sábado, 7 de Março de 2009

Cérebro, Serotonina e Agressão

Quase todas as espécies animais exibem comportamento agressivo, o qual compreende gestos ameaçadores ou verdadeiros ataques dirigidos a outros animais. Os comportamentos agressivos são característicos das espécies: os padrões de movimentos são organizados por circuitos neurais cujo desenvolvimento é, em grande medida, programado pelos genes do animal. Muitos comportamentos agressivos relacionam-se com a reprodução, tais como o acesso às fêmeas e a defesa do território, e estão sob controle hormonal, enquanto outros visam a autodefesa, como no caso do animal ser ameaçado por um predador. O comportamento agressivo compreende ataques reais ou comportamentos de ameaça: um conjunto de posturas ou gestos que advertem o adversário de que será alvo de um ataque se não se afastar. O animal ameaçado pode exibir comportamentos defensivos, isto é, comportamentos de ameaça ou de ataque real dirigido contra o intruso que o ameaça, ou comportamentos de submissão, que indicam que aceita a derrota e que não vai continuar a desafiar o outro animal. A depredação é o ataque dirigido por um membro de uma espécie contra um membro de outra espécie, com o propósito de obter alimento. Estes dois tipos de agressividade, a agressividade intra-específica e a agressividade interespécies, diferenciam-se na própria sequência dos movimentos e podem ser activadas por meio de estímulos eléctricos e químicos aplicados sobre diferentes regiões do cérebro. Assim, por exemplo, quando exibem comportamentos de defesa, os gatos agigantam-se, arqueiam o dorso, têm o pêlo eriçado, retraem as orelhas, mostram as garras, brigam e emitem sons, mas, quando atacam um rato, não exibem ira: aproximam-se cautelosamente do animal e lançam-se repentinamente sobre ele, infligindo-lhe potentes mordeduras na zona da cabeça e do pescoço. O ataque predatório não revela raiva ou ira e não é sinónimo de ingestão de alimentos (Roberts & Kiess, 1964). Os efeitos comportamentais da estimulação eléctrica do diencéfalo foram estudados, na década de 1920, por W.R. Hess e retomados, na década de 1960, por John Plynn. José Delgado ficou conhecido pela forma electrofisiológica de tourear: fixou à cabeça de um touro um rádio-receptor de reduzidas dimensões, ao qual ligou os eléctrodos implantados no cérebro do animal, nomeadamente no centro amigdaliano inibitório da agressão. Quando na arena o touro investiu contra o toureiro neurofisiológico munido de um rádio-transmissor, José Delgado pressionou um botão do seu aparelho e o touro parou, balançou a cabeça, voltou-se e afastou-se calmamente.
O comportamento agressivo é controlado de modo hierárquico pelo sistema nervoso: os movimentos musculares de ataque ou de defesa realizados pelo animal são programados por circuitos neurais do tronco encefálico, cuja actividade está, por sua vez, sob controle do hipotálamo e da amígdala. A actividade do sistema límbico é, por sua vez, controlada pelos sistemas perceptivos que detectam o estado do meio, incluindo a presença de outros animais. Os dois tipos básicos de agressão, a agressividade intra-específica e a depredação, podem ser desencadeados mediante a estimulação da substância cinzenta periaqueductal (SGP) do mesencéfalo. Nos gatos, o comportamento de defesa e a depredação podem ser desencadeadas mediante a estimulação de diferentes regiões da SGP, a região dorsal e a região ventral respectivamente, e o hipotálamo e a amígdala influenciam estes comportamentos através de conexões excitatórias e inibitórias com a SGP. A estimulação da SGP dorsal provoca ira defensiva nos gatos e a estimulação simultânea do hipotálamo medial aumenta este comportamento (Schubert et al., 1996). A estimulação da SGP ventral provoca depradação nos gatos e a estimulação simultânea do hipotálamo lateral aumenta este comportamento. De