sexta-feira, 30 de novembro de 2007

Mário Soares e Guerra Junqueiro

(Dia Mundial de Luta contra a Sida (1 de Dezembro de 2007): Leia o meu post A SIDA é uma Metáfora?. Em termos de epidemiologia, o conceito de grupos de risco deve ser tido em conta e bem compreendido, sem demagogia barata. É certo que a Sida contamina todos, mas existem grupos sócio-sexuais que, devido ao seu estilo de vida sexualmente promíscuo, entre os quais o dos bissexuais masculinos, facilitam enormemente o seu alastramento. O que está em causa e merece debate é a sexualidade compulsiva e predadora, contra a qual o uso do preservativo (sempre aconselhável) não é suficiente.)
«Os refractários eliminam-se. Ou aplaudir e ser cúmplice, ou protestar e ser vítima». (Guerra Junqueiro)
O novo programa da RTP1, em torno da figura heróica e profundamente humana de Mário Soares, de resto protagonizado pelo próprio, revelou, na sua primeira manifestação (29 de Novembro de 2007), mais um magnifico traço de Mário Soares: o seu gosto pela poesia e pensamento de Guerra Junqueiro, uma preferência que aparentemente espantou a jornalista do «Eixo do Mal», mais voltada para Fernando Pessoa e Samuel Beckett. Foi numa livraria de Paris que Mário Soares revelou esta sua vontade de ver Guerra Junqueiro recuperado para o pensamento português, após ter comentado algumas obras, em particular as de Victor Hugo e de Sade, ambas recheadas de belas ilustrações.
Como sou um dos poucos portugueses que admira verdadeiramente Guerra Junqueiro, aproveito esta ocasião para reconduzir os meus amigos e leitores online para alguns textos editados sobre esta ilustre figura nacional, os quais dedico ao «Grande Pai da Democracia Portuguesa»: Mário Soares.
Os textos são os seguintes: Guerra Junqueiro: Poesia e Filosofia, onde elaboro uma nova chave de leitura da obra de Guerra Junqueiro, Um Poema contra a Luso-Corrupção, onde deixo Guerra Junqueiro poetizar a nossa luso-corrupção, A Intencionalidade do Luso-Mal, onde recordo uma expressão feliz e sempre pertinente de Guerra Junqueiro, e Fim das Ideologias Políticas?, onde mostro que a linguagem deste republicano conserva o seu potencial negativo para retratar a actual sociedade portuguesa: a «ditadura do engorda». Estes textos foram editados neste blogue.
No blogue «CyberPhilosophy» editei, pelo menos, mais dois textos: Poesia do Sem-Abrigo na Era Digital e Regresso ao Lar: Desconstrução de Portugal. Estes últimos fazem parte de um projecto mais geral, a desconstrução da «mitologia nacional» que pretende apresentar-se como "filosofia especificamente portuguesa". O projecto está mais ou menos concluído, mas precisa de ser corrigido, tarefa que não suporto, pelo menos em relação aos meus escritos.
Anexo: Mário Soares disse que «Os Miseráveis» de Victor Hugo estavam na origem da sua sensibilidade pela causa socialista. Aqueles, sobretudo os mais jovens, que criticam o marxismo sem o conhecer, deviam ler também esta obra de Victor Hugo e, a seguir, «A Situação da Classe Trabalhadora em Inglaterra» de F. Engels, para compreenderem que a maior parte da população mundial deriva dessa classe humilde e pobre, até mesmo os nobres no seu tempo eram descendentes de "pelintras anónimos", cuja memória foi esquecida pela História. Muitas outras obras deviam ser lidas e relidas. O desconhecimento da história, enfim da historicidade e da temporalidade, pode ser interpretado como um traço esquizofrénico da identidade pós-moderna: o vagabundo.
J Francisco Saraiva de Sousa

5 comentários:

Aveugle.Papillon disse...

Ai Francisco! Que comentário tão severo sobre o alastramento da SIDA. Mas concordo em parte, porque realmente a educação sexual não pode ser apenas a demonstração da utilização do preservativo e "agora vão e divirtam-se!".
Contudo, a "sexualidade compulsiva" pode ter muitas causas e como evitá-la numa abordagem indiferenciada que é a educação? Por exemplo: falta de auto-estima (no caso das mulheres), ou até mesmo pura necessidade fisiológica. Não é por acaso que um dos grandes grupos de risco são os homo masculinos, há muita testosterona que cega completamente.
Por outro lado, quando fala de bissexuais masculinos, lembro-me dos que têm relações extra-maritais com homens sem protecção, depois infectam as mulheres, e é de facto revoltante serem tão egoístas! Agora penso: será este o problema de fundo? Falta de compaixão?

J Francisco Saraiva de Sousa disse...

Não sei se é falta de compaixão. Estudei in situ esses grupos, nomeadamente os bi casados de que fala, e detectei essa compulsão sexual, que começamos a compreender melhor. A testosterona é sempre uma hormona a ter em conta, sobretudo os seus efeitos organizacionais sobre o desenvolvimento do cérebro.
As pessoas não gostam do termo grupo de risco, mas ele é útil, até para combater a Sida. As doenças sexualmente transmissíveis, tais como sífilis, gonorreia ou hepatite B, podem acompanhar... Portanto, um pacote de doenças.
Hoje está um dia cinzento, húmido e chuvoso.
Abraço

Aveugle.Papillon disse...

Fiquei sem perceber o que pensa sobre o que se deve fazer além de aconselhar o uso do preservativo, mas tudo bem.
Em Lx tb está mau. :)

J Francisco Saraiva de Sousa disse...

Campanhas mais educativas e centradas na sexualidade, nos afectos, questionando os estilos de vida... Também não sei bem, mas ia por essa via.
Agora faz sol... :)

J Francisco Saraiva de Sousa disse...

Cara Aveugle.Papillon
Forneço mais dados no texto "Ecologia Social dos Comportamentos Gay", sobretudo sobre a promiscuidade sexual que não é um problema exclusivamente gay, embora os homens homo sejam mais promíscuos que os homens hetero.
Coloco-lhe um desafio, sobre o meu post «Daniel Dennett e seus Zombies» (NeuroFilosofia»): adivinhe quem são os zombies tugas do feiticeiro vodu?
Abraço