quinta-feira, 6 de agosto de 2009

Cultura de Esquerda na Blogosfera

«Há já muito tempo que o mundo sonha com algo que só pode possuir na realidade se se tornar consciente disso». (Karl Marx)
«A utilização de elementos do sonho no despertar é o exemplo de manual do pensamento dialéctico. (O socialismo democrático) é alimentado mais pela imagem de antepassados escravizados do que pela imagem de netos livres». (Walter Benjamin)
«O novo radicalismo - encarnado na luta contra a homofobia, a misoginia e a xenofobia, as bandeiras programáticas dos Partidos da Direita Portuguesa - milita contra a organização burocrática comunista, altamente centralizada, e contra a organização (burocrática neoliberal, pseudo-democrática e corrupta). Há um forte elemento de espontaneidade, mesmo de anarquismo, nessa revolta, expressão da nova sensibilidade, sensibilidade contra o domínio, intuição e consciência de que a alegria da liberdade e a necessidade de ser livre devem preceder a libertação». (Herbert Marcuse)
O pós-modernismo apropriado pela Direita reaccionária e conservadora constitui, nos tempos obscuros e corruptos que vivemos, o maior adversário da teoria crítica que visa orientar a praxis de transformação radical do mundo e, enquanto inimigo, pode ser visto como a face visível da ideologia neoliberal: a sua noção de posthistoire (Gehlen) ou do fim da história (Fukuyama) e a sua crítica da metafísica transfigurada em apologia da aparência representam a vitória do fetichismo comercial, a ideologia degenerada do consumo conspícuo, que abdica do próprio conceito de emancipação e de formação cultural. O resultado trágico das políticas neoliberais e fundamentalistas de mercado impulsionadas por Ronald Reagan e Margaret Thatcher é não só a crise financeira e económica que vivemos, mas também, como mostrou Marcuse, o fortalecimento musculado da cultura afirmativa: a cultura que capitula diante do falso triunfo do capitalismo global e do seu pensamento único, desvalorizando sistematicamente as possibilidades existentes de intervenção política crítica e paralisando a oposição de esquerda genuína. Em virtude da indigência cognitiva e da atrofia dos órgãos mentais do homem metabolicamente reduzido, profundamente desmemorizado, e do agravamento mundial da miséria, da pobreza, da exclusão social, das assimetrias sociais e de poder, da criminalidade de colarinho-branco e da corrupção generalizada, a cultura de esquerda não pode desistir da tarefa de descobrir a esperança por detrás do desespero, distanciando-se para o efeito do estado de espírito desiludido e deprimido da pós-modernidade e criando as condições necessárias para a emergência de uma cultura da esperança militante que envolva os jovens numa enorme onda de massa cinzenta intergeracional. A Internet e, em especial, a blogosfera, possibilitam a emergência de um novo espaço público virtual liberto das tutelas medíocres dos media tradicionais e dos poderes económicos que os controlam. A política de informatização de José Sócrates - um computador em cada uma das casas portuguesas -, tão criticada pelos bloguistas reaccionários e intelectualmente obscurantistas e míopes, abriu esse espaço potencial de democracia participativa a todos os portugueses. Porém, o desfasamento que se observa entre o uso real dos computadores e as expectativas aponta para uma crise estrutural da educação e da cultura em Portugal, agravada pelas más políticas da educação implementadas depois do 25 de Abril de 1974: as tecnologias não fazem milagres e as novas tecnologias da informação e da comunicação não resolvem o défice cognitivo e a atrofia dos órgãos mentais dos portugueses. A blogosfera portuguesa é profundamente medíocre e os blogues políticos de esquerda ou de direita não escapam a esta norma. Os blogues semi-institucionais de esquerda, tais como Arrastão, Ladrões de Bicicletas e SIMplex, e de direita - Blasfémias, por exemplo - revelam falta de cultura política: a troca de insultos e a crítica subjectiva ou meramente opinativa substituem o pensamento político genuíno e a crítica construtiva. A cultura afirmativa é cultura de direita, mas em Portugal - talvez devido ao salazarismo - toda a cultura - seja de direita, seja de esquerda - é afirmativa de um modo sui generis: o regime de escassez predominante fomenta uma maldade radical que faz com que os portugueses rejeitem a mudança a favor de um sistema medíocre de conquista de emprego garantido, independentemente das competências. Além de ser medíocre, este sistema gera todos os tipos de corrupção que bloqueiam a sociedade, a cultura, a economia, o Estado, o sistema de ensino, os meios de comunicação social e o futuro nacional. Os portugueses vendem facilmente o seu silêncio comprometedor e cúmplice e o seu corpo em troca de um emprego ou de um cargo para o qual não foram cognitivamente talhados: a ocupação ilegítima de cargos não produz mais-valias; pelo contrário, reproduz a mediocridade estabelecida, cujo ciclo fechado vai do jornalismo à política e da política ao jornalismo. Os jornais e os semanários alimentam essa mediocridade: a cultura das pseudo-elites nacionais e das classes dirigentes é uma cultura de jornal e de TV.
O conceito de cultura tem sido usado em diversos sentidos que focam um ou outro destes aspectos: o estado mental desenvolvido - pessoa culta, por exemplo (1), os processos de desenvolvimento - interesses culturais, actividades culturais, por exemplo (2), e os meios desses processos - as artes, o trabalho intelectual do homem, por exemplo (3). A sua história e os seus usos foram estudados por Kroeber & Kluckhohn e por Williams. Podemos distinguir quatro concepções básicas da cultura: a clássica, a descritiva, a simbólica e a estrutural. Nos séculos XVIII e XIX, o termo cultura era utilizado para designar um processo de desenvolvimento intelectual ou espiritual que diferia de algum modo do processo de civilização. As línguas europeias incorporaram o termo cultura no início dos tempos modernos, usando-o para referir o cultivo ou o cuidado de alguma coisa agrícola, mas a partir do século XVI este sentido foi alargado ao processo de desenvolvimento humano. Na concepção clássica, a cultura designa literalmente o cultivo activo da mente humana e, nos finais do século XVIII, a configuração ou a generalização do espírito que informa e configura o modo de vida global de determinado povo. Diderot, Schiller, Goethe e Hegel explicitaram a concepção clássica da cultura (Bildung) e o último descreveu a sua fenomenologia completa. O termo cultura foi usado durante muito tempo no singular, mas Herder começou a utilizá-lo no plural, preferindo destacar as características particulares dos diferentes grupos humanos, nações e períodos históricos. Com o surgimento da antropologia no fim do século XIX, a concepção clássica deu origem a diversas concepções antropológicas da cultura. A concepção descritiva da cultura refere-se a um conjunto variado de valores, crenças, costumes, convenções, hábitos e práticas características de uma determinada sociedade ou de um período histórico (Gustav Klemm, E.B. Tylor), enquanto a concepção simbólica destaca o carácter simbólico dos fenómenos culturais, fazendo do seu estudo uma interpretação dos símbolos e da acção simbólica (Clifford Geertz). A concepção estrutural da cultura modifica a concepção simbólica, levando em conta os contextos e os processos socialmente estruturados, bem como os problemas do poder e do conflito: os fenómenos culturais são formas simbólicas inseridas em contextos sociais estruturados. A análise cultural é pensada como o estudo dessas formas simbólicas inseridas em contextos e processos historicamente específicos e socialmente estruturados, dentro dos quais e por meio dos quais são produzidas, transmitidas, recebidas e apropriadas. Evitando clarificar todas as noções teóricas envolvidas, a cultura pode ser definida como um sistema de significações mediante o qual uma determinada ordem social ou sociedade é produzida, comunicada, reproduzida, vivida e estudada. Com esta formulação abreviada leva-se em consideração tanto o espírito formador - o elemento idealista da cultura - como a ordem social - o elemento materialista da cultura, fazendo convergir o sentido sócio-antropológico e o sentido especializado. A crítica ideológica explicitou e desenvolveu este conceito na análise da comunicação de massas, cultura popular ou sistema de indústria cultural, cujo efeito global "impede a formação de indivíduos autónomos e independentes, capazes de avaliar com consciência e de tomar decisões" (Adorno). Quando substitui o sistema da indústria cultural pelas indústrias do imaginário no plural, Patrice Flichy não compreende de todo como funciona a ideologia dominante. É certo que existe uma diversidade de indústrias culturais, públicas e privadas, mas esta diversidade está sempre-já unificada pelo funcionamento da ideologia dominante. O conceito de hegemonia elaborado por Gramsci permitiu a Althusser compreender como este concerto dos aparelhos ideológicos de Estado é dominado por uma partitura única que contribui para a reprodução da sociedade capitalista: a partitura da ideologia da classe dominante e das suas elites governantes.
Walter Benjamin efectuou uma crítica da modernidade do ponto de vista da teoria da experiência que não implica um niilismo antropológico, como sucede com certo tipo de pós-modernismo: "Onde nos apercebemos de uma cadeia de acontecimentos, (o Anjo da História) vê uma única catástrofe que continua a amontoar destroços sobre destroços e os arremessa para diante dos seus pés". A tempestade responsável por esta catástrofe é o progresso entendido na sua dimensão meramente quantitativa. Abandonado a si mesmo e às "leis" da economia capitalista de mercado, o curso "imanente" da história nunca produzirá a redenção: "a História é talvez a mais cruel de todas as deusas; ela conduz o seu carro triunfal sobre montes de cadáveres, não só na guerra mas também nos períodos de desenvolvimento económico pacífico" (Engels). O filósofo crítico deve "destruir o contínuo da História", de modo a activar e actualizar os seus potenciais redentores ocultos, que Benjamin associa ao tempo do agora (Jetztzeit). A reinstauração da inocência do devir mediante a negação da nossa responsabilidade perante Deus defendida por Nietzsche é uma ideologia e uma quimera: o devir não foi, não é e não será inocente. O Anjo da História olha para o passado e vê uma única catástrofe que continua a amontoar destroços sobre destroços: a história passada não realizou a ânsia de justiça plena dos homens, o presente é um calvário e, nesta lógica imanente do desenvolvimento histórico, o futuro ameaça não ser sorridente. O devir não é inocente: o contínuo homogéneo da história confirma o triunfo dos vencedores. Para Benjamin, bem como para o último Engels, a consciência instalada no movimento das coisas, dos indivíduos e das ideias dominantes contribui para que esse movimento prossiga a sua marcha triunfal nesse contínuo homogéneo que é a história dos vencedores. Escapar à tirania deste movimento que promove a eterna repetição do mesmo (Auguste Blanqui) e que consagra o sempre igual constitui a tarefa fundamental da concepção dialéctica da história, que deve operar uma actualização do passado e arrancar a tradição ao conformismo que procura dominá-la. O marxismo de Benjamin não rejeita a tecnologia tout court, mas recusa a concepção presente no pensamento de Marx de que a tecnologia constitui um suporte neutro capaz de propulsar a passagem do reino da necessidade para o reino da liberdade. O desenvolvimento tecnológico per si não conduz a sociedade e a humanidade à redenção. Dado o mundo social ser construído pela acção negadora dos homens, a própria dialéctica é uma relação sujeito-objecto: as contradições que estão nas próprias coisas precisam ser animadas pela subjectividade para pôr em marcha o processo da mudança social qualitativa. Se os homens não tomarem consciência da inadequação entre o conteúdo subjectivo guardado nas promessas não-cumpridas do passado e a totalidade da história dos vencedores, então essa inadequação essencial - geradora do sofrimento - prolonga-se indefinidamente no tempo. Declínio (Verfall) e salvação (Erlösung) constituem efectivamente conceitos nucleares da filosofia dialéctica da história de Benjamin, mas é preciso olhar a sua dialéctica intrínseca nestes termos: a modernidade destruiu a experiência e, portanto, a tradição e a narrativa, e compete à teoria crítica operar a recuperação dialéctica da história cultural até alcançar o ponto em que "todo o passado tenha sido trazido para o presente numa apocatástase" (Origines), isto é, numa recuperação messiânica de tudo e de todos - a restituição integral da História (Ernst Bloch).
