sexta-feira, 6 de novembro de 2009

Claude Lévi-Strauss e o Estruturalismo

«Aceitamos, pois, a qualificação de esteta, por acreditarmos que a última finalidade das ciências humanas não é constituir o homem, mas dissolvê-lo». (Claude Lévi-Strauss)
O estruturalismo é, em grande medida, uma criação de Claude Lévi-Strauss (1908-2009). Lévi-Strauss encara as culturas como sistemas de signos partilhados, estruturados de acordo com princípios que governam o funcionamento do espírito humano que os gera. A etnologia é o estudo da superestrutura psicológica dos sistemas sócioculturais, cabendo a outras disciplinas o estudo da infra-estrutura. Sem pôr em causa o primado incontestável das infra-estruturas, Lévi-Strauss define a etnologia como "uma psicologia": «É para esta teoria das superestruturas, apenas esboçada por Marx, que desejamos contribuir, reservando à história - assistida pela demografia, pela tecnologia, pela geografia histórica e pela etnografia - o cuidado de desenvolver o estudo das infra-estruturas propriamente ditas». Émile Durkheim tinha cunhado a expressão consciência colectiva para designar o conjunto de ideias exterior aos indivíduos, mas dotado de força coercitiva sobre o comportamento e o pensamento individuais. Tal como Durhkeim e Kant, Lévi-Strauss considera que a mente possui moldes - as estruturas - que nos permitem pensar a totalidade das coisas: a tarefa do estruturalismo é tentar explicar a consciência colectiva em função de uma dialéctica mental inconsciente, demonstrando como o conteúdo superficial, na sua modalidade característica, expressa e ajusta-se a estruturas universais subjacentes. Os pensamentos mais díspares escondem significados semelhantes, os quais são redutíveis a pares de categorias opostas ou oposições binárias: descobrir e decifrar as oposições binárias na mente social colectiva constitui a tarefa primordial do estruturalismo que do idealismo hegeliano retém uma dialéctica estacionária, carente de movimento no tempo e no espaço.
A vasta obra de Lévi-Strauss sofreu múltiplas influências: umas procedem da escola sociológica de Durkheim, outras da teoria linguística de Roman Jakobson e N.S. Troubetzkoy, outras da cibernética e da lógica das classes, mas de todas estas influências a mais marcante é a da tradição sociológica de Durkheim e, através dela, a da filosofia idealista de Kant. No seu Ensaio sobre a Dádiva (1924), Marcel Mauss descreveu a dádiva de presentes como um facto que penetrava todos os aspectos da vida social e cognitiva dos povos selvagens. Os primitivos trocavam tudo o que possuíam e produziam: produtos económicos, tecnologia, mitos, ornamentos e outros objectos. Por isso, Mauss considerava a troca social como um facto social total, isto é, como um princípio aplicável a todos os tipos de relações sociais. Esta troca social era governada por três tipos de obrigações: dar presentes, recebê-los e retribuí-los. No entanto, Mauss não conseguiu descobrir uma explicação satisfatória para esta lei fundamental da vida social, sendo levado a postular uma força mística, interna aos objectos trocados, que procura por si mesma a compensação e o equilíbrio. Lévi-Strauss clarifica o contributo de Mauss e dá-lhe uma explicação mais convincente. A tripla obrigação de dar, receber e retribuir não pode ser explicada adjudicando aos objectos trocados uma força intrínseca e misteriosa própria. De facto, o dom recebido e o dom devolvido não são, na maioria dos casos, comparáveis, nem pelo conteúdo, nem pelo seu uso, nem pela sua importância prática. A troca de dons é mais importante que os próprios dons. Mediante a troca contínua, criam-se entre os indivíduos e os grupos laços espirituais e alianças, que estabelecem e organizam entre eles sistemas de relações de complementaridade. Segundo Lévi-Strauss, o sistema de direitos e de deveres recíprocos é possível graças à própria estrutura do espírito humano, que funciona apreendendo similitudes e diferenças, organizando o universo e resolvendo as contradições que descobre nele. A novidade da abordagem estruturalista de Lévi-Strauss reside na ênfase que coloca nas próprias relações e não na natureza dos termos - os objectos trocados -, mediante os quais se estabelecem as referidas relações. Estas relações devem ser estáveis para evitar o afundamento do sistema, que releva de um conjunto de constantes relacionais estabelecidas entre os indivíduos e os grupos que formam o sistema. Lévi-Strauss chama estrutura social a este conjunto de constantes ou invariantes relacionais.
Na sua obra As Estruturas Elementares do Parentesco (1949), Lévi-Strauss aplicou o princípio da reciprocidade e a estrutura social ao estudo sistemático dos sistemas de casamento e do parentesco, analisando a mais universal das regras da cultura, o tabu universal do incesto, que encara como a origem da exogamia e das trocas matrimoniais. Para Lévi-Strauss, as regras da reciprocidade e da exogamia fundam-se na necessidade de resolver o problema das mulheres, desejadas ao mesmo tempo por cada um e por todos os homens. E, uma vez que as mulheres não podem ser possuídas ao mesmo tempo por vários indivíduos, os homens trocam as suas mulheres pelas mulheres - filhas ou irmãs - dos outros. Qualquer que seja a sua forma e o seu conteúdo, a reciprocidade constitui a regra suprema da dádiva. A função primordial do casamento é a ligação de duas linhagens ou de duas famílias sem laços entre si: cabe à mulher estabelecer essa ligação entre duas famílias ou duas linhagens. A mulher constitui o laço social que une na mesma sociedade as linhagens diferentes. Simone de Beauvoir ficou chocada com o papel atribuído à mulher: a mulher desempenha o papel de objecto de troca, tal como a moeda nas relações económicas. O papel da mulher está intimamente ligado ao princípio da exogamia: "Tens de escolher a tua mulher fora da tua linhagem, se quiseres ter relações sociais com outras linhagens". A regra da exogamia não é uma regra negativa que proíbe o casamento com primas ou irmãs, mas uma regra positiva que afirma a existência social dos outros, entre os quais se escolhem as mulheres: o princípio da exogamia assinala a necessidade de estabelecer alianças e laços sociais com outras linhagens ou famílias. A mesma interpretação pode ser dada do tabu universal do incesto: "Procura uma mulher fora do teu grupo social". Ora, um homem só pode pretender a irmã de outro se recusar a si mesmo a sua própria irmã, e só pode esperar que o outro lhe dê a sua irmã se estiver disposto a dar-lhe a sua própria irmã em troca: é a corporificação do princípio da troca recíproca, como o qual emerge a cultura (Yvan Simonis). Os supostos perigos dos casamentos consanguíneos são mais o resultado do que a explicação da proibição do incesto: o tabu do incesto especifica, como regra geral, que as pessoas consideradas como pais e filhos ou irmão e irmã, ainda que somente em nome, não podem ter relações sexuais e muito menos casar entre si, mas a sua função é claramente positiva, na medida em que estabelece a dependência mútua entre as famílias, compelindo-as, para que possam perpetuar-se, a dar origem a novas famílias e a novas alianças entre grupos potencialmente rivais. A fonte suprema do parentesco é a aliança matrimonial, cuja função é transformar o inimigo potencial ou real em parceiro ou aliado. Os bantos da região de Kavirondo diziam que "não se desposam os amigos, mas sim os inimigos": a troca de mulheres fomenta a criação de alianças entre grupos rivais e inimigos. Com base no trabalho de Lévi-Strauss, G. Devereux defende a hipótese de que no próprio acto de troca de irmãs há uma forte componente homossexual, aliás semelhante à postura de submissão, com ou sem penetração, exibida - entre os primatas - por um macho dominado perante um macho dominante. Para Devereux, o casamento é a primeira cerimónia verdadeiramente humana, cuja função biológica «é disfarçar a hostilidade sob a máscara da aliança, afirmar o acordo para evitar a rixa». Luc de Heusch retomou esta ideia etnopsiquiátrica para formular a hipótese da natureza homossexual das relações sociais, hipótese que entusiasmou François Jacob, Jacques Monod, Allan R. Gardner e Michael Chance: a homossexualidade insere solidamente numa ordem natural já fortemente cerimonial o acto fundador da ordem cultural. Um novo cerimonial, a entrega da irmã, substitui a entrega de si mesmo.
