...

Enfim, em face do último estado, um bom professor é aquele que diz aos seus alunos: "Não quero saber das vossas opiniões".

J Francisco Saraiva de Sousa disse...

Um amigo enviou-me Visões do Paraíso de Sérgio Buarque de Holanda e já li, mas preferia ler no nosso português: Simpatizo com a ideia de geografia fantástica que me conduz a Ernst Bloch por outra porta, a da Utopia.

Buarque afirma que os portugueses não cultivaram essa imaginação do paraíso terrestre: foram pragmáticos perseguindo as rotas do ouro. Mas lá no fundo todos os europeus fizeram o mesmo: busca de ouro.

O problema dos portugueses é outro: não escreveram muito sobre esse assunto mas fizeram mapas e levantamento de mapas. No fundo, descobriram as rotas para o paraíso do ouro.

E Camões descreve a ilha dos Amores: um lugar utópico.

Mas mais pragmáticos e mais ladrões do que os portugueses foram respectivamente os ingleses e os espanhóis: os franceses devem ser descartados; o seu papel é insignificante.

J Francisco Saraiva de Sousa disse...

A França é um mito que os amigos das modas parisienses ajudam a perpetuar no mundo.

J Francisco Saraiva de Sousa disse...

Apesar dos tratados e das alianças, Portugal nunca se abriu verdadeiramente ao mundo anglo-saxónico. A preferência pela cultura francesa foi fatal para o desenvolvimento de Portugal. Lá onde essa abertura ocorreu - por exemplo, em Moçambique - houve desenvolvimento económico e cultural. O mesmo pode ser dito do Brasil, cujos agentes culturais idolatram excessivamente a cultura francesa, como se esta fosse possível sem a cultura alemã. Abaixo a colonização mental francesa!

J Francisco Saraiva de Sousa disse...

Alguns poetas portugueses não sabem nada de nada: Afirmar que "ser feliz causa adrenalina" não é rimar; é atropelar a endocrinologia. No entanto, os gafanhotos do FaceBook clicam no "like". Malditos gafanhotos-humanos que já adoptaram uma fisiologia extraterrestre!

À minha maneira eu até tenho graça! É um morteiro mas um morteiro com humor.

J Francisco Saraiva de Sousa disse...

Ficamos burros no FaceBook: Adoro comunicar por escrito e, no entanto, edito mais fotos do que textos. A cultura da imagem ofusca a mente cultivada na e pela escrita. Mas tenho evitado divulgar vídeos; já não os suporto.

J Francisco Saraiva de Sousa disse...

Esta noite sonhei com os índios brasileiros e, como tenho muitas obras sobre eles, vou ver se escrevo um texto a ser publicado no meu blogue. Eu não tenho nada contra os franceses, mas suspeito que os intelectuais franceses não são os pensadores do mundo, como eles pensam. Mello Franco escreveu um livro sobre as relações do índio brasileiro e a revolução francesa: a obra é interessante, mas peca quando faz girar tudo em torno do mito do bem selvagem de Rousseau. As ideias são importantes mas não fazem a história...

Cardoso de Oliveira distingue quatro visões civilizadas do índio: a visão romântica, a visão estatística, a visão burocrática e a visão empresarial. A visão do índio subjacente ao livro de Mello Franco é a visão romântica em torno do mito da bondade natural do homem selvagem de Rousseau. Segundo Nina Rodrigues, os factores sociais que levaram o Brasil à independência foram acompanhados de um sentimento de oposição aos portugueses que quebrou os laços de continuidade afectiva e deu aos brasileiros consciência de uma vida autónoma: a exaltação do índio como o verdadeiro brasileiro decorre deste processo. Ora, esta explicação histórica é ingénua: ela não explica verdadeiramente a independência do Brasil.

J Francisco Saraiva de Sousa disse...

Em polémica com os intelectuais da Frelimo, forjei o conceito de construção colonial de Moçambique que depois alarguei a Angola. Os historiadores brasileiros sabem que o Brasil é uma construção colonial, tal como Moçambique e Angola. Porém, os intelectuais da Frelimo dizem que Moçambique é uma construção dos moçambicanos, esquecendo que até os moçambicanos são uma invenção colonial. Afinal, quantos povos há em Moçambique? As fronteiras de Moçambique correspondem às das tribos indígenas? As fronteiras das colónias foram traçadas sem levar em conta as posições das tribos indígenas.

Estou convencido de que ainda não temos uma boa História dos Descobrimentos Portugueses.

J Francisco Saraiva de Sousa disse...

A feitiçaria é, de facto, um fenómeno africano, tanto no passado como no presente: Candomblé e Macumba confirmam isso na geografia religiosa do Brasil.

O paradoxo dos nacionalismos africanos é demasiado evidente: os estudantes africanos que estudam nas universidades europeias defendem uma espécie de contra-aculturação, na tentativa de salvar os valores fundamentais das culturas africanas, exaltando a espiritualidade negra. Porém, de regresso ao continente africano, estes jovens - mesmo que queiram rejeitar a matéria da civilização ocidental, já não conseguem alterar a sua afectividade, o seu modo de sentir e de agir, enfim o seu erotismo, moldados pela sua educação ocidental. A contra-aculturação esbarra contra a aculturação formal: os jovens africanos deixam-se corromper pelo fetiche da mercadoria.

J Francisco Saraiva de Sousa disse...

Os intelectuais estrangeiros falam das províncias moçárabes do Sul de Portugal. os portugueses do Norte chamam "mouros" aos portugueses do Sul, enfim Gilberto Freyre refere o sangue africano que corre nas veias dos portugueses do Sul. Esta temática pode ser redimida pela análise genómica, mas não é isso que me interessa aqui: Considero que os intelectuais estrangeiros construíram um estigma social para menorizar o papel de Portugal no descobrimento de novos mundos.

A palavra ACULTURAÇÃO foi introduzida pelos antropólogos anglo-saxões no fim do século XIX para designar os fenómenos que resultam da existência de contactos directos e prolongados entre duas culturas diferentes e que se caracterizam pela transformação de um ou dos dois tipos culturais em presença. Actualmente, é aplicada ao contacto cultural particular de duas sociedades de força desigual, em que a sociedade dominante - demográfica ou tecnologicamente - se impõe directa ou indirectamente à cultura dominada. Ora, um tal conceito no sentido restritivo tende a identificar-se com o de colonização mental. Porém, a verdade é que a aculturação faz parte do processo civilizacional. Assim, por exemplo, o Porto é, ao longo da sua história, uma sobreposição de culturas diferentes.

