segunda-feira, 3 de setembro de 2012
sexta-feira, 29 de junho de 2012
Projecto Filosofia Ecológica
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| Porto: Jardins do Palácio de Cristal |
terça-feira, 20 de setembro de 2011
Prós e Contras: Portugal - A Terra e o Mar
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| Fátima Campos Ferreira e o cabaz das verduras made in Portugal |
J Francisco Saraiva de Sousa
segunda-feira, 20 de junho de 2011
OPorto: Boavista Palace




OPorto: Casa de Serralves

quinta-feira, 16 de junho de 2011
OPorto: Quem me paga um jantar neste restaurante panorâmico?
terça-feira, 8 de março de 2011
Hipócrates e Medicina Grega

sexta-feira, 14 de janeiro de 2011
Desenredos: A Casa como Imago Mundi

terça-feira, 8 de junho de 2010
Jaime Cortesão e os Descobrimentos Portugueses
«A interpretação do passado, muito mais quando abrange um largo teatro e época de acção, supõe uma filosofia subjacente. A nosso ver, a história não obedece apenas a um determinismo geográfico e económico. Não ignoramos que a trama comum do passado é tecida pelo esforço dos homens, na luta quotidiana com a natureza e sob o acicate das necessidades primárias. Negar, porém, a parte das aspirações espirituais e da criação individual na história é reduzi-la a um arremedo inumano de ciência. /Sobre a talagarça da infra-estrutura económica, moldada por sua vez pelo meio geográfico, cujo estudo de conjunto historiador algum, digno do seu tempo, pode dispensar, as grandes correntes espirituais e as fortes personalidades que as encarnam, bordaram o íris das crenças religiosas, dos novos conceitos da ciência e da filosofia, das múltiplas expressões das artes, ou a marca das vontades poderosas, ao serviço dos interesses próprios ou gerais, tanto maiores e mais fecundos quanto mais o individual se fundiu com o colectivo. /Uma escola moderna, eivada de sentido geométrico, tem procurado resolver os problemas da história como se fossem teoremas, filtrando as suas averiguações através dum fino e complicado crivo de análises críticas, números, gráficos e estatísticas, abolindo as individualidades do seu relato e ignorando por sistema que todos os ideais participam da fé e toda a progressão humana representa um processo do espírito e uma conquista da liberdade. Por via de regra, os historiadores desse tipo afadigam-se no trabalho meritório de apuramento e discussão das fontes, mas esquecem-se de subordiná-las, como dizia Benedetto Croce, à fonte suprema, à autoridade da consciência humana, historicamente viva e activa. /Nessa escola de historiografia não enfileiramos. Acreditamos, sim, que os descobrimentos portugueses, se obedecem a factores geográficos e económicos - verdade indiscutível -, participam dum longo processo espiritual, que visa, tanto como o conhecimento científico do planeta e o seu enquadramento no Universo, a sagração religiosa da natureza e da vida, a humanização e a libertação das consciências - gesta dolorosa e épica cujas fontes e referências supremas são a História Trágico-Marítima e Os Lusíadas». (Jaime Cortesão) terça-feira, 27 de abril de 2010
Prós e Contras: Para comer é preciso produzir
Prós e Contras de hoje (26 de Abril) debateu as agriculturas de Portugal, sobretudo as do centro-sul, desafiando o discurso presidencial que, reconhecendo talvez a sua própria culpa, defendeu - na comemoração do 25 de Abril - a necessidade de recriar a centralidade do Porto, mediante a aposta na economia criativa pensada e gerada por cérebros portuenses do Norte. O único agricultor criativo que participou neste desfile interminável e enfadonho de dezassete figuras das agriculturas nacionais é do Norte: chama-se Artur Varandas Sousa e cultiva cogumelos. Se não fosse o esclarecimento de Arlindo Cunha (ex-Ministro da Agricultura do PSD), teríamos ficado sem saber que o grande produto exportado por Portugal é, neste sector da economia, o Vinho do Porto. O que devemos lamentar é a criação da marca Vinhos de Portugal, porque integrar o Vinho do Porto neste conjunto de vinhos nacionais, muitos dos quais não têm qualidade, pode danificar o prestígio internacional e histórico deste excelente Vinho