O livro Social Structure de G.P. Murdock sobre a família, o casamento e o parentesco apareceu no mesmo ano (1949) que As Estruturas Elementares do Parentesco de Lévi-Strauss, mas as abordagens teóricas dos dois autores são substancialmente divergentes. Para estudar a cultura, a antropologia estrutural utiliza os métodos linguísticos formulados por Saussure e Troubetzkoy, cujas regras básicas são as seguintes: 1) deslocar a atenção do estudo dos fenómenos conscientes para o estudo da sua infra-estrutura inconsciente; 2) analisar as relações existentes entre os termos, em vez de os tratar como fenómenos independentes; 3) utilizar o conceito de sistema e descobrir a sua estrutura; e 4) procurar revelar as leis gerais, quer por indução, quer por dedução lógica. A linguagem é, nesta perspectiva, uma infra-estrutura inconsciente, composta por unidades básicas que se relacionam umas com as outras, de maneira sistemática e estruturada, mediante regras fonológicas e gramaticais. Assim, por exemplo, alguns poucos fonemas ajudam a explicitar a estrutura completa de uma língua, mediante a aplicação de determinadas regras precisas. De modo análogo, todos os sistemas de parentesco constituem-se sobre a base de quatro termos de parentesco: irmão, irmã, pai e filho. As relações de consanguinidade entre membros de um mesmo tronco biológico, as relações de afinidade entre cônjuges e as relações de descendência entre pais e filhos instituem a estrutura básica do parentesco. Lévi-Strauss mostrou que os diversos tipos de parentesco podem ser explicitados segundo o tipo de autoridade estabelecida entre pai e filho ou entre tio materno e sobrinho, explicando assim uma série de sistemas de casamento através da descrição do tipo de relações estabelecidas entre os grupos. Em vez de propor um tipo concreto de explicação para cada um dos tipos de casamentos, Lévi-Strauss integra-os a todos, mostrando que cada um deles mais não é do que aplicação particular do princípio de troca. Entre os diversos modelos lógicos, o casamento entre primos cruzados matrilineares - casamento de um homem com a filha do irmão da sua mãe - é mais rico em termos de troca social que o casamento entre primos cruzados patrilineares - casamento de um homem com a filha da irmã do seu pai. Com efeito, o casamento entre primos cruzados matrilineares dá lugar a um tipo de troca simultânea, indirecta e generalizada, visto que os casais da troca se encontram inseridos e orientados no interior de uma estrutura social aberta. A linhagem A entrega as suas filhas à linhagem B e a linhagem B, entrega, por sua vez, as suas filhas à linhagem C, até fechar o ciclo. Cada grupo entrega uma mulher e recebe, em troca, outra mulher, embora nenhum grupo entregue a sua mulher ao grupo que lhe deu uma mulher. Pelo contrário, o casamento com primas cruzadas patrilineares não liga entre si todos os grupos da sociedade, mas apenas os casais dos grupos entre si, visto que, nesta forma de casamento, cada grupo deve devolver, na geração seguinte, uma esposa ao mesmo grupo de que tinha recebido uma mulher. Por conseguinte, este último tipo de casamento dá lugar a um ciclo de trocas directas, restringidas e consecutivas, que não abrangem o conjunto da sociedade. Segundo Lévi-Strauss, a oposição entre ciclos curtos e longos de troca mostra que a realidade dos fenómenos não pode ser procurada nos próprios factos, que podem ser obscuros e difíceis de compreender, mas nas relações entre esses factos que são mais fáceis de explicar. Assim, as regras de casamento são sistemas de relações e o estruturalismo aborda cada um destes sistemas como se fosse mais um caso de outra série de sistemas, procurando a explicação global de todos os sistemas ao nível das suas regras de transformação, que permitem passar de um sistema para outro sistema.
Lévi-Strauss aplicou este tipo de análise estrutural ao estudo dos mitos, que também podem ser explicados em função de algumas infra-estruturas inconscientes, isto é, dos elementos básicos que se combinam e se recombinam entre si para configurar os fenómenos culturais tais como nós os conhecemos. A investigação de Lévi-Strauss sobre a mitologia é uma tentativa ambiciosa de ordenamento de uma realidade incrivelmente complicada, cujas afinidades com O Ramo Dourado de James George Frazer são demasiado evidentes. Lévi-Strauss baseia-se em duas hipóteses básicas: os temas míticos só podem ser compreendidos por referência ao conjunto de que fazem parte, e à sua posição relativa nesse conjunto (1), e cada mito só pode ser entendido em relação a uma totalidade mítica, fundo comum sempre virtualmente presente e utilizado, em cada caso, de forma específica. Tal como sucede na linguagem, são as posições e as oposições que conferem pertinência aos elementos dos mitos e que constroem o significado, que só pode ser interpretado se se tiver em conta a posição que ele ocupa em relação a outros mitos no seio de um grupo de transformações. Cada sociedade explora a seu modo essa totalidade mítica. Embora a diversidade das formas míticas seja evidente, há acordo quanto aos mecanismos fundamentais: as oposições determinam o sentido de cada elemento e as correspondências entre elementos de níveis diferentes conduzem ao desenvolvimento de um imenso sistema de analogias. Como criador de culturas, o homem é essencialmente criador de linguagens que lhe permitem dominar o mundo, como demonstraram na peugada de Lévi-Strauss os estudos de Edmund Leach, Luc de Heusch e Mary Douglas. As infra-estruturas subjacentes aos fenómenos culturais são tão universais quanto as estruturas do espírito humano. Uma das estruturas mentais fundamentais é a tendência para operar segundo oposições binárias: a tendência para dicotomizar a realidade segundo categorias polares complementares. Assim, por exemplo, Lévi-Strauss atribui o totemismo ao facto dos primitivos distinguirem os grupos sociais - os segmentos - mediante a associação de cada um deles com uma espécie animal, vegetal ou similar. Para pensar de maneira concreta acerca dos diversos grupos sociais, os povos selvagens usam não só nomes de animais, mas também pares de nomes de animais pertencentes à mesma espécie, tais como águia/falcão ou mocho/coruja. Cada par compõe-se de animais diferentes, mas os animais desse par pertencem à mesma espécie, tal como dois clãs distintos entre si podem pertencer à mesma tribo. Deste modo, o totemismo mais não é do que uma linguagem concreta que serve para expressar a integração dos distintos segmentos sociais. Esta integração resulta da necessidade intrínseca que leva o espírito humano a superar e a reconciliar as diferenças existentes: «As espécies naturais escolhem-se não porque sejam boas para comer, mas porque são boas para pensar».
O estruturalismo de Lévi-Strauss adoptou a distinção capital e particularmente fecunda formulada por Ferdinand de Saussure entre língua (langue) e fala (parole): a língua é o conjunto dos signos que servem como meio de compreensão entre os membros de uma mesma comunidade linguística, enquanto a fala é o uso que cada membro dessa comunidade linguística faz da língua para se fazer compreender (Maurice Leroy, Giulio C. Lepschy). Segundo Saussure, o estudo da linguagem enquanto sistema fixo de regras gramaticais e sintácticas recorrentes (língua) difere do estudo da linguagem tal como é usada pelos utentes dessa mesma língua. O problema linguístico fundamental reside em determinar a estrutura recorrente da língua a partir dos dados empíricos proporcionados pela fala. No caso da cultura, o problema consiste em descobrir o conjunto constante de relações existentes entre os elementos básicos que se manifestam como fenómenos culturais. Segundo Lévi-Strauss, a vantagem do estudo das formas primitivas de organização reside no facto delas possibilitarem um acesso fácil às estruturas lógicas elaboradas pelo pensamento inconsciente. A estrutura «proporciona os meios para integrar aqueles factores irracionais surgidos do acaso e da história». Assim, a busca das estruturas lógicas subjacentes à diversidade dos fenómenos culturais exige necessariamente um estudo sincrónico dos costumes, isto é, um estudo da natureza intrínseca dos fenómenos culturais, antes de passar ao estudo das influências de elementos externos que operaram as transformações históricas (estudo diacrónico): «Ao mostrar as instituições no seu processo de transformação, a história torna possível abstrair a estrutura que subjaz às manifestações e que permanece idêntica através da sucessão dos acontecimentos». Contudo, ao rejeitar a primazia do estudo histórico, que «organiza os seus dados em relação com as expressões conscientes da vida social», a antropologia estrutural «dedica-se a examinar os seus fundamentos (ou estruturas) inconscientes». A adopção do modelo linguístico da fonologia pressupõe a inversão da relação sincronia-diacronia: já não é a diacronia, mas sim a sincronia que torna inteligível o aspecto diacrónico dos fenómenos culturais. Para Lévi-Strauss, a antropologia estrutural é o estudo científico dos subprodutos gerados pelas operações inconscientes do espírito humano. As operações mentais, isto é, as estruturas, representam o significado real da cultura. A abordagem estruturalista evita os perigos do relativismo, na medida em que as distintas culturas são consideradas como meros subprodutos distintos do espírito humano - nem melhores nem piores uns que os outros. Deste modo, os indivíduos estudados são considerados como meros geradores-portadores de cultura: as suas acções são vazias de todo o sentido que não seja o sentido subjacente que lhes é proporcionado pelas estruturas universais inconscientes. Daí que Paul Ricoeur tenha razão quando definiu o estruturalismo como um kantismo sem sujeito transcendental.
J Francisco Saraiva de Sousa

