domingo, 25 de novembro de 2007

Porto e Vigo

Passei todo o dia de Sábado (25 de Novembro de 2007) em Vigo. Cheguei ao Porto já de madrugada e aqui estou a fazer este post, não para narrar o meu passeio, grande parte dele dedicado à compra de livros, mas para manifestar uma preocupação.
A Galiza e, em particular, Vigo estão a crescer rapidamente e temo que a minha cidade, o Porto, bem como o Norte de Portugal, não esteja a saber acompanhar esse crescimento galego, correndo o sério risco de vir a ser ultrapassada dentro de pouco tempo por Vigo.
Os portugueses são os principais responsáveis pela situação triste de Portugal. Embora Lisboa encarne a mediocridade nacional e a sua cleptocracia corrupta, condenando o país ao atraso insuperável em que se encontra, os nortenhos e os próprios portuenses, sobretudo estes últimos, são responsáveis pela estagnação da cidade do Porto.
Vigo está a assumir (ou tenta assumir) claramente o controle do Norte da Península Ibérica, pelo menos o Norte de Portugal e a Galiza. A cidade de Vigo está a converter-se numa metrópole, densamente povoada, cosmopolita, afirmativa, elevada auto-estima incentivada pelos seus meios de comunicação social, urbanisticamente bem planeada e interessante (já foi uma cidade feia), economicamente pujante, enquanto as cidades do Norte de Portugal próximas, Viana do Castelo ou Braga, sofrem transformações urbanas à dimensão dos 7 anões da Branca de Neve, que, devido à mediocridade da Escola do Porto de Arquitectura e às más opções políticas locais (autarcas sem visão de futuro), comandada pelo arquitecto destituído de ideias e de ambição futura, Siza Vieira, se estende ao Porto, dando cabo das suas dimensões de cidade metropolitana e cosmopolita e estragando as suas artérias, jardins, praças, pavimentos e passeios.
Vigo aposta no alcatrão e nós aqui no Porto abusamos da pedra e estreitamos irracionalmente as nossas vias, sem abrir novas vias, e alargando passeios que nunca serão usados pelos peões. Bem, já deu para entender que estou saturado e farto da arquitectura de Siza Vieira e da sua escola: toda a sua obra é igual a si mesma, sempre igual a si mesma; quem viu uma construção viu todas, porque a sua arquitectura carece de perspectiva futura e de modernidade ousada. Arquitectos deste tipo estão a destruir as cidades portuguesas, porque não as inovam realmente, condenando-as a «reviver» um passado adulterado. As asneirolas de Siza Vieira revelam-se não apenas na Igreja do Marco, mas também e sobretudo na Avenida da Boavista e na Avenida dos Aliados com aquele "tanque de lavar a roupa", o falsamente denominado "espelho de Água", rodeado de cadeirinhas de uma infância triste: simplesmente um nojo!
Convém requalificar a Baixa do Porto, recorrendo a arquitectos estrangeiros e repovoando-a, bem como o resto da cidade, e impondo sempre os interesses da Cidade sobre os interesses privados, em particular dos portuenses bairristas, carentes de inteligência e com aspecto grotesco. Todos nós conhecemos os seus rostos: «ladram» demais e são pouco cultos. São a vergonha da Cidade Invicta: as suas pseudo-elites, pouco seguras de si próprias e muito iletradas. O Porto está mal servido em termos de massa cinzenta, mas o resto do Norte é a ausência total de massa cinzenta.
Custa escrever isto, mas estou a fazê-lo para alertar o Norte e o Porto para uma realidade que está a acontecer na Galiza: eles, os galegos, avançam, enquanto nós estamos estagnados, constantemente envolvidos em falsas polémicas, sem sermos capazes de fazer frente a Lisboa, a Babilónia de Portugal. Não é somente o Porto Feliz que foi aniquilado: até a ANA (ou a TAP ou a RTP) quer destruir o nosso aeroporto ou subaproveitá-lo, para se concentrar no novo monstro lisboeta (OTA ou outro, tanto dá), projectado para garantir a continuidade metabólica dos luso-corruptos que convertem a nossa democracia numa cleptocracia oligárquica.
Ainda não descobri a palavra certa para tipificar os portugueses, isto é, aqueles que nos roubam o futuro: Burrinhos? É evidente que são burrinhos. Trapaceiros? É evidente que são trapaceiros. Corruptos? É muito evidente que são altamente corruptos. Ladrões? É evidente que são os maiores ladrões de todos os tempos. Invejosos? É evidente que são muito invejosos. Mas nenhuma delas me satisfaz completamente: Qual o nome do «mal» que nos condena à inércia e ao "último lugar" da lista de indicadores europeus excelentes? Esta questão deveria ser seriamente debatida por todos nós. Talvez ainda estejamos a tempo de garantir o nosso futuro e realizar o nosso desejo: sermos uma grande nação! Porque, quando cheguei ao Porto, vi uma cidade movimentada, com o trânsito congestionado, devido à sua iluminação natalícia e à sua imponente Árvore de Natal. Apesar de tudo, temos boas qualidades, a começar pelas nossas auto-estradas e sinalizações e pela arquitectura robusta e plural da Cidade Invicta: apesar dos erros de requalificação urbana cometidos, que podem ser corrigidos, continuamos a ser a cidade mais linda do Norte e do país, capaz de recuperar o seu passado e, ao mesmo tempo, abrir-se ao futuro, sem Siza, evidentemente.
J Francisco Saraiva de Sousa