do Porto. O Porto é uma marca que se vende a si própria, sem precisar ser dissolvida nessa mistura pouco credível de vinhos portugueses, a menos que expliquem aos estrangeiros que o Porto deu o nome a Portugal. A criatividade exige exclusividade, feroz concorrência entre empresas e marcas, política de sigilo, antecipação, capacidade de inovar e de surpreender, conhecimento profundo do mercado, enganar os adversários, enfim não partilhar conhecimentos: estes são os segredos do sucesso do negócio que se aprendem em todas as universidades americanas, desde logo ao nível da investigação. A cidade do Porto deve olhar produtivamente para Barcelona como caso paradigmático e procurar incorporar e adaptar o seu espírito de autonomia, distanciando-se de Lisboa e do seu centralismo colonial. A promoção das indústrias criativas - um modelo retomado do Reino Unido - é uma boa aposta da Cidade Invicta: o sector da arquitectura pode e deve ser usado para modernizar a cidade, de modo a acentuar toda a sua riqueza arquitectónica, a melhorar a qualidade de vida dos portuenses e a atrair um número cada vez maior de turistas. As indústrias criativas portuenses devem incorporar e dar forma à cultura integral e articulá-la, pelo menos nas camadas e zonas históricas da cidade azul, com a cultura ideacional e a cultura sensata. A centralidade do Porto multiplica-se em diversas centralidades que coexistem num todo orgânico que recusa o seu fechamento. A Cidade Invicta é um Porto aberto ao Mundo. José Sócrates adora os Portos e eu também adoro três Portos: o Porto Cidade Invicta, o FCPorto e o Porto de Leixões. Não é preciso conhecer a agricultura portuguesa e europeia para compreender o espírito mesquinho e egoísta que move certos agricultores e certas associações agrícolas. Neste debate, esse espírito evidenciou-se nas palavras proferidas por Fernando Mendonça: limitou-se a pedir os apoios a que os agricultores têm direito para poderem vender mais barato os seus produtos agrícolas nos mercados locais. A mentalidade dos subsídios que invadiu o mundo rural colide frontalmente com a criação de uma economia de mercado competitiva, onde os agentes económicos devem correr riscos. Uma agricultura subsidiada pelo Estado e pela PAC é uma mentira que, em vez de enriquecer, empobrece o país, embora possa enriquecer fraudulentamente alguns proprietários rurais, como todos sabemos. A clivagem entre o Norte e o Sul de Portugal revela-se no confronto entre duas visões da economia: o capitalismo de risco assumido por Firmino Cordeiro e Varandas Sousa e o capitalismo subsidiado pelo Estado representado por Fernando Mendonça. O representante do arroz deu voz a este pseudo-capitalismo centro-sulista, travando uma guerra desleal com os empresários do Norte do sector da distribuição: o homem do arroz - Carlos Laranjeira? - responsabilizou os hipermercados pela crise da agricultura portuguesa, esquecendo que os portugueses vivem melhor graças à existência destes hipermercados. Entre uma agricultura subsidiada e cara e um sector de distribuição que garante produtos a preços mais reduzidos, os portugueses optam claramente pela iniciativa empresarial do Norte. Os portugueses não querem subsidiar os luxos privados de agricultores que não sabem produzir produtos agrícolas a preços atractivos para o mercado, nacional ou estrangeiro. Arlindo Cunha encara a distribuição mais como uma questão de logística, isto é, de organização, do que como uma questão de preços ou de qualidade dos produtos agrícolas: as cooperativas agrícolas devem ser reestruturadas, profissionalizando a sua gestão e, nalguns casos, promovendo a sua fusão. As empresas agrícolas nacionais devem pensar no nosso mercado interno e não só na exportação, como ficou demonstrado pela iniciativa de alguns agricultores que estão a estimular os mercados de proximidade. Porém, a ideia básica é a de que a agricultura portuguesa precisa produzir e vender, servindo-se para esse efeito dos avanços tecnológicos. A formatação prévia deste debate sobre as agriculturas portuguesas como um desfile de figuras agrícolas numa Adega próxima de Lisboa - a Adega Regional de Colares - tirou a palavra