quinta-feira, 9 de outubro de 2008

Joseph Schumpeter e o Fim do Capitalismo

«Uma sociedade diz-se capitalista se entregar a condução do seu processo económico à iniciativa privada. Pode dizer-se que isto implica, em primeiro lugar, propriedade privada dos meios de produção não pessoais, como terra, minas, fábricas e equipamentos industriais; em segundo lugar, implica a produção por conta própria, isto é, produção por iniciativa privada para lucro privado. Mas, em terceiro lugar, o crédito bancário é tão essencial ao funcionamento do sistema capitalista que, apesar de não estar estritamente implicado na definição, deve ser acrescentado aos outros dois critérios». (Joseph A. Schumpeter)
Post em construção. Em 1942, no decurso dos anos de guerra, Joseph A. Schumpeter publica a sua célebre obra "Capitalismo, Socialismo e Democracia", onde admite que o socialismo vai instaurar-se no mundo. Schumpeter desenvolveu uma teoria do desenvolvimento económico, analisando as flutuações da economia capitalista no ciclo económico e as tendências observáveis no seu desenvolvimento que apontam para o advento do socialismo. Para se compreender o último aspecto do seu pensamento, é necessário distinguir entre preferência pessoal e prognóstico, de modo a evitar as pessoas prevejam aquilo que desejam. Embora veja a sobrevivência das instituições do capitalismo como desejável, Schumpeter considera que, à luz de uma análise científica, existem tendências observáveis, inerentes ao processo capitalista tal como o conhecemos, que destruirão o capitalismo e produzirão o sistema socialista. Ora, conforme recorda Schumpeter, Marx foi o primeiro a compreender a importância desta distinção e a formular correctamente a questão em termos científicos: ele detectou as tendências objectivas que conduzem inevitavelmente o capitalismo à morte. Quais são as tendências intrínsecas ao capitalismo que o condenam de morte, ao mesmo tempo que apontam para o advento do socialismo? Wassily Leontief mostrou que a actual análise dos ciclos económicos é devedora da obra económica de Marx, cujas teses podem ser interpretadas como prefigurando todas as modernas construções teóricas, incluindo o esquema circular de investimento proposto por Hayek, o mentor económico de Popper. O contributo de Marx foi parcialmente eclipsado pela sua análise das tendências a longo prazo do sistema capitalista, cujo colapso é anunciado pela crescente concentração da riqueza, rápida eliminação de pequenas e médias empresas, limitação progressiva da concorrência, progresso tecnológico incessante acompanhado pela crescente importância dos capitais fixos e pela amplitude e persistência dos ciclos económicos. Diante desta lista de prognósticos, Heimann escreve que "a obra de Marx continua a ser o mais geral e impressionante modelo daquilo que nos compete fazer".
Schumpeter foi seduzido pelo prognóstico do colapso do capitalismo feito por Marx, o qual «justifica» com outras tendências: "Observamos que, à medida que a época capitalista vai passando, a liderança individual do empresário tende a perder importância e a ser crescentemente substituída pelo trabalho mecanizado de uma equipa de empregados especializados dentro de grandes empresas; que as instituições e tradições que albergavam a estrutura do capitalismo tendem a desgastar-se; que o processo capitalista, pelo seu próprio sucesso, dá azo a posições económicas e políticas de grupos que lhe são hostis; e que o próprio estrato capitalista, fundamentalmente devido à decadência dos vínculos da vida familiar, que, em contrapartida, pode atribuir-se à influência «racionalizadora» do processo capitalista, tende a perder a garra e parte das motivações que primeiramente tinha". Aproximando-se ligeiramente do prognóstico de Max Weber, Schumpeter conclui que estes aspectos estabelecem "uma tendência para a deslocação da actividade económica da esfera privada para a pública ou, se quisermos, para a crescente burocratização da vida económica, associada a uma crescente dominância dos interesses do trabalho". Schumpeter usou o termo "socialismo" num sentido puramente económico e formal, para designar "um arranjo institucional que confere a gestão do processo produtivo a uma autoridade pública", sem dizer nada acerca da estrutura e do carácter de uma sociedade socialista. Os economistas marxistas que não se reviam no "modelo soviético", fortemente estatal, burocrático e antidemocrático, reagiram negativamente à reformulação do colapso do capitalismo feita por Schumpeter, opondo-lhe o conceito de capitalismo de Estado.