modo simplificado, podemos traçar as duas vias da agressão predatória e da agressão intra-específica: a via que controla a predação estende-se dos núcleos corticomediais da amígdala até ao hipotálamo lateral, através da estria terminal e da via amigdalofugal ventral, e deste segue para a área tegmental ventral através do feixe prosencefálico medial, enquanto a agressão intra-específica é mediada pela via que vai dos núcleos basolaterais da amígdala até ao hipotálamo medial e deste segue até à substância cinzenta periaqueductal, através do fascículo longitudinal dorsal. O núcleo central da amígdala inibe a actividade da SGP dorsal através de uma encefalina e, por conseguinte, a ira defensiva nos gatos, ao passo que o hipotálamo medial, quando é estimulado através da substância P via núcleo medial da amígdala, inibe a actividade do hipotálamo lateral através do neurotransmissor GABA e estimula a SGP dorsal, desencadeando a ira defensiva.
Os neurónios que contêm serotonina estão agrupados no interior dos nove núcleos da rafe. O aumento da actividade das sinapses serotonérgicas inibe a agressão e, por isso, fármacos serotonérgicos têm sido utilizados pelos médicos para tratar o comportamento violento humano. A destruição dos axónios serotonérgicos do prosencéfalo facilita o ataque agressivo, talvez porque elimina um efeito inibitório. A actividade serotonérgica pode ser estudada mediante a extração de uma amostra de líquido encefalorraquidiano (LCR) e a análise da presença de 5-HIAA nesse fluído. A maior parte da serotonina (5-HT) libertada é recaptada pelos botões terminais, mas uma parte é metabolizada em 5-HIAA e eliminada para o líquido encefalorraquidiano: os níveis elevados de 5-HIAA neste fluído indicam, portanto, níveis elevados de actividade serotonérgica. Os machos jovens dos macacos rhesus que têm níveis mais baixos de 5-HIAA exibem um padrão de comportamentos de risco, nomeadamente níveis elevados de agressões dirigidas contra animais da colónia mais velhos e com tamanho superior ao seu ou mesmo saltos perigosos entre árvores, e, devido a estes comportamentos, muitos deles morrem ou são assassinados (Mehlman et al., 1995; Higley et al., 1996). A serotonina exerce um controle sobre estes comportamentos de risco, incluindo os comportamentos agressivos. Raleigh et al. (1991) retiraram o macho dominante de vários grupos de macacos vervet e trataram os dois machos seguintes na hierarquia social de cada grupo com drogas serotonérgicas: um recebeu um agonista e o outro um antagonista da serotonina. O comportamento destes macacos era congruente com a hipótese de que a agressividade elevada está associada com menor actividade serotoninérgica. Os macacos que receberam o agonista tornaram-se dominantes, enquanto os que receberam o antagonista desceram de status na hierarquia. A eliminação de um controle inibitório sobre a agressividade parece incrementar a dominância dos macacos, mas, segundo Mehlman et al. (1995), a dominância exige habilidades sociais que não são exibidas pelos macacos com níveis mais baixos de actividade serotonérgica. A agressão não estava ligada à dominância no grupo. Isto significa que dominação e agressão não são sinónimas. Os macacos com actividade serotoninérgica artificialmente aumentada conquistaram uma posição superior na hierarquia, enquanto a injecção de drogas que reduziam a actividade serotoninérgica tornava os animais subordinados e mais propensos a iniciar actos de agressão. Embora possa recorrer à agressão quando é desafiado, o macho dominante utiliza fundamentalmente as suas competências sociais para conservar o seu status, recorrendo ao recrutamento de fêmeas para o apoiarem. Os machos dominantes tinham níveis mais elevados de 5-HT do que os machos subordinados e, por isso, eram menos agressivos do que os últimos. Com base na existência de um número elevado de receptores de serotonina na região frontal ventromediana, na amígdala e nos córtices temporais medianos, António Damásio (1994) defende que a conexão sistémica entre os córtices pré-frontais ventromedianos e a amígdala é responsável pelo comportamento social ou cooperativo que, no caso dos macacos com baixos níveis de serotonina, está completamente danificado.
