terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

Prós e Contras: Rumo Incerto

Prós e Contras debateu (22 de Fe-vereiro) novamente o rumo incerto de Portugal, visto à sombra da catástrofe que se abateu sobre a Madeira, do caso Face Oculta, da entrevista do Primeiro-Ministro na SicNotícias e da crise económica, política e social nacional. Os convidados - António Almeida Santos, António Hespanha, Vicente Jorge Silva, Miguel Anacoreta Correia, Rui Machete e Irene Pimental - não acrescentaram nada de substancialmente novo àquilo que já conhecemos. Fátima Campos Ferreira procurou converter a união em torno da catástrofe que se abateu sobre a Madeira em solidariedade nacional, mas depressa compreendeu que as solidariedades nacionais duram geralmente pouco tempo: Portugal não tem o futuro assegurado, navega nas águas perigosas da cisão nacional e os portugueses estão completamente alienados de si mesmos e do mundo. O caso da Face Oculta revela até que ponto chegou a alienação e a anomia nacionais: em vez de clarificarem a gravidade da nossa situação social, alguns jornalistas, próximos do PSD decadente e de outras forças obscuras, acusam infundadamente o Primeiro-Ministro, José Sócrates, de ter alinhavado um plano de asfixia da comunicação social, como se os portugueses estivessem realmente preocupados com a liberdade de imprensa desses tolinhos que se julgam mediadores ou fazedores da opinião pública. O jornalismo lisboeta não goza de prestígio e de credibilidade entre os portugueses: os debates entre jornalistas que comentam notícias fabricadas através de indícios e dos seus próprios estados de penúria anímica e cognitiva não são escutados pela maioria dos portugueses. A comunicação social portuguesa perdeu toda a credibilidade: jornalistas que insultam o Primeiro-Ministro e violam o segredo de justiça, para depois o acusar de controle da comunicação social, são figuras que não merecem respeito. Em Portugal há liberdade de expressão e liberdade de imprensa, mas não há imprensa nem jornalismo credível. Ou, para apreender de chofre a essência da res publica portuguesa, em Portugal há democracia, mas não há democratas: eis a face verdadeira da crise da democracia portuguesa que permite articular os três temas deste debate - a catástrofe na Madeira, a guerra civil desencadeada por magistrados que pretendem ser políticos, por políticos que desprezam a política e por jornalistas que sonham ser um quarto poder ou, nas palavras de Vicente Jorge Silva, um tribunal, e a incerteza do destino nacional.
A noção da imprensa como um tribunal - defendida por Vicente Silva - é verdadeiramente perigosa e os jornalistas que anseiam por esse tipo de justiça mediática podem e devem ser acusados de subverter a democracia: a sua libertinagem irresponsável - a liberdade como ruído - degrada a confiança, isto é, agrava a desconfiança, que os portugueses depositam nas suas instituições públicas. Um país onde os jornalistas comentam as notícias que produzem, violando o segredo de justiça e devassando a vida privada dos cidadãos, como sucede neste momento de eclipse democrático em Portugal, é o retrato de um país mergulhado na insanidade mental: a comunicação social portuguesa está a liquidar a democracia e os seus profissionais - com a ajuda de políticos medíocres e de magistrados levianos, arrogam o direito de fazer e de manipular a opinião pública, silenciando a pluralidade das opiniões. Quando a comunicação social procura colocar os diversos públicos em confronto com as instituições democráticas e com os seus representantes, o totalitarismo começa a estar na ordem do dia. Irene Pimental quis afastar esta possibilidade totalitária, alegando que não há censura, mas o problema do totalitarismo é muito mais complexo: a democracia sem democratas é já uma preparação para o totalitarismo. António Hespanha que anseia pelo seu regresso à gleba forneceu dois indicadores do totalitarismo: a censura que o actual director do semanário O Sol - o difusor da devassa da vida privada e o violador do segredo de justiça (Almeida Santos) - exerceu sobre as suas opiniões, negando a sua publicação, e o modo inquisitorial como certos jornalistas fabricam falsas notícias a partir da adição de indícios sem provas materiais: a «verdade» é obtida pela adição - ou somatório - de indícios-opiniões, cada um dos quais vale 1/8, sendo necessário somar oito opiniões para apresentar