Porém, visto à distância, Schumpeter mais não fez do que mostrar a enorme admiração que nutria pela obra de Marx: ao retomar a tese do colapso do capitalismo, Schumpeter aceita tacitamente a "superioridade da economia marxista", para usar os termos de Shibata e Oskar Lange, encarando o seu trabalho como uma tentativa de ajudar a economia capitalista a sobreviver. A distinção que faz entre preferência e prognóstico retoma, de certo modo, a distinção marxista entre economia burguesa, mera técnica de adaptação, e a crítica da economia política. Reconhecer que o sistema capitalista está ferido internamente de morte é o mesmo que admitir o carácter ideológico da economia que visa adiar a sua morte. Ora, a actual crise do sistema financeiro capitalista não é uma mera "crise periódica", mas uma "crise sistémica" e, como tal, representa o fim da era neoliberal iniciada nos anos 80. Ela revela claramente o colapso do fundamentalismo de mercado: a economia de mercado entregue a si mesma é autodestrutiva, porque, como dizia Marx, o verdadeiro inimigo mortal da "produção capitalista é o próprio capital". Desde a grande crise de 1929 que a ideia de um desenvolvimento do sistema capitalista, harmonioso e equilibrado, caiu definitivamente em descrédito: o próprio Schumpeter pôs a tónica, tal como Marx, na instabilidade fundamental do sistema capitalista. Para evitar o colapso, sempre que é ameaçado por uma crise, o capitalismo precisa da intervenção do Estado: "O controlo pelo governo dos mercados de trabalho e capital, da política de preços e, por via dos impostos, da distribuição de rendimentos, já está estabelecido e necessita só de ser complementado sistematicamente por iniciativa governamental, indicando as linhas gerais de produção (programas de construção de casas, investimento estrangeiro) de molde a transformar, mesmo sem a nacionalização maciça das indústrias, o capitalismo regulado ou agrilhoado em capitalismo guiado, o qual pode com quase igual justiça ser apelidado de socialismo". (:::)
O capitalismo não mostra o mesmo aspecto em todas as épocas, porque se reveste de formas diversas no tempo e no espaço. Werner Sombart dividiu-o ao longo do seu estudo sobre o capitalismo moderno em três períodos: a juventude (Fruhkapitalismus), a idade madura (Kapitalismus) e a velhice do capitalismo (Spaetkapitalismus). O desenvolvimento do capitalismo compreende, pois, uma série de estádios, ao longo do seu desenvolvimento, cada um dos quais pode ser reconhecido por traços bastante distintos. Porém, apesar dos diversos níveis de maturidade desses estádios, eles obedecem a certos critérios comuns, que Schumpeter reduz a três: a propriedade privada dos meios de produção físicos (1), os lucros privados e a responsabilidade privada de perdas (2), e a criação de meios de pagamento, notas de banco ou depósitos, por bancos privados (3). Schumpeter destacou o papel do empresário como inovador que empurra continuamente a economia em direcção a novos rumos, num turbulento e instável processo de transformação e expansão, e analisou as fases de crescimento económico e a posterior recessão nesse processo, dando especial ênfase aos ciclos de longo prazo de aproximadamente 50 anos de duração. (:::)
Esta noção de capitalismo parece estar muito distante da análise de Marx, na qual a essência do capitalismo não reside no espírito de empresa (Sombart, Weber) ou no uso da moeda para financiar uma série de trocas com o objectivo do lucro, mas num determinado modo de produção: o sistema capitalista é um sistema de acordo com o qual a força de trabalho se transforma numa mercadoria, que se vende e se compra no mercado, como qualquer outro objecto de troca. O seu requisito histórico é, portanto, a concentração da propriedade dos meios de produção nas mãos de uma classe minoritária, a burguesia, e o aparecimento consequente de uma classe destituída de propriedade, a maioria da população trabalhadora, para a qual a única fonte de sobrevivência é a venda da sua mão-de-obra. Este conceito permitiu a Maurice Dobb localizar correctamente o nascimento do capitalismo: O capitalismo nasceu na Inglaterra, não no século XII como sugere Pirenne ou mesmo no século XIV com o seu comércio urbano e as suas ligas artesanais, mas na segunda metade do século XVI e início do século XVII, quando o capital começou a invadir a produção em escala considerável, quer na forma de uma relação amadurecida entre capitalistas e assalariados, quer na forma menos desenvolvida da subordinação dos artesãos domésticos a um capitalista. (:::) (Continua com novo título: "Mercado e Democracia".)
J Francisco Saraiva de Sousa