65 comentários:

J Francisco Saraiva de Sousa disse...

Este post é uma homenagem a Claude Lévi-Strauss que morreu no dia 30 de Outubro do presente ano - 2009.

É também uma crítica da ignorância revelada pelas pessoas homófobas e neonazis. A direita não pensa; dá o cu! :)

J Francisco Saraiva de Sousa disse...

Afinal, já está concluído; falta fazer algumas correcções e melhorias conceptuais. :)

J Francisco Saraiva de Sousa disse...

Bem, Sr, neste post falei da troca e de Mauss, bem como de Lévi-Strauss, como é evidente! :)

J Francisco Saraiva de Sousa disse...

Os homófobos são panascas reprimidos, como verificamos lendo o blogue do Orlando Braga, que, além de ser malcriado, sofre de compulsão anal que lhe infesta os neurónios com merda. A direita neonazi que representa não pensa com a cabeça, mas com o cu. Por isso, ele só sabe falar de cu, cu, cu, apanhar no cu... o seu desejo permanente: apanhar no cu. Triste paneleiro este! :(

J Francisco Saraiva de Sousa disse...

Agora insinua que Paulo Portas é panasca. Meu Deus, o homem é mesmo anormal e doentio!

J Francisco Saraiva de Sousa disse...

Bem, estou feliz por ver alguns dos meus posts científicos estarem publicados em sites farmacêuticos, médicos e de pesquisa genética. Isto lembra-me que ultimamente navego noutras águas, mas vou regressar à ciência dura, embora hoje tenha feito referência à hipótese da natureza homossexual das relações sociais. :)

Sr disse...

Ok, não perca é sempre a perspectiva de a esmagadora maioria da ciência q se faz hoje é tendencialmente orientada pela economia politica e tb por isso axei util mostrar-lhe aqueles Z Cenários como memorandum.


Hoje de madrugada estive a rever o filme Sociedade do Espectaculo, do Debord, e, mais uma vez constato, q não apanho aí uns 40% das desconstruçoes q ele faz, fdx. Axo q terei q rever aquilo em camera lenta :))



Momento da semana:
Leibniz e a denuncia(contra descartes) da consciência como momento da representação.
Via releitura de nietzsche, claro :P
Os situacionistas foram dos mt poucos q levaram a tomada de "consciencia" disso mesmo até às ultimas consequencias

RESPECT!