uma calúnia ou uma suspeita como material e factualmente provada (8/8). A «verdade» é, para estes tristes jornalistas, um somatório de mentiras privadas. O jornalismo de investigação consiste, neste país insano, em coleccionar opiniões, cujo somatório não precisa de prova para indicar um crime, neste caso o crime contra o Estado de Direito atribuído a José Sócrates, de resto negado pelo PGR e pelo Presidente do Supremo Tribunal. A imprensa quer substituir os tribunais e condenar o Primeiro-Ministro e os seus "boys": o chamado quarto-poder quer ser o poder total, convertendo a opinião pública - fabricada por mentes enfermas - em domínio total que visa liquidar o poder político - o poder do Estado democrático, com a ajuda de políticos que acusam o Primeiro-Ministro de ser mentiroso. Rui Machete e Anacoreta Correia são mais moderados, preferindo ver no caso da Face Oculta - a face visível de um PSD desesperado - um problema político e não um problema jurídico. Almeida Santos recusou participar na discussão deste problema, alegando que a imprensa está a violar o segredo de justiça e que o ónus da prova deve ser apresentado pelos adversários do Primeiro-Ministro.
Ora, os que acusam o Primeiro-Ministro de ser mentiroso são, eles próprios, mentirosos profissionais. Mentira política: eis aqui o problema político nacional número um. Com a desaprovação enfática de Rui Machete, que fez questão em desmentir a teoria das elites do poder de Wright Mills, António Hespanha tematizou - penso - a mentira política em termos de condenação da acção corrupta generalizada das pseudo-elites nacionais: o exemplo da Argentina permitiu-lhe mostrar que o círculo estreito das elites nacionais pode levar Portugal à ruína e à bancarrota. Vicente Silva lembrou que Portugal é o terceiro país do mundo onde a desigualdade social se agrava ano após ano, o que mostra o fracasso das promessas do 25 de Abril, e Anacoreta Correia frisou que este caso de degradação da qualidade jornalística está a desviar a consciência dos portugueses da gravidade da situação catastrófica nacional. Além da catástrofe natural que se abateu sobre a Madeira, com a ajuda das políticas anti-ambientais do poder regional (Vicente Silva), Portugal é sempre-já invadido por um enxame de microtragédias (António Hespanha), que traduzo no conceito de que cada português é real ou virtualmente um microcosmos de pobreza, e Portugal, um macrocosmos de pobreza: o PS e os partidos da oposição não encaram de frente os problemas estruturais e conjunturais que mergulham Portugal na miséria e na pobreza. Todos mentem, sobretudo o PSD, que, na sua campanha interna, omite sistematicamente a sua posição sobre a actual crise económica e financeira (Rui Machete), como se ela se resolvesse eliminando José Sócrates. O futuro de Portugal é negro: os participantes deste debate foram extremamente pessimistas e Almeida Santos - o único que disse compreender o optimismo de José Sócrates - previu o colapso do país quando deixar de receber os fundos europeus de apoio, que ajudaram a enriquecer fraudulentamente as pseudo-elites lisboetas que definem os outros - os não-lisboetas - como sucateiros. Ora, sucateiras e mentirosas são precisamente as pseudo-elites sediadas em Lisboa - e presentes em todos os partidos políticos e instituições nacionais - que bloqueiam o futuro de Portugal. Com estas elites da sucata, não temos futuro: libertar o futuro (Ivan Illich) e salvar o passado (W. Benjamin) exigem a mudança radical de elites ou, como diria Pareto, a circulação de elites. Porém, as novas elites políticas devem rejeitar categoricamente a utopia do lazer, que de certo modo se converteu em ideologia no Ocidente, e a utopia do governo mundial: o consenso alargado é inimigo da mudança social qualitativa que, para redefinir um novo modelo de desenvolvimento sustentável e um novo estilo de vida mais produtivo e saudável, exige solidariedade no sofrimento e nos sacrifícios. A utopia que inspira o poder da negação é, neste nosso tempo indigente, a utopia de uma vida não regulamentada, a única utopia social que faz justiça à cidadania responsável e adulta. E esta utopia mínima não é avessa à possibilidade política de implantar uma ditadura pedagógica para libertar o futuro da catástrofe, educando os homens para a liberdade responsável e para a democracia.
J Francisco Saraiva de Sousa

64 comentários:

Manuel Rocha disse...