ao Ministro da Agricultura, Desenvolvimento Rural e Pescas - António Serrano, e ao ex-Ministro da Agricultura do PSD - Arlindo Cunha. António Serrano reconheceu que a crise da agricultura portuguesa foi produzida pelas anteriores políticas agrícolas que, no tempo do excesso de produção na Europa, se submeteram à Política Agrícola Comum que pagava aos agricultores para não produzirem: a PAC gerou uma falsa agricultura, subsidiando agricultores que não produzem e abatendo terra. Portugal alienou-se de si mesmo, da sua agricultura e da sua indústria e, o que é ainda pior, destruiu o seu tecido produtivo, acreditando que podia viver com os subsídios europeus. O resultado dessa política de auto-destruição é uma catástrofe social: os portugueses aprenderam rapidamente a viver na mentira de uma vida sem esforço. Criados na ilusão de vida fácil e corrupta, que explica em grande medida a desertificação do mundo rural (Firmino Cordeiro), os portugueses não estão preparados para enfrentar os desafios da actual crise financeira e económica e o futuro de Portugal. A formulação e a elaboração de uma nova política agrícola para Portugal deve contar com a resistência dos portugueses contra a mudança: economia produtiva e competitiva não faz parte do seu vocabulário metabolicamente reduzido, já que foram habituados a acreditar que podem comer o que não produzem. Além disso, a agricultura portuguesa enfrenta outro problema: a zona desfavorável é muito grande (86%), devido à extensão da rede natura. A questão da produção articula-se com a questão do ambiente e o resultado dessa articulação nem sempre é favorável à produção agrícola e ao sector agro-industrial ou da transformação dos produtos agrícolas. Aproveitando o espaço de manobra concedida pelo novo acordo da PAC, António Serrano procura construir uma nova política agrícola, adaptada aos nossos problemas, em parceria com os agricultores e as suas associações. Porém, a novidade do discurso ministerial reside, na minha perspectiva, na necessidade de autonomizar as regiões: a autonomia regional é o instrumento político que permite a cada região construir o seu próprio modelo de desenvolvimento. A chave do desenvolvimento de Portugal está na regionalização. J Francisco Saraiva de Sousaterça-feira, 20 de abril de 2010
Prós e Contras: Cinzas na Economia
O debate Prós e Contras de hoje (19 de Abril) foi um caos não de cinzas ou plumas vulcânicas mas de moléculas humanas - cerca de quinze participantes, incluindo os quatro convidados especiais - que se dispersaram em discursos normalizantes redundantes e insensíveis ao sofrimento e às apreensões sombrias dos habitantes da Islândia. A erupção de um vulcão da Islândia obrigou as autoridades europeias a fechar o espaço aéreo europeu, o que gerou um caos ou uma crise nos aeroportos da Europa e na coordenação dos diversos sistemas de transportes. Os prejuízos sofridos pelas companhias aéreas levou-as a considerar o fechamento do espaço aéreo europeu como uma medida de excesso de zelo da União Europeia, mas António Mendonça (Ministro das Obras Públicas) vê nesse acto uma primeira reacção de prudência máxima face a uma situação desconhecida. Quando desconhecemos os efeitos imprevisíveis de uma situação anómala, como é o caso das erupções vulcânicas, a prudência - um conceito aristotélico usado pelo ministro - aconselha a garantir a segurança das pessoas. Fernando Pinto (Presidente da TAP) reforçou a prudência do ministro, frisando que a Europa enfrenta pela primeira vez um problema desta escala: o facto do sector dos transportes aéreos ser muito regulado levou os decisores europeus a tomar todas as precauções para garantir a segurança dos voos, até porque os motores dos aviões podem ser danificados irremediavelmente pelas cinzas vulcânicas que os ventos espalharam pelo espaço europeu (Adérito Serrão). No entanto, após um longo fim-de-semana de crise, os ministros europeus dos transportes reuniram-se finalmente em videoconferência (19 de Abril) e decidiram efectuar hoje (20 de Abril) uma abertura progressiva do espaço aéreo europeu, que foi dividido em três zonas sujeitas a monitorização de seis em seis horas.