53 comentários:

Manuel Rocha disse...

Discordo dessa acepção do crédito como elemento definidor do capitalismo. Julgo que o crédito se associa com muito maior propriedade a uma determinada concepção politica do funcionamento de um sistema económico capitalista que tenha no crescimento o seu paradigma. O crédito funciona como combustível dessa estratégia, claro. Mas o capitalismo pode funcionar sem crédito e já funcionou.

J Francisco Saraiva de Sousa disse...

Sim, Manuel, Schumpeter tem uma teoria do desenvolvimento capitalista, onde analisa as diversas formas de capitalismo. Contudo, ao contrário do que transparece na recepção marxista da obra de Schumpeter, este terceiro critério que contesta já está presente num economista marxista da Escola Austromarxista: Hilferding (1910). A polémica centrou-se em torno da colonização como factor de crescimento económico e da teoria do imperialismo. O aspecto do capitalismo financeiro é fundamental e basta pensar no actual crise financeira. No fundo. o capitalismo é a sua própria história tal como começou a ser analisada por Marx. Mas neste post vou centrar-me mais na teoria dos ciclos económicos de longo prazo (40 ou 50 anos).

Teresa disse...

Exato. Aliás,o francisco dixe k o 3º critério n tá estritamente implicado.
O manuel rocha ker dar 1 ex. de 1 capitalismo s crédito k tenha funcionado?

Manuel Rocha disse...

Com todo o gosto. A Teresa tem desde logo o caso do capitalismo salazarista que funcionou numa lógica de acumulação gerada pela II GG, pelo colonialismo e pela mão de obra barata. Repare que até as compras a prestações só chegaram aqui à terrinha em finais dos anos sessenta. Nessa altura os “ricos” não tinha contas bancárias – acumulavam meios de produção: terra, barcos, casas…wahtever. O crédito como prática do capitalismo é coisa que apenas se banalizou na sequência do new deal. Até aí amealhava-se primeiro ( ou roubava-se, conforme ) para investir depois. De resto em Portugal e Espanha o ND mal se fez sentir, até porque ao tempo o grande motor destas economias era o investimento público através dos vários planos de fomento ou dos seus complemento dito de “colonização interna”. Houve quem chamasse a estes regimes de capitalismo de estado.

J Francisco Saraiva de Sousa disse...

Bem, Manuel, não sou desse tempo, mas devia haver algum sistema de crédito: alguém emprestava dinheiro e cobrava juros, uma prática muito antiga (a forma arcaica dos bancos) que foi condenada por S. Tomás de Aquino.

Porém, coloca um problema fundamental: a intervenção do Estado na economia que geralmente é identificada com o socialismo, embora o fascismo tenha usado a mesma fórmula. Schumpeter também encara o socialismo como um arranjo institucional que confere a gestão do processo produtivo a uma autoridade pública, sem nada dizer sobre a estrutura ou o carácter de uma tal sociedade socialista. Mas o "socialismo" não é isso: Hilferding também captou o capitalismo organizacional que alguns chamaram capitalismo de Estado. (Devo confessar que não gosto do termo socialismo!)

J Francisco Saraiva de Sousa disse...

Devo advertir que não tenho intenção de fazer a história da evolução capitalista, para a qual recomendo a leitura de Maurice Dobb. Pretendo mostrar que este ciclo neoliberal conseguiu paralisar a crítica, como se não houvesse alternativas à economia de mercado tal como a pensava. Temos um património de estudos económicos que devem ser retomados, no qual incluo Schumpeter, além dos marxistas e outros. (Nestas matérias não sou dogmático: procuro pensar com todos.)

Ou seja, fomos induzidos a deixar de pensar e a procurar novas alternativas: esta avaliação é crítica. O neoliberalismo é responsável pela regressão cognitiva...

J Francisco Saraiva de Sousa disse...

Maurice Dobb trata do capitalismo de Estado, termo usado por Lenine, visto como coexistência da propriedade capitalista e a operação da produção com um sistema de controles generalizados sobre as operações económicas exercidas pelo Estado. Mas, tal como Sweezy, usa esse termo para analisar o fascismo ou o modelo keynesiano, e condenar o monopólio reforçado do Estado: um tal Estado é propenso à corrupção.

Teresa disse...

Mto bem explicado. Tou a ver k o manuel é um dinaussauro desses tempos. Esse capitalismo k fala acaba p ser 1 outra forma de exploração/escrevisação dos + precários mm s o sistema de krédito!

Manuel Rocha disse...

Completadamente de acordo, Francisco. É sempre bom sublinhar que o neo-liberalismo é apenas uma das muitas personagens que o capitalismo foi capaz de criar. Em tempos já aqui comentamos que como potencial de metamorfose o capitalismo é um verdadeiro assombro.

Sobre o crédito, claro que sempre existiu. Mas há duas coisas que importa reter. Por um lado a actividade prestamista ( crédito a juros )além de muito limitada era socialmente mal vista. A tal ponto que o próprio facto de se recorrer a crédito ( de se dever ) era ( e ainda é, nas gerações mais velhas ) motivo de embaraço e mesmo de vergonha.
De resto há quem atribua a origem da um certo tipo de antipatia cultural pelos judeus à propensão destes para o negócio do crédito.

Manuel Rocha disse...

Sim, Teresa, já me vão nascendo escamas de dinossauro:)
Mas olhe que sobre estes assuntos há boa memória documental. O Inst Ant. Sérgio para o sector cooperativo, p.e, tem excelente acervo sobre a caracterização dos sistemas de crédito históricos. Os anexos aos antigos Planos de Fomento tb não andam mal aviados com informação agregada sobre o crédito de então. Aí pode verificar que o crédito a particulares não tinha expressão. Havia o crédito comercial, de facto. Mas ainda assim grande parte deste realizava-se mediante negociação de letras, a maioria das quais era de favor. Ou seja, o seu desconto implicava um avalista daqueles de "pedra e cal", senão nem valia a pena pensar nisso. De resto históricamente Portugal sempre foi um país onde o dinheiro foi caro.Ainda nos tempos dos governos do Dr Cavaco não havia taxas abaixo dos vinte por cento.

Denise disse...