A crítica da modernidade e, em especial, da sua noção quantitativa do progresso - a dominação técnica da natureza, permitiu a Benjamin denunciar o compromisso histórico e político das próprias forças políticas de esquerda com a visão iluminista do progresso. A partilha desta mesma visão do progresso impediu a social-democracia e o comunismo de trabalhar a sua própria diferença política qualitativa em confronto com as forças políticas conservadoras e neoliberais que procuravam combater. A social-democracia e o comunismo foram de tal modo seduzidos pela lógica do progresso que descuraram o valor daqueles elementos não-contemporâneos, isto é, o valor da tradição, cuja promessa revolucionária estava a ser controlada, integrada e neutralizada pelas forças da reacção política. Estes elementos pertencentes aos valores da tradição, à Gemeinschaft, ao mito, à sexualidade, à questão da mulher, à família, à vida doméstica, à questão homossexual, ao ambiente, enfim à religiosidade, foram bruscamente marginalizados e neutralizados pela corrida à modernidade entendida como dominação técnica da natureza, donde resultou a transfiguração do mundo num lugar desencantado, empobrecido, inóspito e completamente destituído de significado. A agenda política da esquerda coincidia - e ainda coincide - em tudo com a agenda política da direita, até mesmo na proclamação da exploração da natureza como um objectivo válido e desejável, traindo a visão não-instrumental de uma reconciliação entre a humanidade e a natureza proposta por Fourier e tematizada pelo Jovem-Marx. No tempo de Benjamin, apesar da confiança cega depositada no progresso, as esquerdas ainda sonhavam com a realização reformista ou revolucionária de um mundo melhor, mas no nosso tempo indigente esse sonho diurno de uma sociedade livre e justa foi abandonado. Nas últimas três ou quatro décadas, as esquerdas foram completamente neutralizadas pelo teologia do mercado (Marx): o capitalismo deixou de ser questionado e a ciência económica burguesa legitimou uma espécie de fatalismo economicista que subjuga tudo e todos às supostas leis naturais e imutáveis da economia de mercado. O pensamento único ou, como lhe chamou Marcuse, o pensamento unidimensional, que deriva da aceitação da economia de mercado como único modelo económico viável é o próprio neoliberalismo. Ao aceitar esta cartilha económica neoliberal, as esquerdas romperam com a sua própria tradição cultural e, portanto, com a sua matriz histórica identitária. Este esquecimento da sua tradição e da sua experiência histórica produziu uma descaracterização ideológica dos partidos políticos e subverteu completamente o cenário político. Sem ideologias políticas claramente definidas e delimitadas umas das outras e sem o confronto ideológico, os partidos políticos não só perdem identidade ideológica e política, como também se tornam meras máquinas de conquista do poder político, usadas e abusadas por políticos auto-intitulados profissionais em benefício próprio. O neoliberalismo e o capitalismo global agravaram drasticamente as assimetrias de poder, as desigualdades sociais e a exclusão social em todo o mundo, promoveram a corrupção em larga escala, descredibilizaram a actividade política, afastaram os cidadãos da vida política e produziram a actual crise financeira e económica. O neoliberalismo - o pensamento único, o populismo político demagógico das direitas e a sua linguagem do politicamente correcto - é uma ideologia de classe, completamente avessa à história e à historicidade, que usa a ciência económica burguesa para legitimar a sua dominação e a sua hegemonia de classe. George Soros acusa os economistas de terem eliminado a reflexividade da chamada ciência económica: a actual crise financeira e económica está a mostrar que "foi um erro basear a economia na física newtoniana". Os mercados financeiros não se corrigem a si próprios e não tendem para um equilíbrio: o estalar da superbolha desmente não só o fundamentalismo de mercado, como também a teoria económica dominante e as suas curvas de procura e de oferta que supostamente geriam as decisões dos participantes. A crítica de Soros é pertinente, mas escamoteia o facto de que a teoria económica foi elaborada reflexivamente para defender os interesses de classe dos grupos financeiros, empresariais e administrativos: a sua função manipulativa consiste precisamente em adaptar a realidade aos seus modelos, em vez de ajustar os modelos teóricos à realidade. A teoria económica dominante é pura ideologia ao abrigo da qual tem emergido uma classe de gestores profundamente corrupta que sacritica o futuro da humanidade, do planeta e da cultura ocidental para satisfazer os seus próprios interesses imediatos. A crise financeira e económica não tem nada de surpreendente: a lógica do capitalismo pensa apenas no resultado mais próximo, o mais tangível - o lucro e o enriquecimento fácil, sem levar em conta as consequências longínquas das acções que visam esse resultado próximo.
Georg Lukács denunciou o irracionalismo difundido pelas filosofias vitalistas que ajudou a preparar o terreno para o triunfo do nazismo e do fascismo na Europa. De Schelling a Nietzsche e de Dilthey a Toynbee, passando pelo sistema de Spengler e pelo existencialismo de Heidegger, todas as formas de vitalismo e de irracionalismo foram objecto da pesquisa crítica aprofundada de Lukács sobre os antecedentes ideológicos do nacional-socialismo. Seguindo um outro caminho, Hannah Arendt condena igualmente as filosofias da vida: "Se o moderno egoísmo (egocêntrico e comodista) fosse, como pretende ser, a implacável busca de prazer, conteria aquilo que, em todos os sistemas verdadeiramente hedonistas, é um elemento indispensável à argumentação: uma justificação radical do suicídio. A ausência deste elemento basta para indicar que, na verdade, estamos a lidar com uma filosofia da vida na sua forma mais vulgar e menos crítica. Em última análise, a vida é o critério supremo ao qual tudo o mais se subordina; e os interesses do indivíduo, bem como os interesses da humanidade, estão sempre equacionados com a vida individual ou a vida da espécie, como se fosse lógico e natural considerar a vida como o maior bem". Benjamin, Adorno e Horkheimer estavam cientes desta ligação orgânica entre a Lebensphilosophie e o totalitarismo fascista, mas isso não os impediu de recorrer aos seus temas para mostrar que a civilização contemporânea sofre de um excesso de "intelecto", isto é, de racionalidade instrumental, sobre a "vida": o entendimento técnico do mundo coloca a humanidade em conflito tanto com a natureza interior como com a natureza exterior, inviabilizando a reconciliação do homem com a natureza. Benjamin tenta realizar uma fusão entre Marx e Ludwig Klages, com o objectivo de recuperar certos temas pertinentes da filosofia da vida para a agenda política de esquerda, evitando o elo existente entre o vitalismo e a ideologia fascista denunciado por Marcuse e Lukács. A teoria ctónica das imagens arcaicas (Urbilder) de Klages constitui uma crítica de direita do domínio do conceito racional sobre a vida que fundamenta a civilização (Zivilisation) burguesa mecanicista e sem alma: as "representações" pertencem ao "intelecto" que se caracteriza por "perspectivas utilitaristas" e por um interesse na "usurpação", enquanto as "imagens" expressam directamente a alma e estão relacionadas com a "inteligência simbólica". Para Benjamin, a remição da teoria de Klages consiste em historicizar a doutrina das imagens: em vez de encarar as imagens como encarnações intemporais, a-históricas e mitológicas da alma, Benjamin satura as imagens com um conteúdo histórico, de modo a revelar a crise cultural não como uma manifestação da eterna luta cosmológica entre razão e vida, mas como uma crise do capitalismo e da sua cultura.
A teoria das imagens dialécticas de Benjamin considera que as imagens são potencialmente superiores às teorias racionais da cognição responsáveis pela marcha triunfal do "desencantamento do mundo" pós-iluminista. O marxismo de Benjamin não é alegre como a gaia ciência de Nietzsche: o marxismo de Benjamin é melancólico sem no entanto ser radicalmente pessimista. A filosofia da história de Max Weber retrata a visão final de uma história universal que conduz inexoravelmente a um mundo desencantado e a uma humanidade em servidão, despojada das suas faculdades mais elevadas: a dignidade do homem está ameaçada pela servidão dos indivíduos em relação às organizações burocráticas anónimas. O sistema económico eficaz é um sistema de dominação do homem sobre o homem. No mundo desencantado, isto é, racionalizado, pela ciência, pela administração burocrática e pela gestão das empresas económicas, o homem encontra-se só e dilacerado diante da escolha do seu próprio destino. Benjamin não adopta o pessimismo weberiano, porque vê no e para além do desencantamento do mundo o ressurgimento de forças mitológicas com roupagem moderna, tais como exposições mundiais, construções de ferro, panoramas, interiores, museus, iluminação, fotografia e galerias, que representam as imagens-desejo quase utópicas ou as imagens de sonho da superestrutura cultural do capitalismo moderno do século XIX. Para Benjamin, a tecnologia é responsável, não pela emancipação, como pensavam os liberais e os marxistas ortodoxos, mas pela emergência da mitologia moderna que, pelo facto de conter um momento utópico, não deve ser vista como algo pura e simplesmente regressivo. A imagem dialéctica desempenha um papel fundamental na redenção desse momento utópico: situar o passado na sua relação com as necessidades revolucionárias do presente histórico e actualizá-lo, de modo a redimir a promessa de felicidade contida na modernidade. Ora, estas imagens do passado primordial contidas nas manifestações fenoménicas da vida cultural do século XIX são precisamente as imagens dialécticas de uma "sociedade sem classes", o "comunismo primitivo" de Bachofen, aplaudido por Engels e Marx, cujos vestígios de memória foram armazenados no inconsciente colectivo (Carl Jung) e, posteriormente, reactivados na fantasmagoria cultural do capitalismo (Buck-Morss).
A crítica da modernidade de Benjamin é levada a cabo a partir de uma teoria da experiência que se inspira em Klages. Com efeito, Benjamin, Klages ou mesmo Ernst Jünger, estavam deveras preocupados com a diminuição do potencial humano para as experiências qualitativas que acompanhou a transição histórica da Gemeinschaf para a Gesellschaft. A modernidade é responsável pela desintegração progressiva da experiência e, nas actuais condições sociais, as imagens arcaicas só são acessíveis nos sonhos despertos, no transe ou nas experiências de choque que confrontam as pessoas com algo que destrói os padrões normais do pensamento racional. Contudo, a direcção imprimida por Benjamin à atrofia da experiência histórica diverge claramente da de Jünger: em vez de defender que a modernidade enfraquecida só pode ser redimida se a sociedade se reorganizar com base num modelo militar, como faz Jünger, Benjamin deposita, como já vimos, a sua esperança numa teoria messiânica da história, através da qual as promessas de uma vida redimida possam ser generalizadas e tornadas profanas, num movimento conjunto em que o corpo e a imagem se interpenetram na tecnologia, de modo a converter a tensão revolucionária em inervação corporal colectiva. O excesso de consciência (Simmel) prejudica os estados de experiência intensos que tendem a dissolver o eu em totalidades experienciais sempre crescentes e, segundo Benjamin, funciona como defesa contra os choques diários susceptíveis de acordar o homem do seu sono metabólico, a versão superactual do sono dogmático exorcizado por Kant. Isto significa que só o trabalho sistemático da memória involuntária, não-consciente, celebrada em Proust, pode recuperar os vestígios da memória do passado primordial que, devido ao esforço institucionalizado da autopreservação em que a sociedade moderna se tornou, se perderam para a lembrança consciente.
A revolta consciente de Marx contra a tradição não impediu Hannah Arendt de o colocar no fim de uma tradição que perdeu a sua autoridade: o ciclo da filosofia política que se inicia em Platão termina gloriosamente em Marx. Embora tenha operado uma profunda transformação da filosofia, exigindo a sua realização histórica mediante a acção transformadora do mundo, Marx reactiva toda a filosofia: a teoria de Marx retem de algum modo a teoria platónica do conhecimento como recordação. A ciência assume a tarefa de descobrir imagens que iluminam o que é falso, distorcido e negado na maneira como as coisas são dadas na realidade estabelecida. A recordação não é lembrança de um passado dourado ou de um paraíso perdido, mas sim a faculdade de síntese produtiva que reúne os fragmentos da humanidade distorcida e da natureza desvirtuada. O material recordado constitui o domínio da imaginação que retém a insolúvel tensão entre o potencial e o real, salvaguardando a transcendência da liberdade para além das formas dadas. A liberdade constitui um conceito regulador da razão que orienta a prática de transformação histórica do mundo de acordo com as próprias possibilidades inerentes às formas dadas e sancionadas pela sociedade estabelecida. A recordação constitui um conceito-chave da teoria de Marx e, dos seus inúmeros seguidores, foi a Benjamin que coube a tarefa de destacar o seu papel revolucionário na destruição do contínuo da história que confirma e consagra a história dos vencedores. Habermas acusou o marxismo de Benjamin de ser conservador, mas este conservadorismo pode ser devolvido e retribuído à sua teoria do agir comunicativo. Tal como Bergson, Benjamin encara a memória como a chave para a sua teoria da experiência e, com a ajuda da teologia negativa, mostra que só através da recordação é possível redimir o "acordo secreto" existente entre "as gerações passadas e a (geração) presente", isto é, entre os mortos e os vivos. O primado da recordação opõe-se ao conceito de progresso que só está superficialmente orientado para o futuro: "O passado carrega consigo um índice temporal que o reenvia para a redenção" e, por isso, através da rememoração (Eingedenken), a filosofia crítica pode reactivar e reactualizar esse "índice temporal de redenção" que se encontra adormecido no passado. Daí que o ideal de uma sociedade plenamente justa e livre deva ser nutrido mais pela "imagem de antepassados escravizados" do que pela "imagem de netos livres". Ora, numa sociedade metabolicamente reduzida como a do nosso tempo que atrofia a memória, através das suas políticas da educação, dos mass media e do marketing político, o despertar da memória e a rememoração são temas que devem ser integrados na agenda política de esquerda, porque o despertar da memória, embora seja impotente para nos libertar dos grilhões do presente, ajuda os oprimidos e vencidos de hoje a resgatar o que aconteceu e o que poderia ter acontecido, o que foi dito e feito, e o que foi desejado e sonhado, dando-lhes ânimo para lutar contra a miséria do presente, na expectativa de um dia alcançarem a vitória contra os opressores e a história dos vencedores
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J Francisco Saraiva de Sousa

