terça-feira, 7 de outubro de 2008

Prós e Contras: As nossas Poupanças estão Seguras?

«Estamos no meio de uma crise financeira como não se via desde a Grande Depressão da década de 30. (...) Esta crise (...) colocou todo o sistema à beira de um colapso e está a ser contida com grande dificuldade. (...) Não é uma crise como as outras, mas o fim de uma era (do neoliberalismo iniciada nos anos 80)./ A convicção de que os mercados tendem a equilibrar-se é directamente responsável pela actual desordem (da bolha imobiliária e da superbolha a longo prazo); encorajou os reguladores a abandonar a sua responsabilidade, e a confiar no mecanismo de mercado para corrigir os seus próprios excessos." (George Soros)
George Soros foi um discípulo de Karl Popper, cuja sociedade aberta significava, em última análise, a crença e a confiança excessiva no fundamentalismo de mercado, na "magia do mercado" (Ronald Reagan), isto é, na abolição dos reguladores financeiros e do papel regulador do Estado, como se os mercados fossem capazes de se auto-equilibrar (paradigma dominante). A sua teoria da reflexividade (novo paradigma), aquilo que sempre esteve presente na dialéctica de Marx, pretende demarcar-se de algumas teses de Popper, mas sem ser capaz de tirar todas as ilações: a crítica que Popper faz de Marx é basura. Popper deve ser esquecido e denunciado como ideólogo do neoliberalismo: a sua tese neopositivista da "unidade do método" aplicado ao estudo dos acontecimentos naturais e dos acontecimentos sociais "naturalizou" as "ciências humanas", de modo a encobrir o carácter histórico do capitalismo e a apresentar o mercado auto-regulável como "coisa natural", aliás um procedimento ideológico denunciado e desmistificado por Marx. Cada crise do sistema capitalista mostra a profundidade da análise de Marx, bem como o carácter ideológico da economia que se pratica: uma mera técnica de adaptação colocada ao serviço da manutenção do capitalismo a qualquer preço, que sobrevaloriza a "função manipulativa" em detrimento da "função cognitiva". Só a ciência é falível; a ideologia económica burguesa nunca foi científica: a sua missão sempre foi eclipsar a imaginação política, apresentando a economia de mercado vista na perspectiva do laissez-faire como uma fatalidade, noção desmistificada por Marx cuja crítica da economia política assenta em critérios científicos. Os factores profundos desta crise, a expansão do crédito, a globalização dos mercados financeiros e a remoção progressiva dos regulamentos financeiros e o movimento acelerado das inovações financeiras, revelam, no fundo, quando bem analisados e compreendidos, o fracasso da ideologia do fundamentalismo de mercado e da liberalização acelerada iniciada durante os anos Reagan-Thatcher, os dois ícones da actual desgraça mundial. Qualquer intervenção do Estado nesta crise que, no fundo, consiste em "desobedecer às regras para salvar o sistema", deveria levar em conta que a globalização dos mercados financeiros ameaça o próprio poder de Estado e a continuidade da aventura humana e da civilização ocidental: não precisamos de especuladores financeiros, cujo pensamento financeiro e monetarista "aspira à mobilização de todas as coisas" (Spengler), apagando a potência espiritual através da conversão das cidades, as suas cidades virtuais deslocalizáveis, em centros de dinheiro e de valores. Todos os decisores políticos corruptos que defenderam e fomentaram as práticas neoliberais, em particular certas privatizações e desregulamentações, devem assumir a sua responsabilidade nesta crise profunda do capitalismo: o Estado deve ser moralizado e limpo.
Hoje (6 de Outubro de 2008) Prós e Contras abordou novamente o tema da crise dos mercados financeiros, com a seguinte agenda: "Na América, a Banca colapsa e o Estado intervém. Do outro lado do Atlântico, (isto é, na União Europeia) os bancos europeus estremecem e os dirigentes políticos dividem-se. Intervir ou não intervir? Em quem podemos confiar? As nossas poupanças estão seguras?" Os convidados presentes foram António Caçorino, Daniel Bessa, António Mendonça, José Correia Guedes, José António Barros, António Rebelo de Sousa e Francisco Van Zeller, que, além de serem "franciscanos" por via de Santo António, são homens ligados à economia ou à ciência económica. Daí que tenham sido incapazes de fazer um diagnóstico e um prognóstico da crise dos mercados financeiros, simplesmente porque a economia não é uma ciência newtoniana. Esta crise revela desde logo a incapacidade da economia como discurso científico para fazer previsões; o seu estatuto epistemológico está em causa, merece ser discutido e da sua "arrogância inglória", apenas comparável com a dos homens do Direito e da Engenharia, resta a imagem do enriquecimento indevido dos gestores bancários ou mesmo empresariais. Soros captou bem este problema quando procura um paradigma alternativo ao paradigma dominante, a teoria do equilíbrio (ou outra versão) assente em cálculos sofisticados mas inúteis: a teoria da reflexividade que retoma a "forma da história", sem no entanto ter apreendido o alcance social da mudança de paradigmas. Lukács já tinha defendido que "o método de Marx é, na sua essência, histórico", completamente distinto do pensamento burguês que é incapaz de considerar "o problema do presente como um problema histórico". A actual crise do capitalismo só pode ser compreendida quando se escrever a história do período que vai do pós-Guerra até aos nossos dias.