Vou ler o post 0/

Sr disse...

hey!
lembram-se de eu ter aqui falado de um certo doc do canal Historia que desmontava mtas das ligações secretas entre os regimes nazi e sovietico-marxista?
Pois, consegui pra quem tiver a curiosidade de saber como é q é ^^
enjoy


Info:
Título Original:The Soviet Story
Gênero: Documentário
Ano de Lançamento (Europa): 2008
Direção: Edvins Šnore
Produção: UEN Group, European Parliament.
Tamanho: RMVB 531 Mb
Duração: 86 Min aprox.
Servidor: Rapidshare
Idioma: Inglês
Legenda: Português
Formato: RMVB

Site

http://www.sovietstory.com/

Sinopse

O documentário “The Soviet Story” , encomendado pelo parlamento Europeu e dirigido pelo eslavo Edvins Šnore traz como assunto principal a proximidade dos regimes comunista de Stalin e nacional-socialista de Hitler, no período anterior a segunda guerra mundial. Mostra como ambos se assemelhavam, desde a forma de governar ate os padrões usados em suas campanhas e propagandas, e suas estreitas relações de cooperação para a consolidação do estado que resultavam muitas vezes em genocídio. Como oficiais russos ensinaram agentes da SS nazista a construir campos de concentração e a exterminar pessoas em escala industrial, conhecimento este que tornou possível o holocausto. Também expõe como o regime ideologicamente Marxista aplicado por Lenin promoveu o extermínio de nações inteiras para construir um estado unificado e obediente.

Documentário indispensável a todos que se interessam por história da segunda guerra, sistemas políticos modernos e direitos humanos.



Senha:
http://farra.clickforuns.net


Links

RMVB
http://rapidshare.com/files/242317353/STS.part1.rar
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http://rapidshare.com/files/242108810/STS.part6.rar

Sr disse...

postado aí

http://ipsons.forumeiros.com/geral-open-f1/documentario-musical-ficcao-literario-artisticopolitico-cinematografico-bandas-sonoras-t8-30.htm#751

J Francisco Saraiva de Sousa disse...

Acrescentei alguns esclarecimentos sobre mitologia, de modo a aproximar o empreendimento de strauss do de frazer. :)

J Francisco Saraiva de Sousa disse...

Sr

Ernst Mandel é quase o único economista marxista que continua a estudar a economia política marxista: tenho um vídeo com as suas lições sobre capitalismo tardio.

Sr disse...

hum... aconselho-o a ler isto e a precisar melhor o post no quesito Mauss-explicação mística

http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0104-93131999000200004&lng=en&nrm=iso&tlng=ptb


E.. sabia q o mauss era sobrinho do Durkheim? :))

Mais uma vez, convença-se, tds esses gajos estruturalistas, quer pelo lado da antropologia-sociolog, quer pelo lado da linguistica, não fizeram mais q revisitar as gr intuiçoes e caminhos de investigaçao nietzscheanas ahahah

Sr disse...

ah, a gr diferença, qt a mim, é q o nietzsche já tinha ido mais longe na abordagem intuitiva dessas "estruturas"(ex: fenomenalismo da conscª), ao considerar a sua universalidade da ordem da convenção mais q da ordem do inconsciente, imho ^^

J Francisco Saraiva de Sousa disse...

Duas notas:

1. Mauss retoma a explicação emic, aquela que era dada pelos primitivos: Lévi-Strauss trata disso na tal Introdução.

2. Nietzsche não teve qualquer influência nestes pensadores: isso é demasiado evidente. Afirmar que
Nietzsche clarifica a fenomenologia da consciência é não dizer nada. Além disso, se fosse necessário descobrir um pensamento da convenção radical ele encontra-se bem desenvolvido em Hume.

J Francisco Saraiva de Sousa disse...

Antropologia, sociologia e linguística - do lado de Nietzsche? Bah... isso é brincadeira de mau gosto!

J Francisco Saraiva de Sousa disse...

As influências de Strauss foram Freud, Marx e a geologia: Leia Tristes Trópicos! E o estruturalismo vem-lhe de Saussure via Jakobson! Nietzsche era considerado um autor menor e é esse o seu papel na filosofia. Strauss vai de Durkheim até Kant..., pela via da sociologia do conhecimento de Durkheim.

J Francisco Saraiva de Sousa disse...

Refere muitas vezes Nietzsche, mas ainda não disse qual das suas inúmeras filosofias - ou vias -segue!

J Francisco Saraiva de Sousa disse...

E é preciso dizer a verdade: Nietzsche não conhecia bem a filosofia e nunca se esforçou por a compreender; ele martela nos mitos que atribui aos outros. E as suas obras mais interessantes são carentes de erudição: Veja o caso da Genealogia da Moral - onde está o rigor histórico?

J Francisco Saraiva de Sousa disse...

Sabia que Nietzsche retoma a dialéctica hegeliano do senhor e do escravo? Mas com esta diferença - toma o ponto de vista do senhor, negando a revolução francesa e o que ela significa - o fim da escravatura. É por isso que os nazis e os fascistas gostam de Nietzsche e da sua grande política - moldar pela violência o homem. Nietzsche é um reaccionário: o seu ideal é a submissão das massas que despreza ao domínio violento dos senhores. Este é o Nietzsche que percorre toda a sua obra incompleta!

J Francisco Saraiva de Sousa disse...

Ah, e não é um escrito brasileiro patético que me leva a trocar o meu conhecimento directo e ponderado das obras pelos disparates de mentes subnutridas! :)

J Francisco Saraiva de Sousa disse...

Sabe quantas vezes Strauss cita ou refere Nietzsche em Mythologiques (4 vols)? ZERO... E o mesmo pode ser dito em relação a Mauss, Durkheim, etc. :)

J Francisco Saraiva de Sousa disse...

Sr

Decida-se entre o Nietzsche do período intermediário que ataca o socialismo como despotismo estatal e o Nietzsche politicamente maduro que advoga a legislação aristocrática! A escolha é terrível, porque nenhum deles é politicamente interessante!

Sr disse...

Calma, calma, façamos entao um ponto de ordem sobre esta questão levi-strauss Vs Nietzsche:


1º - então o fcp perdeu? ahahaha
Já tinha dito antes por aqui q o fcp n estava a convencer ng e as vitorias conseguidas estavam mais a aparecer por demerito do adversario do q pela convição do fecepe. :)


2º - Não disse q existiram influências nietzscheanas directas nas obras desses antropologos-sociologos-etnologos, mas sim sugeri q os trabalhos de campo e as suas teorias não fizeram mais q ir ao encontro das "grandes intuições de nietzsche" sobre as origens(estruturas) da cultura e do conhecimento. É substancialmente diferente, não?

3º - Sim, confirmo q são Marx e Freud os pensadores nucleares de quem ele se diz mais devedor, como também Rousseau, Montaigne, Francz Boas, Mauss e outros...