123 comentários:

J Francisco Saraiva de Sousa disse...

Com este post inicio uma luta teórica e política contra a Direita portuguesa, de modo a levar os portugueses a tomarem consciência dos perigos que ela representa se votarem nos partidos de direita - em especial o laranja agora tomado por forças obscuras e antidemocráticas - que mergulharam Portugal numa crise estrutural profunda e na corrupção generalizada. Aguarde pelo post completamente construído! :)

J Francisco Saraiva de Sousa disse...

Quem anda estafada é a Else que pensa que as pessoas podem lutar sem primeiramente tomarem consciência dos mecanismos de poder que as alienam. Sem consciência política crítica não ocorrem mudanças! A alegria da liberdade antecede a libertação! A música Fuck You é espontanea e revela uma nova sensibilidade que a esquerda deve galvanizar: dar voz aos jovens, politizá-los, chamando zombies a Manuela Ferreira Leite e a Paulo Portas.

Direita = miséria, privação, pobreza, obscurantismo, ausência de liberdade, tristeza profunda, atraso, falta de cultura, castração mental, homofobia, racismo, etc.

Fräulein Else disse...

A música "Fuck you" é espontânea? Mas em que mundo é que vive? Conhece os meandros e as estratégias da indústria musical??? Aquela música tem tudo menos de inocência ou resistência.
Por acaso a Lily Allen está cá em Portugal no Sudoeste, mas creio mais que os jovens no Sudoeste pensem em sexo e drogas do que na Manela. Pelo menos, no meu tempo era assim... :)

J Francisco Saraiva de Sousa disse...

O que significa que os jovens precisam ser orientados pelo pensamento crítico, isto é, serem acordados desse sono letal! :)

A música comercial é o que temos e a teoria crítica é forçada a olhar com outros olhos para essa música: infiltrar-se e tentar consciencializar os jovens...

Referia-me ao gayclic.

Fräulein Else disse...

O vídeo que aparece na Gayclic é o da Lily Allen. :)

J Francisco Saraiva de Sousa disse...

Sim, eu sei, mas veja os jovens a brincar com o sistema... :)

J Francisco Saraiva de Sousa disse...

Ai... não é nada fácil fazer filosofia on-line e em directo. Vou relaxar um pouco e depois volto a essa tarefa... :F

J Francisco Saraiva de Sousa disse...

Sr

Respondo aqui porque é mais fácil. Sim, a Lily Allen pode ser "lavadinha", mas o vídeo é apropriado ao tema da homofobia e foi por isso que o escolhi. Não descobri outros interessantes!