Um Porto Visigodo, um Porto Suevo, um Porto Celta, um Porto Romano, um Porto Português. Um Porto Judeu mas parece que não houve um Porto Árabe.

J Francisco Saraiva de Sousa disse...

O "Veterano Robert Mugabe" exige que o Ocidente "indemnize as ex-colónias". Esta exigência só pode ser avaliada à luz da Filosofia da História: O conceito de história como marcha triunfal dos vencedores - a mais radical no âmbito do marxismo - não implica a indemnização dos vencidos pelos vencedores. Não podemos apagar o sofrimento das vítimas da História, mas podemos lutar contra as injustiças presentes em nome do oprimidos do passado. Neste sentido, o passado resgatado pode iluminar a luta presente e projectar alguma luz sobre o futuro. Porém, há um facto empírico: o atraso histórico dos povos africanos. Tudo o que foi construído durante o colonialismo é ocidental. Com a independência, os países africanos herdaram esse património ocidental. O que querem mais?

J Francisco Saraiva de Sousa disse...

Dado ter tantos amigos moçambicanos reais e virtuais, vou ver se escrevo mais textos sobre a História de Moçambique. Como sabem, o fenómeno da feitiçaria encanta-me. Eis aqui um pequeno texto sobre os Tonga, uma tribo Banto: «A actividade dos bàlóii é quase essencialmente nocturna. É por esta razão que eles se chamam também, eufemisticamente, bá bussico. "os da noite". Com efeito, possuem a faculdade de se desdobrarem durante o sono» (H. A. Junod).

J Francisco Saraiva de Sousa disse...

Léopold Sédar Senghor foi o arquitecto do socialismo africano, tendo o seu lugar garantido na história da filosofia marxista. O meu espírito foi seduzido pela ideia de espiritualidade negra. Acho que vou tentar pensar essa espiritualidade e confrontá-la com a espiritualidade ocidental: Há diferenças mas há também afinidades electivas.

J Francisco Saraiva de Sousa disse...

O Reino do Daomé fascina-me e já escrevi sobre ele. Revolto-me contra a estupidez dos portugueses: Portugal estabeleceu os primeiros contactos com Daomé e levou daqui escravos para o Brasil, os quais fundaram a sua seita religiosa na tentativa de conservar a memória das suas raízes africanos. No entanto, não há nada de jeito sobre este reino africano em língua portuguesa! Que tristeza ser português!

J Francisco Saraiva de Sousa disse...

Jean-Paul Sartre afirmou que quando visitava uma cidade o que lhe interessava eram as pessoas, e não a materialidade da paisagem urbana. Em relação ao Porto, a minha cidade, o que me interessa é a cidade, e não os seus habitantes. No entanto, partilho a vocação antropológica de Sartre.

J Francisco Saraiva de Sousa disse...

Lá onde fecho os olhos não vejo nada e muito menos "vejo claro": Faço uso do meu direito ao contraditório para fazer corar alguns candidatos portuenses a poetas.

Nada é mais perigoso do que seguir o outro de olhos fechados... Afinal, o outro é o nosso inimigo: aqui concordo com Sartre.

J Francisco Saraiva de Sousa disse...

Sociologia Colonial: eis uma expressão usada por Roger Bastide para estudar a situação de colonização. Os portugueses não produziram uma sociologia colonial. Os únicos estudos que temos sobre sociologia colonial são os de Roger Bastide e de Gilberto Freyre, entre outros brasileiros, e todos eles incidem sobre a colonização do Brasil.

A Etnologia confronta-se com o problema da compreensão do "Outro". O evolucionismo mascarou-o durante muito tempo, pelo menos até que Lévy-Bruhl o fez reaparecer. Infelizmente, ainda não temos uma solução para este problema.

J Francisco Saraiva de Sousa disse...

As chamadas ciências sociais foram moldadas por uma Ideologia da Ciência, cuja versão mais conhecida é o positivismo. Ora, nos termos impostos pelo positivismo, não pode haver ciência da sociedade. Marx foi o único filósofo que esteve próximo de uma visão adequada da realidade social e histórica.

J Francisco Saraiva de Sousa disse...

Infelizmente, ao longo da minha vida, dediquei-me muito pouco à investigação filosófica, e, neste momento, já não tenho vontade de partilhar novos rumos para a Filosofia. No entanto, vislumbro um caminho novo que os meus mestres não seguiram devido ao seu pensamento hiperdialéctico. Apesar de não rejeitar a dialéctica histórica, como é evidente, procuro constantes antropológicas que me permitem compreender as múltiplas manifestações humanas no espaço e no tempo.

J Francisco Saraiva de Sousa disse...

Ou dito de outro modo: os grandes problemas abordados pelas chamadas ciências sociais são problemas filosóficos, cuja solução só pode ser filosófica. As soluções geradas por cada uma das ciências sociais produziram um caos cognitivo que deve ser criticado pela teratologia filosófica. Um exemplo de deformação cognitiva é a sociologia do conhecimento que actualmente se converteu em rasura do conhecimento científico.

J Francisco Saraiva de Sousa disse...

A humanidade tem sempre diante de si dois caminhos: uma fuga para o passado, em busca das origens, ou uma fuga para a frente, em busca de um novo mundo. Ernst Bloch promove a fuga para a frente, de modo a realizar a grande utopia social e o potencial sonhador da humanidade, sem esquecer a restituição do passado. Walter Benjamin caminha na direcção oposta. Eu que já não alimento a chama do progresso busco-me a mim mesmo: aquilo que não pode ser realizado pelo homem socializado pode ser sonhado pelo homem individual. Estou cansado de gafanhotos!

J Francisco Saraiva de Sousa disse...

Também há aqueles "gafanhotos" que usufruem do presente, completamente alheios à história e ao devir-mundo. O que me afasta de Habermas é o facto de não acreditar na possibilidade de um diálogo racional e de um acordo motivado racionalmente. E, neste sentido, já não sou humanista: desconfio da humanidade.

