sexta-feira, 28 de dezembro de 2007

Genes, Agressão e Exclusão Social

A sociologia torna-se cada vez mais inimiga da biodiversidade e procura igualar irracionalmente todos os homens, como se estes fossem biologicamente uma massa amorfa susceptível de ser moldada milimetricamente pela cultura ou pela sociedade! Os seus adeptos deviam meditar mais sobre as realidades sociais e históricas e concluírem que a "sua" suposta «natureza humana» não é uniforme e moldável, sobretudo aqueles adeptos que reclamam a herança de Marx. O suposto sociologismo de Marx foi um tremendo erro teórico e político: a igualdade procurada tornou-se totalitária e absolutamente irracional. O sociologismo é a ideologia dos "fracos", isto é, daqueles que reivindicam sem fazer nada para que o mundo mude qualitativamente: os seus adeptos negam sistematicamente a evidência e a visibilidade, a sua e a dos outros, são rápidos a atribuir culpas mas não assumem as suas próprias responsabilidades, e tendem a alimentar-se da pobreza.
Falam de exclusão social e de violência, não para pensar estes fenómenos e ajudar a combatê-los, mas para se livrarem das suas próprias responsabilidades na sua produção e manutenção. O seu raciocínio sobre a criminalidade (em sentido lato e abrangente) é simples: um mau meio ambiente produz más pessoas, donde resulta a proposta: o crime combate-se melhorando as condições de vida e universalizando o ensino, independentemente de outros factores. Contrariamente às suas expectativas pseudo-humanitárias, esta maneira de encarar a criminalidade e a agressão é tão reaccionária quanto a dos burocratas de colarinhos-brancos: todos associam pobreza e violência, como se todos os pobres fossem criminosos e todos os ricos fossem uns "santinhos"! Pura ideologia usada de modos diferentes para obter o mesmo resultado: a negação das diferenças biológicas!
Sem pretender abordar a biologia da agressão e do comportamento antisocial, vou dar apenas um exemplo: aquele que foi chamado pelos meios de comunicação social «o gene do crime». Hans G. Brunner et al. (1993) estudaram uma família holandesa que sofria de uma misteriosa doença. Os sintomas eram o atraso, a agressão e o mau comportamento e as vítimas eram apenas alguns homens. Os outros homens eram felizes e saudáveis e nenhuma das mulheres tivera quaisquer sinais da doença. Como não havia um único caso de um pai afectado ter tido um filho afectado e dado que os homens perturbados se encontravam relacionados através das mães, Brunner suspeitou do cromossoma X.
Para localizar o gene, Brunner et al. (1993) analisaram o ADN dos membros da família, usando marcadores, e descobriram que todos os homens com mau comportamento tinham uma variação num determinado marcador, e que os homens saudáveis tinham um condimento diferente. O gene responsável era e é o da monoamina oxidase A (MAOA), uma das enzimas que decompõem a serotonina, um neurotransmissor associado com comportamento violento (baixos níveis de serotonina causam agressão), bem como a dopamina e a norepinefrina (Shih et al., 1999). A enzima que deveria decompor a serotonina encontrava-se "morta" nos homens violentos que possuíam a mesma mutação (uma simples alteração de base) no gene da monoamina oxidase A.
Cases et al. (1995) realizaram uma experiência de mutação com ratos e descobriram que os ratos com a eliminação do gene da monoamina oxidase A mordiam e atacavam os outros ratos sem terem sido provocados. Os ratos deficientes tornaram-se ratos assassinos e maus parceiros sexuais.
Um estudo mais recente, levado a cabo por Eisenberger et al. (2006), mostrou que a deficiência de monoamina oxidase A está ligada nos humanos a elevada sensibilidade às experiências sociais negativas, tais como a exclusão social. Como mostraram os estudos que utilizam ressonância magnética funcional, o córtex do cíngulo anterior dorsal está envolvido nessa hipersensibilidade. (A sua remoção diminui a agressividade.)
Este estudo mostra claramente que o gene MAOA é um importante preditor de risco de agressão, além de chamar a atenção para os factores sociais que contribuem para a hipersensibilidade às experiências sociais negativas. Ao contrário do que pensam os sociólogos ambientalistas e behavioristas, a chamado "determinismo biológico" ajuda a tomar medidas sociais e políticas mais racionais e, por isso, mais eficazes no combate contra a exclusão social, a pobreza e os seus efeitos negativos.
J Francisco Saraiva de Sousa

18 comentários:

Aveugle.Papillon disse...

Sobre esta matéria subscrevo inteiramente. Mas gostaria de fazer uma pergunta: quando diz que Marx foi mal interpretado, o que quer dizer com isso? Ou seja, de facto, o socialismo parte do princípio errado que "somos todos iguais" e é precisamente a este princípio q se opõem Nietzsche e Freud, então, o que é o socialismo marxista ortodoxo?