A Else tem uma visão da sexualidade extraterrestre, porque toda a gente sabe como o poder está inscrito no corpo e na mente.

J Francisco Saraiva de Sousa disse...

Pessoas tão ignorantes como o homófobo ainda não perceberam o que significa o heterosexismo que identificam com o coito vaginal. E depois descobrem novos termos e deliram na sua monocultura neural! Bem, muitas psicopatias sexuais estão associadas a níveis baixos de inteligência e é provável que o mesmo suceda com a homofobia. Um indicador poderá ser o uso de filmes pornográficos. :)

J Francisco Saraiva de Sousa disse...

E o mais terrível é o facto dele pensar que ser heterossexual é ser homófobo. Não, não..., porque a sua homofobia é sintoma de uma homossexualidade patológica... Sim, o homófobo não é heterossexual, mas uma mente perversa que foge a sua homossexualidade! De certo modo, o seu universo é amputado; por isso, acrescentou os amputados a sua listinha de la merde!

J Francisco Saraiva de Sousa disse...

Que horror! O homófobo é um perturbado mental preocupante! Estive a estudá-lo e algo não encaixava até que se tornou evidente, mas nada disto é novidade em Portugal! :(

Sr disse...

Gud moaning!
LOL, conheço montes de vds com gays e alusões gay, mas tb n lembro de nenhum especificamente contra a homofobia :)

Este, por ex, é um classico

http://www.youtube.com/watch?v=Ue2UXnxp8Rs

:)

Sr disse...

francisco

qd ontem referia o Bataille como leitura importante, n estava propriamente na tanga :) Se nao leu, tem de, vai ver q fica logo com um andar novo e capaz de entender perfeitamente a tal "irredutibilidade" de q fala a fraulein ^^

J Francisco Saraiva de Sousa disse...

Hi

Estou lixado com o homófobo reaccionário. Publicou mais dois posts nojentos, um dos quais é este:

http://espectivas.wordpress.com/2009/08/06/a-maior-sigla-do-mundo/

O outro fala da saúde mental dos gays.

Sim, conheço Bataille, mas não concordo com a sua teoria do erotismo e muito menos com a noção de descontinuidade que pode ser lida em chave heterosexista.

De resto, não entendo o que significa irredutibilidade da sexualidade. Que não pode ser analisada pela ciência e abordada pela política, como defende a frau? Bem, se for isso o que significa, não significa nada: um vazio total.

J Francisco Saraiva de Sousa disse...

Numa sociedade que reduz tudo ao seu valor de troca e a mercadoria e que regulamenta tudo, é difícil falar de coisas irredutíveis, porque o sistema é redutor e as pessoas já não sabem o que é uma vida não regulamentada: esta última ideia é estranha ao universo humano actual.

A experiência de liberdade está cada vez mais confinada algures na mais secreta intimidade e, nesse aspecto, é impotente.

A frau esquece factos fundamentais, tais como a socialização de género, o esquema tradicional do sexo, a biologia das sexualidade, o papel das hormonas e dos genes na sua regulação, os padrões culturais e a sua diversidade intercultural, etc, etc... Portanto, não defende nada de novo, conformando-se com o que é e o que é é o esquema dominante.

Maldonado disse...

Off topic:
Já reparaste que o reaça quando posta temas homofóbicos fecha a caixa de comentários?
Isso só demonstra que teme o debate, pois quem tem argumentos sabe fundamentá-los até ao fim.

J Francisco Saraiva de Sousa disse...

Hi Maldonado

Já reparei nisso: o gajo é cobarde e badalhoco! Sei que ele quer publicidade, mas devemos atacá-lo, porque quem o lê não gosta do que lê; caso contrário, deixavam comentários nos outros posts que ele controla, fazendo censura; não edita tudo o que recebe.

Sr disse...

LOL, nao axam q tão a dar demasiada importancia a quem n a merece?? é q o moço nem sequer consegue ser verdadeiramente primário e isso tira a pica toda. :)

Sr disse...

J Francisco Saraiva de Sousa disse...
"
A frau esquece factos fundamentais, tais como a socialização de género, o esquema tradicional do sexo, a biologia das sexualidade, o papel das hormonas e dos genes na sua regulação, os padrões culturais e a sua diversidade intercultural, etc, etc... Portanto, não defende nada de novo, conformando-se com o que é e o que é é o esquema dominante."



LOL, nao esquece nada, tem mais é a ver com o tipo de leituras q priveligia e q adoptou como aquelas com q mais se identifica.
Agora, claro q uma coisa é ela axar q se identifica, e outra sentir q na pratica não so n o consegue totalmente, como até se sente frequentemente frustada perante a incomodidade do devir e a propria inconstancia da sua personalidade :)
Mas, fiquemos por aqui.. ^^

Sr disse...

Ai, antes q leve na tola!
melhor substituir "inconstancia" por falta de empatia ou algo parecido... :))

J Francisco Saraiva de Sousa disse...

Sr

Tem toda a razão: ele não merece atenção, mas é muito badalhoco na relação com os seus fantasmas sexuais... Ele ainda não se apercebeu que a sua homofobia é deveras doentia: devia consultar o psiquiatra! A mensagem dele é sempre a mesma: José Sócrates é...

Fräulein Else disse...

Quando falo de irredutibilidade da sexualidade, n digo que ela n possa ser traduzida cientificamente e fixada politicamente, é claro que ela o é, não me detenho pelo óbvio, digo que ela é muito mais que isso e que a minha resistência e liberdade opõe-me a essa categorização. Hoje a verdadeira esquerda deveria ser isso, o desmascaramento do poder, mas o que faz é consentir com categorias que apenas previligiam o sistema capitalista. É exactamente a leitura oposta. Mas o Francisco em vez de me ler com atenção e discutir com pessoas inteligentes, tá mais preocupado com o O. Braga de pila e cérebro pequenos. Não sei, talvez revele um pouco a inutilidade da sua "luta".

Fräulein Else disse...

Sr

"Agora, claro q uma coisa é ela axar q se identifica, e outra sentir q na pratica não so n o consegue totalmente, como até se sente frequentemente frustada perante a incomodidade do devir e a propria inconstancia da sua personalidade"

O que é isto? Análise psicológica e moral do meu carácter? Não quero cá justificações dessas. Prefiro que me digam que penso mal, ou que não sei onde quero chegar. É que psicologia barata todos podemos fazer, olhe o Francisco, para ele somos todos atrasados mentais. Isso é fácil fazer.

J Francisco Saraiva de Sousa disse...

Desmascaramento do poder? Mas isso é o que faço: a crítica da ideologia sempre teve esse objectivo.

Psicologia barata é o que faz a frau sempre que me acusa de fazer análise clínica!

Fräulein Else disse...

É o que faz constantemente! Para si os outros são sempre objectos de avaliação psicológica e psiquiátrica, reduzidos materialmente. É a redutibilidade francisquina! Faça ao menos reduções ad absurdum, coloque hipóteses radicais; talvez chegue a conclusões novas ou, pelo menos, desafios novos.

J Francisco Saraiva de Sousa disse...

E repare nas suas vacilações: Ontem não havia análise política da sexualidade, Hoje quer desmascarar o Poder - que é político! A sua inconstância é conceptual ou, pelo menos, revela-se a esse nível... Combater a homofobia não é desmascarar o poder? Afinal, a sexualidade já é uma relação de poder! baahhhh

J Francisco Saraiva de Sousa disse...

Diz defender a irredutibilidade da sexualidade, mas agora quer proibir a psicologia! Cada palavra sua contradição!

J Francisco Saraiva de Sousa disse...

Eu coloco hipóteses - e hipóteses radicais, mas a frau nem isso capta, além de não colocar nenhuma hipótese. Critica por criticar... Triste figura!

Fräulein Else disse...

Não, eu n me contradigo, o Francisco é que gosta de manipular aquilo que eu digo. Eu n disse que não há análise política da sexualidade, se o disse, cite-me. Não sabe ler? Digo é que a vossa luta é uma falsa luta, pois não vai ao problema de fundo.
E quem disse que proibo a psicologia? Mas o Francisco é honesto intelectualmente ou anda a brincar? Eu digo que o F. gosta de fazer avaliação psicológica dos outros e que o faz com uma facilidade muito perigosa.

Fräulein Else disse...

Triste? Mas que tristeza? Não vejo nada de triste no que digo... :)

Triste é o F., que n deve ter nada q fazer e, então, faz joguinhos blogosféricos. Mas n se preocupe, continue a brincar, que a minha "tristeza" poupá-lo-á.

J Francisco Saraiva de Sousa disse...

Respostas:

1. "Eu n disse que não há análise política da sexualidade, se o disse, cite-me. Não sabe ler? Digo é que a vossa luta é uma falsa luta, pois não vai ao problema de fundo."

Veja o que escreveu na caixa de comentários do post anterior, quando lança para a mesa a irredutibilidade, afirmando que a sexualidade não pode ser vista em termos científicos e políticos.

2. "E quem disse que proibo a psicologia?"

Bem, está a brincar ou é mesmo esquecida.

3. "Mas o Francisco é honesto intelectualmente ou anda a brincar? Eu digo que o F. gosta de fazer avaliação psicológica dos outros e que o faz com uma facilidade muito perigosa."

Sim, sou demasiado honesto e educado, porque nunca usei veneno para a criticar e eu tenho muitas reservas de veneno, mas só o uso para neutralizar inimigos declarados. Refere-se a que perigo? A mentira ou a omissão são os maiores perigos...

J Francisco Saraiva de Sousa disse...