J Francisco Saraiva de Sousa disse...

Moçambique está muito pobre. Custa muito ver filmes sobre Moçambique e olhar para a destruição das cidades e para a pobreza das populações. A descolonização foi brutal: puro abandono.

Quando edito aqui ou noutra página fotos de Moçambique não é para alimentar a saudade, mas sim para resgatar todo o passado e projectá-lo no futuro. Sei que a tarefa de reconstrução é assustadora, para não dizer quase impossível: os moçambicanos estão a pagar o preço da sua falsa libertação. A expulsão dos portugueses privou o país da sua alma. Hoje Moçambique não tem alma.

J Francisco Saraiva de Sousa disse...

E, ao ver o Islão a tomar o comando da "recuperação" em Moçambique, constato que o Ocidente pode colapsar sem haver alternativa civilizacional. Basta observar de perto os países islâmicos para vislumbrar um suposto futuro islâmico: pobreza, miséria e violência.

Sem o Ocidente o mundo perde a alma, tornando-se terra selvagem e brutal.

J Francisco Saraiva de Sousa disse...

Resta-me sugerir a todos a tomada de consciência da decadência ocidental. Precisamos de reescrever a História para detectar os nossos próprios erros e, desse modo, tentar mudar a orientação do futuro. É uma estupidez ficarmos dentro das nossas peles sem pensar o futuro do Ocidente: nós morremos, a civilização continua se não for destruída pelos bárbaros.

Se fossemos seres quase-imortais como os vampiros, sentiríamos náusea perante a eterna repetição dos mesmos erros ao longo da história. A humanidade é estúpida.

J Francisco Saraiva de Sousa disse...

O Projecto Moderno que o Ocidente lançou sobre o mundo fracassou tanto fora como dentro das fronteiras ocidentais. Porém, todos tentam evitar este pensamento, de modo a continuar a cometer os mesmos erros. A humanidade não tem salvação possível: o seu destino é a destruição.

J Francisco Saraiva de Sousa disse...

Nunca consegui compreender a atracção que a praia exerce sobre as pessoas e, quando tive de tomar posição, associei o imaginário da praia à sexualidade. Corbin elaborou uma teoria da praia, mas a sua genealogia não me convence.

A invenção da praia é um processo lento que, tanto quanto sei, se iniciou no tempo dos Romanos: a aristocracia romana tinha várias "villas", uma das quais devia situar-se à beira-mar, onde desfrutava o seu "otium", no sentido de "lazer escolhido". Cícero, Plínio e Séneca deixaram-nos indicações valiosas sobre esse estilo de vida. Do recreio à beira-mar até à praia vai uma longa distância: a praia é uma invenção do século XIX. As metamorfoses da praia merecem ser estudadas. A Foz foi durante muito tempo a praia do Porto, mas as suas figuras de prazer ainda não foram estudadas de uma maneira digna. Os franceses pecam por imaginação poética excessiva; os portugueses nem imaginação exígua possuem.

J Francisco Saraiva de Sousa disse...

Portugal vangloria-se das descobertas mas não produziu uma única obra sobre o imaginário marítimo. Um figura catastrófica desse imaginário é o naufrágio. Do temor do mar imenso habitado por monstros à sua conquista: Portugal realizou esta passagem mas não a pensou.

J Francisco Saraiva de Sousa disse...

O mar, a selva, o deserto, as crateras, os vulcões, os pólos gelados, as grutas, enfim uma série de imaginários terrestres que o homem de hoje já não consegue pensar a não ser sob a rubrica "ecoturismo". A minha esperança é que a devastação da Terra libertará os vírus que matarão esta maldita criatura!

J Francisco Saraiva de Sousa disse...

Resposta a um amigo moçambicano sobre a falsa libertação: A libertação adquiriu direito de cidadania na filosofia do iluminismo para incitar o homem a quebrar os laços que o uniam à sociedade feudal, de modo a adquirir autonomia. Ora, um tal conceito traz a marca da nova sociedade que estava a emergir: a sociedade moderna ou capitalista. Marx levou o conceito mais longe para pensar a libertação das classes trabalhadoras do jugo capitalista. A partir desse momento, o perfil deste conceito estende-se para incluir a libertação das mulheres, a libertação das raças oprimidas, enfim a libertação das minorias eróticas. Mas a realidade social é complexa, sendo atravessada por desenvolvimentos desiguais e por contradições internas. Olhando para o devir histórico, verificamos uma sucessão de dominações: a libertação dos vínculos feudais foi benéfica à burguesia mas não aboliu a própria dominação. Ora, utilizei o conceito de falsa libertação em contexto colonial: a Frelimo não libertou realmente o povo moçambicano. Todo o trabalho realizado pelo colonialismo para integrar os povos colonizados foi destruído, bem como as infraestruturas que o suportam: em situação de penúria extrema não podemos falar de liberdade. Os antigos colonizadores foram substituídos por novos opressores que, ao contrário dos primeiros, não tinham uma perspectiva de desenvolvimento. Moçambique regrediu em termos sociais. O ideal de autonomia não pode ser realizado sem escolas e em situação de pobreza.

J Francisco Saraiva de Sousa disse...

A obra de Karl Marx foi mutilada pelo marxismo soviético, do qual se alimentavam os intelectuais da Frelimo. Um exemplo dessa mutilação teórica e política foi o abandono do conceito de modo de produção asiático. A pesada burocracia que predominava nas sociedades asiáticas foi razão suficiente para justificar um tal abandono: o conceito denunciava a própria burocracia da URSS. Mas há algo mais neste conceito para além do despotismo oriental: há a materialidade brutal da estagnação asiática. É provável que Marx não tenha desenvolvido este conceito para não ter de reformular toda a sua concepção da história ou mesmo o seu projecto político, embora nos seus escritos sobre colonialismo tenha acentuado o carácter necessário do colonialismo, sem o qual os povos colonizados não poderiam entrar na história entendida como um progresso para a liberdade. No nosso tempo, a China sob a liderança do Partido Comunista parece estar a escapar à estagnação asiática. Mas um tal escape pode ser ilusório: a inércia da estagnação é muito poderosa e nós ainda não a pensámos.