O começo do debate confronta-nos, via satélite, com António Caçorino que, apesar da gravidade da situação mundial, tentou fazer uma defesa injustificável da economia de mercado e do seu sistema bancário, o responsável directo pela crise, como se ambos fossem alheios ao capitalismo. Ora, esta crise do sistema capitalista não é uma mera crise periódica, mas uma crise sistémica e, como tal, representa o fim da era neoliberal iniciada nos anos 80. Ela revela claramente o colapso do fundamentalismo de mercado: a economia de mercado entregue a si mesma é autodestrutiva, porque, como dizia Marx, o verdadeiro inimigo mortal da "produção capitalista é o próprio capital". Desde a grande crise de 1929 que a ideia de um desenvolvimento do sistema capitalista, harmonioso e equilibrado, caiu definitivamente em descrédito: o próprio Schumpeter pôs a tónica, tal como Marx, na instabilidade fundamental do sistema capitalista, bem como a escola neo-keynesiana de econometria, nomeadamente Samuelson ou Joan Robinson. Por estranho que possa soar, Francisco Van Zeller explicou a actual crise com uma mera frase, "dinheiro a mais daquilo que podia ser devolvido", apelando para a intervenção do Estado, aliás uma perspectiva muito keynesiana, e atribuindo-lhe um papel que até aqui pertencia à economia e aos empresários, portanto, ao mercado auto-regulável. Reconduzir tudo a uma "má avaliação do futuro" é um modo pertinente de abrir um diálogo alargado a todos os sectores da sociedade e de exigir responsabilidade àqueles que avaliaram mal o futuro ou, segundo António Mendonça, que foram incapazes de "lidar com o risco". Portanto, não podemos continuar a confiar num sistema que não merece confiança e, por isso, a intervenção do Estado não pode ser reduzida à tarefa de "retirar dinheiro aos pobres para o dar aos ricos": Quem comete erros e roubos deve ser responsabilizado e penalizado. O laissez-faire neoliberal fracassou novamente e sempre fracassará: é preciso aprender de vez esta lição! O sector empresarial ou bancário do Estado pode ser tão competitivo como o sector privado e as suas mais-valias podem ser usadas para o bem geral. Isto não significa a defesa de uma economia estatal, mas de uma economia de duplo-sector: público e privado. O argumento de que a economia de mercado, tal como funcionou após a Segunda Guerra Mundial, contribuiu para o bem-estar, a liberdade e a democracia, é simplesmente miserável e falso: o modelo de sociedade implícito, a sociedade de consumo, ou mesmo o modelo de uma economia de serviços, são modelos que ameaçam a humanidade do "animal humano", tratando-o como mero animal metabolicamente reduzido. A economia não pode iluminar a imaginação política, porque ela é a responsável pelo eclipse da política, a cleptocracia, a destruição do meio ambiente, a domesticação do homem, a regressão cultural e cognitiva, a frustração e agressividade, as assimetrias de rendimentos e de poder, o tédio, a corrupção, as desigualdades sociais, o enriquecimento ilícito das classes dirigentes e dos gestores, a degradação do sistema de educação, enfim a destruição do ocidente. O triunvirato Economia/Direito/Engenharia deve ser reformulado e o Estado deve ser liberto de todos aqueles que abusam do poder. Aliás, este triunvirato deriva, em parte, do facto dos keynesianos terem isolado o sistema económico do seu contexto social, tratando-o como se fosse uma "máquina" a ser enviada para a oficina, onde pode ser consertada por um engenheiro, o Estado. A escola keynesiana é essencialmente macro-económica e o seu objectivo foi salvar o capitalismo na prática, prolongar a sua existência, atenuando a violência das flutuações periódicas, tendo em vista a manutenção do emprego através da organização da intervenção do Estado. Se souberem dizer a verdade aos cidadãos e mostrar coragem nas medidas tomadas e a tomar, os governantes podem reconquistar a confiança dos portugueses: a mentira é sempre má política.
A crise vai ter efeitos em Portugal e o Ministro das Finanças garantiu as poupanças dos portugueses. É uma mera promessa que visa dissuadir as pessoas de irem aos Bancos para levantarem as suas poupanças, porque, como deixaram transparecer os convidados, o Estado português não poderia cumprir essa garantia prometida. Numa Europa dividida pelos egoísmos nacionais, com uma liderança fraca da Comissão Europeia e com reuniões a quatro, não podemos esperar pelo sucesso e eficácia da concertação ao nível europeu: cada Estado trata do seu problema sem concertar as suas políticas com as dos outros Estados-membros da UE. Outro aspecto consensual diz respeito às poupanças, bem focado por Daniel Bessa e António Mendonça: não havendo poupança, e em Portugal ela foi desincentivada, não podemos falar de segurança daquilo que baixou para valores negativos, pelo menos nos USA, precisamente a taxa de poupança que empurra os bancos nacionais para o exterior em busca de capital: não é com a poupança mas com o endividamento ou o crédito mal parado que as pessoas devem estar preocupadas, bem como com o impacto da rotura financeira sobre a economia real: abrandamento económico, desemprego e, o único aspecto bom da crise, fim do mito do laissez-faire. A crise dos mercados financeiros vai afectar negativamente a economia real, porque esta era e ainda é estimulada pela expansão do crédito: a contracção do crédito afectará negativamente a economia real, abrandando o seu crescimento e criando desemprego.
J Francisco Saraiva de Sousa