Sim, é melhor fazer joguinhos blogosféricos que ser esquecida e tonta! Pelo menos, comunico sem esperar nada em troca! :)

J Francisco Saraiva de Sousa disse...

E sem ser malcriado! :O

J Francisco Saraiva de Sousa disse...

Porque a frau é visceralmente desagradavel, inconveniente, agressiva, inoportuna, esquecida, venenosa, enfim... antes de atirar pedras veja como as suas telhas são deveras precárias!

Fräulein Else disse...

"e eu tenho muitas reservas de veneno, mas só o uso para neutralizar inimigos declarados"

ahahah... ui, que medo! Mas acha que as pessoas q o criticam o fazem pq são seus inimigos? Que visão tão maniqueísta! Eu n sou nem sua amiga nem sua inimiga. Sou apenas uma visitante do seu espaço que admiro e q me dá prazer ler. Concordar ou discordar de si, não é uma resolução afectiva.

E eu não sou tonta, e sabe bem que não sou. Aliás, assim espero, pq tenho fé na sua inteligência, é o q me faz vir até cá. ;)

Fräulein Else disse...

"Porque a frau é visceralmente desagradavel, inconveniente, agressiva, inoportuna, esquecida, venenosa"

ahahah! Passou-se! :D

J Francisco Saraiva de Sousa disse...

Ah, agora voltei a ser inteligente!
Mas a minha inteligência diz-me que não devemos ser indiferentes as opiniões do homófobo! E era isso que estava em causa no post anterior! Não negligencie o meu veneno que tomei de Nietzsche!

J Francisco Saraiva de Sousa disse...

Além disso, quando falo de regressão cognitiva, estou a fazer um alerta e penso que estou a ser bem compreendido pelas pessoas. E quem escreve fá-lo na esperança de encontrar leitores inteligentes. Florbela sabia isso..., embora tenha morrido sem encontrar o seu!

Fräulein Else disse...

Não negligencio o seu veneno, como não negligencio o de ninguém. Se considera o meu estilo provocador como uma investida pessoal, é q interpreta mal. :)

J Francisco Saraiva de Sousa disse...

Então use argumentos objectivos e claros - sem vacilar - para ser compreendida por todos!

J Francisco Saraiva de Sousa disse...

E outra coisa: não precisa conhecer-me pessoalmente para me conhecer, porque sou aquilo que se reflecte aqui no blogue ou na blogosfera. Isso é demasiado evidente: não me escondo! E não tenho nada para esconder!

J Francisco Saraiva de Sousa disse...

Mas também não partilho a minha vida privada, nem exijo aos outros que o façam! Nada disso tem importância para mim: aprecio mais o que as pessoas defendem e pensam sobre temas comuns a todos - vida pública. :)

Fräulein Else disse...

Exacto, então se o diz saberá certamente, pq tb n me conhece virtualmente há 2 dias, q tb n sou "tonta", nem exponho a minha vida privada, nem quero saber da sua. E que nunca me dirigi a si ofendendo-o ou louvando-o nesse sentido, sou muito mais racional e distante do q isso e, por isso, essa conversa do amigo/inimigo é-me completamente alheia. Se quisesse amigos n vinha até aqui discutir sobre homossexualidade. Se sente atiçado pelos meus comentários, eles têm um objectivo exclusivamente intelectual. Para eu perceber melhor a sua posição e a minha própria tb. É um aspecto formal ou metodológico, até. É claro que se pode sentir melindrado por isso, e tem toda a razão, somos diferentes, e temos estilos diferentes.

Quanto ao expor claramente a minha posição, acho um desafio justo e tentarei fazê-lo! Logo à noite, talvez, aqui ou em post.

J Francisco Saraiva de Sousa disse...

Ok...

Sr disse...

Cá está, bem q o meu feeling sobre a importancia de um Bataille pra um assunto polemico e tão propicio a faiscas como é este da sexualidade tava certo!!
Rendam-se ao dominio do extatico, seus porquinhos:

«Num jardim encontravam-se duas estátuas, de frente uma para a outra.

Uma feminina, outra masculina.

Um dia apareceu um anjo, que lhes disse:

-Como vocês têm sido duas estátuas exemplares, trazendo tanto deleite

a quem vos contempla, vou-vos conceder 30 minutos de vida, para que

possam durante esse tempo fazerem o que vos apetecer.

Assim que o anjo se calou, as estátuas ganharam vida.

Olharam uma para a outra, sorriram e correram para trás duns arbustos. O

anjo sorriu ao ouvir os seus risinhos, enquanto se ouvia o barulho dos

arbustos e o restolhar das folhas. 15 minutos depois, as duas estátuas

saíram de trás dos arbustos com uma expressão de grande satisfação.

O anjo ficou confuso e disse-lhes:

- Ainda têm mais 15 minutos! Não querem aproveitar esse tempo?

A estátua masculina olhou para a sua companheira e perguntou-lhe:

- Queres repetir?

Sorrindo, a estátua feminina respondeu:

- Claro! Mas desta vez seguras tu no pombo, e cago-lhe eu na cabeça!...

»



:P

Sr disse...

Blogger Fräulein Else disse...

Sr


O que é isto? Análise psicológica e moral do meu carácter? Não quero cá justificações dessas. Prefiro que me digam que penso mal, ou que não sei onde quero chegar. É que psicologia barata todos podemos fazer, olhe o Francisco, para ele somos todos atrasados mentais. Isso é fácil fazer.



Moral??? so se for no sentido extra. :P
Lolz, ja desde o post anterior q venho dizendo q concordo consigo, so não foi totalmente explicita quanto à tal margem de "irredutibilidade". Interpretei q o pensasse em termos absolutos(no q n vejo nenhum mal como conclusao). De resto, limitei-me a introduzir um pouco da atmosfera batailleana, quer pra melhor ilustrar ao francisco o q lhe escapava quanto à posição da else, quer para, através da "psicologia barata", aferir o quanto vc é predisposta à abertura ao jogo do absoluto q sempre essa "irredutibilidade" suscita.
^^

Sr disse...

pra n me prestar a interp equivocas, qd atrás uso o termo "jogo", n o faço de modo gratuito. Mais uma vez reenvia para Bataille e para a ideia de uma "transcendencia jogada"(mantendo-nos ainda no campo do erotismo/sexualidade, claro)*

Sr disse...

ah!
n sei se ja conhecem estes, mas aí ficam na mesma:

http://www.infoalternativa.org/

http://www.indymedia.com/mc/index.php

http://pt.mondediplo.com/

http://www.jornalmudardevida.net/

http://www.geocities.com/autonomiabvr/

http://www.modevida.com/comercio.html

http://www.rizoma.net/hp03.htm

http://www.ubu.com/

http://www.nothingness.org/

http://dyne.org/perform.php

J Francisco Saraiva de Sousa disse...

Agradeço ao Paulo Ângelo por ter sugerido o meu blogue no site Tecnologia (Está linkado nas actualizações.)! Obrigado! :)

J Francisco Saraiva de Sousa disse...

O blogue é Tecnologa.

Hummm... Sr: Esse relato dos porquinhos/estátuas é deveras curioso. :)

J Francisco Saraiva de Sousa disse...

E para mostrar que existe gente muito boa na blogosfera, fica aqui mais outra recomendação já linkada:

http://feiraglobal.blogspot.com

J Francisco Saraiva de Sousa disse...

Um agradecimento especial às comunidades gay de Barcelona, Argentina e México: a minha tarefa como pensador de esquerda é zelar pelos humilhados e ofendidos! Admiro a vossa coragem, como já vos disse via e-mail. :)

J Francisco Saraiva de Sousa disse...

A tipologia das homossexualidades masculinas de Baldomero Montoya é reaccionária, franquista e fascista: a falsa medicina dele é homofóbica! Prometo fazer um post sobre esse reaccionário, talvez em Setembro!

J Francisco Saraiva de Sousa disse...

Sobre Georg Lukács fiz estes comentários no post "Quixotina" da Denise:

«D. Quixote é o grande clássico ancestral do romance que fascinou Lukács, o jovem-Lukács da "Teoria do Romance".

Alguns homófobos procuram escurecer o seu contributo impar, mas tem sido esquecido, talvez porque as pessoas não conheçam a sua obra completa. Steiner prestou-lhe duas ou três belas "homenagens". Tanto a estética desse período juvenil como a estética madura não foram lidas e traduzidas, evidentemente: o romance histórico e os estudos sobre o realismo também estão esquecidos, bem como a ontologia do ser social.

Ler Lukács é penetrar profundamente na cultura brilhante da Europa Central, em especial alemã. Existe tradução espanhola das obras completas, mas está esgotada: em vez de aprender com néscios, mais vale ler o mestre, o maior filósofo do século XX - o filho de gente super-rica da banca que abraçou a causa dos pobres.

Sim, Schlegel é outro desprezado! O romantismo alemão é uma mina do pensamento! A cultura portuguesa ressente-se da falta de traduções destas e de outras obras fundamentais que iluminam e alimentam o pensamento, abrindo-lhe novos horizontes. Sem essas leituras não podemos relançar uma cultura portuguesa - já que a que existe foi feita em segunda mão.

Lukács também apreciava e defendia o realismo, daí que tenha sido criticado por condenar as vanguardas, mas a sua fonte de inspiração e a sua formação foram claramente românticas. Não vejo o romantismo alemão carregado dessa ideologia retrógrada que geralmente se atribui ao romantismo, até porque as obras são muito ricas, possibilitando outras leituras mais revolucionárias. Ler "A Alma e as Formas" de Lukács é entrar no universo da tragédia. Daí que Goldmann tenha retomado a visão trágica do mundo, com Racine, Pascal e outros. Existe outra pupila do mestre: Agnes Heller. Todo o pensamento contemporaneo, incluindo o de Heidegger, bebe em Lukács!