J Francisco Saraiva de Sousa disse...

A obra de Karl Marx introduziu lucidez na Filosofia Ocidental: Um homem dotado de espírito crítico não pode permanecer indiferentes às verdades essenciais reveladas por Marx sem abandonar a lucidez. Porém, as verdades de Marx aplicam-se à sua própria obra. Facto paradoxal: a obra que diz a verdade sobre a coligação capitalista - na impossibilidade de convencer todos os homens - é forçada a entrar na luta ideológica. O seu ideal de uma situação livre de exploração e de dominação esbarra contra poderosas forças humanas enraizadas e inscritas na própria genética: a promessa de um mundo melhor não pode ser realizada, até porque a sua realização implica um acréscimo de dominação. Estamos condenados a viver num mundo que não consideramos nosso. O marxismo precisa de uma antropologia fundamental para justificar a impossibilidade prática do seu projecto político. Não se trata de abandonar Marx: a tarefa é aprofundá-lo.

J Francisco Saraiva de Sousa disse...

Eu fui o primeiro teórico a introduzir na Universidade do Porto a teoria da circulação das elites de V. Pareto e do seu círculo italiano. Na altura, isso causou-me problemas pessoais: Eu - um homem de esquerda - frequentava obras de "fascistas italianos", como diziam. Ora, a teoria das elites não é incompatível com o marxismo: ela introduz um momento de reflexão no seio da teoria marxista. Há algo biológico subjacente à divisão da sociedade em classes sociais, e é esse algo mais do que social que permite a um pequeno grupo de indivíduos impor um ritmo da história do homem. Marx viu isso quando profetizou a vitória do Partido Conservador com o voto da classe operária inglesa.

J Francisco Saraiva de Sousa disse...

O conceito de cão ladra? Geralmente, os meus alunos surpreendidos pela questão respondem que "Sim". Hoje devo reformular a questão e perguntar: o cão fala? A atrofia mental é de tal modo assustadora que as pessoas já não distinguem entre falar e ladrar.

J Francisco Saraiva de Sousa disse...

As homenagens portuguesas são cemitérios onde as obras que merecem ser estudadas e meditadas são enterradas para não afrontar a indigência mental e cognitiva dos portugueses licenciados em burrice. Portugal é um imenso túmulo cultural.

J Francisco Saraiva de Sousa disse...

A Internet permite-nos entrar em contacto com pessoas estranhas completamente diferentes de nós. Ontem, antes de desligar o computador, resolvi testar o grau de tolerância das minorias eróticas. Bastou uma hora para constatar que os seus membros são pouco tolerantes quando a sua auto-imagem virtual é posta em questão. Coloca-se a questão: Devemos ser tolerantes com os intolerantes?

Um homem verdadeiramente livre recusa ser prisioneiro da "lógica dos likes": Quanto mais seguidores, maior a prisão. As figuras demasiado populares do Facebook são prisioneiras dos seus "amigos virtuais": Julgando seduzir o mundo, ela é capturada pelo mundo de ser anónimos, cujos eus são demasiado frágeis e vulgares.

Na sua peregrinação anual, as gazelas do Quénia têm de atravessar um rio repleto de enormes crocodilos. Elas pressentem o perigo, mas quando a líder toma a decisão difícil de atravessar o rio as outras seguem-na sem pestanejar. Este quase-suicídio verifica-se aqui no Facebook: o efeito manada está presente no comportamento das multidões virtuais. A humanidade é, por natureza, desigual: a maior parte é estúpida.

J Francisco Saraiva de Sousa disse...

Tentem compreender a lógica dos "likes": Alguém noticia que um jovem esfaqueou a namorada por ter ciúmes ou que um canibal de New York mantém bocados de carne humana no seu frigorífico. Toda a gente coloca "like": aprovam os comportamentos dos dois criminosos. A "gente" é, como já dizia Ortega y Gasset, burra, muito burra... A sua empatia com o submundo da estupidez é assustadora.

J Francisco Saraiva de Sousa disse...

«La sociedad, la colectividad es la gran desalmada - ya que es lo humano naturalizado, mecanizado y como mineralizado. (...) La sociedad, sin embargo, al ser mecanismo, es una formidable máquina de hacer hombres». (Ortega y Gasset)

«El corpo en que vivo infuso, recluso, hace de mi inexorablemente un personaje espacial. Me pone en un sitio y me excluye de los demás sitios. No me permite ser ubicuo. En cada instante me clava como un clave en un lugar y me destierra del resto» (Ortega y Gasset). A Internet possibilita ultrapassar as fronteiras do corpo, dando aos seus utentes a ilusão de serem ubíquos na sua alienação radical, precisamente aquela que os afasta da sua realidade radical.

J Francisco Saraiva de Sousa disse...

O que é o fascismo? Ernst Nolte definiu o fascismo como o grande anti-movimento: anti-liberal, anti-burguês, anti-comunista e anti-moderno. Para ele, o nacional-socialismo era a síntese entre o movimento fascista italiano (tese) e a acção francesa (antítese). Eu acho que a sua obra ajuda a compreender o fascismo no seu tempo. Ela desencadeou reacções adversas devido à suposta revisão do Holocausto.

J Francisco Saraiva de Sousa disse...

Alguns amigos virtuais ainda não compreenderam a distinção entre crítica objectiva e crítica subjectiva: a primeira discute argumentos de modo racional; a segunda insulta os seus proponentes, deixando o conteúdo livre de crítica. Ora, democracia implica saber escutar as opiniões dos outros e debatê-las sem eliminar as pessoas que as defendem.

J Francisco Saraiva de Sousa disse...

O debate em torno de Oliveira Salazar mostrou uma coisa: todos estão insatisfeitos com o povo português. Há diferenças de perspectiva mas neste aspecto parece haver acordo.

O FaceBook é hilariante: Adoro ver os vídeos condenatórios de Hitler que os amigos difundem. Aposto que ninguém leu o livro e os discursos de Hitler. Oh, se Hitler voltasse à terra e sobretudo a Portugal, os portugueses eram os primeiros a soletrar: Heil Hitler! Até os vejo a ir com os seus próprios pés para as câmaras de gás, passando pelos campos de concentração.

J Francisco Saraiva de Sousa disse...