39 comentários:

Manuel Rocha disse...

Poupanças ?! Hummm...não me importava de ter esse problema...;))

J Francisco Saraiva de Sousa disse...

Foi o que acrescentei agora: o título não faz sentido. :)

Teresa disse...

Assumir a responsabilidade? ker me cá parecer k os k a deviam assumir são como as avestruzes, c a cabeça enterradinha na areia.
N preciso de ter 1 blog p mantermos o contacto, poix eu vou passando p aki.
O Manuel Rocha é k permitiu k eu encontrasse o seu blog devido ao comentário k escreveu naquele post. Bem-aja!

J Francisco Saraiva de Sousa disse...

Olá Teresa

Sim, os nossos dirigentes nunca assumem responsabilidades, porque garantiram a sua segurança, a partir da qual mudam constantemente de casaca: os que criticam hoje a política económica que está na base da crise são os mesmos que ontem contribuiram para a crise. Em Portugal, perdeu-se a honra e a vergonha!

George Soros trata do Paradoxo de Russell: as declarações que se referem a si próprias (auto-referenciais) e as que não o fazem, considerando que as primeiras devem ser excluídas do universo das proposições com significado, porque o seu valor de verdade não pode ser determinado inequivocamente.

Denise disse...

Olá, F.!
Acabo de chegar a casa, sem cabeça para a FCF e mais um P&C...E amanhã logo acedo ao link que deixou nos comentários antecedentes.
Estoiradérríssima... puf...
Gostei do seu reparo. Regra geral, os títulos escolhidos para esse programa pró-deni-stress são muito mauzinhos, como questões muito mal colocadas. Tenebrae!