Entrei pela mão do idealismo alemão e do marxismo e assim sucessivamente fiz a minha aprendizagem». :)

Fräulein Else disse...

Francisco, deixei a minha posição no meu blogue. Espero que esteja clara. Só a pude fazer agora. Estou meia constipada, só espero que n seja gripe A. ahah! :D

J Francisco Saraiva de Sousa disse...

Ok, já li, depois comento as suas duas afirmações no seu blogue, mas como pode adivinhar não estou de acordo, porque lutar por um quadro legal que possibilite a expressão livre das diversas sexualidade não implica uniformização: o pluralismo sexual é um facto; a lei apenas deve possibilitar as vitímas do heterosexismo igualdade perante a LEI. Não se trata de normalização nesse sentido de uniformização, mas de garantir a liberdade de escolha e o respeito. Normalização é o heterosexismo.

J Francisco Saraiva de Sousa disse...

O heterosexismo subordina a homossexualidade, impondo a todos uma orientação heterossexual: interpela todos como heterossexuais sem lhes perguntar se são ou não heterossexuais. Normaliza excluindo o outro. Ora, a luta contra a homofobia não é travada contra a heterossexualidade, mas contra o heterosexismo. Não pretende impor outro poder normalizador - a homossexualidade, mas libertar as sexualidades desse poder normalizador que normaliza excluindo. Como é que um casal gay que decida casar pode fazê-lo se a lei não o permite? Se quiser constituir família como pode fazê-lo se a lei o proibe?

Outro preconceito é o uso que faz da noção de minoria: as pessoas gay não são elementos estranhos a comunidade onde nasceram devido a queca dos pais heterossexuais! Faça um somatório de todas as minorias sexuais e vai ver que não são nada minoritárias. E mesmo que o fossem um regime democrático deve garantir a igualdade de todos perante a lei que não obriga ninguém a ser gay ou hetero ou a casar ou não casar, ter filhos ou não ter filhos. A liberdade de cada um está sempre garantida em democracia real!

J Francisco Saraiva de Sousa disse...

Frau:

Ah, a sexualidade não é uma força infinita, nem sequer é uma força libertadora; pelo contrário, a sexualidade é aquele aspecto da nossa animalidade que mais pode ser manipulado pelo sistema em função da sua mecanica de reprodução. O amor que une dois seres é uma adição e está sob controle genético e hormonal; pelo nosso lado sexual, somos escravos das variações neurohormonais que dificilmente podem ser controladas pelo sujeito.

J Francisco Saraiva de Sousa disse...

Bem, a frau faz controle de comentários! Escrevo aqui: amo a liberdade! :(

Fräulein Else disse...

Oh Francisco, lá está o histerismo, pus controlo de comentários por causa do miguepontobesta. N ama a liberdade menos que eu. ;)

Já faço contra-objecção, tenho mm de ir fazer um chá :(

J Francisco Saraiva de Sousa disse...

A Frau alega no seu post duas razões pelas quais a legitimação dahomossexualidade leva ao fim contrário do que pretende atingir. Eis as duas razões:

"A acção de assumir a orientação sexual, o “coming out”, é, desde os anos 70 do séc. XX, uma acção política. Assumir-se significa confrontar-se a si próprio e confrontar a comunidade com a sua identidade e diferença, libertando-se de uma homogeneização opressora e alienante. Desta forma, admitido o diferente, pretende-se o igual: o direito uniformizador. O fito máximo desta nobre demanda é a igualdade. Ora, o que persigo neste pequeno excurso é que aquela empresa está condenada à partida, pelos seus próprios pressupostos. Que a igualdade só pode existir por princípio e não como fim, e que a subsunção da sexualidade na norma só pode significar, realmente, a sua negação."

Jorge Salema disse...

Aqui o seu post fia mais fino. Afinal que criticas tem em relação ao sistema em que vive em Portugal e grosso modo, na União Europeia? Odeia assim tanto o liberalismo político? Critica os racionalistas liberais e apenas defende as perspectivas sociológicas?
Talvez tenha mais problemas com Ideologias de materialismo histórico do que com o “reacionarismo” que tanto o parece enervar. A ausência de pena de morte, a liberdade de iniciativa económica, a propriedade privada, os direitos de expressão e de associação. Talvez fosse melhor explicar melhor a senha que tem contra estas ideias “terríveis”, e que outras coisas propõe.

J Francisco Saraiva de Sousa disse...

Oh, meu Deus, como a frau complica tudo! A homofobia produz violencia e gera ódio e, quando interiorizada pelos homossexuais, não lhes permite viver saudavelmente com a sua sexualidade, podendo gerar conflitos e violencia nos casais homossexuais, como acontece.

1. Igualdade pernte a lei é um princípio democrático que deve ser real para todos. Não se trata de uniformizar as sexualidades ou os comportamentos sexuais, mas sim deixar que cada um seja como é: se é homossexual tem direito a uma vida saudável no espaço público. A lei deve garantir aos não-heterossexuais uma vida saudável, de resto incompatível com a clandestinidade. A luta é contra a clandestinidade, não é contra a heterossexualidade.

2. Não há norma mas normas no plural assentes na igualdade perante a lei: o pluralismo sexual existente liberta-se desse poder normalizador imposto pelo heterosexismo.

J Francisco Saraiva de Sousa disse...

Além disso, a frau esquece que a homofobia pode ser associada a outros factores. Por exemplo, o racial: um gay negro é duplamente discriminado, por ser negro e por ser gay, e o mesmo pode ser dito de uma mulher negra discriminada pelo sexo e pela raça. O poder normalizador produz assimetrias de poder e gera exclusão. É contra isso que se luta!

J Francisco Saraiva de Sousa disse...

Bem, quanto aos homossexuais que cita, devo dizer que pensam mal: o fcto de serem homo não lhes dá o poder da verdade! E, para todos os efeitos, assumiram-se.

J Francisco Saraiva de Sousa disse...

Bem, não concebo uma sociedade sem controle e, por isso, penso que a regularização da condição homo permite resolver outros problemas talvez mais preocupantes.

Agora vou sair; depois junto tudo corrigido e coloco no seu post! Ah, o miguel não é má pessoa! :)

J Francisco Saraiva de Sousa disse...

Jorge Salema

O liberlismo político de esquerda está omnipresente no post; o neoliberalismo que fomentou a corrupção e agravou as assimetrias sociais, esse sim é alvo da crítica. O direito da propriedade deve ser repensado, sobretudo quando essa propriedade é obtida através de um desvio corrupto. Por outro lado, esse direito não pode colidir com a salvaguarda da natureza e do futuro da humanidade.

J Francisco Saraiva de Sousa disse...

Escreve frau:

"A categorização científica e a legitimação política constituem, assim, meios de regulação da população, a par de outros, necessários no seio de uma sociedade liberal, como aventava Foucault na sua célebre tese sobre a sociedade disciplinar. A “normalização”, não obstante segmentada da sexualidade, consiste, portanto, na sua própria monitorização e, em limite, na sua destruição. Razão pela qual, devemos rejeitar, em protesto libertário, qualquer tipo de prefixo à nossa expressão sexual, que a detém e enfraquece. A sexualidade não preside ao fenómeno binário do sexo/género que está pressuposto no entendimento da expressão heterossexual como natural e das suas variações como perversões ou perversões normalizadas; ela é múltipla e infinita e é a força que nos pode fazer resistir à tendência universal para a “tolerância” que não é, senão, uma forma mascarada de controlo."

Umas observações escassas, porque vou jantar:

1. Meios de regulação da população em termos demográficos e de ecologia populacional? Hummmm...

2. Normalização destrói a sexualidade? Não tinha dito que ela regulava a população? Hummm...

3. O prefixo a sexualidade enfraquece-a de que modo? Refere-se ao estigma? Bem, apesar disso, os homossexuais gozam muito na clandestinidade!

4. Não percebo como se pode falar de sexualidade sem o sexo e o género! Aliás, não há sexualidade sem essas "condições sexuais".

5. Quanto a força infinita da sexualidade, já falei disso anteriormente: de todas as forças - não sei bem o que isso significa - a sexualidade é a mais fraquinha!

A crítica de fundo que faço é a de que a sua visão libertária - mas escondida no armário - da sexualidade não é desejada por todos e, nesse sentiido, não respeita aqueles que desejam uma vida não-clandestina. A luta contra a homofobia não impõe nenhum padrão obrigatório: cada qual escolhe o seu estilo de vida dentro das possibilidades existentes. Mas a lei deve ser igual para todos e não permitir actos de violencia e crimes de ódio! Também não deve pactuar com a heterofobia que aliás não existe verdadeiramente!

J Francisco Saraiva de Sousa disse...

Afinal, a minha psicologia nada tem de barata ou de histérica, como gosta de a alcunhar: estou apenas a discutir argumentos a luz da evidência empírica, porque estamos a falar de pessoas reais que sofrem.

Já reparou que as sexualidades de género masculino - homo e hetero - são mais rígidas do que as sexualidade de género feminino. Ora, levando isso em conta, bem como a fragilidade biológica do macho, e sabendo que a homossexualidade é mais rígida do que a heterossexualidade masculinas, nunca poderia de boa consciência adoptar essa perspectiva libertária, nem sequer num meio não-homofóbico. Não dar nomes as coisas não resolve os problemas reais e concretos: a luta passa necessariamente pela lingua(gem) e não nomear e renomear as coisas é um acto de evasão do mundo; o homem tem o dom da palavra e deve usá-la.