Gostei da ideia de uma "democracia sem democratas". E os média não contrariam essa tendência- pelo contrário!

"Enfim, estamos perdidos e condenados: perante esta lógica imanente do processo, não podemos ser optimistas."

;)

Abraço !

J Francisco Saraiva de Sousa disse...

Olá Manuel Rocha

Estou a tentar articular o debate de ontem a partir do conceito de democracia sem democratas, mas o debate não foi muito rico em ideias. Além disso, ainda quero concluir o post anterior, onde pretendo desenvolver a noção de autoridade que Machete trouxe a este debate. Complicado e a chuva copiosa e as trovoadas não convidam à concentração. :)

J Francisco Saraiva de Sousa disse...

E estou filosoficamente desesperado, porque a filosofia que ajudou a traçar o rumo do ocidente não consegue travar essa tal lógica imanente do processo: vejo apenas a catástrofe do passado a ser projectada no futuro numa enorme implosão. Almeida Santos falou do excesso demográfico, mas limitou-se a opor à terrível utopia do lazer a não menos terrível utopia do governo mundial. Começo a respeitar cada vez mais Spengler: a cultura ocidental está esgotada e as pessoas comportam-se como meros animais consumidores. A energia cultural esgotou-se e a filosofia não pode exigir uma outra forma de humanização a animais satisfeitos no ciclo das trocas metabólicas com a natureza.

J Francisco Saraiva de Sousa disse...

Um amigo meu do Brasil disse-me que a Escola do Porto - sobre a qual tenho postado - teve um grande impacto na filosofia brasileira. Logo que saiba mais sobre esse cruzamento lusófono digo alguma coisa. O meu "muito obrigado" aos amigos e colegas brasileiros! :)

J Francisco Saraiva de Sousa disse...

Os filósofos brasileiros que foram influenciados pela Escola do Porto são, segundo o meu amigo do Brasil, -

Mário Ferreira dos Santos e Vicente Ferreira da Silva.

Quem não acredita no potencial da língua portuguesa para produzir filosofia de qualidade está redondamente enganado. Espero que surja uma equipa de cooperação luso-brasileira para fazer o historial do pensamento filosófico em língua portuguesa. Se Deus me ajudar, estarei pronto para colaborar nesse empreendimento. :)

J Francisco Saraiva de Sousa disse...

O post está concluído - não quero meditar mais Portugal, o caso perdido! :(

J Francisco Saraiva de Sousa disse...

Bem, precisamos de uma Quarta República - ditadura pedagógica - capaz de fazer a transição para uma República Nova - democrática, saudável e não-corrupta - a Quinta República! :)

Sr disse...

http://www.ionline.pt/conteudo/48292-pj-em-buscas-nos-escritorios-do-fc-porto



:)

Sr disse...

ah, normalmente, nao dou mta atençao ao r.kurz, mas axo este txt dele mt proximo do brilhantismo ^^


http://o-beco.planetaclix.pt/rkurz319.htm

J Francisco Saraiva de Sousa disse...

Ah, isso é mais uma manobra do clube do regime fascista e seus associados: o Benfica é fascista! E, se reparar bem no aspecto medonho dos jogadores encarnados, fica com a noção genuína de que está diante de criaturas pré-históricas, feias e medonhas.

J Francisco Saraiva de Sousa disse...

Ya, Marx tinha e continua a ter razão, mas a sua mensagem precisa ser repensada, recuando a Lukács, como diz R. Kurz. O corte com a classe operária já tem história - a tal luta pelo reconhecimento de que fala, embora este conceito hegeliano não seja idêntico à luta de classes. Aliás, a meditação da técnica coloca-nos desde logo no caminho certo...

J Francisco Saraiva de Sousa disse...