Bem-vinda, Teresa.
E sim, bem-haja o Manuel :-D

Denise disse...

* com questões ( e não como)

J Francisco Saraiva de Sousa disse...

Amigos

Estou com sono. O próximo programa retoma o mesmo tema e vou ver se consigo dar mais atenção à crise no próximo comentário ou mesmo em posts escritos com esse objectivo.

Teresa disse...

francisco: eu vi o programa com mto interesse inicial, mas dps axei k foi pura perda de tempo, 1 x k n se xegou a conclusão nenhuma. Mto + interexante ler o seu texto de opinião k revela capacidade critica da boa. Diz k o estado deve ser moralizado e limpo. Mas como?

denise: n compreendi o seu smile com um riso final.E as boas vindas devem ser dadas pelo francisco, já k o blog é dele e n seu.

Manuel Rocha disse...

Lembra-se duma velha senhora que há uns bons anos remunerava poupanças a mais de 30 % ao ano ?

Na altura toda a banca engravatada se insurgiu contra semelhante "irresponsabilidade", as autoridades foram alertadas, os "depositantes" entraram em pãnico, iniciaram a corrida á recuperação dos seus depositos e, claro, a D Branca ( era assim que se chamava ) não aguentou a "onda" e muitos oportunistas ficaram a "arder" enquanto se ouvia da banca bem-vestida um coro de reparos à veleidade,e claro a velhota foi presa.

Bem....a D Branca,se é que ainda é viva, deve estar fartinha de rir com as figurinhas que os cromos da economia neo-liberal têm gaguejado por aí. Pelo que me conta, ontem a cena repetiu-se. Figurões cheios de pose a debitar banalidades codificadas sobre uma actividade que tenta travestir a sua essência especulativa de roupagens pseudo-cientificas. Desta "ciência", diria a minha avó que "faz contas com o ovo que a galinha há-de pôr"...
;)

J Francisco Saraiva de Sousa disse...

Amigos(as)

tenho estado a pensar nas políticas de privatizações e nos seus "benefícios públicos": não os vejo. Em Portugal, a concorrência nunca se traduz em benefícios para os "consumidores". Basta pensar no preço dos combustíveis!

Outro aspecto diz respeito à TV: os canais privados trouxeram qualidade de informação? Não, pelo contrário: a SIC é opinião e a TVI, telenovelas. A RTP ainda continua a ser a melhor televisão portuguesa e é pública. Algumas laranjas queriam privatizá-la e sabemos para quê...

Sim, a Dona Branca foi presa, suponho, e estes especuladores enriqueceram, deram cabo da vida das pessoas e vão ser ajudados pelos Estados: a promiscuidade entre política e economia!

Dioniso disse...

Obrigado pela luz que faz sobre os malefícios do liberalismo económico. Mas será que sem ele os cidadãos dos países ocidentais tinham atingido este grau de bem-estar económico?

Por outro lado, como diz Hannah Arendt, os períodos de crise são óptimos para pensar novas soluções, não para buscar velhos modelos, neste caso a epistemologia económica marxista, que se revelaram inadequados (a antropologia é avessa ao marxismo prático).

Vamos ver como se auto-regula o mercado, que nunca esteve completamente isento de limites diga-se, prefiro que fiquemos um pouco mais pobres numa democracia liberal do que mais ricos num regime neo-totalitário.

P.S. Teresa, tenho muitas dificuldades em ler os seus comentários, é apenas um problema meu ou a sua língua sms também cria problemas aos outros leitores?

J Francisco Saraiva de Sousa disse...

Olá Teresa

Já tenho falado muito sobre a corrupção generalizada da vida portuguesa: penso que o seu combate deve começar no seio das instituições do Estado. Precisamos de uma política anticorrupção e de legislação adequada. A partir de cima podemos educar o resto da sociedade e acabar com os favores e troca de favores, as cunhas, o caciquismo, etc., tudo o que degrada a nossa vida.

Bem-vinda, Teresa! :)

BEJA TRINDADE disse...

Meu caro Francisco de Sousa

Já reparou que, com os recentes acontecimentos trágicos do sistema capitalista, os blogs frenéticos dos entusiastas do neoliberalismo, entraram em colapso, ou estão, temporariamente encerrados para obras de restauro.