Enfim, afinal também estamos a debater o liberalismo político, não no plano formal que satisfaz os instalados que pouco ligam aos outros e a sua miséria, mas ao nível da vida real, com preocupação humanista e democrática! :)

Fräulein Else disse...

"o facto de serem homo não lhes dá o poder da verdade"

ahah! Eu n citei o grande Pasolini por ele ser gay, citei-o pq era assumido sim, pq n tinha nada a esconder, mas pq se apartou da agenda política. Ficaria desgostoso se soubesse que hoje é objecto de culto dos LGStudies. Qd falei de assunção da sexualidade, referi-a enquanto acto político. Nisso aqueles belos exemplos de homo (Paso e Cocteau) e eu enquanto belo exemplo de bi (Fraulein), concordamos.Por isso o citei. :)

*Bi segundo acepção científica, que eu sou "hetero reprimida". :)

Fräulein Else disse...

"a luta passa necessariamente pela lingua(gem) "

Acordo absoluto! O controlo e a resistência passam sempre pela questão performativa da linguagem. Por isso renuncio aos epítetos funerários da sexualidade: LGTB-KHJGJFB.

Fräulein Else disse...

Ah e quando falo de sexualidade, é claro q n estou a falar nos meros instintos biológicos. Entendo sexualidade como força dionisíaca, segundo Nietzsche e Deleuze.

Fräulein Else disse...

"Afinal, a minha psicologia nada tem de barata ou de histérica"

Eu levo a sério o que diz e o que acredita, se n o fizesse, ignorá-lo-ia!

"Enfim, afinal também estamos a debater o liberalismo político, não no plano formal que satisfaz os instalados que pouco ligam aos outros e a sua miséria, mas ao nível da vida real, com preocupação humanista e democrática!"

Sim, o liberalismo está sempre presente, sem liberalismo democrático a discussão nem teria sentido. Mas a liberdade para mim está no reduto singular de cada um; não está numa emancipação colectiva e utópica. Aqui discordamos. :)

J Francisco Saraiva de Sousa disse...

Hummmm... leu aquele post homofóbico com essas siglas todas. Que horror o homem é mesmo tonto! :)

Emancipação individual sem emancipação "colectiva"? Acho isso um pouco utópico, porque a sexualidade é ela própria relação: a minha sexualidade só pode ser realizada com outra pessoa; caso contrário, é masturbação alimentada por fantasias com o outro. Ou havendo outros tudo ocorre dentro do armário. Ou seja, a liberdade fechada no seu reduto singular não se vê: é um pensamento fantasiado, incapaz de se afirmar no mundo. O indivíduo livre é ele próprio relação; é um nós que luta pelo seu reconhecimento reconhecendo os outros. O individualismo que abdica da sua dimensão social já não é verdadeiramente individualismo e não vejo Nietzsche ou Deleuze a dizer o contrário. Ok, cada um tem o seu estilo de vida subjectivo! :)

Fräulein Else disse...

Sim, vi esse post dele q tinha intenção de ser engraçado, mas achei mesmo triste. :(
Mas tanto o homófobo como o F., colocam a questão no âmbito do patológico: os gays são doentes; os homófobos são doentes. Parece recorrer no mesmo.

J Francisco Saraiva de Sousa disse...

Agora veja se acompanha o meu pensamento, porque pode residir aqui um equívoco.

Quando digo que um indivíduo é gay, faço-o ou devo fazê-lo para nomear a sua atracção sexual, mas com isso não o estou a reduzir a sua orientação sexual. Ele é uma pessoa e não devemos reduzir essa totalidade a sua atracção erótica. O mesmo pode ser dito do indivíduo hetero, embora este goste de ser nomeado como macho devido aos esquemas heterosexistas. No caso do homem, essa redução é um estigma que visa desacreditar a pessoa. Ora, isso é um preconceito sexual que pode ser erradicado, até porque como diz um vídeo de El Salvador os homossexuais são os professores, os doutores, os advogados dos filhos dos heterossexuais. Enfim, a luz da racionalidade esclarecida a homofobia é uma irracionalidade que não se justifica numa sociedade democrática e aberta.

J Francisco Saraiva de Sousa disse...

Com a diferença de que os gays não são doentes e os homófobos são doentes: os primeiros não põem em causa a vida dos outros, os homófobos geram violência contra os outros. A sociedade não é efectivamente composta por pessoas mentalmente saudáveis; esta não é uma questão de democracia: as perturbações mentais não são eliminadas por decreto!

Fräulein Else disse...

Então, concordamos, claro, n sou a favor da homofobia... como poderia ser? Ah, quero tb deixar claro, que negar o homo-, não significa que negligencio os homofóbicos, o heterosexismo é algo que deve ser combatido, tanto do meu ponto de vista como do seu. É o heterosexismo que leva ao medo dos outros, dos que não assumem heteros. Qd refuto os predicados sexuais, nego hetero tb. Agora, o heterosexismo n se combate na mera conquista de direitos.

J Francisco Saraiva de Sousa disse...

Além de não ter compreendido o conteúdo dos posts que dediquei a amputação e transexualismo! É uma pessoa homófoba e cheia de preconceitos que atrasam a sua mente.

Fräulein Else disse...

"esta não é uma questão de democracia: as perturbações mentais não são eliminadas por decreto!
"

Ok - já respondeu!!!
Vamos pro divã, então. :)

J Francisco Saraiva de Sousa disse...

Sim, a luta é permanente, mas deve começar nalgum sítio... A democracia tb não está garantida: conquista-se todos os dias! Não gosto de sistemas fechados!

Fräulein Else disse...

A democracia está sempre em crise!

O velhinho Platão disse tudo. :)

Vou ler o meu livro de Histórias e vou dormir, que tenho de me recompor da minha semi-constipação.

J Francisco Saraiva de Sousa disse...

Sim, e convidou-nos a sair da caverna = armário! Brinco! Bye

Fräulein Else disse...

Francisco, o seu émulo deixou mais um post incrédulo. Ele n deve saber que há várias maneiras de ter filhos, por adopção ou inseminação, e que, por isso, casais homossexuais n põem em risco a continuidade da sociedade! O dever de ter filhos, qd se constitui uma família, não deixa de ser executável. De resto o que é uma "família natural"??

Fräulein Else disse...

Enfim, ele além de pobre de espírito, é pobre de pensamento.

Fräulein Else disse...

Mas agora reparo q ele n se dirigia a si, mas a outro.

J Francisco Saraiva de Sousa disse...

Viva o FCPorto: Venceu a SuperTaça Cândido de Oliveira!

J Francisco Saraiva de Sousa disse...

Onde foi? Estava a ver o jogo de futebol.

J Francisco Saraiva de Sousa disse...

Ah, já vi o post do homófobo: casar é ter o dever de ter filhos para a sociedade não morrer! Coitado, ele não diz nada de jeito: é um pessoa rancorosa e banal.

Fräulein Else disse...

Sim, mas imagine, deve ser licenciado ou quiçá doutorado, e ocupar um cargo importante na nossa sociedade... como é possível?

Mas sabe, a minha fé na educação cada dia se extingue mais um pouquinho... :(

J Francisco Saraiva de Sousa disse...

Ele debate-se com a sua homossexualidade reprimida e, com o avançar da idade, vai ficar mais amargo, porque começa a questionar a vida perdida - o luto pela homossexualidade. Só um conflito interior grave pode explicar a obsessão dele pela temática gay. (A educação foi, já não é mais - está morta.) :)

Fräulein Else disse...

Sim ele é realmente obcecado, aí junto-me a si, no diagnóstico. Até poderia ser uma embirração consigo, mas dispara a toda a gente que se insurge sobre a homofobia ou o "gayzismo" como ele lhe chama. :(

Pour moi, c'est fini! Nunca mais comento nada sobre esse sujeito!

Fräulein Else disse...

Ya, agora estava-me apetecer ser ordinária e dizer uma coisa, mas n digo... ahah

Devem ser desejos meus, por isso, vou refrá-los. :)

Fräulein Else disse...

*refreá-los.

Fräulein Else disse...

Por falar em ser ordinária, o Miguelpontobesta assumiu-se como homófobo e disse que eu era "malcriadona".

Ya pois sou, tenho tanto de dama como de cabra. Por isso lhe disse que n se metesse cmg! Um aviso amigável, ainda assim. :)

Tiago r disse...

Bela discussão, caros!
Da minha óptica, tanto a Else (que já li o seu novo post) como o Francisco têm razão. E se me for permitido, ambos os vossos pensamentos não são, por base, díspares, só no campo de acção. Está claro. Como talvez concordem. Segundo me pareceu, a Else insere-se no campo (não necessariamente estático) do intelecto, do individual, e por aí fica, é-lhe suficiente (fuciono mto assim). E o Francisco na acção, no fazer, partindo do intelecto individual para o colectivo. Encontro-me bastante na exposição da Else (por acaso tenho um rascunho - uma nota sobre a tolerância - que hei-de prosseguir, embora seja mais um desabafo/libertação do ego generalista do que um tratado objectivo, aliás como tudo o que escrevo), mas, no campo prático, isto é, no sentido de resolver a problemática do casamento e da adopção entre casais do mesmo sexo, a mão política é indispensável, compreendo-o. Até agora tentei só resumir factos, e não tomar partidos, para introduzir a questão mais abaixo. Até porque tomo partido de vocês os dois. São portanto dois pontos em que um apreciador - eu, neste caso - se revê.
Ainda que ache complicado, do ponto de vista da previsão, quais as consequências para o adoptado, do ponto de vista social, a curto, médio e longo prazo, visto residirmos numa comunidade cheia de barreiras morais a que chamam de realidade...? Portanto, tal interessa-me do ponto de vista consequencial, e não opinativo. Mas o Francisco disse que iria abordar esta questão, se ñ estou em erro, pelo que aguardo curioso :)
Gostei tb da questão final aqui, Else, «o que é uma "família natural"?». Se virmos bem as coisas, realmente, nada houve e há de mais antinatural do que o Homem, como o podemos verificar ao longo da História (embora talvez de acordo com a sua própria natureza...). O homem serve-se e supera a natureza (só é pena tb destruí-la...) ou readapta-se a ela. Se a natureza é irracional (? - mas, pelo menos, gosto de a ver assim), o homem é o seu contrário(ou o seu complemento, que a não complementa...). Mas isto era outra conversa!
Ciao! Boa noite. :)

P.s. - Fui ver hoje um filme, ao Monumental, Saldanha, do Jim Jarmush, O Limite do Controlo. Vale a pena! É precisamente o ataque ao estabelecido (o controlo, q morre no fim... e já contei o final eheh). Cito: «O Universo não tem centro nem arestas.» «A realidade é arbitrária.» :)

Sr disse...