O que nos separa da verdade originária - Marx e o marxismo ocidental - é a pós-modernidade, a loucura do pensamento consumidor. Se queimarmos essas tolices, podemos dar continuidade à tradição crítica.

Sr disse...

eh, mas leia bem esse txt do kurz, ta mt bem amanhado e com um brilhantismo de diagnostico quanto à logica verdadeiramente lucida :)

Olhe mais esta q saquei do facebook
http://www.ionline.pt/conteudo/48300-director-do-expresso-revela-telefonema-socrates-travar-noticias

Como eu la comentei, ja so falta vir o diogo infante confirmar.
:)))

J Francisco Saraiva de Sousa disse...

Até vou mais longe: Marx nunca foi verdadeiramente compreendido e a interpretação soviética dogmatizou-o e simplicou-o de modo grosseiro e errado. O pensamento de Marx é complexo e fornece várias vias, algumas das quais devem ser afastadas. A interpretação libertária é terrível e pactuou com a tragédia que se aproxima - o desemprego. O capitalismo tem permanecido igual a si mesmo: as retóricas que o esconderam são meros jogos de linguagem. Não há reconciliação e é a partir desta ideia terrível que devemos pensar o futuro. Muitos ídolos irão ser derrubados: a tecnologia cria desemprego e pobreza. E à escala global não há solução. Enfim, precisamos de catástrofes para ajudar a acalmar esse processo de destruição. O período pós-guerra de abundância findou com esta crise: a vida humana está a perder valor e a maior parte dos humanos é desperdício - lixo. Ora, é melhor alterar as coisas para não chegarmos à desvalorização total do humano. :(

J Francisco Saraiva de Sousa disse...

Porquê o Diogo Infante? (Sim, li o texto de RK.)

Sr disse...

este tb

http://sol.sapo.pt/PaginaInicial/Sociedade/Interior.aspx?content_id=163777&dossier=Caso%20Face%20Oculta

:)

Sr disse...

LOL, pq o diogo infante??
pq correu um celebre boato q estariam in love etc... :))

J Francisco Saraiva de Sousa disse...

Ah, então são namorados!

J Francisco Saraiva de Sousa disse...

Se o tal homófobo ler isto, vai editar um post a dizar que os boys são um grupo de "panascas", como ele lhes chama. Poder, sexo e dinheiro: eis a fórmula já conhecida...

J Francisco Saraiva de Sousa disse...

Se for assim como diz, e sabendo existir outros gays em outros partidos, o poder luso está nas mãos de gays! Um tema interessante!

Sr disse...

lol, mas esse boato ja tem barbas!
uareva, mt mais interessante, e pra acabar com os links, depois leia este art sobre as ultimas eleiçoes iranianas. Suficientemente esclarecedor quanto ao papel manipulador dos meios do costume. O.o
Depois admiram-se q gajos como o Chavez se identifiquem e passem a apoiar o Ahmadinejad*.. tsc tsc

http://www.voltairenet.org/article160701.html#article160701

J Francisco Saraiva de Sousa disse...

Ah, boato é boato: não ligo a boatos.

Irão? Eu e esse sistema não nos suportamos. Nunca fui amigo das mil e uma noites! Fico arrepiado só de pensar nesse sistema!

Sr disse...

sim, mas n é isso q ta em causa e sim a demonstração da manipulaçao mediatica e das central intelligence o.O

J Francisco Saraiva de Sousa disse...

Voltando ao que interessa: O Capital expõe o processo de acumulação primitiva do capital e essas páginas seduziram todos os intelectuais, incluino Arendt. Mas eu tenho dito que o capitalismo das bolhas financeiras viabilizou outra forma de acumulação e é isso que não compreendi no texto de R. Kurz, talvez porque ele está muito preocupado com a parte variável do capital. Com essa preocupação, que é legítima por outras razões, pode descartar essa nova forma de acumulação, mas ela produz e produziu efeitos reais. Aliás, a corrupção ligada ao capitalismo de Estado é acumulação, de certo modo. Não sei, mas acho que a teoria deve ser alargada.

J Francisco Saraiva de Sousa disse...