Já repararam que promovem mais os inimigos da sociedade aberta do que aqueles homens que lutaram por um mundo livre? com efeito, falar das figuras nacionais que afundaram e afundam Portugal é dar-lhes demasiada importância. É melhor relembrar Marcuse do que nomear Miguel Relvas e outras figuras feias da política portuguesa. Zelar pela memória dos inimigos é estupidez porquanto lhes dão desde logo imortalidade em vida.

J Francisco Saraiva de Sousa disse...

Outra coisa que denuncia a falta de experiência das pessoas: Todas idolatram - ou fingem que idolatram - Mandela sem nunca ter estado no continente africano e sem conhecer a situação real africana. Afinal, qual o contributo de Mandela para o pensamento político? Meus amigos: não há tradição de filosofia política fora do Ocidente.

A única coisa que abona a favor de Mandela é não ter expulso os brancos; porém, a situação actual afugenta-os.

J Francisco Saraiva de Sousa disse...

O mundo está farto do blá-blá e do mé-mé dos zombies: Quer acção consequente e coerente.

Ousa pensar para além do teu umbigo!

J Francisco Saraiva de Sousa disse...

Esse é o vício dos fracos: bajular os poderosos.

Cá para mim o falatório é sintoma de excesso de sexualidade oral!

J Francisco Saraiva de Sousa disse...

Chegou a hora de dizer: "Basta!, não quero ser burro para toda a vida!" Junta-te ao partido das pessoas inteligentes: Supera-te!

J Francisco Saraiva de Sousa disse...

Enfim, só vejo uma saída: Uma ditadura pedagógica à boa maneira de Platão. De facto, os filósofos gregos tinham uma visão cíclica da história e dos regimes políticos: a democracia gera os seus próprios coveiros e, para sair do caos, é preciso ordem e autoridade. A história demonstra-o facilmente: ela é um imenso cemitério de civilizações que nasceram, viveram e morreram.

J Francisco Saraiva de Sousa disse...

Os americanos, pelo menos aqueles que fazem documentários de diversa natureza para os conhecidos canais americanos, são deslumbrados: a sua vulnerabilidade cultural leva-os a fazer comentários ridículos e a adoptar comportamentos inadequados para um ocidental genuíno. Enfim, além do Rolex, não sabem ter uma conversa interessante.

J Francisco Saraiva de Sousa disse...

A antropologia caiu sob o golpe de uma crítica interna: a de ser uma ciência colonial. Com a descolonização, a antropologia social e cultural perdeu o seu objecto: o estudo dos povos primitivismo. Porém, se olharmos de perto a realidade do chamado terceiro mundo, constatamos a emergência de novos primitivismos, alguns dos quais reclamam a riqueza que não sabem produzir com os seus próprios instrumentos cognitivos e técnicos. Ora, uma ciência que estuda o homem não pode fechar os olhos às diversas manifestações de primitivismo, até porque o homem comum é primitivo.

J Francisco Saraiva de Sousa disse...

A ciência - bem como a sua matriz filosófica - é uma invenção ocidental e, como tal, é branca como os lírios do campo: Lá onde ela troca o eurocentrismo pelo relativismo cultural amputa-se, tornando-se um híbrido monstruoso. Com efeito, uma cultura superior como a nossa não precisa escutar as outras para dizer a verdade sobre o mundo.

J Francisco Saraiva de Sousa disse...

Quando os ex-colonizados responsabilizam o Ocidente pela sua miséria, alegando que possuem recursos naturais, nós lírios brancos do campo devemos olhá-los nos olhos e responder: "Que infantilidade a vossa: expulsaram o pai mas não sabem viver sem ele. Façam história com os vossos próprios meios culturais antes de reclamar um diálogo com o Ocidente".

J Francisco Saraiva de Sousa disse...

Quem é capaz de imaginar um membro de uma tribo tropical a escrever A República de Platão? Também como é que ele poderia escrever sem ter descoberto a escrita? Como é que povos que passaram ao lado da história têm o descaramento de reclamar os tesouros do Ocidente? A descolonização mostrou que eles destruíram os tesouros legados pelas potências coloniais. Sem bom-senso não há diálogo produtivo: o primitivismo volta a estar na ordem do dia.

J Francisco Saraiva de Sousa disse...

O meu cinismo ocidental -imbuído de espírito tolerante e democrático - torna-me receptivo ao discurso de uma espiritualidade índia e negra. No entanto, quando procuro explicitar essas espiritualidades, faço-o usando os instrumentos conceptuais da Filosofia que é Ocidental. Há uma outra verdade que deve ser dita: é impossível reclamar os benefícios ocidentais e conservar ao mesmo tempo a herança ancestral arcaica. Um pensamento indígena consequente implica o abandono da própria racionalidade e da democracia que ela criou. Hegel esteve sempre consciente da matriz cultural ocidental e da sua diferença radical em relação ao Oriente. Se no Oriente só um homem é livre, cá no Ocidente somos todos livres. Se lá predomina o despotismo, cá lutamos pela democracia.

J Francisco Saraiva de Sousa disse...

Como conciliar medicina ocidental e feitiçaria? Como conciliar democracia com tribalismo? Usem a cabeça para pensar!

J Francisco Saraiva de Sousa disse...

Qual é a maior fragilidade da historiografia portuguesa recente? Todos sabemos que o acesso às Faculdades de Letras ou de Ciências Sociais não é meritório em Portugal, e o ensino administrado não supera as lacunas cognitivas estruturais dos alunos. A resposta só pode ser: fragilidade cognitiva e mental dos novos historiadores.

J Francisco Saraiva de Sousa disse...

Sabe o que é a NanoTecnologia? Não sabe? Então o que anda a fazer na terra? Despeça-se da vida e dê lugar aos outros!

Os "amigos dos animais" deviam ir viver para Bombaim, a cidade indiana congestionada que estrangula uma reserva natural, obrigando os leopardos a caçar animais domésticos, entre os quais os homens. Aliás, a oferta do seu próprio corpo pode ajudar a garantir o futuro dos leopardos na Índia. Vá lá, seja corajoso e sacrifique a sua vida em prol desses gatos lindos.

J Francisco Saraiva de Sousa disse...