Ahhhh Burroughs!! :)
Cool, o gajo tem tb mt bom gosto musical. Identificaste alguem da bso?



0/

Sr disse...

este dele é um classico e tb tenho em dvd http://www.youtube.com/watch?v=PWJvDeeELG8

^^

Fräulein Else disse...

Ya, vou ver esse filme, Tiago! :)

J Francisco Saraiva de Sousa disse...

Tiago

Não tenho feito uso do cartão, mas vou ver se desta vez o uso para ver esse filme.

Bem, tenho estado a discutir com uns indivíduos o nº de taças. Afinal, com a conquista da taça de ontem, falta ao FCPorto apenas uma taça - e não 3 como dizia o R. Santos - para igualar o nº total de taças conseguidas pelo Benfica, incluindo as do período fascista.

Os superdragões gozam com o treinador do Benfica que mais parece um sapo descontrolado do que um treinador ajuizado! O declínio faz parte do seu currículo, desde o Belenenses até ao Braga e agora nos diabos vermelhos. :)

Tiago r disse...

Limites do Controle, Jim Jarmusch *

De resto só vi o Down by Law, dele, tb muito bom

É um filme muito parado, e a parte dialogal, muito escassa. Para quem goste, como eu, é excelente. E o Isaach de Bankolé encaixa perfeitamente

Tiago r disse...

Por acaso nunca li nada de Burroughs. Tenho o Naked Lunch à espera na prateleira há anos, mas nunca me senti verdadeiramente tentado, apesar do nome do homem. E dp cometi o erro de ver o filme baseado no N Lunch, ainda fiquei com menos vontade de ler o livro. Mas claro, que ñ será o mesmo. A fraca relação com as drogas (experimentei o básico) tb ñ ajudou :)

J Francisco Saraiva de Sousa disse...

Sim, eu também tive uma fraquissíma experiência com drogas, mas "viciei-me" noutras coisas, uma das quais é o tabaco.

uf! disse...

Olá, Francisco.
Passo por cá, para lhe pedir um favor!...
Acaso me poderia sugerir alguma bibliografia para a abordagem filosófica dos conceitos de bem e de mal?
antecipadamente grata
a tia adoptada

J Francisco Saraiva de Sousa disse...

Olá Tia Adoptada

Para uma visão medieval do bem e do mal:

"O Espírito da Filosofia Medieval" de E. Gilson.

Esta obra pode ser completada com alguma obra de Gershom Scholem e de Norman Cohn, "Cosmos, Caos e o Mundo que virá".

Outra obra de conjunto é a de Alasdair MacIntyre, "After Virtue".

Depois temos com exclusão dos clássicos:

Nietzsche, "Para Além do Bem e do Mal".
H. Arendt, "Eichmann em Jerusalém" e "Responsabilidade e Juízo".
Ernst Tugendhart, "Lições sobre Ética".
E.Frommm, "Ética e Psicanálise".

E as antropologias teológicas que tratam sempre desse problema.

J Francisco Saraiva de Sousa disse...

E Kant no seu livro sobre a religião ou na antropologia: o problema do mal radical retomado por Arendt.

K. Lorenz, "A Agressão: uma história natural do mal".

J Francisco Saraiva de Sousa disse...

E claro Paul Ricoeur: "Voluntário e Involuntário", "O Homem Falível", e "Simbólica do Mal", reunidos posteriormente sob o título "Finitude e Culpa".

Sr disse...

n se esqueça tb da obra completa da irmã lucia e os discursos sobre o estado da naçao de manuel pinho*

Sr disse...

LOL, btw, se ainda ha quem se queixe do meu Sr, esse Uf consegue ser ainda mais impressivo :)

J Francisco Saraiva de Sousa disse...

Sr

Uf que está calor na city!

Sr disse...

yeap, como lhe dirá qualquer comum portuense "Tá um calor do crl, fdx, pqp!!"



Ai!, dizer q ainda no dom tava ali na ribeira td esparramado, a comer um pensativo gelado e a lamber as camones q por ali pululavam.. :))
Tem passado por lá? é impressionante, do lado do Porto, o linguajar q se ouve normalmente é aí duns 80% de estrangeiros!! :O
Desta vez apanhei com bastantes italianos e tava sentadito ao lado de duas com montes de postais e q meteram cunbersa por eu tar a ler o ipsilon, onde, por acaso, viram uma foto do R.Begnini :)
Por falar nisso, lembrei dum artg sobre o Merce e o Cage q vinha no P2 q a frau devia gostar de ler... :)
Talvez ainda o encontre online o.O

Sr disse...

et voilá ~.~

http://209.85.229.132/search?q=cache:7RpGAajErMsJ:ipsilon.publico.pt/teatro/texto.aspx%3Fid%3D237830+Cunningham+e+Cage+Duas+vidas+extraordin%C3%A1rias,+uma+vida+em+comum&cd=1&hl=pt-PT&ct=clnk&gl=pt&client=firefox-a

J Francisco Saraiva de Sousa disse...

Sr

A Uf é a tia adoptada.
Não vou muito à Ribeira, vou mais para Leça mas à noite. Durante o dia é mais Boavista.

Sr disse...

adoptada? assim tipo os tamagotxi?? :O

Aveugle.Papillon disse...

Obg pelo link. N sou grande fã da Ipsilon... mas, de vez em qd espreito. :)
Realmente, duas grandes almas, Cage e Cunningham...

"John disse uma vez que Merce o surpreendia sempre, e isso era o que mais gostava nele. Dessa vez chamoulhe: "O meu melhor amigo." Nos obituários, perfis e artigos aparecem expressões como "parceiros de uma vida" ou "amigos inseparáveis". Mas o New York Times escreveu "amantes", há uma semana, quando Cunningham morreu. Eles nunca falaram publicamente nesses termos. Um dos mais conhecidos académicos dos estudos queer, o historiador de arte Jonathan Katz, defende num ensaio que o trabalho de Cage sobre o silêncio foi uma forma de resistência passiva numa sociedade homofóbica. E cita a gravação de uma entrevista não publicada em que Cage terá contado que manteve uma ménage à trois com Xenia e Cunningham até perceber que se sentia mais atraído por Merce do que por Xenia. "

Claro, se n se especulasse sobre a vida sexual deles, é q seria de admirar! Que tempos voyeuristas estes... :(

Ah e também adoro a Ribeira! O melhor do Porto, passar a ponte e beber um Porto a olhar a Ribeira, o Douro e os barcos rebelo. :)

J Francisco Saraiva de Sousa disse...

Hummmm... barcos rEbelo ou rabelos!

J Francisco Saraiva de Sousa disse...

Estou sem grande espaço de manobra para fazer um opção política firme, mas sempre que ouço a Manuela Ferreira Leite sei que nessa mulher - que não acerta uma - não confio e, por isso, não podemos votar numa figura destituída do dom da palavra e sobretudo avessa ao pensamento. A mulher saiu de um filme de terror! Mais parece um múmia do que um humano vivo!

Não há alternativa séria ao PS. Votem PS! :)

Sr disse...

"Ah e também adoro a Ribeira! O melhor do Porto, passar a ponte e beber um Porto a olhar a Ribeira, o Douro e os barcos rebelo. :)"



bahahah q cena mais "gourmet" e betinha :P
Cool mesmo: final dos 90, começar por jantar num dos varios tascos da marginal, aí à 1am seguir de carro com o som no maximo http://www.youtube.com/watch?v=gxcMPPoZI7s até ao Hard Club, curtir som-bubas e fumarada até às 5am, pra acabar num after do outro lado do rio esperando o nascer do sol hihihih issoehkera!!!


^^

Sr disse...

amanha digitalizo bataille so pra vc... e francisco.



;)

Aveugle.Papillon disse...

Eu n sou betinha! Mas começo a já ter alguma idd... :D

Aveugle.Papillon disse...

"seguir de carro com o som no maximo http://www.youtube.com/watch?v=gxcMPPoZI7s até ao Hard Club, curtir som-bubas e fumarada até às 5am"

ahah! eu posso ser betinha - que n sou, mas td bem -, mas o Sr. é parolo, pq só os parolos andam com o volume dos carros alto - :P

Sr disse...

parolos sao todos os n ouvem a "minha" música no maximo, nem a dieta mediterranica consegue fazer melhor pela qualidade de vida dos portuenses :P

Fräulein Else disse...

Ya, dos portuenses, disse bem. Eu sou lisboeta, nascida em Belém. :P