As secretas fascinam-me, nomeadamente a Cia e a secreta israelita. Claro, é tudo uma fabricação, compreendo o seu ponto de vista.

J Francisco Saraiva de Sousa disse...

Ah, mas concordo com algumas coisas ditas por Kurz, tais como:

"Sobre isto, é necessária ainda uma observação relativamente à evolução teórica na esquerda. A ideologia pós-moderna da «virtualização» levou também a uma adaptação da crítica social de esquerda ao capitalismo de crise e simulativo. Começaram, sem mais, a falar de um crescimento apenas «financeiramente induzido», a que pretendiam adaptar-se «simbolicamente». As categorias básicas da crítica da economia política de Marx foram não apenas positivisticamente incompreendidas, como no marxismo tradicional, mas feitas desaparecer de todo. E o problema da potência de crise não só foi reduzido a uma «função» de «limpeza», mas também reinterpretado subjectivamente e simplesmente dissolvido em «relações de vontade políticas». Paradigmático no caso é o pós-operaismo de Antonio Negri. Na medida em que há «crises», elas são entendidas apenas como reacção «politicamente querida» consciente dos capitalistas e das suas fracções às gloriosas «lutas» da chamada multitude. Mas, se a actual dinâmica da queda global deve ser um acto político deliberado do Empire capitalista, então há-de ser mais como «reacção» ao espírito da minha avó do que às «lutas» há muito tempo apenas simbólicas de um capital variável desmoralizado, sem poder de intervenção real nos centros capitalistas. Mas, como se explica na teoria de Marx de forma insuperável, o verdadeiro limite da valorização é estritamente objectivo e ergueu-se «por detrás das costas» dos agentes. A emancipação social da lógica capitalista, pelo contrário, não pode de modo algum ser «objectiva»; e por isso mesmo ela exige a crítica radical das categorias fundamentais do capitalismo, que foram «interiorizadas» pela humanidade e amplamente recalcadas pela esquerda. Quando a esquerda tem agora de digerir a objectividade negativa da crise, confronta-se também consigo própria e com as suas ilusões pós-modernistas."

Tenho sempre dito que a pós-modernidade foi um engano.

E tenho procurado reformular o Estado, ao qual os humanos a crédito recorrem neste momento de crise. A mudança implica alteração substancial do estilo de vida e não estou seguro que a crítica dirigida à subjectividade seja suficiente para libertar a humanidade que interiorizou a objectividade capitalista. Há a regressão mental e cognitiva que bloqueia esse momento da crise: a web social é prova disso.

Sr disse...

«Mas eu tenho dito que o capitalismo das bolhas financeiras viabilizou outra forma de acumulação e é isso que não compreendi no texto de R. Kurz»

Por coisas como essa é q eu disse q esse txt merece uma leitura bem atenta,lol
Ou seja, o q ele diz é q qd o Estado injecta dinheiro dos contribuintes no sistema financeiro, ta ele mesmo senão a criar novas bolhas, senão a propiciar e alimentar novos ciclos de hipotecação futura por via do endividamento, aumento deficit publico etc

J Francisco Saraiva de Sousa disse...

Repare com neste parágrafo, Kurz critica Baudrillard e Nietzcshe e a esquerda radical que temos! Enfim, basta ler Marx para poder pensar essa crítica da actual esquerda! :)

J Francisco Saraiva de Sousa disse...

Teoricamente, concordo que os bancos falidos devem fechar, mas na prática isso pode ter consequências desastrosas. Outra coisa é financiar os prejuízos daqueles que investiram especulativamente nesses bancos. Neste caso, o Estado não deve garantir os seus investimentos e é esta idolatria do Estado que critico. BPI, por exemplo...

J Francisco Saraiva de Sousa disse...

Capital variável desmoralizado! Fim do cidadão a crédito e do sistema de crédito! Fim de tanta coisa dada como adquirida! Desemprego! Pobreza! É tudo isso que nos espera! As ilusões têm um preço elevado e somos nós que o vamos pagar!

Sr disse...

LOL, mas qual baudrillard e nietzsche qual quê? ele ta é a referir-se a cenas tipo esquerda caviar, verdes e cenas afins...