Hoje acordei com o sentimento de estar exilado em Portugal ou mesmo no mundo contemporâneo. Com efeito, não fui educado para viver entre idiotas culturais. É um fardo muito pesado que carrego sobre os ombros: coexistir com idiotas todos os dias da minha vida. Portugal é feio.

Em Portugal, o ensino da Filosofia está entregue à bicharada, e a bicharada - como se sabe - não pensa. Toda a sua actividade consiste em lançar flatulências mal cheirosas para o ar que respiramos. Se quisermos fazer filosofia, devemos afastar-nos destes ambientes mal cheirosos.

J Francisco Saraiva de Sousa disse...

Em Portugal, há um clube de futebol que não consegue vencer a não ser com a ajuda de algum poder estruturado: a sua "verdade desportiva" é a maior mentira desportiva que se possa imaginar. De facto, nunca conseguiu libertar-se da herança fascista e democratizar-se.

J Francisco Saraiva de Sousa disse...

O excesso de cães no mundo começa a ser preocupante. Nos Estados Unidos, os cães vadios já formam matilhas e atacam as pessoas. No Alasca, a situação é ainda mais preocupante. Ora, tudo isto se deve à irresponsabilidade do homem de hoje, cuja animalidade já não lhe permite educar os outros animais. Há regressão no processo de domesticação: os homens pré-históricos que domesticaram os animais eram mais humanos do que as actuais caricaturas humanas.

J Francisco Saraiva de Sousa disse...

Ao tomar café escutei uma conversa entre um par ou casal de homens homossexuais. Um deles dizia ao outro: "Preciso de tratar das unhas". O meu orientador de doutoramento lançou-se um desafio: Abordar a demografia homossexual em termos de ciclos. Ora, nunca consegui resolver esse problema: os indivíduos que viveram a sua infância nos anos 60 tomaram um comprimido que efeminizava o cérebro, comprimido que foi posteriormente proibido devido aos seus efeitos nefastos. Tinha unicamente ao meu dispor este marcador mas na ausência de outros indicadores não basta para desenhar uma boa hipótese de trabalho. Um amigo bioquímico quis que eu tratasse da questão do envelhecimento dos homens homossexuais. Como abandonei o tema, apenas posso dizer que a actual geração de homens homossexuais é muito efeminada. Quanto ao envelhecimento, suspeito que ele neutraliza o impulso homossexual, pelo menos num número significativo de casos.

Ora, o que insinuei aqui é que os ciclos homossexuais podem ser vistos em função do grau de efeminamento das gerações gay.

Como explicar isso? Supondo a existência de factores ambientais biologicamente activos capazes de alterar os equilíbrios neuro-hormonais.

J Francisco Saraiva de Sousa disse...

Quando conclui a minha investigação sobre biologia da orientação sexual, fui muito pressionado pelo lobby gay universitário para não publicar certos resultados. Porém, como sou dono de mim mesmo, encarei de frente a tarefa de introduzir o princípio de flutuação para explicar certas patologias observadas na população masculina, em especial na população gay.

J Francisco Saraiva de Sousa disse...

Uns humanizam os animais, outros sobrehumanizam os homossexuais e as mulheres. Ora, eu recuso qualquer uma destas mistificações, cujos efeitos práticos e teóricos são nefastos.

J Francisco Saraiva de Sousa disse...

No nosso tempo indigente fala-se mais de educação do que se ensina. Enfim, como é que pessoas incultas podem ensinar aquilo que não aprenderam e que não sabem? O melhor é falar de pedagogia do não-ensinar!

J Francisco Saraiva de Sousa disse...

Aprender não é "memorizar": dizem os burros diplomados. Falta saber como é possível a aprendizagem sem a memória!!!

J Francisco Saraiva de Sousa disse...

Ou falta saber como é possível fomentar o espírito crítico sem a aprendizagem de conteúdos objectivos de conhecimento!!!

J Francisco Saraiva de Sousa disse...

Em termos neurobiológicos, a aprendizagem implica alterações nas conexões neurais. Ora, a pedagogia do não-ensinar abole ligações neurais: liquida o cérebro.

A cabeça das pessoas medíocres é como um mealheiro: Quando abanada faz ruído. De facto, a pedagogia do não-aprender liquida muitas conexões neurais, criando uma espécie de vazio cerebral responsável pelo ruído. O cérebro submetido a tal terrorismo pedagógico regride e as funções cognitivas atrofiam-se.

J Francisco Saraiva de Sousa disse...

Quando se administra páginas aprende-se uma coisa: nunca devemos dar resposta às pessoas, deixando-as falar umas com as outras. Há muito rancor no interior de algumas pessoas que o exteriorizam nos comentários. Se a inveja matasse, mais de metade da população humana já tinha morrido. Até gosto da ideia!

J Francisco Saraiva de Sousa disse...

Os filósofos procuraram compreender o homem na totalidade das suas manifestações, mas como não gostaram do que viram sonharam com a melhoria da condição humana. Porém, a natureza humana opõe resistência: o homem não consegue transcender-se. Quando proponho temas de reflexão, faço-o para abrir espaços de diálogo racional. Mas constato que diálogo é uma palavra que carece de sentido neste espaço virtual: onde estão os argumentos racionais?

O Esclarecimento defendeu a educação universal como condição necessária à libertação do homem e à conquista da autonomia. Mas a sua realização prática e a sua generalização produziram o contrário do pretendido, escrevendo as páginas mais negras da história humana, tais como o holocausto e a descolonização. O regresso da mitologia é acompanhado pelo regresso do homem arcaico: o fracasso é total.

J Francisco Saraiva de Sousa disse...

Uma palavra sobre colonialismo: Marx foi muito objectivo quando analisou o colonialismo, considerando-o necessário para o desenvolvimento dos povos arcaicos. Nunca encarou a auto-determinação das colónias como via de desenvolvimento. Quando a Esquerda precipitada identifica colonialismo com colonização mental, Marx revolta-se no seu túmulo: a aculturação é necessária quando se pretende ajudar povos primitivos que viveram à margem da história.

A minha mente está toda colonizada e eu não me sinto oprimido por tal peso do colonialismo mental. Afinal, sou um homem que vive entre homens que fizeram e fazem a história. Esse é o nosso lugar...