Especificamente e quanto à questão das similitudes q encontro entre Levi-Strauss, assim de memória eis as q encontrei:

- mesma importancia metafisica dada à musica e tb à literatura, sendo q aqui tem uma extraordinaria similitude de gostos.
- ambos usam métodos genealógicos e linguisticos na sua investigação
- politicamente, ambos se situam no espectro dum anarquismo individualista(levi-strauss afirmou-o textualmente), o qual, como sabemos, pode ser filiado indistintamente à esquerda e à dta.
- sobre a concepção estritamente antropologica, ambos partem da problematica da superação moral para o da afirmação da vida como o autêntico horizonte a procurar atingir.
Vida enquanto plena identificação com a Terra e o Cosmos - nada de kantismos, hegelianismos e restantes sistemas totalizantes, portanto*


existirão mais, mas sao os q de repente me lembro e me parecem inquestionaveis :)


Quanto ao meu posicionamento em relação a Nitx, digamos q aquele em q mais me revejo coincide sensivelmente com o do caso wagner, mas, pra mim, não há "varios" nietzsches, mas sim um pensamento coerente consigo mesmo, fragmentario e andarilho, em evolução e realmente dialectizante com a sua propria vida.

Quanto à dialectica senhor-escravo, a sua interpretação não está correcta e esse tem sido um tema sobejamente desmontado pra poderem ainda restar duvidas, lamento.

gotta work ^^

J Francisco Saraiva de Sousa disse...

Sr

Quatro notas em resposta às similitudes que aponta:

1 - "mesma importancia metafisica dada à musica e tb à literatura, sendo q aqui tem uma extraordinaria similitude de gostos." Será que se trata da "mesma importância"?

2 - "ambos usam métodos genealógicos e linguisticos na sua investigação". Serão os mesmos métodos? Strauss usa a linguística estrutural posterior a Nietzsche.

3 - "politicamente, ambos se situam no espectro dum anarquismo individualista(levi-strauss afirmou-o textualmente), o qual, como sabemos, pode ser filiado indistintamente à esquerda e à dta." Strauss anarquista?

4 - "sobre a concepção estritamente antropologica, ambos partem da problematica da superação moral para o da afirmação da vida como o autêntico horizonte a procurar atingir.
Vida enquanto plena identificação com a Terra e o Cosmos - nada de kantismos, hegelianismos e restantes sistemas totalizantes, portanto" Não vejo esse princípio da Vida em Strauss!

J Francisco Saraiva de Sousa disse...

Nietzsche foi lido em chave nazi pelos seguintes filósofos: Alfred Baeumler, Alfred Rosenberg, Richard Oehler e Heinrich Härtle, já para não falar da irmã Elisabeth. Todos eles citam as máximas nazis de Nietzsche, é certo que desvinculando-as do contexto, mas os seus adeptos também usam o mesmo procedimento, porque ninguém se identifica com Nietzsche em bloco.

Outras leituras mais rigorosas apontam essa presença desagradável no pensamento de Nietzsche: não adiante querer meter a cabeça debaixo da areia com faz a avestruz, porque elas estão lá. A maior parte dos amigos de Nietzsche mistifica o seu pensamento: Nietzsche um liberal radical como prtendem Deleuze e Rorty? Isso é asneira violenta!

J Francisco Saraiva de Sousa disse...

Sem clarificar a inversão que Nietzsche opera na dialéctica do senhor e do escravo de Hegel, começando pelas Intempestivas até à GM, não se compreende Nietzsche, que sempre que fala contra os valores - verdades absolutas, opta por uma filosofia histórica - paradoxalmente. Ele defende clara mente uma concepção aristocrática regressiva e o ressentimento pode ser-lhe atribuído.

J Francisco Saraiva de Sousa disse...

Ah, é preciso dizer a verdade: Nietzsche apreendeu mal a problemática dos valores: ele não superou os valores; o capitalismo superou-os e operou a tal inversão. Leitores atentos de nietzsche tais como Simmel e Weber viram isso, indo ao encontro de Marx - este sim compreendeu o seu tempo, bem como Hegel, o fundador do discurso da modernidade. Sim, os escravos venceram de algum modo e a sua vitória significa a morte de Deus. Eis o ressentimento de Nietzsche: os senhores converteram-se aos valores dos escravos - igualdade, liberdade, justiça e fraternidade. Nietzsche presta-se a todos os pensamentos reaccionários, desde o imperialismo até ao capitalismo organizado, passando pelo fascismo, mas não se presta à causa da justiça social.

J Francisco Saraiva de Sousa disse...

O anarquismo é amigo da economia de mercado selvagem - esta é a seu modo anarquista, detesta todo o tipo de intervenção estatal, mas sabemos o que acontece quando ela é entregue a si mesma - crise financeira, crise económica, corrupção, morte. O capitalismo é necrófilo - não afirma a vida: os desempregados formam hoje a reserva de mão de obra barata. Onde está o eu? Onde está a liberdade? Vender a sua força de trabalho é ser livre? Bah... Nietzsche é uma força obscura!

Sr disse...

Quatro notas em resposta às similitudes que aponta:

1 - "mesma importancia metafisica dada à musica e tb à literatura, sendo q aqui tem uma extraordinaria similitude de gostos." Será que se trata da "mesma importância"?


Sim, a mesma importancia e até passando basicamente pelos mesmos autores(wagner e bizet) nessa demonstração. Alias, e so pra ver como o levi-strauss conhecia ao mais alto nivel de intimidade o pensamento estético de nieztsche eu cito-lhe duma entrevista catherine clement :P
Vous ecrivez: «Pour ma part, quand je suis envahis par la musique de Parsifal, je cesse de me poser des questions.»
CLS - C'est vrai... Mais tout depend de la place d'ou l'on écoute la musique. Si c'est à la opera, la pensée s'arrête un effect.

Ou alors deferle un flux de pensées ininterrompues...
CLS - Absolument, c'est egalement vrai. NIETZSCHE dit exactement cela, et je l'ai repris dans De Prés et De Loin. La musique met la pensée en branle; allors on l'entend plus vraiment, on décolle.. Et puis l'on retombe...

Como este excerto, colocando a música como via de acesso ao tal pensamento "selvagem" q ele glosava, há vários :) Estudos sobre Proust, Rimbaud e outros onde isso é defendido...


2 - "ambos usam métodos genealógicos e linguisticos na sua investigação". Serão os mesmos métodos? Strauss usa a linguística estrutural posterior a Nietzsche.