J Francisco Saraiva de Sousa disse...

Olá Beja Trindade

Sim, devem estar ter entrado também em colapso! Foram cometidos muitos erros e somos todos que vamos pagar pelos erros de uns poucos. Não temos maneira de prever o que nos vai acontecer.

J Francisco Saraiva de Sousa disse...

Já agora recomendo o post do Beja Trindade: "Privatizar lucros e estatizar prejuízos". Espero que o nosso governo não siga este princípio!

Denise disse...

Boa tarde a todos!
Acompanho o raciocínio do Dioniso e acrescento que o concerto das políticas de cada Estado com os outros Estados-membros da UE deveria ser precedido de um concerto com as entidades de foro regional, mais próximas e cientes da realidade telle-quelle. Às vezes as coisas resultam melhor em micro-sociedades...
E subscrevo, claro, a afirmação de que "a mentira é sempre má política".
Quanto à questão da privatização, a minha costela neo-liberal não a vê com maus olhos. Porém, ao Estado deverá caber a gestão dos serviços base sem que invalide o mercado da concorrência.
No que ao combate à corrupção diz respeito, permita-me semi-discordar: é óbvia a necessidade de uma política anti-corrupção e de uma legislação adequada, mas a educação não deve ser feita somente a partir de cima - cabe essencialmente a nós, os de baixo, a operacionaçização da mudança. É que os de cima só lá estão porque aqui os de baixo assim o quiseram. A maioria, pelo menos.


E, Teresa, desculpe-me o riso, foi uma idiotice. Se abrir bem os olhos perceberá do que me ri. Ia adiantar a minha legitimação nas boas-vindas que lhe enderecei,nesta casa que é do F., mas de portas tão abertas que a gente se vai sentindo em casa. Mas isso sou eu que sou uma abusadora e o domus dominus já a acolheu.
Interpreto a sua impetuosidade aliada à forma como escreve a uma tenra idade ;-)

Denise disse...

Claro que ninguém pode prever. Estamos a falar de um ramo puramente especulativo. E quanto à fiabilidade do estudo estatístico... ui!
Mas calo-me, que sou uma menina-senhora de letras.

J Francisco Saraiva de Sousa disse...

Oi Denise

A situação deve ser mais grave do que dizem: Até o Vitor Constâncio pede confiança nele!

J Francisco Saraiva de Sousa disse...

A propósito do "neo-totalitário", estou com ideias de retomar a categoria de TOTALIDADE. Não tenho medo dos papões totalitários! Que venham os papões para me divertir a matá-los! :)

De resto, não percebo como o "marxismo prático" (não o conheço) é incompatível com a antropologia? Marx disse: o fim supremo do homem é o próprio Homem.

É evidente que o capitalismo não vai morrer com esta crise, a menos que ela tome a forma de um colapso total, abrangendo outros países não-ocidentais, tais como as economias emergentes. Porém, o mundo pode tomar um rumo diferente e, se possível, melhor, não com os corruptos que nos roubaram a democracia e a liberdade, sem DAR BEM ESTAR a TODOS: à totalidade do humano!

J Francisco Saraiva de Sousa disse...

Agora, se acham que vivemos num mundo justo e livre, então o melhor é não dizer nada: consumam muito...

J Francisco Saraiva de Sousa disse...

Amigos

Estive a ver um programa da SICNotícias: "O Capitalismo morreu?". Ora, um dos convidados foi muito arrogante na linguagem e logo ele que é um vazio total de cérebro! Quem adivinha qual seja a figura do tipo ralé engravatada? Uma criatura sem ideias, sem sal, sem pimenta, sem cor, sem tudo... Contudo, com a excepção de um dos presentes, estão muito desfasados da realidade e do mundo de hoje: falam, falam, mas acretam pouco. A reforma devia eliminá-los do espaço público: a história não lhes pertence e é melhor ser gestor do que professor da treta!

J Francisco Saraiva de Sousa disse...