Boa noite, amigos!
Coíbo-me de comentar o post, por enquanto, que está ainda em construção. Anoto, porém, que quando o li me lembrei da zona interseccionária entre o Onzeneiro e o Judeu da famosa barca vicentina - situação aliás entretanto aflorada noutros moldes pelo Dinossauro Manuel. :-P

Denise disse...

Quanto ao outro assunto, se é que cabe aqui, algumas considerações a tecer:
1. não me parece ser um estudo representativo: 500 crianças apenas, da capital e de um distrito próximo! Este estudo poderia ser alargado a um universo constituído por crianças de outros países de vários países e continentes (com e sem tradição colonialista recente)
2. interessante seria, pois, averiguar as preferências das cranças de raça branca e de outras raças e culturas
3. interessante a escolha efectuada. Os meus filhos têm pena de serem escurinhos como a mãe que, quando era criança, também lamentava não ter a pele clarae poder ruborizar-se como as colegas da escola
4. no entanto os homens brancos com quem já falei sobre o assunto, afirmam preferir a beleza dita exótica das mulheres de pele mais escura: mulatas,árabes e indianas
5. efectivamente, os que já se interessaram por mim são, na sua grande maioria, homens de raça branca. Curioso referir que não nasciturnos na década de 70 em que nasci mas ou mais velhos ou mais novos.
6. o que talvez possa indicar que as pessoas se sentem mais atraídas por aquilo que é diferente. As crianças são mais espontâneas nas suas respostas e por isso não se vergam tanto a condicionantes culturais que podem interferir na resposta de um adulto.

Mas continuo a considerar o estudo muito pouco rpresentativo...

Denise disse...

Peço desculpas pelas gralhas. O meu teclado está marado... :-(

J Francisco Saraiva de Sousa disse...

Oi Denise

Sim, o estudo não é efectivamente representativo da população donde foi seleccionada a amostra. Contudo, estudos idênticos foram feitos, com base em amostras representativas, que confirmam essa preferência por pele clara ou por mulheres brancas. Isto no que se refere a indivíduos de outras "cores", nomeadamente negros.

Quanto às preferências dos indivíduos brancos, também eles preferem louras e isto usando metodologias e técnicas de pesquisa sofisticadas. Os portugueses preferem claramente louras (Abel Salazar tratou deste tema) e as mulheres portuguesas gostam de ser louras. Porém, seria necessário fazer um estudo sobre estas preferências entre portugueses.

Denise, querida amiga, sobre si ou os seus amigos não me pronuncio e sei que eles terão as suas boas razões para a preferir. Apenas constato que disse que "também lamentava não ter a pele clara e poder ruborizar-se como as colegas da escola". A afirmação é sua: em termos de estudo estatístico era imediatamente colocada no grupo que "lamentava qualquer coisa".

Os dados são os que questiona: o desafio que coloquei era como os interpretar! Não os vejo como racismo, embora possa haver qualquer mecanismo racial, tal como uma barbie loura...

J Francisco Saraiva de Sousa disse...

Sim, o colonialismo está demasiado distante para explicar essa preferência das crianças moçambicanas. Filmes, telenovelas, barbies, publicidade, etc. Porém, mesmo neste nível, uma cena erótica entre negros é menos erótica que entre brancos. Se há um preconceito, ele está muito generalizada e enraizado... Até a indústria de pornografia sabe disso ou a revista PlayBoy e outras do género...

Já escrevi sobre o exótico mas sem grande convicção, confesso.

J Francisco Saraiva de Sousa disse...

Ah, no Quénia (e não só) existe um grande comércio em torno desses produtos para clarear a pele: as mulheres procuram muito esses produtos, alguns dos quais prejudiciais à saúde, e as preferências dos seus "homens" reforçam essa procura: mulheres de pele muito negra não são desejáveis e são consideradas feias.

J Francisco Saraiva de Sousa disse...

Vou brincar consigo: este é um tema científico e não ideológico e é como tal que o discuto. Sim, há amostras indianas: os homens preferem louras; as mulheres preferem homens hirsutistas (peludos) e com determinada morfologia, quase a la PlayGirl.

J Francisco Saraiva de Sousa disse...

Sabia que os homens gay indianos têm uma característica única? Sim, o padrão de cabelo...

Denise disse...

Olá F.!
Isso de os homens preferirem as loiras foi mais do tempo de Petrarca :-)
Só me lamentei do meu tom de pele quando era criança. Agora já não. É-me indiferente.

Também não interpreto os dados como manifestação de racismo, mas resultam de mecanismos culturais que passam pela própria família ou pela literatura ou filmes ou sei lá o quê que consomem...

E outra coisinha: eu n disse que me preferiram.. disse que se interessavam por ... ;-)

Boas noites!

J Francisco Saraiva de Sousa disse...

Não posso concordar aqui consigo:

"6. o que talvez possa indicar que as pessoas se sentem mais atraídas por aquilo que é diferente. As crianças são mais espontâneas nas suas respostas e por isso não se vergam tanto a condicionantes culturais que podem interferir na resposta de um adulto."

O semelhante e o diferente são usados para estudar a orientação sexual e tanto quanto sei nunca se utilizou a teoria EBE para estudar preferências raciais. Contudo, os estudos onde se mede a reacção genital desmentem a sua tese. E foram crianças a ser estudadas!