20 comentários:

Aveugle.Papillon disse...

A cidade mais linda do país é Lisboa!!!
E corrupção há muita no Norte também, não sei se mais ou menos, mas a suficiente para contribuir para a mediocridade do país. Salvaguardo apenas a atitude mais empreendedora do Norte.

Cumprimentos :)

J Francisco Saraiva de Sousa disse...

Quanto à cidade mais linda, não estou seguro: até gosto das duas. Lisboa é mais feminina, o Porto mais masculino e fálico.
No Norte, há corrupção e muita mediocridade, infelizmente, mas Lisboa é a capital... do país.
Abraço

Aveugle.Papillon disse...

Ahahahah... :D

O Francisco é engraçado. Para mim a beleza não é feminina ou masculina! Ainda na 4ª feira estive aí no Porto e não digo que seja uma cidade feia, mas Lisboa é grandiosa, luminosa, apolínea!
Gosto das pessoas que são menos arrogantes e pretensiosas do que em Lx; são generosas e prestáveis, faz-se amigos com mais facilidade e a pronúncia é marabilhosa!

J Francisco Saraiva de Sousa disse...

Metade do vinho do Douro é consumida aí, em Lx.
A Arquitectura do Porto é muito boa. Precisa de requalificação e estudo. Os estrangeiros adoram o Porto e alguns fazem projectos para se estabelecerem aqui. A luz é diferente, claro: o Porto é granito e precisa tirar partido disso e começa a conseguir.

J Francisco Saraiva de Sousa disse...

Mas partilhamos, aliás quase todoas as cidades portuguesas, um problema comum: sujidade. As nossas cidades estão muito sujas e não são devidamente limpas.

Aveugle.Papillon disse...

Não percebi o que quer dizer com "metade dos consumidores são de Lx". As pessoas de/em Lx não têm nada contra o Porto. Aliás, eu nasci aqui, mas a minha família é do Norte. (E, pessoalmente, gosto mais das castas do Alentejo.)

Sobre a sujidade, concordo, as cidades pequenas, Viseu, Évora, etc. são mais limpas.

J Francisco Saraiva de Sousa disse...

Li hoje num jornal que metade da produção do vinho do Douro é consumido na zona de Lx. (Era uma graça.)

Renato Martins disse...

Li atentamente o seu post e estes comentarios.

No dia em que fui viver para o porto tive azar: era greve do pessoal da recolha do lixo. Olhava a volta e so pensava: que imundice. Bem, depois la melhorou, mas as cidades portuguesas são de facto porcas: nao basta o lixo, as pessoas escarram no chao e deitam beatas no chao tb. Évora, embora mais limpa que grandes cidades tb tem o seu que de de imundice

Quanto ao Galiza vs norte,
Lembro-me de apenas á uns dez anos se falar no eixo atlantico que os proprios galegos insistiam que a capital fosse no porto. 10 anos depois, o avanço da galiza (e da espanha) foi bem visivel. O porto perdeu ao tirar as faculdades do centro. A zona das galerias de arte, miguel bombarda, os leoes ou mesmo os aliado á noite são de meter medo. Com mais estudantes ali no centro talvez as coisas melhorassem.