LOL, mas isso não é evidente??
A questão importante quanto a mim é que, se na genealogia e na fil de nietzsche o suporte da filologia é por demais conhecido, com a sua teoria de retórica, nietzsche volta a antecipar todos esses estudos linguistico-estruturalistas, imho
Lembra-se daquele excerto do Aurora 250 q até scaneei pra vcs verem, onde o Nitx fala da orelha como orgão remniscente dos 1ºs homens e da musica como a arte da penumbra? Pois, entao, é so pensar analogamente na orientação e importancia q o jackobson e os restantes estruturalistas vão dar ao som e à Fonologia... o.O


3 - Strauss anarquista.
Duvida? Ha mais evidencias, mas, dado o espaço, ter q escrever passagens à mão do q afirmo e ter q ir jantar :) , vou novamente so citá-lo numa outra entrevista, desta vez pela mão do Dominique-Antoine Grisoni, onde este elabora questionário a q chamou "dicionario intimo" pela boca do proprio CLS:
POUVOIR - «Je le redoute, je suis trés anarchiste.»
Outras curtas so por curiosidade: ARGENT - «L'usage que j'en ferais si j'en possedais suffisament: acquerir des beaux objects» TRAVAIL « Moyen d'avoir bonne conscience»

Parecem-me evidentes so estes indicios...


4 " Não vejo esse princípio da Vida em Strauss!

É mais patente nas obras finais, e aquela a q me reporto é a Le Regard Eloigné, onde ele aparece todo ecologista e tb dum moralismo aparentemente conservador, ao ponto de ter sido acusado de racismo por defender a separação/distanciamento dos povos, tal como nietzsche o foi de fascismo com essa má interpretação senhor-escravo.
Sobre isso, a minha opinião é que, embora nietzsche tenha sim usado e abusado de alegorias bélicas e de força, ele fê-lo, sobretudo, com o intuito de chegar mais directamente ao cerne mental das consciencias abusadas elas msmas por uma educação e religiao belicistas. Nessa dialectica, o q importa reter é ele apelar para coisas como a superação do homem(violentado) e de necessitar constantemente de parteiras para esse fim(tecnicas como a do Super-Homem ;)
« L'homme ne subit pas l'agression des nuisances, il les cause.» CLS


\0/

J Francisco Saraiva de Sousa disse...

Hermeneuticamente falando, Nietzsche não exerceu nenhuma influência sobre o pensamento de Strauss e, sinceramente, é muito difícil derivar a linguística estruturalista da retórica de Nietzsche: não há afinidades estruturais entre ambos; o que diz nas entrevistas é arrancado, mas carece de valor hermenêutico.

Além disso, não vejo como pode dizer que para Strauss a música era a via de acesso ao pensamento selvagem: as afirmações citadas não apontam nesse sentido. Basta ler o pensamento selvagem!

Strauss não é um defensor da vida nesse sentido que lhe atribui; Strauss que falou dos tristes trópicos defende talvez a diversidade cultural. Não tem uma moral que diga ser a vida o valor supremo!

Ele não diz ser politicamente anarquista, até porque o anarquismo é estranho a sua matriz de pensamento: o estruturalismo pode ser muita coisa menos anarquista. Duas matrizes que não casam! É simplesmente uma maneira coloquial de mostrar desprezo por certo estilo de vida, nada mais.

O método genealógico é um método clássico da antropologia: os estudos de campo usavam-no. Lévi-strauss criticou esse método, mas nunca usou a genealogia de Nietzsche.

Ui, como a suposta estética de nietzsche está distante de Strauss: Kant está presente.

J Francisco Saraiva de Sousa disse...

Aliás, nem sei porque estamos a debater uma influência que não existe: Nietzsche não influenciou Strauss, não há mais nada a dizer sobre este falso assunto. Lamento!

J Francisco Saraiva de Sousa disse...

Quanto a Nietzsche, já que apaga o que ele escreve sobre o senhor e o escravo, não sei o que retém de Nietzsche: o que resta da obra dele sem esse confronto senhor-escrevo, sem a crítica da moral cristã? A consciência infeliz de Hegel! Hegel é Filósofo!

J Francisco Saraiva de Sousa disse...

Ah, o benfica ganhou mas com um penalty não marcado, isto é, com a ajuda do árbitro, porque o benfica realmente não presta! O benfica é todo ele inestético e saloio! Um horror de clube! Coisa feia e fascista, muito burra!

Aveugle.Papillon disse...

A argumentação do Francisco contra Nietzsche (em prol de Hegel e Marx) ou é cínica ou é ignorante.
Primeiro: acusar Nietzsche de ter despontado o fascismo. Temos de supor uma premissa subentendida que é: os regimes totalitários de direita são menos maus do que os de esquerda, porque Marx deu azo a tantas interpretações e algumas delas a práticas totalitárias assassinas. Além disso, seria bom que definisse "fascismo" - refere-se ao de Mussolini? Ou a um conceito generalizado de fascismo que compreende o regime nazi? Porque há algumas diferenças ideológicas a ter conta.
Segundo: Nietzsche é filófoso menor porque n pensava a política. Mas ele n é filosofo político! Aliás, ele faz pelo menos no livro "Aurora", uma distinção entre a "vontade" de poder e o "desejo" de poder (lust - li sempre Nietzsche em inglês, desculpem-me senhores) significando este um poder menor, o poder instituído, colectivo. A Nietzsche só lhe interessa o indivíduo, só o indivíduo se pode salvar. Se para si os filósofos q n sejam filósofos políticos são lixo, então a história da filosofia teria que ser recontada, porque dos filósofos modernos (sim, n me fale de Platão e Aristóteles que são antigos e a léguas de nós, modernos - aliás, diferença esta tematizada pelo bravo Nietzsche).
Terceiro. Porque Nietzsche não é "rigoroso" nos dados históricos. A isso se chama especulação, q é um tipo de exercício muito filosófico, deve a ciência (histórica, neste caso), refutar ou comprovar.
Enfim, não digo que falte a Nietzsche uma consequência política da sua geneologia, mas dizer que, logo, a sua filosofia, ou o seu pensamento, ou os seus delírios proféticos sejam inúteis, isso é negar-se à evidência.
Quanto ao capitalismo, isso ele era absolutamente ingénuo, um pedaço que o confirma (trad. por mim):
"Uma cultura comercial – o comércio está para nós como a guerra, vitória e justiça estava para os romanos e a competição pessoal para os gregos. O homem do comércio sabe como avaliar tudo sem o ter feito, e avaliá-lo de acordo com as necessidades do consumidor, não com as suas próprias. A questão das questões é quem e quantos consumirão isto? Isto é aplicável à arte, à ciência, à filosofia, aos homens de estado…Isto torna-se o carácter de uma cultura inteira, impresso em cada vontade e faculdade: é disto que vós, homens do próximo século, vos orgulhareis: se os profetas da classe comercial estão certos. Mas eu tenho pouca fé nestes profetas."

No entanto, tb n sou completamente de acordo com a visão marxista de que a economia cobre toda a sociedade, neste caso o capitalismo. Mas isso seria outra dicussão... :)
Nietzsche foi importante na ética, estética e metafísica. É sob estas disciplinas da filosofia q o deveremos ter em conta.