Mas de uma coisa o tal pode estar certo: o que criticamos e devemos criticar e lamentar é a vida improdutiva desses "grisalhos" (nem todos evidentemente) que se apoderaram do Estado para garantir a sua reforma, sem terem feito nada de positivo para a merecer; pelo contrário, atrasaram Portugal e destruiram as forças criativas. Infinitamente mais negativo que a especulação financeira são estes coitados maldosos e incompetentes que se deixaram acomodar para ter um lugar ao sol, sem mérito e luz.

J Francisco Saraiva de Sousa disse...

Marx será sempre recordado como um homem corajoso, inteligente e altruísta; mas o tal pardacento será até mesmo rejeitado pelo seu caixão! Ninguém o quer ver nem no céu nem no inferno: a sua memória já está aniquilada e ainda não morreu! Espero que morra depressa mas com sofrimento profundo e dilacerante! Assim será!

Teresa disse...

francisco: muito bem dito. Eu sou marxistaleninista e espero 1 dia o pais acorde p a realidade.

dioniso: a minha lingua n é 1 lingua sms eu a uso no msn e nunca ng teve prblmas em ler o k eu escrvo, p ixo deve ser prblma seu.

denise: ainda n comprendi pk se riu mas tb já n kero saber. Eu n sou impetuosa e a minha idade tb n é tenra p si, a n ser k tenha 1 idade falsa no seu perfil mas n sei pk o seu blog é mto infantil. Eu sou de 71. Faça as contas e veja k sou mais velha k vç.

J Francisco Saraiva de Sousa disse...

Amigos(as)

Deixei este comentário no post "Cultura e Prostituição" de D. Murcho:

"Caro D. Murcho

"Afirmar que a cultura é uma prostituta é uma afirmação engraçada mas sem sentido, a menos que possa apresentar "dados" pontuais que a confirmem. Porém, acredito que tenha casos a relatar em que algum "filósofo" tenha vendido o seu corpo em troca de algum favor. Não percebo é como essa venda clandestina se reflecte na linguagem: devia clarificar esse aspecto. :)

"Achei graça ao recurso à biologia, mas, pelo que diz, infiro que costuma ler divulgação científica, porque, se lesse Biologia mesmo, ficaria com outra visão da matéria. A linguagem da biologia também não é transparente e está imbuída de desconhecimento ou de elementos ideológicos. Bem, mas sou biólogo e estou, portanto, habituado a essa linguagem mais técnica e a resolver problemas..."

Deixei a interpretação da imagem que o acompanha à imaginação da Escola de Freud!

J Francisco Saraiva de Sousa disse...

José Sócrates aceitou debater esta semana no parlamento a crise financeira e, neste debate, vai ter uma excelente oportunidade para monstrar que está à altura da tempestade. O PS pode obter novamente maioria absoluta e, se encarnar a luta contra a corrupção e a desmoralização da vida portuguesa, não há força capaz de lhe resistir: o neoliberalismo faliu novamente! :)

André LF disse...

Olá, Francisco! Apesar de não ser profundo conhecedor de economia, a atual crise do mercado financeito me interessa — sobretudo pelo prisma da psicopatologia :)
Esta crise, cujos efeitos ainda não são completamente verificáveis, me parece ser um sinal de um iminente colapso do sistema neoliberal e de algumas crenças dos seres metabolicamente reduzidos.
Aqui no Brasil as Bolsas estão em profunda queda e os investidores estão apavorados.
O que ocorre no atual sistema financeiro evidencia a vulnerabilibade das criações do homem metabolicamente reduzido :(
De repente, o criador perde o controle do seu próprio brinquedo e se torna um escravo dele. Vêem-se os rostos desesperados dos investidores — tal como o de crianças a quem tiraram o doce —, as expressões de perplexidade e pânico dos políticos e banqueiros, as explicações estapafúrdias dos economistas sobre a lógica (mais ilógica que há) dos mercados. Aliás, nunca escutei alguma explicação lúcida de um economista.
Você crê mesmo que o neoliberalismo faliu mais uma vez?
Um abraço!

Quarta-feira, 8 de Outubro de 2008 20H41m WEST

J Francisco Saraiva de Sousa disse...