. "Há a regressão mental e cognitiva que bloqueia esse momento da crise: a web social é prova disso"


Percebo bem isso, mas pode especificar essa da web social? :)

J Francisco Saraiva de Sousa disse...

"Portanto, a deslegitimação superficial do «capitalismo» também não chega à crítica radical do modo de produção e de vida dominante. Apenas as formas do capital financeiro privado, a banca de investimento, os hedge funds, etc., são sentidos como «capitalistas». À medida que se desmorona a economia das bolhas financeiras, ainda há pouco idolatrada, os «seres humanos a crédito» individualizados invocam o Estado para salvarem a sua «pele a crédito» e poderem continuar a viver a sua vida capitalista precarizada. O sistema de crédito privado esgotado deve ser substituído pelo crédito estatal, que se gostaria de imaginar como inesgotável.

Naturalmente que isto é um volte-face perigoso."

Concordo, mas a revolução social à escala global nunca irá dar certo. É preciso ser modesto na redifinição dos objectivos!

A Web social é fuga à liberdade - pura alienação! A maior parte dos conteúdos é praticamente lixo: o conhecimento exige esforço e as webpessoas detestam o esforço - vomitam tout court.

J Francisco Saraiva de Sousa disse...

Eis palavras dirigidas contra Nietzsche e Baudrillard:

"Sobre isto, é necessária ainda uma observação relativamente à evolução teórica na esquerda. A ideologia pós-moderna da «virtualização» levou também a uma adaptação da crítica social de esquerda ao capitalismo de crise e simulativo. Começaram, sem mais, a falar de um crescimento apenas «financeiramente induzido», a que pretendiam adaptar-se «simbolicamente». As categorias básicas da crítica da economia política de Marx foram não apenas positivisticamente incompreendidas, como no marxismo tradicional, mas feitas desaparecer de todo."

J Francisco Saraiva de Sousa disse...

Concordo com isto:

"Aqui surgiu, para uma percepção positivista que não consegue reconhecer a conexão interna das relações de valor, a ilusão óptica de um «modelo de acumulação» de facto novo. Por um lado, o «pós-fordismo» consistiria na deslocalização da produção industrial de mais-valia para a periferia, para os chamados países emergentes (mais recentemente, na forma do alegado «milagre do crescimento» asiático). Na realidade, o ponto de partida e força motriz desta deslocalização não consistia em receitas monetárias de criação real de valor, mas em «capital fictício» de bolhas financeiras sem substância, desde há muito desligadas da aplicação produtiva de força de trabalho humana. Desta forma se pôs em movimento uma conjuntura global de deficit, agora na iminência de queda brusca. Por outro lado, o «pós-fordismo» criaria nos centros capitalistas uma chamada «sociedade de prestação de serviços», imaginada como novo campo independente de valorização. Na realidade, tratava-se em grande parte de sectores improdutivos do ponto de vista capitalista, como «prestação de serviços pessoais» privada, que também não tinham o seu ponto de partida e o seu sustento na criação real de valor e nos rendimentos daí obtidos, mas no inflacionamento do «capital fictício» e na mera simulação de processos de valorização. Daí que a pretensa transição para uma «economia de serviços» também não tenha ocorrido como expansão das infra-estruturas estatais, por exemplo na saúde e na educação, que já nos anos 1970 tinham fracassado, mas sim na forma de prestação de serviços precarizada, em pequenas empresas privadas de baixos salários, e na forma de «falso trabalho autónomo», agora por igual ameaçados de extinção."

E Portugal é um bom exemplo: tecido produtivo destruído e precário. Aquilo a que chamo o sector metabolicamente reduzido, sempre recorrendo a Marx. A situação de crise é de tal modo terrível que me afastei das grandes obras públicas! O nosso futuro vai ser negro e a crise ainda não chegou à nossa pele.

Sr disse...

sobre a web, ja em 2000
http://obeco.planetaclix.pt/rkurz72.htm





http://obeco.planetaclix.pt/rkurzentrevistas.htm

J Francisco Saraiva de Sousa disse...

