segunda-feira, 7 de janeiro de 2008

Prática Teórica e Discurso Teórico

«Só há ciência do geral» (Aristóteles)
O objectivo deste texto é reler a resposta que Louis Althusser (1918-1990) elaborou, durante o período que se seguiu à publicação dos Elementos de Autocrítica (1972), para solucionar esta questão: o que se entende por discurso teórico?
A «solução» desta questão encontramo-la numa pequena obra de Louis Althusser (1978), intitulada Sobre o Trabalho Teórico. Althusser (1978) definiu o discurso teórico, na sua significação mais geral, como sendo «um discurso que tem por efeito o conhecimento de um objecto». No sentido exacto do termo, só existem objectos reais, concretos e singulares. Todo o discurso teórico procura realizar, em última análise, o conhecimento «concreto» desses objectos, quer na sua individualidade, quer nos modos desta individualidade. Mas este conhecimento é sempre o resultado de todo um processo de produção teórica, o qual visa a «síntese de uma multiplicidade de determinações» (Marx). Esta síntese mais não é do que o conhecimento concreto de um objecto concreto.
A síntese de conhecimento de que nos fala Althusser, na peugada de Marx lido inicialmente à luz das obras de Bachelard (1884-1962) e de Cavaillès (1903-1944), consiste na combinação-conjunção de dois tipos de elementos ou determinações de conhecimentos: elementos teóricos em sentido estrito ou conceitos teóricos (em sentido estrito) e elementos empíricos ou conceitos empíricos. Qualquer discurso, seja ele científico e/ou filosófico, utiliza palavras da linguagem quotidiana, ou expressões compostas construídas com palavras da linguagem quotidiana, mas que funcionam sempre de maneira diferente que na linguagem quotidiana.
No discurso teórico, as palavras e expressões compostas funcionam como conceitos teóricos: quer dizer que o sentido das palavras está nele fixado, não pelo seu uso corrente, mas sim pelas relações existentes entre os conceitos teóricos no interior do seu sistema teórico. «São estas relações — escreve Althusser (1978) — que atribuem às palavras, que designam conceitos, o seu significado teórico». O discurso teórico exige, na sua existência, a produção de expressões específicas, que designam conceitos teóricos. Eles podem ser, como vimos, conceitos teóricos em sentido estrito ou conceitos empíricos. Os conceitos teóricos dizem respeito às determinações ou objectos abstractos-formais, enquanto os conceitos empíricos dizem respeito às determinações da singularidade dos objectos concretos.
Os conceitos teóricos referem-se, portanto, a objectos abstractos-formais, que não existem em parte alguma a não ser no e pelo pensamento. Contudo, são indispensáveis para a produção do conhecimento concreto dos objectos concretos e reais. Sem eles não seria possível o conhecimento das determinações da singularidade dos objectos concretos, os quais são qualificados como existentes pelos conceitos empíricos. Quer dizer que os conceitos empíricos acrescentam aos conceitos estritamente teóricos as determinações da existência dos objectos concretos. A relação dos conceitos teóricos com os conceitos empíricos é assim «uma relação de realização»: os conceitos empíricos realizam os conceitos teóricos no conhecimento concreto dos objectos concretos. Assim, o conhecimento concreto dos objectos concretos mais não é do que a síntese dos conceitos teóricos necessários, combinados com os conceitos empíricos elaborados.
Qualquer discurso teórico pode, consoante o seu nível de abstracção, referir-se quer a objectos abstractos e formais, quer a objectos concretos e reais. Assim, os discursos teóricos referentes a objectos reais-concretos ou a objectos formais-abstractos pertencem a níveis teóricos diferentes: os primeiros constituem a teoria em sentido lato ou teoria empírica, enquanto os segundos poderão ser chamados discursos teóricos ou teoria em sentido estrito. Mas os discursos concretos supõem sempre a existência dos discursos abstractos, cujo alcance ultrapassa infinitamente o objecto dos primeiros. Deve acrescentar-se ainda que só se pode atingir o conhecimento dos objectos reais-concretos na condição de se trabalhar também, e ao mesmo tempo, com objectos formais-abstractos. O conhecimento destes últimos não tem nada de um conhecimento especulativo e contemplativo, concernente a ideias «puras». Pelo contrário, ele só tem em vista e só diz respeito aos objectos reais; só tem sentido porque permite forjar os instrumentos teóricos, os conceitos teóricos formais e abstractos, pobres em determinações empíricas, que permitem produzir, por fim, o conhecimento dos objectos reais-concretos, rico em determinações de existência.