Os participantes deste debate reconheceram que o homem controla muita coisa, incluindo a bolha financeira (sic), mas não controla a natureza. A Islândia é um paraíso para os vulcanólogos: os seus vulcões têm marcado a história social da Europa, como testemunha o célebre Inverno Europeu. Teresa Ferreira (Vulcanóloga dos Açores) inventariou todos os tipos de erupções vulcânicas, para mostrar que a ciência não consegue prever a sua evolução e os comportamentos dos vulcões. Os vulcões são máquinas naturais «projectadas» para matar os humanos e destruir as suas obras, e é nesta sua capacidade mortífera e destruidora que reside o seu fascínio: o que podemos lamentar é o facto deles não serem selectivos na «escolha» dos alvos humanos a abater, matando arbitrariamente todos os seres vivos que habitam os territórios vizinhos ou próximos. As catástrofes naturais ajudam a moldar a história das sociedades humanas e, por vezes, quando não dizimam culturas inteiras, como já sucedeu no passado, podem criar as condições subjectivas e objectivas necessárias para a inovação social, tecnológica e cultural. Mas é muito difícil convencer os burocratas kafkianos que zelam pelo funcionamento e pela manutenção do sistema estabelecido da necessidade urgente de mudança de paradigmas: o seu impulso natural enquanto homens de direito divino (Sartre) é, como disse Fátima Campos Ferreira, "apagar o vulcão". António Mendonça, Fernando Pinto, José Manuel Viegas e o séquito de técnicos convidados apagaram o vulcão da Islândia. Como? Bloqueando a reflexão, silenciando o pensamento que deseja libertar o futuro do colonialismo tecnocrático. José Manuel Viegas falou da necessidade de melhorar a articulação dos diversos sistemas de transportes e de aprender com esta crise. Fernando Pinto lamentou os prejuízos causados pelas erupções do vulcão da Islândia, afirmando que são maiores do que aqueles provocados pelo fatídico 11 de Setembro. E António Mendonça não resistiu à tentação de promover a grande obra pública do governo: a construção da linha de TGV que irá ligar Lisboa a Madrid. A posição periférica de Portugal na Europa protegeu-nos das cinzas vulcânicas, mas o ministro preferiu usá-la para justificar a necessidade de coordenar as nossas - entenda-se as de Lisboa - articulações internacionais: as cinzas vulcânicas revelaram as fragilidades e as vulnerabilidades das ligações entre Portugal - isto é, Lisboa, - e os outros países europeus, que o governo pretende solucionar com o seu novo - ou velho? - plano estratégico de transportes. A preocupação pela segurança demonstrada pelos zeladores do sistema burocrático estabelecido não é tanto a preocupação pela segurança das pessoas que, no fundo, não existem para eles, dado serem tratadas como cifras, mas sobretudo a preocupação exclusiva pelo funcionamento regular, monótono, cinzento e normalizado do mecanismo que montaram e que lhes garante a sua própria sobrevivência egoísta: o que eles deveras pretendem é mitigar os efeitos criativos das catástrofes naturais sobre a normalidade monótona do funcionamento do sistema. A redundância é a resposta adequada que o sistema dá a todas as situações críticas que desafiem a sua perpetuação: os burocratas kafkianos só sabem articular um único discurso que rejeita a mudança social qualitativa.
As erupções vulcânicas e os sismos confrontam-nos com a nossa própria condição mortal: os humanos são mortais. Nestes momentos sublimes, quando enfrentamos a nossa mortalidade essencial que faz de nós seres livres, individuais e históricos, precisamos de ironia e não de discursos pseudo-securizantes, como aqueles que foram apresentados neste triste e pardacento debate moderado por Fátima Campos Ferreira. Num mundo abandonado por Deus, como é o nosso, a ironia é, como escreveu Georg Lukács, «a mais alta liberdade possível». Um mundo abandonado por Deus é um mundo que perdeu a sua ancoragem no além: entregue à imanência de um mundo social carente de sentido, o homem torna-se solitário e procura desesperadamente na sua própria alma o sentido que perdeu quando ficou desamparado e sem-abrigo. A utopia compensa, de algum modo, esta perda irremediável de um mundo seguro e fechado: o homem pode imaginar ou sonhar mundos melhores e tentar realizá-los. Ora, a burocracia instalada em Lisboa odeia visceralmente a utopia: o sistema lisboeta faz tudo para castrar a imaginação produtiva e liquidar a ironia que identifica erradamente com o seu próprio sarcasmo. Lisboa é uma dupla-anormalidade defeituosa - isto se não levarmos em conta o Benfica, o aborto total -, porque foi abandonada por Deus, sem ter conquistado a ironia que se instalou no Porto. A ironia portuense escuta o horizonte, procura apreciar o presente e sonha o futuro: a ironia que protesta contra o status quo e provoca o seu domínio universal desencadeia o sorriso e, deste modo alegre e tranquilo, conduz à maiêutica social - o nascimento de uma nova sociedade. Portugal precisa da ironia dos portuenses, Prós e Contras precisa ser um dia - pelo menos uma vez - moderado pela ironia de Judite de Sousa: libertar o futuro de Portugal das nuvens cinzentas de Lisboa-Anaconda-Gigante - a inimiga invejosa da ironia - é tarefa para a liberdade criadora dos portuenses.
J Francisco Saraiva de Sousa