J Francisco Saraiva de Sousa disse...

Sim, os petrarcas são doidos por louras... :)

J Francisco Saraiva de Sousa disse...

Compare filmes pornográficos dos anos da pré-história da indústria e filmes actuais: as lourinhas/coelhinhas de agora são mesmo sexy... Noutro dia, estive a ver e fiquei assustado com as primeiras pornoactrizes: muito feias e peludas! Há factores culturais... Boa noite!

Fräulein Else disse...

Os indianos (homens) são feios. Mas os índios são lindos. Casaria com um índio da Amazónia, e rapam-se (ou são naturalmente imberbes)! Perfeitos.

A Denise é bonita, logo é "preferida" pela sua harmonia, n pela sua cor. :)

Durmam bem

J Francisco Saraiva de Sousa disse...

Sim, Else, a Denise é linda: já a vimos.

Sim, há uma diferença entre o parceiro idealizado e o parceiro real: os estudos foram feitos e detecta-se essa dissonância.

J Francisco Saraiva de Sousa disse...

É bom haver essa clivagem; pelo menos, podemos trair o real com o ideal ou desejável! Traição mental secreta!

Fräulein Else disse...

Exactamente: Deus dotou-nos de imaginação para trairmos. :)

Denise disse...

Ui! Para onde isto desvariou! :)))
Começo por agradecer os elogios que retribuo, com toda a honestidade à miss Fräulein que para além de bela é divertida, culta e inteligente; sigo com a indicação que não seguirei o conselho do F para um estudo comparativo de ancient e new pornografia porque não gosto de filmes pornográficos - são-me dolorosos por motivos vários; quanto ao ponto 6, ao contrário do F, que é cientista, eu sou exímia em opinite :-P e, como tal, acrescento que se eu quando criança preferia ser branquinha, as minhas colegas falavam-me da sorte que eu tinha em ser morena e do quão quereriam ter o meu tom de pele; no que aos homens indianos diz respeito,abstenho-me porque não consigo sentir-me atraida por eles: é quase com se fosse uma prática incestuosa :))))) mas eu devo ser uma excepção à regra: não curto muito homens peludos, mas estou muito, mas muito mesmo!, distante do ideal barbie-man ;-)

Boa noite meus senhores e Miss Fräulein, tenho um discurso do Paulo Portas para analisar!

Denise disse...

... eu não posso exercer a prática desse dote divino: não tenho quem trair.
... exerço-a noutros contextos! ;-)

Denise disse...

Francisco,
Tenho em mãos um projecto radiofónico local e na primeira emissão falarei de Florbela Espanca. Vou citá-lo, se me permitir. Depois, se quiser, enviar-lhe-ei a gravação da série de programas :-)
E agora é que é. Beijinhos!

J Francisco Saraiva de Sousa disse...

Estive a ver a Quadratura do Círculo: achei graça ao facto de Pacheco Pereira defender o primado da política sobre a economia, um conceito bem marxista e leninista, e depois criticar Sócrates por ter falado no "regresso do Estado": nos USA o Estado também regressou para tirar o país do charco criado pelo neoliberalismo...

J Francisco Saraiva de Sousa disse...

O governo americano prepara-se para nacionalizar parcialmente os Bancos!

Ok, Denise, depois diga-me. :)

J Francisco Saraiva de Sousa disse...

Ou seja: a intervenção do Estado confirma a tese marxista ortodoxa vulgarizada: o Estado é um Estado de Classe que, neste caso, intervem para salvar o capitalismo que entregue à sua autoregulação já estava morto! O neoliberalismo enganou-nos com o seu pensamento único: o mercado não se autoregula e não cria bem-estar geral, mas vou tratar disso no post. A democracia liberal é meramente formal e o Estado liberal não começou por ser um Estado democrático. Outra mentira! Mais outra: as "engenharias financeiras" estavam ao serviço de quem? Do povo? Claro que não... O pensamento único é democrático? Claro que não...

Manuel Rocha disse...

Claro que não !!!
Mas o marketing politico tem servido de correia de transmissão dessa ideia apresentando como moeda de troca ideológica os progressos alcançados. Percebe-se que para uma ( ou duas )geração esses progressos foram concretos. O problema é o progresso ( este progresso )como sistema. Daí que todos rimem em "sustentabilidade do modelo social".Perceberam que iosto não é reprodutível. Não sabem é como lhe dar a volta sem mexer com os simbolos dos "progressos" alcançados E aqui voltamos à questão do marketing: há verdade nesta ideia de "sustentabilidade" dos progressos materiais continuados ?
É que nas suas postagens anteriores o meu amigo fintou a questão ;) Magnificamente fintada, reconheça-se, mas ainda assim fintada...:))

Fräulein Else disse...