Mas as alternativas que propõe não são novas: a crítica da ideologia é uma delas, mas isso sempre foi o modelo da teoria crítica.

Ah, já compreendi a minha primeira perplexidade, induzida por Schumpeter, mas penso ter razão sobre o novo modelo de acumulação.

Uma ideia errada é pressupor a riqueza e a sua distribuição...

J Francisco Saraiva de Sousa disse...

Navego uma onda pessimista, o que não me impede de caminhar em frente. Mas não vejo riqueza! :(

J Francisco Saraiva de Sousa disse...

Há um problema teórico que me preocupa: as classes sociais e a luta de classes, uma peça fundamental da teoria de Marx. A desmoralização do capital variável tirou espaço de intervenção às classes trabalhadoras, que no presente julgam ser aristocráticas.

Kurz diz isso, mas retoma modelos clássicos ligados à luta de classes: repensar o planeamento? A teoria deve ser revista, porque temos problemas novos graves, em especial a revolta da natureza - catástrofes naturais. Precisamos mais de ascese do que de redistribuição da riqueza que não existe! Penso que estamos num período em que a regressão total é possível - como regresso fatal à pré-história, perda de conhecimentos, perda da civilização. A Madeira e o Haiti mostram essa possibilidade: a própria civilização não é algo garantido.

Sr disse...

Leu o q o Kurz diz na entrevista Nov 2000 q postei atras?


Kurz - Desde março deste ano, os "novos mercados" de ações das empresas de alta tecnologia e de Internet nos Estados Unidos e na Alemanha presenciaram uma grande correção para baixo, e, atualmente, reina a estagnação. A queda prosseguirá até que a bolha financeira arrebente. Provavelmente, mais de 90% das empresas de Internet quebrarão nos próximos anos. Contra isso, as fusões já não servem de proteção. Isso significará uma violenta anulação de fortunas especulativas e repercutirá negativamente na conjuntura global


;)

J Francisco Saraiva de Sousa disse...

Os vulcões da Islândia e o efeito de pressão do lago Yellowstone podem rebentar e os efeitos são catastróficos!

Sr disse...

lol preveu a bolha com 9 anos de adiantamento ^^

J Francisco Saraiva de Sousa disse...

E sobre nós - utentes da Internet! :(

J Francisco Saraiva de Sousa disse...

Enfim, estamos encalhados no destino e vamos ser nós a pagar os erros grisalhos cometidos pelos especuladores! Entretanto, continuamos a blogar! Não vale a pena pensar em tudo: vida breve, morte prematura!

J Francisco Saraiva de Sousa disse...

O mundo anda tão louco que um marxista americano faou do novo modo de produção informático: ele deve alimentar-se de informação e de coisas virtuais! Mas a crise hospitalizou-o num asilo de alienados mentais!

J Francisco Saraiva de Sousa disse...

De certo modo podemos ver o lazer como um efeito do capital variável desmoralizado, sustentado pela segurança social, actualmente ameaçada! O que fica - a pobreza, o sem-abrigo! Que na Flórida - devido à estupidez humana - pode ser devorado por uma piton. :(

J Francisco Saraiva de Sousa disse...

Sim, o capitalismo tem sofrido crises consecutivas, muitas das quais passaram despercebidas ao público. Marx também previu o colapso total do sistema. Porém, o que pode substituir o capitalismo? É isso que não vejo - o novo modo de produção.

Sr disse...

vá lá, tem q se libertar dessa interiorização da objectividade capitalista...


ahahaha

J Francisco Saraiva de Sousa disse...

Ya, a crise vai libertar-nos da objectividade capitalista e obrigar a subjectividade a pensar novas alternativas. Ou então o capitalismo dá a volta e continua igual até ao estalar de nova crise. Entretanto, morremos... :)

J Francisco Saraiva de Sousa disse...

Sr

Fundamental para a libertação da interiorização da objectividade capitalista é incendiar a imprensa criadora de boatos e de intrigas! Os mass media fazem parte do sistema e contribuem para a sua reprodução. Destruir a imprensa é um imperativo da libertação - recusar ser tratado como atrasado mental por jornalistas com cabeças de burro!

Ahhhhh...