J Francisco Saraiva de Sousa disse...

A capacidade de mudar de paradigma para combater melhor as injustiças sociais e promover a liberdade. Para mim, Marx é esse exemplo de coragem...

J Francisco Saraiva de Sousa disse...

Marxismo ortodoxo? Comunismo? É um absurdo! Penso que Marx, se fosse vivo, iria repudiar essa leitura do seu pensamento. Marx era um homem atento que acompanhava o crescimento científico. A sua igualdade deve ser lida como igualdade de oportunidades e que vença o melhor em termos de produtividade e de competência.
Aliás, o comunismo não é uma invenção de Marx: mas herança greco-cristã.

Aveugle.Papillon disse...

As minhas perguntas n eram retóricas, eram honestas. N sou comunista, nem lá perto. :)

Herança grega? Onde e quando? Nalguma aldeia de uma ilha perdida?

J Francisco Saraiva de Sousa disse...

De resto, é giro ver e ler as reacções aos meus posts, muitas das quais não me mencionam, mas reinterpretam os meus temas (transexualismo e seus genes, pedofilia e sua biopsicopatologia, homossexualidade e seus genes, violência, pornografia, colonialismo, etc.), acusando-me de "violar" os textos de Marx. Até adicionei um link marxista internacional! :)

J Francisco Saraiva de Sousa disse...

Sim, Platão fala do comunismo.
O cristianismo alimentou ideais comunistas. Quando Engels com o apoio de Marx opõe o "socialismo científico" ao "socialismo utópico" revela esse interesse pela ciência e, de facto, há muito positivismo nessa posição.

Aveugle.Papillon disse...

Platão na República fala de uma sociedade ideal em que aparta escravos e metecos e dá às mulheres um lugar "especial", sendo que depois nas Leis, atribui-lhes já direitos de educação semelhantes aos homens. Fala de uma aristocracia de reis-filófosos... da democracia como forma política de decadência... de um perfectivismo da espécie humana... Quer dizer, posso estar interpretar mal, mas parece-me que a primeira pessoa que veio ao mundo dizer que somos todos iguais (contando com deficientes, mulheres, burros, feios e imorais) foi Jesus Cristo.

J Francisco Saraiva de Sousa disse...

Sim, talvez tenha sido Cristo, o homem salvador.
Referia-me à propriedade comum... Penso que é daí que deriva o ideal comunista. Fonte do mal: propriedade privada. Solução: propriedade comum. As ordens religiosas e os mosteiros seguiram essa linha. Há um estudo de um filósofo contemporâneo que fala disso mas não o localizo: Berlin, Jonas, não me lembro! :(

Aveugle.Papillon disse...

A comunidade ideal que Platão almejava em que partilhariam muitas coisas, até os filhos, sustentava-se numa base de escravatura... A fonte de mal que Platão diagnostica é o soma, o corpo, por isso o líder tem que ser filósofo, o capaz das ideias. No cristianismo todos somos capazes de Deus. Platão era grego. Tem de ser sempre visto com a lente grega e não cristã.

J Francisco Saraiva de Sousa disse...

Claro, daí que o cristianismo que temos seja helenizado.

Aveugle.Papillon disse...

Ainda bem. Nem quero saber como seria a hipótese de um cristianismo bárbaro. :))

J Francisco Saraiva de Sousa disse...

Talvez o Islão fundamentalista forneça uma imagem disso!:)))

Aveugle.Papillon disse...

Por acaso, gosto muito dos povos árabes... fiquei triste com a morte da ex-primeira-ministra do Paquistão. O fundamentalismo é sempre mau, o perigo de gostarmos demasiado das nossas ideias...
Mas os não-fundamentalistas são países maravilhosos, de mulheres lindas, homens que são homens, valores firmes, sentido de comunidade sempre presente, o cuidado com o outro. Além de comerem bem e viverem calmamente... :)))

J Francisco Saraiva de Sousa disse...

Estamos de acordo: o fundamentalismo é mau. :)

Aveugle.Papillon disse...

Votos de bom ano, cheio de projectos concretizados. :))

Cumprimentos da borboleta.

J Francisco Saraiva de Sousa disse...

Obrigado. Também lhe desejo um Bom Ano e tudo bom na vida. Vou escrever post sobre violência doméstica.
Abraço

Helena Antunes disse...

Francisco, desculpe-me a franqueza mas acho que tem aqui uma visão muito redutora e mesmo injusta da Sociologia e dos sociólogos na abordagem de determinados temas como sejam, a título de exemplo, a criminalidade.

Cumprimentos!

J Francisco Saraiva de Sousa disse...

Este post vem a propósito de um post publicado por Carlos Serra, no qual os estudos biológicos de criminalidade juvenil era condenado. Contudo, penso que a sociologia deve mudar de paradigma e abrir-se às ciências biológicas.