Os estudos realizados com ratos confirmaram que a serotonina exerce um papel inibitório sobre a agressão. Os receptores 5-HT1B e 5-HT1A encontram-se em elevadas concentrações nos núcleos da rafe: os seus agonistas diminuem a ansiedade e a agressividade, enquanto os seus antagonistas aumentam a agressividade. Os ratos que carecem de receptores 5-HT1B do cérebro atacam com maior rapidez e intensidade os intrusos do que os ratos normais (Saudou et al., 1994), embora não fossem invulgarmente agressivos quando viviam em grupo. Os receptores 5-HT1B estão localizados não só nos núcleos da rafe, mas também noutras áreas envolvidas no comportamento agressivo, tais como a amígdala, a substância cinzenta periaqueductal e os gânglios de base. Além de serem mais agressivos e ansiosos, os ratos desprovidos do receptor 5-HT1A apresentavam pouca actividade exploratória, evitavam espaços abertos e permaneciam em áreas protegidas e cobertas. Nos ratos com a mutação da enzima alfa-CaMKII, observou-se uma redução na libertação de serotonina nos neurónios do núcleo da rafe dorsal, donde resultavam a dimimuição do medo e o aumento da agressão defensiva.
Os neurónios serotonérgicos desempenham um papel inibitório na agressão humana (Coccaro, 1996). Brown et al. (1979, 1982) estudaram um grupo de recrutas navais e descobriram que os antecedentes de agressividade e a tendência anti-social estavam correlacionados com níveis baixos de 5-HIAA no líquido encefalorraquidiano obtido por punção lombar. Coccaro et al. (1994) estudaram um grupo de homens com perturbações de personalidade e descobriram que a probabilidade de ter parentes próximos com problemas similares era mais elevada nos homens com actividade serotonérgica mais baixa. Coccaro & Kavoussi (1997) descobriram que o Prozac (fluoxetina), um agonista da serotonina, diminuía a irritabilidade e a agressividade. Brunner et al. (1993) estudaram uma família holandesa, na qual muitos homens exibiam comportamentos anti-sociais, tais como agressão impulsiva, tentativas de violação, piromania e exibicionismo, e descobriram uma relação genética entre a serotonina e o comportamento violento e anti-social: a síndrome anti-social era causada, nesta família, por uma mutação do gene da monoamina oxidase A (MAO-A), uma das enzimas que decompõem a serotonina, a dopamina e a norepinefrina (Shih et al., 1999), localizado no cromossoma X. Os homens violentos desta família possuíam a mesma mutação no gene da monoamina oxidase A. As experiências de mutação com ratos mostraram que a eliminação deste gene tornava os animais assassinos enlouquecidos: os ratos deficientes de monoamina oxidase A eram hiperagressivos, mordiam e atacavam os outros ratos sem terem sido provocados e o seu cérebro continha um nível muito elevado de serotonina (Cases et al., 1995). Num estudo de fMRI, Eisenberger et al. (2007) descobriram que os indivíduos humanos MAOA-L (homens e mulheres) exibiam maior número de traços agressivos do que os indivíduos MAOA-H. Além da elevada hipersensibilidade interpessoal exibida pelos indivíduos MAOA-L, foi observada grande actividade do córtex cingulado anterior dorsal associada à exclusão social e à angústia de rejeição. A relação MAOA/agressão era mediada por elevada reactividade deste córtex em relação à exclusão social e a experiências sociais negativas, o que sugere que o gene da monoamina oxidase A pode estar ligado à agressão através da hipersensibilidade sócio-emocional (Blair et al. 2006; Crick & Dodge, 