J Francisco Saraiva de Sousa disse...

Papillon

1. É um facto que no tempo de Hitler e de Mussolini foram realizadas diversas antologias com textos de Nietzsche, de resto o autor mais lido na altura. As antologias escolhem os fragmentos que se coadunam melhor com a ideologia nazi, acentuando o racismo e o anti-judaísmo. Esses fragmentos existem efectivamente e fazem parte da obra de Nietzsche. E foi tarefa fácil usá-los para defender o imperialismo - o mesmo sucedeu com Darwin - e os campos de concentração. No pensamento de nietzsche há noções perigosas e as pessoas devem ser alertadas para esse facto.

2. Ah, curiosamente, em certos momentos, nietzsche quis ser um filósofo política: veja a sua grande política, onde se encontra outra ideia perniciosa. E tem sido interpretado como tal por alguns dos seus seguidores: a política nunca é estranha à filosofia.

3. De facto, alguns estudos corrigiram os erros históricos de Nietzsche, a começar pela sua visão da tragédia.

J Francisco Saraiva de Sousa disse...

Porém, Nietzsche não pode aparecer entre os grandes filósofos: a sua filosofia não é orgânica, porque não capta o espírito do tempo; recua e volta atrás... :(

J Francisco Saraiva de Sousa disse...

Bem, sejamos profissionais: a metafísica de Nietzsche tal como a interpreta Heidegger consuma a metafísica como vontade de poder. Os adeptos de nietzsche contam a história da filosofia em termos de desejo de poder: os homens movidos pelo ressentimento e feridos pelo mundo empreenderam a tarefa de o dominar mediante o pensamento, fazendo-se senhores do mundo e concebendo-o exclusivamente através do seu próprio pensamento. Os filósofos foram esses especialistas da violência do conceito, da apropriação, que afirmaram a sua força submetendo à lei da verdade todas as práticas sociais.

Ora, esta visão que vê na filosofia o arquétipo do poder e da força merece ser pensado, até porque mina o próprio conhecimento, entregando-nos ao relativismo. A noção de poder de Nietzsche é frouxa - insulta o Estado mas não aponta alternativas viáveis. Esta fraqueza transmite-se à ética e à estética: Nietzsche não captou que a obra de arte se converteu numa mercadoria. Ele não compreendeu a organização moderna do poder. Enfim, a sua filosofia não é orgânica: não ilumina, não orienta, não esclarece, nada de nada. É reaccionária: pura ideologia!

J Francisco Saraiva de Sousa disse...

Mais: este triunfo da violência conceptual é vista como decadência: a vitória dos escravos - os homens ressentidos - sobre os senhores. Outro elemento regressivo... A afirmação da vida é unilateral: a vida do senhor contra o escravo.

J Francisco Saraiva de Sousa disse...

A individualidade que nietzsche defende é a do senhor. Daí a sua crítica do cristianismo: a sua grande política é a violência que traz de volta esse período arbitrário dos senhor que afirmam a sua vida negando a vida dos outros, dos escravos. Política regressiva e reaccionária!

J Francisco Saraiva de Sousa disse...

Na Itália fascista, quem apreciava nietzsche? Pareto, Mosca e os teóricos das elites.

Sr disse...

Back :)

J Francisco Saraiva de Sousa disse...

Hermeneuticamente falando, Nietzsche não exerceu nenhuma influência sobre o pensamento de Strauss e, sinceramente, é muito difícil derivar a linguística estruturalista da retórica de Nietzsche: não há afinidades estruturais entre ambos; o que diz nas entrevistas é arrancado, mas carece de valor hermenêutico.

- LOL, mais uma vez, não afirmei q tinha q haver derivação mas sim que, no essencial, as principais intuiçoes de nieztsche apontavam esses mesmos caminhos de investigação.
De resto, e sendo nietzsche um dos pensadores mais adversos à ideia de sistema, torna-se obvio q ele nunca poderia ser um estruturalista! Porquê? porque, obviamente também, ele estava já consciente das contradiçoes e perigos que uma filosofia do tipo estruturalista poderia conter ahah Só ver o q ele diz sobre o darwinismo, por ex



Além disso, não vejo como pode dizer que para Strauss a música era a via de acesso ao pensamento selvagem: as afirmações citadas não apontam nesse sentido. Basta ler o pensamento selvagem!


- Oh, vamos lá ver, eu axo q não escrevi q seria a única via de acesso, mas sim q seria algo como, de todas as ARTES, A via de eleição para ele, homem moderno e ocidental, conhecedor profundo das estéticas e metafisicas dos mais variados povos.
Aqui, só falta mesmo o principio activo da potência nietzscheana com a interpretação e criação de valores. de resto, as vias de acesso são as mesmas, imho.



Strauss não é um defensor da vida nesse sentido que lhe atribui; Strauss que falou dos tristes trópicos defende talvez a diversidade cultural. Não tem uma moral que diga ser a vida o valor supremo!

- Oh tristes tropicos, onde isso já ia qd lhe citei esses excertos. Leia um dos ultimos artgs dele http://etudesrurales.revues.org/document27.htm

depois não me venha dizer q so fala das vacas loucas e da mudança de habitos alimentares, LOL


Ele não diz ser politicamente anarquista, até porque o anarquismo é estranho a sua matriz de pensamento: o estruturalismo pode ser muita coisa menos anarquista. Duas matrizes que não casam! É simplesmente uma maneira coloquial de mostrar desprezo por certo estilo de vida, nada mais.

OBVIO q ele não diz ser politicamente anarquista, homem. Ele ate apoiou o de gaulle e na sei quê, mas o seu posicionamento intelectual e vital no mundo é esse, o de uma especie de anarquista de afinidades electivas e não o de pendor socialista. Aliás, essa sua observação so vem colocá-lo mais uma vez ao lado da sensibilidade nietzsheana, a mesma q criticou a eito socialismo e democracia pelo nivelamento e dominação das consciencias q promove. Ora, como sabe, DIVERSIDADE, é algo caríssimo ao CLS também, nao!! :P


O método genealógico é um método clássico da antropologia: os estudos de campo usavam-no. Lévi-strauss criticou esse método, mas nunca usou a genealogia de Nietzsche.
Ui, como a suposta estética de nietzsche está distante de Strauss: Kant está presente.

- Porquê? por causa daquela tirada barthesiana do "kantismo sem sujeito neardental"? :))
LOL, já lhe disse, vá checar o percurso intelectual-estético de ambos e constatará, aqui sim, quase uma alma gemea.
Já agora, e especificamente quanto a um posicionamento estetico kantiano do CLS, explique-me o porquê do cabotinismo dele quanto ao figurativismo, desvalorizando artistas já tão integrados como foi o ex do Picasso :))

J Francisco Saraiva de Sousa disse...