J Francisco Saraiva de Sousa disse...

Não ler jornais e revistas anexas é cuidar da saúde: a cidadania plena exige a abolição de mediadores. Recusar a imprensa é tornar-se autónomo - pensar pela própria cabeça, sem tutelas medíocres e rafeitas. Uma sociedade plenamente desenvolvida é aquela que aboliu a imprensa: a interiorização da justiça leva o indivíduo a assumir a sua cidadania e a fazer política quando necessário. Um sistema tecnológico pode distribuir informação pura - sem grelha. E cada um processo essa informação. De certo modo, a Internet possibilita essa abolição da imprensa: as pessoas devem recusar ler a imprensa.

J Francisco Saraiva de Sousa disse...

O Porto só pode fazer face aos problemas graves que o afligem se se tornar independente do resto do país. Nunca tinha visto tantas pessoas a andarem à procura de emprego: não sei se são do Porto ou de outras zonas em que as fábricas estão a fechar. Não é com solidariedade nacional que resolvemos isto: precisamos de rupturas com as instituições de Lisboa - o cancro nacional. Precisamos credibilizar as instituições portuenses e autonomizá-las. O Norte está a ser eliminado com o desemprego.

J Francisco Saraiva de Sousa disse...

O problema de Portugal é a corrupção de Lisboa: o poder central nunca quis desenvolver o país; pelo contrário, empobreceu-o ao longo do tempo.

J Francisco Saraiva de Sousa disse...

Aliás, eu penso que todo o país se deve unir contra o poder central e a dita capital. Só deste modo pode evitar os grandes investimentos previstos para Lisboa. Quem tem orgulho nesta capital exploradora e saloia é absolutamente tolo: a história de Portugal revela o fracasso total de Lisboa. Portugal é um país sem futuro.

J Francisco Saraiva de Sousa disse...

Caminhamos para uma situação de violência: a criminalidade vai aumentar e ninguém vai sentir-se seguro nem na rua nem em casa.

J Francisco Saraiva de Sousa disse...

Ao defender o governo mundial, Almeida Santos reconheceu que os portugueses não podem confiar nas suas classes dirigentes: Portugal não consegue governar-se e o povo tem sido comido por um bando de parasitas incompetentes. Chegou a hora da revolta total!

J Francisco Saraiva de Sousa disse...

É melhor canalizar a revolta contra o poder do que dirigir a agressão contra as pessoas anónimas! Precisamos de um lider carismático para orientar essa agressividade!

J Francisco Saraiva de Sousa disse...

Não há poder em Portugal: a hora presente é a da revolta total.

J Francisco Saraiva de Sousa disse...

Ao escutar ontem Maria de Belém Roseira na SicNotícias, vi o que está mal no PS: não é um partido de esquerda genuína, porque não respeira o povo.

J Francisco Saraiva de Sousa disse...

Aliás, PS e PSd fazem parte do problema; não constituem a sua solução. As afirmações de desprezo pelo povo dos boys-rosas e o facto de Manuela Ferreira Leite ter tido conhecimento da tentativa de compra da TVI pela PT mostra que os partidos do poder fazem parte do problema nacional.

J Francisco Saraiva de Sousa disse...

O sistema partidário português está corrompido e não viabiliza soluções para Portugal.

J Francisco Saraiva de Sousa disse...

Pelo menos, as reportagens da Madeira, com os madeirenses a falar, fazem rir os portugueses, porque nem sempre os entendemos. A tragédia está a tornar-se comédia. Mas Portugal é trágico: a morte escura e negra aproxima-se do país.

J Francisco Saraiva de Sousa disse...

Portugal é um defunto negro e escuro - um país de zombies. A morte aguarda-nos e está desejosa para nos devorar.

J Francisco Saraiva de Sousa disse...

Estava a reler algumas entrevistas de Marcuse e, de facto, esta é a hora da revolução socialista: a situação objectiva é favorável à revolução, atiçada pela pobreza generalizada.

J Francisco Saraiva de Sousa disse...

O capitalismo é insuportàvel: é preciso derrubá-lo. Não dá gozo viver numa sociedade capitalista...