1996). Num estudo anterior, Eisenberger et al. (2006) tinham mostrado que a sensibilidade à dor e a sensibilidade às condições de rejeição social estavam associadas, o que sugere que partilham o mesmo substrato neurocognitivo. O córtex cingulado anterior dorsal está ligado ao desprazer da dor física (Rainville et al., 1997) e também é activado durante a experiência de angústia provocada por condições de exclusão social: a sensibilidade a um tipo de experiência de angústia está directamente associada ao outro tipo de sensibilidade. Estes estudos revelam não só o papel desempenhado pela química do cérebro (o sistema da monoamina) na parte biológica da agressão, mas também e sobretudo a existência de factores sociais biologicamente activos e, portanto, a necessidade de criar uma ciência biosocial. Embora a genética do comportamento seja fundamental para a psicologia e para as ciências do comportamento, fazendo com que tenham um lugar entre as ciências biológicas, os genes não explicam todo o comportamento de um animal. As diferenças individuais nos caracteres psicológicos complexos devem-se de igual modo às influências ambientais e às influências genéticas.
A ingestão de álcool está associada frequentemente à agressão e, nos USA, está implicada em mais de metade dos homicídios, lutas e violações cometidos (Murdoch, Pihl & Ross, 1990). Embora hajam diferenças fisiológicas e pessoais na reacção ao álcool, é provável que a sua ingestão facilite a agressão mediante o impedimento da função plena do córtex pré-frontal, que tem um efeito inibitório no comportamento (Hoaken, Giancola & Pihl, 1998). Os efeitos do álcool e da serotonina interactuam no comportamento agressivo: os macacos que acederam livremente a uma solução de álcool de 8,4% exibiram maior agressividade (Higley et al., 1998). A sertralina, um agonista da serotonina que actua inibindo a recaptação da 5-HT, diminui tanto o consumo de álcool como a agressividade. Heinz et al. (1998) observaram que os macacos que apresentavam níveis baixos de 5-HIAA no seu líquido encefalorraquidiano exibiam menor sensibilidade aos efeitos intoxicadores do álcool, bem como um nível elevado de agressividade. Entre os jovens humanos, uma sensibilidade baixa aos efeitos intoxicantes do álcool prediz abuso e dependência do álcool no futuro. Um estudo realizado por Davis et al. (2006) mostrou que o consumo de álcool e a exposição à pornografia, especialmente à pornografia violenta, contribuem de modo independente para um aumento de actos de agressão sexual cometidos contra as mulheres. O mecanismo subjacente a esta relação parece ser a excitação sexual masculina: a erotização da violência e a presença de álcool, através dos seus efeitos sobre a excitação sexual, influenciam a frequência de agressões sexuais cometidas por homens, conforme demonstraram K.C. Davis et al. (2006). Este estudo concluiu que a excitação sexual era uma componente importante na predição da frequência de agressão sexual cometida e relatada pelos homens após terem sido expostos à pornografia violenta. Lalumiere et al. (2003) e Malamuth et al. (1980) já tinham demonstrado que a excitação sexual desencadeada por estímulos sexuais violentos leva os homens a cometer violação. Não é tanto a intoxicação alcoólica mas sobretudo a crença da vulnerabilidade das mulheres alcoolizadas à agressão sexual e a suposta resposta da vítima durante a violação que influencia a excitação sexual masculina, tornando os homens propensos a cometer agressões sexuais sobre as mulheres. Malamuth (1996) cunhou a expressão síndrome de masculinidade hostil para designar o forte desejo manifestado por determinados homens para controlar as mulheres e a sua atitude insegura mas hostil em relação a elas. Esta síndrome combina-se com a preferência por sexo anónimo ou impessoal e a agressão sexual.
J Francisco Saraiva de Sousa