Enfim, colonialismo não é um fenómeno regressivo; pelo contrário é um fenómeno histórico necessário ao desenvolvimento. Exploração? Mas onde é que não há exploração?

J Francisco Saraiva de Sousa disse...

Os discursos africanos tendem a responsabilizar os europeus pelos seus próprios males. Um caso é a acusação de que os brancos introduziram a homossexualidade em África. Ora, esta acusação é absolutamente falsa: os missionários combatiam as práticas homossexuais africanas. que, como é evidente, sempre existiram em África tomando diversas formas ritualizadas. Ou não serão os africanos exemplares biológicos da espécie humana?!

J Francisco Saraiva de Sousa disse...

O Holocausto ofuscou a tarefa de tematizar a Filosofia Política do Fascismo, e, em Portugal, não temos uma única obra séria sobre a teoria política do salazarismo. A teoria da autoridade que o fascismo opõe à teoria do Estado - tanto liberal como marxista - tem uma genealogia fácil de esboçar, de Sorel até Pareto, passando por Ernst Krieck e Carl Schmitt. No caso português, precisamos conhecer a filiação filosófica do Estado Corporativo para enquadrar o pensamento político de Salazar na Filosofia Política do Fascismo.

Sou capaz de esboçar as linhas gerais da Filosofia Política do Fascismo para mostrar, entre outras coisas, o carácter autoritário de certa esquerda vulgar.

O Fascismo opera a transformação da teoria burguesa da autoridade em doutrina do Estado Autoritário ou Totalitário.

J Francisco Saraiva de Sousa disse...

Afinal, dei resposta ao aluno de pós-graduação: É complicado definir uma abordagem teórica ampla como o estruturalismo que se opõe ao humanismo, ao historicismo e ao empirismo. Em termos breves, o estruturalismo analisa as estruturas profundas que estão na base e que geram os fenómenos observáveis. Já estou a ver o retorno da mensagem: O que é o humanismo?, o que é o historicismo?, enfim o que é o empirismo? Fim do Homem, Fim da História e Construção de Modelos. Mas isso está no artigo que escrevi e que ele consultou.

Noutro dia, um professor da Faculdade de Letras da Universidade do Porto disse-me - para minha surpresa - que era fenomenólogo, praticando uma fenomenologia sem redução transcendental. Eu que o conheço bem nunca reconheci a presença da fenomenologia nas suas aulas e nos seus escritos. Então, pensei baixinho: Que grande idiota que nem mesmo depois de reformado sabe o que é a fenomenologia!

O olhar de troça que lhe dirige paralisou-o, dando-me oportunidade de o esmagar. Com efeito, como não conseguiu definir a sua fenomenologia sem redução transcendental, acabou por dizer que era fenomenólogo porque não sabia nada de mecânica quântica. Então, perguntei-lhe para que servia a sua fenomenologia: tapar uma lacuna de conhecimento? Adoro esmagar os imbecis!

J Francisco Saraiva de Sousa disse...

Estou cansado do debate colonial: Como português reconheço que Portugal errou quando usou mão-de-obra escrava para colonizar o mundo. Criou um dos maiores problemas da história recente, bloqueando o futuro dos novos países. Usei a ironia..

J Francisco Saraiva de Sousa disse...

Um esboço de análise objectiva: O 25 de Abril e a Descolonização Portuguesa selaram o destino de África Austral. A expulsão dos brancos deixou Moçambique sem quadros: administrativos, empresariais e culturais. A Beira era uma cidade turística. Ora, a entrada em cena da Frelimo, com a expulsão dos brancos, bloqueou e dilacerou a economia turística de Sofala: os ingleses da Rodésia e da África do Sul deixaram de ir a Moçambique, dando refúgio a muitos portugueses. Esta ajuda dos aliados do lado foi fundamental para os portugueses num momento em que eram mal-vistos na metrópole. Porém, mesmo antes da Independência, durante o período colonial, a Frelimo minava as linhas do caminho de ferro, fazendo muitos estragos económicos e humanos, ao mesmo tempo que ameaçava destruir Cahora Bassa. Além disso, a insegurança a Norte fez a agricultura regredir. A vocação da Frelimo foi sempre a destruição económica. A verdade é simples quando se deseja encontrá-la.

J Francisco Saraiva de Sousa disse...

Para pensar a Filosofia Política do Fascismo, devemos começar por distinguir a sua corrente italiana que associa o neo-idealismo de inspiração hegeliana ao movimento pela unificação nacional, e a sua corrente nacional-socialista. Croce e Gentil - para já não referir Spaventa - elaboraram os princípios básicos da Filosofia Fascista: o idealismo italiano foi claramente anti-liberal e anti-individualista. Porém, no contexto italiano, Sergio Panuncio foi claramente o teórico do Estado Fascista. Alfred Rosenberg repudia a teoria política de Hegel, elaborando explicitamente a Filosofia Nacional-Socialista, na qual a dicotomia entre Estado e Sociedade Civil é substituída pela tríade Estado/Movimento (Partido)/Povo. Dois porta-vozes dessa filosofia foram Ernst Krieck, Franz Böhm e Carl Schmitt. Todos eles levaram a sério a conexão entre Hegel e Marx, operando a substituição da atitude idealista pela atitude heróica que exige sacrifício. Hegel morreu no dia em que Hitler conquistou o poder político. O fascismo português e espanhol não tiveram teóricos de destaque, o que dificulta a tarefa de tematizar a sua filosofia política.

J Francisco Saraiva de Sousa disse...

O estudo da Filosofia Política do Fascismo permite-nos compreender um facto paradoxal: A Esquerda de hoje é claramente fascista. O actualismo de Gentil está bem presenta na campanha de intoxicação ideológica protagonizada pela esquerda acéfala. Basta referir que a esquerda francesa se inspira no teórico mais subtil do nacional-socialismo: Heidegger. Em face deste facto brutal, nós que simpatizamos com a esquerda clássica somos forçados a combater a esquerda fascista, situando-nos para além da dicotomia esquerda/direita vigente.

J Francisco Saraiva de Sousa disse...

Ah, a recepção inglesa de Hegel, portanto o idealismo inglês, também ajudou na tarefa de pensar uma filosofia fascista.