Caro Manuel,

De facto em economia é fácil criar a ilusão de que determinado sistema é o melhor, pela sua natureza fechada. No entanto, como o Manuel faz de forma irrepreensível, na aparente perfeição há erros que podem/devem ser detectáveis - sobretudo é desejável que esta detecção/previsão suceda antes da falência real. Julgo, e é minha esperança, que esta crise sirva para se reflectir e agir de forma diferente - assim é característico das crises: proliferação de novas questões e ideias. O que não entendo no seu raciocínio é a "perseguição" ao conceito de progresso. Refere-se a quê precisamente? Acha que deveria haver uma desacelaração no progresso tecnológico? A noção de progresso é imanente à cultura ocidental: acha que deveria haver uma discriminação do entendimento deste conceito? Não entendo, honestamente, por isso apelo à sua generosidade de me fazer entender. :)

Teresa disse...

Gd perspicacia do manuel rocha qd dix k o progresso prometido no marketing politico n passa d1 farça. Mas a fraulein else tem razão: não basta criticar o progresso, tem k se explicar melhor o pk!

J Francisco Saraiva de Sousa disse...

Amigos

Por ter estado a estudar economia, deitei-me tarde e acordei agora com dores de cabeça. Revisitei grandes economistas e parece-me que Marx pode ser lido como uma alternativa ao modelo do equilíbrio predominante na economia burguesa, bem como da sua versão racionalista, embora nem todos os marxistas estejam de acordo. Há outras vias a explorar.

Manuel, uma crítica radical do progresso conduz à aporia, como o demonstra a filosofia contemporânea. Em posts anteriores abordei esse aspecto e mostrei outras alternativas que nos permitem lidar com o progresso sem o negar. Sim, quanto ao progresso tecnológico, como disse a Else, não o podemos negar e a teoria das inovações de Schumpeter é muito pertinente a este respeito e coincide com a perspectiva de Marx, um optimista tecnológico!

Manuel Rocha disse...

Oh meus amigos : poupem-me a essa tentativa de me encostarem à parede levando-me a discutir o progresso como se a única forma de o fazer fosse a partir de uma grelha dicotómica. No meu muito modesto entendimento não se trata de saber se o progresso como ideologia ou como utopia é bom ou mau. Mas de não o tomar como dogmático e por isso isento de leitura critica, nomeadamente dos resultados concretos para onde as várias opções progressistas nos trouxeram e de saber uma única coisa: chegamos ou estamos a caminho de um estádio civilizacional sólido? Ou colocando a questão de outro modo: atingimos patamares organizativos de natureza social, económica ou tecnológica reprodutíveis ou tendencialmente reprodutíveis quando os perspectivamos em termos de perenidade dos processos em que se suportam ? Que é como quem pergunta: resolvemos ou estamos a caminho de resolver o básico, ou seja, de ter encontrado as soluções de aprovisionamento energético elementares para suportar o conceito de progresso ( made in ocidente, de acordo ) que apadrinhamos ?
Então quando chegamos a um ponto em que a super-estrutura do progresso reinante nos propõe a “confiança” como a grande “arma” de luta contra a crise de sistema, não seria boa altura para questionar sem reservas a natureza e a solidez das fundações do edifício civilizacional de que tanto nos orgulhamos ?
Os autores que o Francisco tem partilhado connosco neste magnifico espaço, produziram sem dúvida leituras de extrema pertinência sobre a dinâmica histórica do capitalismo ou a realidade do seu tempo. Mas nenhum deles se confrontou realmente com os problemas de escala da chamada “terceira via”nem com as tremendas implicações das abstracções de governança que advêm da propensão para as abordagens globais.
Prometo voltar a isto com mais detalhe e com menos provincianismo que o que usei no meu último post…))

J Francisco Saraiva de Sousa disse...

Manuel

No fundo, a partir de autores nossos contemporâneos, tenho procurado recuperar autores menos contemporâneos, para mostrar que podemos apagar os pseudo-efeitos cognitivos correspondentes ao ciclo que termina com esta crise, reatando com o passado próximo. Todo este ciclo foi um erro atroz e mostra o fracasso do fundamentalismo de mercado que alienou a nossa tradição. É evidente que tenho uma outra perspectiva mas, neste clima do politicamente correcto, não a posso partilhar sem correr riscos... Mas com tempo chego lá... Tenho estado a pensar que certos modelos ecológicos dificultam mais do que clarificam certos problemas: não devemos ficar paralisados pelos chamados problemas ecológicos, até porque a economia sabe lucrar com eles e o Manuel tem denunciado esse aspecto nos seus posts. O global e o local podem ser repensados em novas bases sem ser a do neoliberalismo.

Teresa disse...

O manuel fala da propensão para as abordagens globais. Ixo ker dizer k na sua opinião a mlhr forma de superar a crise do progresso seria 1 reorganisação regional, p ex?
Kreio k o seu prblm é falar em termos mto teóricos e n apresentar soluções ou alternativas p os prblms k deteta.

J Francisco Saraiva de Sousa disse...

Olá Teresa

Sim, não procuro neste post uma alternativa, mas procuro abrir caminho para uma nova alternativa, criticando o neoliberalismo e sem regressar a qualquer fórmula testada no passado e com efeitos nefastos: não sou defensor da estatização da economia.