14 comentários:

J Francisco Saraiva de Sousa disse...

Isto hoje está lento e corrompido. Por isso, vou adiar a conclusão do post até tudo estar operacional. :(

J Francisco Saraiva de Sousa disse...

De facto, a crítica homófoba feita ao primeiro post da série "Homofobia ou Preconceito Sexual?", bem como ao post "Vitimização e Orientação sexual", feita aqui

http://espectivas.wordpress.com/2009/02/22/um-exemplo-da-agenda-radical-gayzista/

é deveras surpreendente, porque não compreende a matéria que estava em debate, a começar pelo título.

Heterosexismo é com "um s", n medida em que o termo foi cunhado a partir de sexismo. Não tem nada a ver com "heterossexualismo"! Além disso, na ciência, o que as pessoas pensam não é importante..., sobretudo as opinativas.

J Francisco Saraiva de Sousa disse...

O voluntarismo do "escriba" de tal crítica "gayzista" manifesta-se nesta frase:

"O problema do desconstrucionismo ideológico é que pode atribuir os mais diversos significados às palavras. Um “homófobo” ― na minha opinião ― é uma pessoa que não concorda nem com a cultura nem com o comportamento sexual gay, e não é uma pessoa que exerce violência física sobre os gays.
"Uma pessoa que exerce violência física sobre os gays é um criminoso porque infringe o Código Penal no que respeita aos crimes contra pessoas, nomeadamente o artigo 143 e seguintes ― e não um homófobo."

Além de me atribuir erradamente o desconstrucionismo, altera arbitrariamente o sentido do conceito de homofobia: homófoba é, segundo a opinião do escriba", a pessoa que não concorda com o comportamento sexual gay! É uma questão de opinião, mas afinal quem lhe pediu a opinião! E os outros não têm direito a ter outra opinião? E a "não concordar" com o comportamento verbal supostamente hetero! Bizarra a crítica!

J Francisco Saraiva de Sousa disse...

O escriba altera e subverte o sentido dos estudos para depois criticar a sua própria subversão! E pretende ser decente!? Além disso, Weinberg era heterossexual e homófilo, não homófobo! Defender os direitos das minorias eróticas não é ser "gayzista"! O escriba não entende a associação entre homofobia e hostilidade anti-gay ou entre preconceito sexual e hostilidade anti-gay!

J Francisco Saraiva de Sousa disse...

O "escriba" sofre de opinite crónica! E é preconceituoso no sentido maligno do termo!

J Francisco Saraiva de Sousa disse...

Eis como interpreta um frase minha, segundo a qual o heterosexismo é criminologia:

"Em função desta proposição supra, podemos fazer algumas perguntas:

"(1) Quando é que a homossexualidade deixa de ser estigmatizada na nossa sociedade? Em função dos termos da proposição, a resposta é única: quando o “heterossexismo” deixar de existir.

"(2) Quando é que o “heterossexismo” deixa de existir? Quando a heterossexualidade deixar de ser valorada pela sociedade como um bem em si mesma.

"(3) Existe alguma diferença entre “homofobia” e o “exercício de violência sobre gays”? Segundo o escriba, não existe diferença, porque o que se pretende é transformar a homofobia em crime punível no Código Penal― e aqui é que está o problema da agressividade da agenda política gayzista."

Três ilações erradas, porque o que está em questão não é a heterossexualidade, mas o heterosexismo (com um "s").

J Francisco Saraiva de Sousa disse...

Hummm, detecto nestas palavras baixos níveis de serotonina! Muita agressão! Falta de confiança em si mesmo! :(

J Francisco Saraiva de Sousa disse...

E muito ódio dirigido contra José Sócrates e o PS! Mas respondi, sem o saber, a esta malícia nos outros posts da série! Especialmente no último!

Quando o escriba gayzista diz que o que digo pode ser aplicado à minoria sexual, revela concordância, embora tenha tomado o termo minoria em termos demográficos e não tenha compreendido o stress adicional a que as minorias são sujeitas! Quis traduzir a expressão sem conhecer o conteúdo ou dominar a fisiologia do stress! Enfim, opinite!

J Francisco Saraiva de Sousa disse...

Eis as conclusões do escriba gayzista:

" (1) A “mudança de paradigmas” significa que a heterossexualidade, ou heterossexismo, deve deixar de ser o paradigma da sexualidade na nossa sociedade. Para isso ― e é o está escrito acima ― a “minoria sexual” deve deixar de ser uma minoria através da mudança de estratégias políticas que, através da bissexualidade, transformem, em termos práticos, a homossexualidade como o comportamento sexual padrão por excelência.

"(2) A integração da homossexualidade como comportamento normalizado passa pela adopção de políticas sociais coercivas que estabeleçam a supressão da heterossexualidade exclusivista, ou heterossexismo.