Mas há um outro intérprete mais subtil da filosofia nazi: Heidegger, cuja obra fascizou a esquerda francesa.

Ora, é aqui que quero chegar: a esquerda de hoje é fascista.

J Francisco Saraiva de Sousa disse...

Quando chega a hora de debater ideias, em vez de trocar insultos ou fazer chantagens emocionais, as pessoas permanecem sintomaticamente em silêncio. Ora, sendo sintomático, este silêncio revela um tremendo vazio cognitivo: a escola é um fracasso total. Porém, se tivesse dito que Salazar foi um ditador louco, recebia mensagens pró ou contra, com um rol de insultos adicionais. A agressividade linguística é sintoma de inteligência reduzida.

J Francisco Saraiva de Sousa disse...

Retornados é a designação dada aos portugueses brancos que, após a independência das colónias em África (Cabo Verde, Guiné-Bissau, São Tomé e Príncipe e, em especial, Angola e Moçambique) regressaram a Portugal.

A designação de "retornados" não se aplica a todos os portugueses vindos de África: as gerações mais velhas retornaram à «pátria», ao seu local de nascimento, mas os seus filhos nascidos em África não são retornados: são refugiados, exilados ou qualquer outra coisa. Além disso, os portugueses africanos nunca gostaram da "Santa Terrinha", o lugar dos zombies.

As palavras de W. Benjamin são adequadas para pensar a saudade de África: os portugueses vindos de África «alimentam-se da imagem de antepassados submetidos, e de modo nenhum do ideal dos filhos libertados». Adorno reforça estas palavras sábias: «Os assassinados são defraudados até mesmo da única coisa que a nossa impotência pode garantir-lhes: a recordação».

J Francisco Saraiva de Sousa disse...

Hoje, ao acordar, olhei por acaso para um livro de Erich Fromm, onde ele propõe uma ética humanista para o marxismo. E resolvi reler algumas partes: a ética humanista forjou conceitos que, na realidade, não correspondem a nada, e alguns deles quando tomados a sério conduzem a caminhos indesejáveis. É caso para dizer que a ética humanista, em vez de promover uma sociedade mais humana, conduz os homens para uma sociedade perigosa. Desta releitura breve retenho apenas uma ideia produtiva: «O medo de envelhecer é expressão, por vezes inconsciente, do sentimento de viver improdutivamente; é uma reacção da nossa consciência à auto-mutilação». Mas também é algo mais do que isso...

«Crer é aceitar as afirmações da alma, a incredulidade a sua negação» (Emerson). Hoje a questão fundamental já não é a questão da fé: a descrença liquidou a própria alma. Vivemos num mundo despojado de almas.

J Francisco Saraiva de Sousa disse...

Há pessoas que reduzem a religião à ideia de Deus para depois negar a sua existência. Para desanuviar o ambiente, proponho a definição de religião dada por Peter L. Berger: a religião é o empreendimento humano pelo qual se estabelece um cosmos sagrado, entendendo-se por sagrado uma qualidade de poder misterioso e temeroso, distinto do homem e todavia relacionado com ele, que se acredita residir em certos objectos da experiência. Ou em forma lapidar: a religião é a cosmificação feita de maneira sagrada, de modo a conceber o cosmos como humanamente significativo.

J Francisco Saraiva de Sousa disse...

Ernst Bloch propõe um humanismo integral a partir de uma leitura da Biblia dos Pobres: "O Ateísmo no Cristianismo" é talvez a melhor obra marxista sobre o tema. Uma perspectiva mais estrutural foi apresentada por M. Godelier e F. Houtart.

KARL MARX: «A miséria religiosa constitui ao mesmo tempo uma expressão da miséria real e um protesto contra a miséria real. A religião é o suspiro da criatura oprimida, o sentimento de um mundo sem coração e a alma de situações sem alma. É o ópio do povo».

LOUIS ALTHUSSER: «...O ateísmo é uma ideologia religiosa (ateísmo como sistema teórico) e, por isso, o marxismo não é um ateísmo. (...) O Marxismo não é um ateísmo tal como a física moderna não é uma física anti-aristotélica. (...) O marxismo trata a religião, o teísmo e o ateísmo do mesmo modo que a física moderna trata a física aristotélica, lutando teoricamente contra ela quando esta constitui um obstáculo teórico, combatendo-a ideológica e politicamente quando constitui um obstáculo ideológico e político. Do ponto de vista teórico o marxismo opõe-se a toda e qualquer pretensão teórica da religião. Teoricamente, o marxismo não é um ateísmo, é uma doutrina que, na medida em que a religião existe como obstáculo, se vê obrigado a lutar contra ela. É preciso que isto se diga porque é verdade. Ora bem, existem leis para a luta teórica, ideológica e política; lutar não quer dizer matar as pessoas nem forçá-las a renunciar às suas ideias. Lutar pode ser também reconhecer o que certas ideias aberrantes escondem de positivo... com as ideias existentes, portanto, uma luta sem trégua. Com o positivo que as ideias indicam, escondendo-o. existem amplas possibilidades de entendimento e esclarecimento...».

Zaratustra disse aos homens: Deus está morto! Porém, Nietzsche não sacou todas a ilações teóricas e políticas dessa afirmação porque ainda define o homem como uma ponte entre o macaco e o "super-homem". Mas nós sabemos que a morte de Deus implica a morte o homem. O mito do eterno retorno do mesmo é aborrecido: ele proíbe-nos de sonhar um mundo melhor. Bloch ainda conserva uma caução: o próprio homem que se transcende.

J Francisco Saraiva de Sousa disse...

Que mal fez Deus aos ateus para estes o odiarem tanto? Um ódio sem objecto definido é irracional ou mesmo neurótico.

J Francisco Saraiva de Sousa disse...

Nas sociedades tributárias asiáticas, a hostilidade aberta contra o Estado-Déspota esteve associada à crítica anti-teísta, estigmatizando a divindade que sustenta os ricos e que se comporta mal com os homens fracos. Ora, mesmo quando o rei injusto se apropriou dos atributos divinos, a politização do transcendente acarretou a transcendentização do protesto político sem conduzir ao ateísmo. É muito importante compreender as funções sociais da religião nos modos de produção pré-capitalistas.