Olá André

Tudo bem com o trabalho? Sim, penso que estamos livres do neoliberalismo nas próximas décadas, em função da gravidade desta crise. A falência de alguns bancos de investimentos anuncia tempos difíceis e, nesses tempos, ninguém vai querer ouvir tal termo "neoliberalismo". Os tempos de facilidade chegaram ao fim, aqui na Europa e também USA.

Denise disse...

Ueebaaa!!! O André voltou!!! :-)

Francisco:
1. "Espero que morra depressa mas com sofrimento profundo e dilacerante!" Ui!Independentemente de quem seja... :-(
2. "O PS pode obter novamente maioria absoluta." Espero que esteja enganado! :-P
3. Li a notícia sobre a preferência das crianças pelas pessoas de pele clra. Quer que comente neste espaço ou que o faça por mail?
4. Ainda sobre a mentira, li e lembrei-me de si: "Tenho pela mentira um horror quase físico. Sinto-a à distância e agora... neste momento... sinto-a vaguear, asquerosa e suja, em volta da minha alma que vibra no orgulho de ser pura. (...)" Florbela Espanca, Diário (6 Set. 1930)

Dioniso:
Ao que parece, há por aí gente embirrantemente alérgica à letra D
:-))))

J Francisco Saraiva de Sousa disse...

Oi Denise

Se quiser pode comentar aqui: a interpretação dos dados é sempre interessante.

Não vejo outro Partido capaz de conduzir com calma os nossos destinos! É o que temos!

J Francisco Saraiva de Sousa disse...

Lembro-lhe que existem muitos estudos que comprovam essa preferência: isso é um dado. Precisamos é de o interpretar...

Denise disse...

Comento amanhã, então, que já me estão a "enxotar" do cp :-(

Não havendo um partido melhor que o PS, então seria interessante apostarmos num sistema de gestão democrática de minorias: seriam todos obrigados a um entendimento comum a bem do estado da nação e da democracia.

Boa noite e sonhos de lua cheia!
:-)

J Francisco Saraiva de Sousa disse...

Repare que o estudo foi feito em Moçambique, pode não ser representativo, mas os resultados já tinham sido obtidos por outros estudos, com metodologias diversas: os homens negros preferem mulheres brancas e, penso já ter referido alguns desses estudos aquando das mutilações genitais. Outro dado importante é o facto das mulheres negras usarem produtos para parecerem mais brancas, tanto nos USA como em África.

O que impugno é atribuir isso ao colonialismo tout court.

J Francisco Saraiva de Sousa disse...

Acho graça às críticas que me fazem, mas tenho alternativas para a situação que, de momento, não quero partilhar plenamente: a Justiça é fundamental; sem ela não há verdadeira alternativa.

André LF disse...

Francisco, também acho que os tempos de facilidade chegaram ao fim. Mas estes deixaram um saldo amargo em muitos lugares: uma ampla casta de excluídos e párias do neoliberalismo...

Tenho estudado bastante para os concursos de que lhe falei. Aqui esta difícil viver. A psicologia clínica não me deu bons frutos :(

Olá Denise! Não posso ter voltado porque nunca fui embora :)

J Francisco Saraiva de Sousa disse...

André

Vou tentar arranjar tempo para ajudar a clarificar a crise, mas é uma tarefa complicada, porque não não sabemos como vai desenrolar-se. Contudo, penso que nos pode abrir portas para pensar novas alternativas mais interessantes.

O que dá dinheiro ou dava era a especulação e os cargos de gestores bancários e empresariais. De resto, a cultura é algo estranho a estes homens engravatados.

Fräulein Else disse...

Bom dia!

Eu sinto que isso seja verdade: que os negros gostem de brancas, pois sou branquinha e com ares de europeia e sempre tive inúmeros pretendentes negros. Não percebia tanta "insistência", mas afinal há um sentido generalizado.

Francisco, n vem à metrópole ver a sua Aimee Mann? Ah ah...

J Francisco Saraiva de Sousa disse...

Oi Else

Sim, gosto de música alternativa: sou todo alternativo, mas agora vou prepara um post sobre Schumpeter e o fim do capitalismo.

Fräulein Else disse...

Sim, realmente a Aimee Mann é muito "alternativa" e o capitalismo vai morrer... ai ai... o Francisco é um ser maravilhoso num tempo sem fábulas.