Com a elaboração desta noção de discurso teórico fortemente influenciada pela filosofia de Wittgenstein (talvez mais o Segundo do que o Primeiro) e pelo neopositivismo lógico, Althusser parece romper com a sua anterior concepção da filosofia de Marx como uma «teoria da prática teórica», isto é, uma "epistemologia", sobretudo após ter denunciado a tendência teoricista que dominava as suas primeiras obras. Essa noção de teoria como prática teórica encontra-se nos textos que compõem Pour Marx (1966). Retomando alguns textos de Marx, Althusser define a prática em geral como «todo o processo de transformação de uma determinada matéria-prima dada num produto determinado, transformação efectuada por um determinado trabalho humano, utilizando meios ("de produção") determinados». Neste processo de transformação, o momento determinante é o momento do próprio trabalho de transformação, que põe em jogo, numa estrutura específica, homens, meios e um método técnico de utilização dos meios. Ora, para Althusser, a teoria é uma forma específica da prática, que pertence à unidade complexa da prática social de uma sociedade humana determinada. E, neste ponto, Althusser distingue a teoria e a Teoria: a primeira é toda a prática teórica científica, e a segunda, é a «Teoria das práticas teóricas científicas», portanto, uma epistemologia: «Teoria é a dialéctica materialista que não constitui mais do que um só todo com o materialismo dialéctico».
Para clarificar esta noção de conhecimento, Althusser recorre a Espinosa para ler a Introdução de Marx de 1857. A tese de Espinosa de que «temos uma ideia verdadeira» (retomada por Lenine para reforçar a verdade da teoria de Marx) permite-lhe ver que este filósofo inscreve antecipadamente toda a teoria do conhecimento, que raciocina sobre o direito de conhecer, na dependência do facto do conhecimento detido, recusando todas as teorias do conhecimento, tais como a de Kant e de Hegel, que sustentam que todas as questões são relativas à Origem, Sujeito e Direito de conhecimento, para fixar o processo e os momentos, os célebres «três géneros» do conhecimento (Espinosa).
Daqui resulta a ideia do conhecimento como produção constituída por três Generalidades: a Generalidade 1 constituída pela matéria-prima que a prática teórica da ciência transformará em conceitos específicos, portanto constituída por conceitos ainda ideológicos, "factos científicos" ou conceitos já cientificamente elaborados pertencentes a um estádio anterior da ciência (uma ex-Generalidade 3); a Generalidade 2 constituída pelo corpo de conceitos cuja unidade mais ou menos contraditória constitui a "teoria" da ciência no momento (histórico) considerado, "teoria" que define o campo em que é necessariamente colocado todo o "problema" da ciência (Repare-se na proximidade existente entre Althusser e Popper e Kuhn.); e a Generalidade 3 constituída pelo concreto-de-pensamento que é um conhecimento. Tal como sucede no processo de produção de mercadorias, no processo de produção teórica o momento determinante é a Generalidade 2: a ciência trabalha e produz novos conhecimentos ao transformar a Generalidade 1 (G1) em Generalidade 3 (G3). Portanto, «a prática teórica produz Generalidades 3 pelo trabalho da Generalidade 2 sobre a Generalidade 1».
Este enunciado permite compreender duas importantes proposições:
1. Entre a G1 e a G2 não pode haver identidade de essência, mas transformação real. Esta transformação pode implicar uma ruptura epistemológica entre ambas as generalidade, a primeira ideológica e a segunda, científica, como sucede no nascimento de uma nova ciência, ou uma definição da sua "relatividade" e dos seus limites subordinados de validade, como sucedeu com a mecânica newtoniana após a descoberta da relatividade e da mecânica quântica.
2. O trabalho que permite passar da G1 à G3 passa-se totalmente no pensamento. Tal como Marx ou mesmo Bachelard, Althusser pensa que o vector epistemológico vai do abstracto para o concreto. Porquê? Porque, «se o processo de conhecimento não transforma o objecto real, mas apenas a sua intuição em conceitos e depois em concreto-de-pensamento, e se todo este processo se passa «no pensamento» (Marx) e não no objecto real, é porque relativamente ao objecto real, para o conhecer, o «pensamento» trabalha sobre uma «matéria distinta do objecto real: trabalha sobre formas transitórias que o designam no processo de transformação, para produzir finalmente o seu conceito, o concreto-de-pensamento» ou objecto de conhecimento.
Com estas proposições, Althusser pode manter a tese do primado do objecto real sobre o objecto de conhecimento (posição materialista) e o primado desta tese sobre a tese da distinção entre o objecto real (o X que pretendemos conhecer) e o objecto de conhecimento que é mero concreto-de-pensamento produzido pelo pensamento e partilhado mediante a comunicação mediada linguisticamente. Daí o carácter público do conhecimento científico: conhecimento (socialmente) partilhado. A "incomensurabilidade" destes dois tipos de objectos rejeita em bloco a concepção empirista do conhecimento: «Esse investimento do conhecimento, concebido como uma parte real do objecto real, na estrutura real do objecto real, eis o que constitui a problemática específica da concepção empirista do conhecimento» (Althusser, Lire le Capital, 1975), confessada pelo século XVIII de Locke e Condillac e retomada pelo neopositivismo lógico. A distinção entre o objecto real e o objecto de conhecimento feita por Marx, na peugada de Espinosa, contra Hegel, «funda» uma nova concepção não-empirista do conhecimento, que não confunde os dois objectos: «a ideia de círculo, que é o objecto do conhecimento, (não deve ser confundida) com o círculo, que é o objecto real». De facto, o conceito de cão não ladra!
Contudo, Althusser não concluiu a sua tarefa: elaborar uma problemática da filosofia do conceito, a qual define o conhecimento como «um processo sem sujeito».
J Francisco Saraiva de Sousa