J Francisco Saraiva de Sousa disse...

Teresa

A minha tese é a de que o neoliberalismo nos intimidou durante os últimos 30 ou 40 anos, levando-nos a desistir de pensar. Ora, sem levar em conta toda a tradição de oposição, retomando os seus estudos, não podemos delinear uma alternativa, sobretudo uma alternativa económica viável que não ponha em causa a liberdade e a democracia. De momento, é preciso gerir a crise e reformar o Estado, apostando numa nova cultura e numa nova educação. Marx reclamou sempre a Democracia Real e a Liberdade.

Teresa disse...

francisco: compreendo a sua posição, mas a minha critica era dirigida ao manuel rocha e não a si, pk se bem compreendi o seu blog é 1 blog filosófico e p isso 1 desafio ao pensamento.

J Francisco Saraiva de Sousa disse...

Amigos

Este assunto é muito complexo e, sem tentar uma nova articulação dos modelos, não temos alternativas originais viáveis. Existem muitas lógicas que se entravam mutuamente e a nossa sociedade é a manifestação dessas contradições sistémicas, agravadas pelos novos problemas colocados pela globalização. De momento, não temos alternativa ao capitalismo; vamos entrar num novo ciclo onde o Estado vai ter maior protagonismo, mas sem mudar muito as regras do jogo. Spengler pensou o fim do nosso ciclo civilizacional: estará a nossa alma esgotada? Resta-nos sobreviver ao inevitável, embora não tenha perdido a esperança de descobrir novo ânimo. A reforma do Estado é fundamental.

J Francisco Saraiva de Sousa disse...

Penso que a restituição integral do mundo é uma boa base para recuperar nova energia: cumprir as promessas traídas no passado, de modo a salvaguardar o futuro. Porém, esta tarefa só pode ser realizada no espaço ocidental: a sua universalização inviabiliza o ocidente. Estou a ser pragmático e terrível, mas não vejo outra solução, a não ser uma regressão cultural completa.

Vítor Pimenta disse...

O Francisco e restantes cibertertulianos vão perdoar-me estar a imiscuir-me a meio de tão produtiva conversa, mas o que eu tenho notado é que esta recente crise do capitalismo tem este condão de por todos e quaisquer liberais de mercado, neoliberais, e os socialistas clássicos (científicos?) confusos e desorientados com os seus próprios modelos.

De verdade, ambos os modelos falharam porque promoveram a emergência de classes dirigentes sejam elas políticas/democráticas ou coorporativistas. E nada trouxe de novo à organização primitiva da sociedade, com a humanidade a cometer sistematicamente os mesmos erros desde que assim organizou e a recriar os mesmos comportamentos e atitudes face aos mais fracos.

E aqui está a falácia.

Mais, um verdadeiro liberal, ou libertário, não pode aceitar que se possa nascer no planeta em dívida, ou com o Estado ou com o Sistema Bancário. Um verdadeiro liberal não pode pensar que os recursos do planeta possam ser detidos por uma coorporação que vai explorar o filão até à última gota - não na eficiência mas na promoção de um sentimento de escassez -maximizando os lucros, sem se preocupar com a alternativas que ofereçam sustentabilidade. Como sendo a Energia, cuja galinha dos ovos de ouro negro está velha e obsoleta que para além de altamente poluente limita o desenvolvimento de novas tecnologias, sobrevivendo só pelo paradigma do capitalismo selvagem e irresponsável (o dinheiro corrompe a cabeça, basta jogar Age of Empires para perceber).

Mais, um liberal não pode aceitar que com o Capitalismo se tenham criado novos trabalhos monótonos e repetitivos que encarceram o potencial humano numa secretária ou no exercício da vigilância policial.

Por esta altura, a Humanidade devia estar, toda ela, agarrada à criatividade do pensamento, na ciência e nas artes. Todo o trabalho ineficiente, de músculo, mesmo o burocrático, devia já ter sido lançado às urtigas e entregue à robótica, como se fez com muita da produção industrial e agrícola.

A organização deveria ser eminentemente tecnocrata (no sentido positivo do termo: cientístas dirigentes), e nós no advento da Sociedade do Lazer, onde naturalmente seriamos livres porque não nos teríamos de preocupar com o básico da sobrevivência, que a lavoura seria feita por robôs. :)

J Francisco Saraiva de Sousa disse...

Vitor Pimenta

Concordo com muitas das suas ideias; a apenas não concordo com a ideia de uma sociedade de lazer, que, de resto, já é a nossa: o lazer converteu-se em indústria do lazer e a criatividade foi atrofiada. A expectativa do lazer, alimentada por Marcuse (por ex.), produziu o contrário: a falta de criatividade.

Ah, é sempre bem-vindo! :)

Denise disse...

Boa noite!
Cumprimento o Vítor Pimenta pela sua retórica. Que ideias tão bem apresentadas! Gostei muito, sinceramente!