Bem, a estética de strauss é excessivamente formalista e, se a identifica com a de nietzsche, tanto faz: que venha o diabo e que escolha! :)

Sr disse...

J Francisco Saraiva de Sousa disse...

A individualidade que nietzsche defende é a do senhor. Daí a sua crítica do cristianismo: a sua grande política é a violência que traz de volta esse período arbitrário dos senhor que afirmam a sua vida negando a vida dos outros, dos escravos. Política regressiva e reaccionária!



LOL, arre q vc nao encaixa mesmo e continua a associar o conceito de potencia e senhor ao belicismo e violencia!
Potencia é quanto ao acto de CRIAR E INTERPRETAR, enquanto os escravos e o rebanho o sao do comodismo e das ideias instaladas pelo Estado e Moral.
Por isso ele diz mal do socialismo e democracia, porque o nivelamento q produz impede o espirito critico de saber interpretar e descobrir os detentores do poder q promovem a obscuridade e pasteurização cultural.

POTÊNCIA É CULTURA EM ACÇÃO, SACOU, BRO!?! :p

J Francisco Saraiva de Sousa disse...

Agora também faltava ver em Strauss o esteta do mundo contemporâneo! Eu vivo no mundo real, não no mundo das virtualidades fictícias, mas se ler Boas compreende a posição de Strauss.

Sr disse...

FOLLOW JESUS!!

http://www.dailymotion.com/video/xtcha_zoviet-france-ram-jim-jones_creation



:))

J Francisco Saraiva de Sousa disse...

Que cultura em acção? que concepção mais ultrapassada de cultura é essa? Pré-moderna?

J Francisco Saraiva de Sousa disse...

E o que é interpretar? Se corrompeu todos os critérios racionais, como é possível interpretar e escolher a melhor interpretação?

J Francisco Saraiva de Sousa disse...

Agora também faltava inventar o nietzsche hermeneuta! :(

Sr disse...

Releia o Ecce Homo e terá a verdadeira imagem de nietzsche, é so o q digo
alias, nao é por acaso q a irmã escondeu essa obra* ^^

J Francisco Saraiva de Sousa disse...

Bem, o melhor será ler:

1. Patrick Wotling, Nietzsche et le pronlème de la civilisation.

2. Didier Franck, Nieyzsche et l'ombre de dieu.

3. Kremer-Marietti, Nietzsche et la rhétorique.

E, claro, os clássicos!

J Francisco Saraiva de Sousa disse...

E no final dessa obra - ecce homo - encontra-se uma noção estúpida de instintos, o que mostra o vero entendimento de nietzsche do mundo. A negação da segunda natureza, a negação da cultura, embora noutros fragmentos defenda outras coisas.

J Francisco Saraiva de Sousa disse...

Mas tb pode ler:

4. Éric Blondel, Nietzsche, le corps et la culture.

Sr disse...

Ecce Homo!
é la q está « ninguém pode ouvir nas coisas, inclusive nos livros, mais do que já sabe.»
Pense bem nisso...


nitx rules :P

J Francisco Saraiva de Sousa disse...

E o resto do parágrafo não deixa de ter a sua ironia: afinal, ele sabia que, a partir dele, cada um compõe algo à sua própria imagem. Pena que nietzsche não tenha procurado saber porquê que isso sucedia e continua a suceder. :)

J Francisco Saraiva de Sousa disse...

Bem, para todos os efeitos, o homem é um ser social e, sem ter isso em conta, não é possível articular uma teoria da individualidade que, mesmo que reduzida aos instintos, se perde na herança filogenética: os instintos não são bons instrumentos para configurar a individualidade e o instrumento que o permite - a lingua(gem) - é tb social. O anarquismo é sempre um fenómeno parasitário: por si mesmo nasce morto! :P

Sr disse...

atenção, nao confunda, manter essa coisa so ao nivel dos instintos, do egoismo e tal seria demasiado basico pra um genio como ele, blah.
Nao, o dele é um individualismo sem sujeito e com uma subjectividade tb irredutivel a qq outro sujeito.
Interessa-lhe é a ideia de soberania de si proprio e a potência do seu desenvolvimento.



Well, chega de nitx pa mim, vou tentar decidir-me sobre qual filme vou ver hj à noite :)

Sr disse...

axo q vou alinhar nesta alegoria delirante do estado socialista socratico


http://www.youtube.com/watch?v=g7bqyh4u4xM


:P

J Francisco Saraiva de Sousa disse...

Ok, mas não compreendo estas frases:

O individualismo de nietzsche é um "individualismo sem sujeito e com uma subjectividade tb irredutivel a qq outro sujeito".

"Interessa-lhe é a ideia de soberania de si proprio e a potência do seu desenvolvimento."

Há aqui muitas contradições: uma célula tem individualidade embora não tenha supostamente subjectividade, mas o indivíduo humano é mais do que um agregado de células: os seus estados mentais são subjectivos e dificilmente se pode negar que seja um sujeito. Quem o nega são os totalitarismos! Mas, sem não é sujeito e fim em si mesmo, como pode ter soberania sobre - paradoxo - si mesmo? E ser a potência do - outro paradoxo - seu desenvolvimento? A genialidade do seu nietzsche é muito estranha! ;)

J Francisco Saraiva de Sousa disse...

Ah, Sr

Quando nietzsche defende teses desse tipo, ele reconduz a Kant e à noção do homem como ser que faz promessas e deste modo entramos novamente no domínio da política! :)

Fim de discussão! :P

J Francisco Saraiva de Sousa disse...

A Filomena Mónica deu uma entrevista tonta na SIC: faz a biografia do Fontes Pereira de Melo mas nega a construção do TGV e considera bombamente que a questão dos casamentos gay não é prioritária. Em suma, é uma ressentida e uma tonta: uma figura que inventa todas as desculpas para não modernizar Portugal. Uma tonta completa! E velha! :(

Sr disse...

ya, pessoal do antigamente tsc tsc

http://inimigo.publico.pt/noticia.aspx?id=1409368

J Francisco Saraiva de Sousa disse...

Ya, a malta do antigamente não se enxerga: foram e são os responsáveis pelo fracasso de Portugal. É preciso aguardar que morram todos! :(

J Francisco Saraiva de Sousa disse...

Mas, como continua a cagar permanentemente, nem depois de mortos estamos salvos, porque deixaram mais merda ambulante! É complicado viver com tanta merda ambulante portuguesa!

Sr disse...

e o google livros, ja conhece?

http://books.google.com/books?q=ecce+homo+nietzsche&btnG=Pesquisar+livros&hl=pt-PT





:))

Magnos Evilázaro Soares Aguiar disse...

Sinceramente eu nao entedi nada dessw texto todo. ... São aprnas um amontoado de palavras. Maldito professor q mandou eu pesquisar essa p $!#@