36 comentários:

Aveugle.Papillon disse...

Se "o discurso teórico é teoria em sentido estrito" e "a teoria é sempre uma forma específica de prática"... em que é a prática teórica distinta do discurso teórico?

J Francisco Saraiva de Sousa disse...

Segundo Althusser, a teoria é mesmo uma prática teórica (trabalho de transformação que ocorre no pensamento), que acrescenta à "realidade" o seu conhecimento. A distinção reside na linguagem: o conhecimento torna-se discurso público, conhecimento partilhado.
Pena Althusser ter deixado de elaborar uma problemática da filosofia do conceito que ele opunha a p. da filosofia da consciência. Duas problemáticas teóricas em rota de colisão. Porém, não consigo abandonar o eu e a consciência. Daí que prefira mover-me na tensão dos opostos, exercendo a negação determinada, mas sem qualquer imagem do futuro positiva.
A teoria da verdade de Althusser é forte: o discurso é (autonomamente)verdadeiro; daí que possa iluminar a realidade. :)

J Francisco Saraiva de Sousa disse...

Althusser procurou elaborar uma "nova lógica", que negava a teleologia da razão (vista como triunfo religioso da razão), que domina a história das ciências, e que procurava substituir o sistema das categorias clássicas pela "necessidade da sua contigência". Não é por acaso que já na sua fase de loucura procure, a partir de Lucrécio, elaborar um materialismo aleatório. :)

Aveugle.Papillon disse...

O discurso é verdadeiro antes das determinações da existência, da "realização" de que fala? O discurso torna possível a realidade, mas isso n quer dizer que a realidade n exista antes (no sentido de independentemente) do discurso. Para mim o discurso é interpretação (infinita) da realidade.

J Francisco Saraiva de Sousa disse...

Althusser e Foucault foram amigos até à morte do primeiro. Nietzsche estava presente! Os últimos escritos dele mostram que admirava Heidegger e Derrida. :)

J Francisco Saraiva de Sousa disse...