Francisco:
Hoje citei-o lá no programa radiofónico dedicado à Florbela Espanca em articulação com uma afirmação da Agustina Bessa-Luís, mas o programa ficou muito aquém das minhas expectativas. Assim que me disponibilizarem uma gravação audio enviar-lhe-ei uma cópia!
E não comento, afinal o post que temos em mãos: o assunto aborrece-me porque o meu metabolismo reduzido não me permite construir pensamentos sólidos e valiosos para este debate...
Um abraço e até ao próximo post!

J Francisco Saraiva de Sousa disse...

Oi Denise

Depois quer escutar o programa!
Este tema dá "pica", mas o diálogo aqui dispersou-me as ideias.
Sim, o metabolicamente reduzido é a última fase do capitalismo: a exploração do homem integral, ele próprio objecto da economia. Em linguagem cartesiana, mas contra a sua salvaguarda, o cogito tornou-se objecto da indústria, da indústria da consciência normal e patológica, porque vender produtos que ainda não foram fabricados ou vender viagens à lua é capitalismo especulativo doentio. O preço que pagamos para adiar a morte do capitalismo é muito elevado e põe em risco a própria vida, além da civilização.

Denise disse...

... bem, então não estou tão metabolicamente reduzida, porque não me revejo nesse retrato... mas reconheço os limites da minha capacidade para opinar sobre um assunto que me parece assim... meio... boring...
E sim, o diálogo, aqui, desvirtuou o tema central. Desculpe a minha contribuição para esse desvio :-(
E agora me vou, que tenho 4 braços à minha espera na cama :-)))

Fräulein Else disse...

Manuel,

Se interpreta a minha honesta pergunta, exposta de forma elegante como "encostar à parede", então tenha terror da possibilidade de eu querer, realmente, encostá-lo à parede. :)

Se leu bem, não pode inferir (sem violência) que eu tenha dito que não se deve questionar onde nos levou a perfectibilidade da sociedade ou o progresso. Naturalmente que a ideia do progresso, desde a sua origem no Iluminismo, levou a graves crises de todas as ordens, pois a perfeição não convém ao ser humano; se calhar já deveríamos ter aprendido isso, mas ainda não: novamente uma crise, desta feita, de ordem económica. Face a este deslize de fundações há que questioná-las, como diz, e arranjar sínteses ou nadar até à "terceira margem". Mas o facto de o Manuel querer uma "civilização em estádio sólido" (algo absolutamente impossível, logo, utópico), não o destitui de ser um progressista. Se quiser, é uma questão de rigor. Mas para mim, é suficiente.

E para terminar, o meu (para sempre) companheiro de jornada di-lo em excelência:
«Yes, we hate barbarism – we would all prefer the destruction of mankind to a regression of knowledge!»
Nietzsche

J Francisco Saraiva de Sousa disse...

Estou a pensar transferir a última unidade "Mercado e Democracia" para outro post, porque este já está longo.

Vítor Pimenta disse...

Bom dia, Francisco e Denise:
Bem admito a gralha, e tem toda a lógica. Provavelmente queria dizer “sociedade do conhecimento” ou “sociedade do Pensmento”, em que o paradigma musculocêntrico do trabalho mude para o cerebrocentrismo e esse paradigma tem de ser livre, pois o cérebro não tem limitação de movimentos, como uma articulação . Permitam-me que ponha assim em metáforas e desde já peço desculpa pelos neologismos teóricos, sou parco na terminologia: entendam-me como sociólogo(ide) amador ou naif, a roçar o empírico) :)
E na verdade, quem "trabalha" (entre aspas porque toda a iniciativa espontânea é um exercício puro e voluntário de criatividade e do potencial humano) por gosto, e livremente, normalmente aperfeiçoa o estado da sua arte.
Numa outra sociedade – tecnocrata - o trabalho humano devia ficar-se pelo desenho de um modelo experimental, com a execução do mesmo minimizado em trabalho físico e entregue à tecnologia desenvolvida a par da execução de um modelo. O progresso humano ou económico, tendeu sempre a ser alavancado por tecnologia (desde o fogo aos antibióticos) descoberta ou desenvolvida por gente livre para pensar (que é coisa natural de um animal curioso como o Homem, desde que o cérebro seja ensinado a divagar no raciocínio) porque tinha as necessidades básicas satisfeitas. Ora o Homem tem de ver toda a massa cinzenta do planeta como o verdadeiro processador gigante – metaforicamente falando. A internet é um sinal, um protótipo do potencial da sua ligação cibernética.

J Francisco Saraiva de Sousa disse...

Olá Vitor Pimenta

Este post está a dar-lhe trabalho extra e, neste confronto entre gigantes do pensamento, sou obrigado a retomar a teoria da circulação das elites de Pareto e Mosca, cujos reflexos são visíveis na concepção da democracia de Schumpeter. Sempre pensei que o deslocamento da classe dominante para a elite no poder podia revelar uma mudança social subtil, de resto detectada por Mills e Bottomore, o que apoia a minha concepção da corrupção.

Galbraith já falava dessa sociedade do conhecimento, curiosamente, mas penso que a tecnocracia reduz tudo a algoritmos e, neste aspecto, coincide com a burocracia de Weber. Falta-nos instrumentos analíticos... para captar todas estas mudanças.