Tambem quero afirmar que a corrupção é nacional e nao so lisboeta, veja-se a madeira...
Mas tambem acho que no norte as pessoas sao mais empreendedoras e no geral (mas ha muitas excepções) mais trabalhadoras, vivem com diferentes velocidades de no sul (então se comparármos com o alentejo...)

Bom post

um abraço

J Francisco Saraiva de Sousa disse...

É bem verdade tudo o que diz.
Ontem fiquei triste ao ver que Portugal perde terreno, muito terreno, em relação à Galiza e à Espanha. E tudo isto porque somos mal governados local e nacionalmente. Os revolucionários da 25 de Abril e seus sucessores, a chamada geração grisalha, são os nossos actuais inimigos.
O Porto está a mudar e está mais limpinho, mas esses costumes "sujos" deixam a sua marca nas artérias da city.
Abraço

J Francisco Saraiva de Sousa disse...

Uma observação quanto à pronúncia do Porto. Vivo cá no Porto e lido com muitas pessoas: não detecto essa pronúncia atribuída as pessoas do Porto. É certo que lido com um grupo mais restrito, mas nos afazeres quotidianos lido com outros círculos mais populares e não ouço essa pronúncia, nem sequer palavrões.

Aveugle.Papillon disse...

Se calhar é porque o Francisco está já habituado! A pronúncia do Porto é muito caracteristica e é difícil de imitar, a de Braga é mais fácil.

Cumprimentos :)

J Francisco Saraiva de Sousa disse...

Oi
Estava a meditar. Talvez... Mas, como diz uma amiga, a minha sociabilidade destaca-se mais na comunicação mediada por computador: "o vosso, diz ela, instrumento preferido, para evitar contacto face a face, em que nós (as mulheres) somos melhores". Também ela tem razão.
Cumprimentos

Aveugle.Papillon disse...

Ah... não sei... há muitos homens que gostam do tête-a-tête e ainda bem. :)

J Francisco Saraiva de Sousa disse...

Estava a falar da nossa mente instrumental e da nossa socialidade de género e não desse outro comportamento. Ui

J Francisco Saraiva de Sousa disse...

Esqueci-me de dizer ao meu amigo Renato que gosto muito de Évora e da sua Universidade, onde já dei uma conferência sobre Guerra Junqueiro.
Abraço Amigo

Aveugle.Papillon disse...

Mas qual outro comportamento? Também não me referia ao erótico-sexual, até porque neste, o "contacto face a face" é requerido pela violência do amor.
O que queria dizer é que acho que os homens não fogem do face a face com outros homens ou com outras mulheres, talvez sejam (na sua maioria) mais lacónicos, o que insatisfaz deveras as mulheres, adoradoras de palavras.

J Francisco Saraiva de Sousa disse...

Exacto. Também adoro dialogar e acho que os amigos(as) gostam de conversar comigo.
Hummm... "Violência do amor"? Expressão muito à Otto F. Kernberg (psiquiátra. De facto, a sexualidade masculina é muito "borderline" (brinco).

Aveugle.Papillon disse...

Nunca ouvi falar desse senhor. Mas a minha expressão acho que é entendível, a sexualidade está sempre a par da agressividade. Não só nos homens. Por acaso agora penso que um dos desejos mais comuns que se ouve falar às mulheres é o desejo de serem "violadas", e entre-aspas por motivos óbvios, é de uma encenação que se trata, mas retém-se a eminência da agressividade.

Renato Martins disse...

Ja deu uma conferencia por evora, francisco? Foi na Universidade? nao sabia, fica o registo.

outra coisa: diz que a remodelação dos aliados foi do siza mas estou com a ideia que foi do souto moura. Seja como for tb acho que ficou pior...

J Francisco Saraiva de Sousa disse...

São da mesma escola: Souto, Siza e Companhia. Não admiro as intervenções urbanas que fazem e no Porto estrangulam a cidade.
Sim, foi na Universidade e era sobre "lusofonias", com muitos brasileiros e o Cândido.