Mas nesse caso cai no perspectivismo denunciado por Hannah Arendt.
Sim, a "realidade" é anterior. Duas ordens: a lógica e a real. A primeira traz à ordem real uma mais-valia cognitiva: o seu conhecimento.
Mas concordo quando fala em interpretação: outras modalidades de cohnecimento. Mas também ela re-nova o discurso ou a realidade: a fusão de horizontes de Gadamer!

J Francisco Saraiva de Sousa disse...

Aliás, a crítica do empirismo e da sua teoria do conhecimento conservada pelo neopositivismo lógico ajuda a libertar estas outras modalidades do conhecimento, ao mesmo tempo que "relativizam" o conhecimento científico. Neste aspecto, quase todas as grandes filosofias do século XX convergem. Multiplicidade de saberes! :))

Aveugle.Papillon disse...

Eu acho que a lógica n traz nenhuma mais-valia à realidade. Aliás só a simplifica e atrofia. Mas enquanto interpretação da realidade é importante, (e mesmo vital para o ser humano), a par de outras.

Sim, multiplicidade de saberes, camadas interpretativas sobre o mundo. Para mim, é nesse sentido o caminho.

J Francisco Saraiva de Sousa disse...

Sobretudo quando a lógica não é boa!!! Que boca esta! (risos) :)

Aveugle.Papillon disse...

Sendo boa ou n é sempre insuficiente. :)

Manuel Rocha disse...

E onde está a variável "cultura" na percepção do "concreto"?

Montaigne já nos dizia que "os factos são interpretações". A isto Lourenço acrescenta que "um facto que perdura pode ser uma boa definição de mito".

Nesta sequência eu pergunto se há concretos independentes da percepção que temos deles. É que se não há o conhecimento derivaria para universos de mitologias paralelas, a menos que que uma ideologia uniformizadora se interponha e se afirme contra tudo e todos como a detentora da verdade e da razão universais...

Bem...derivei :))

J Francisco Saraiva de Sousa disse...

Uma questão pertinente! O papel da cultura na percepção é fundamental e Vigotski mostrou isso. A sua Psicologia da Arte mostra isso.
Porém, esse problema conduz-nos a problemas de fundo: realidade, linguagem e conhecimento. Que me absorvem!
Concretos independentes da percepção? Diria que não: apenas há realidade opaca, sem sentido! Uma resposta fenomenológica, mas o par concreto/abstracto é cognitivo. Boa questão! :)))

Aveugle.Papillon disse...

N é preciso chegar à cultura, a percepção por si mesma já é problemática...

O concreto é cognitivo, n só a validade e invalidade, como a verdade e falsidade. A única verdade é esta.

J Francisco Saraiva de Sousa disse...

Boa via de acesso!

Manuel Rocha disse...

Mas sabe porque derivei ?

Porque me perturba a eventualidade de a ciência, por excelência a "produtora dos concretos" do nosso quotidiano, se transformar ela própria em crença e ideologia de novas mitologias...

J Francisco Saraiva de Sousa disse...

Infelizmente, nalguns casos isso acontece! Por isso, a filosofia deve estar alerta, até porque sabe "manejar" bem os conceitos = concretos-de-pensamento.

Manuel Rocha disse...

Hipias-Mulher-Maior:

Quando trouxe a "cultura" à liça, foi na acepção ecológica-antropológica, a um tempo causa e feito da entidade social que somos e da consciência que dela possuimos...

( agora vou jantar...servidos de uma omelete de espargos e de um Moet Chandon ainda de sobra do reveillon ?? :))))

J Francisco Saraiva de Sousa disse...

Aliás, esse problema foi tratado aqui nesta "troca de ideias": a teleologia da Razão, concepção que herdamos do iluminismo! E que o positivismo levou ao seu extremo. :)

Manuel Rocha disse...

link para esse "tratamento" sff...

Aveugle.Papillon disse...

Muito bem, Manuel, dois concretos apetecíveis, os que nos oferece! Eu vou para a minha aula de yôga.

J Francisco Saraiva de Sousa disse...

Também vou jantar. Bom apetite e bom ioga. :))

Manuel Rocha disse...

Francisco:

Está a acompanhar as postagens da "Fisga" ?