"(3) A alteração radical da sociedade significa a condenação da heterossexualidade exclusivista como um comportamento social aceitável e correcto."

(1) Não percebeu a mudança de paradigmas ou de problemáticas teóricas, levada a cabo pela emergência de uma comunidade gay e pela luta dos direitos civis!

(2) Mas o comportamento homossexual não é normal e não está já normalizado? E quem falou da supressão da heterossexualidade!?

(3) Condenação da heterossexualidade exclusiva!? Mas quem a condenou? Ou quem defendeu uma sociedade de indivíduos coercitivamente homossexuais?

Diacho, estas subversões são perversas e sintomáticas de auto-intolerância disfuncional!

J Francisco Saraiva de Sousa disse...

E o que dizer desta suposta aplicação do princípio aristotélico do "terceiro-excluído"? Eis como o escriba o aplica:

"Ao ler os textos do escriba, ocorre-me que o que se pretende é que a cultura e o comportamento gays passem a ser obrigatórios, isto é, impostos contra a vontade das pessoas que não a aceitam. Para isso, o escriba começa por criminalizar a própria heterossexualidade utilizando um termo paralelo: “heterossexismo”.

"O termo politicamente correcto “heterossexismo” consiste na crítica à heterossexualidade como padrão social de comportamento sexual. Por imposição da regra do terceiro-excluído de Aristóteles, se a heterossexualidade não deve ser considerada como um padrão social de comportamento sexual, outro tipo de padrão social de comportamento sexual ocupará o seu lugar.

"O problema dos gays ― como “minoria em stress” ― é só um: a rejeição cultural da maioria. E portanto, a única forma de resolver o problema do “stress da minoria gay” é eliminar essa rejeição maioritária na sociedade em relação aos relacionamentos sexuais gays, isto é, o que o escriba defende é que os homófobos sejam politicamente perseguidos pelo crime de “rejeição do acto homossexual”, e só os homófilos sejam aceites na sociedade como bons cidadãos. O que o escriba pretende é transferir o “stress da minoria gay” para a maioria da população, transfornando-o num “stress da maioria não-gay”. O problema é que não há aqui uma terceira via."

Um raciocínio espantoso! Bem, o escriba encara a dicotomia em termos de exclusão recíproca, ao mesmo tempo que refere uma "terceira via"! Não há nada a acrescentar: opinite crónica!

J Francisco Saraiva de Sousa disse...

Contudo, vejo nesta reacção mais um caso clínico que abona a favor da teoria da homofobia, de resto um caso tipificado por Weinberg. Porque razão determinados homens supostamente hetero têm tanto medo da presença de homens gay? Agem e agridem como se o seu luto pela homossexualidade não estivesse concluído! Clinicamente fascinantes casos como estes!

J Francisco Saraiva de Sousa disse...

O post está concluído e, como sempre, ficou maior do que o previsto, sem ter abordado outros aspectos importantes da agressão.

Adicionei mais outro excelente blog: (a) Mar Pedra. A blogosfera é um espaço de criatividade e, aos poucos, vamos descobrindo afinidades electivas com boas pessoas. A esperança nunca morre! :)

J Francisco Saraiva de Sousa disse...

Bem, aconselho também a leitura deste post:

http://januacoeli.wordpress.com/2008/06/26/pais-e-filhos-gays/

Infelizmente não tenho tempo para contra-argumentar com os colegas da blogosfera que referem os meus posts. Mas tento estar um pouco atento. :)

J Francisco Saraiva de Sousa disse...

Reconduzo para este post:

http://cyberbiologiaecybermedicina.blogspot.com/2007/12/abuso-sexual-e-suas-sequelas.html

mas prometo regressar ao tema da pedofilia com mais calma, embora já tenha tratado do assunto em diversos posts. Ah, vou concentrar-me nas famílias gay, a partir de estudos cientificamente conduzidos!

As opiniões não me interessam, nem as minhas nem as dos outros: opinar converteu-se em doença! :(