Hipias-Mulher-Maior:

Mais dois concretos apetecíveis: um "Blue Mountain" e uma bolacha de alfarroba. Garanto os resultados filosóficos :))

Interessados ?

Aveugle.Papillon disse...

O Blue Mountain sim. A alfarroba dispenso por chocolate. :))

Mas este blog é de esforço filosófico, é um blog em jejum. :)))

JC(que não é o Cristo e embirra com cristalizados) disse...

Antes de comentar o seu texto sobre as teorias do Althusser, quero perguntar-lhe se notou que o De Rerum Natura tenha acabado com os comentários.

Fui lá há pouco e pareceu-me que não havia comentários para ninguém nos novos posts. Agradeço a sua colaboração para poder confirmar se é uma ocorrência real ou apenas ilusória e devida a qualquer problema na configuração da minha ligação à rede (visto que vários são os utilizadores do computador caseiro).

JC (o tal que não é o Cristo, nem tem crista e embirra com cristalizados, mas que por restrição do número de caracteres teve de assinar abreviado).

J Francisco Saraiva de Sousa disse...

Caro JC
De facto, o blogue De Rerum Natura aboliu os comentários. Triste decisão a dos seus autores! muito pouco democráticos. Não suportam o debate crítico, talvez por serem inseguros e pouco inteligentes. :)

Manuel Rocha disse...

Pois, pois, Francisco...

Que se pode esperar de quem tem o desplante de publicar que saca dos galões de "Doutorada em Quimica" para demonstrar a uma triste farmacéutica de serviço que os homeópaticos são um placebo ?

:))

J Francisco Saraiva de Sousa disse...

Manuel Rocha
Deve ser como diz, embora não conheça o dito blogue. Só participei em 3 posts nos comentários, juntamente com o JC...
São tiques autoritários: os portugueses em geral não suportam o debate, porque não acreditam em si mesmos e têm baixa auto-estima. :)

Aveugle.Papillon disse...

N poderia estar mais de acordo: o português-tipo tem realmente falta de auto-estima, falta de tesão, falta de dinheiro, falta disto e daquilo!
As almas penadas que temos nas academias julgam que o pouco que sabem é suficiente, (e realmente é, porque pelo menos os sustenta!), e têm o descaramento de fugir ao debate, como só os fracos fazem. :)

J Francisco Saraiva de Sousa disse...

Papillon
Exacto: já tinhamos falado disso via email, suponho. Mas é triste ver a Internet, uma tecnologia interactiva, com grande potencial democrático, ser usada de modo feudal. Daí que a ficção e os jogos sejam medievais: o regresso de um imaginário feudal ou medieval, com adornos barrocos! :)

Aveugle.Papillon disse...

Espero, então, que diante da imagem sugerida por si, o Francisco n seja um D. Quixote... com imaginação e propósitos barrocos e com senso da realidade primitivo. :))

J Francisco Saraiva de Sousa disse...

Não sei se a percebi bem...
Acabo de descobrir uma obra que me ilumina o pensamento: começo a ver luz... A próxima investida pode ser contra a sociologia do conhecimento. Mas preciso resistir à abstracção... :)

J Francisco Saraiva de Sousa disse...

Curioso é que a li há muito tempo e pensei "que merde": agora ela regressa com uma mensagem que fui inconscientemente decifrando com os posts. Sou todo selvagem! :)))

J Francisco Saraiva de Sousa disse...

Aviso: Por lapso a definição da Generalidade 2 tinha sido omitida. Já foi corrigida e aproveitei o momento para acentuar aspectos comuns partilhados por Althusser, Popper e Kuhn, apesar das diferenças. A G2 coincide muito com o paradigma de Kuhn; a ruptura epistemológica leva a uma mudança de paradigmas ou revolução científica; a ciência começa por colocar problemas aos quais tenta responder mediante a formulação de hipóteses ou conjecturas sujeitas a testes cruciais (Popper), a problemática de Althusser, etc.

J Francisco Saraiva de Sousa disse...

Há ainda outro aspecto fundamental: Tanto Popper como Althusser criticam a teoria empirista do conhecimento. Popper afirmando o racionalismo crítico, opondo a teoria do holofote (racionalista e dedutiva) à teoria do balde mental (empirista e indutiva). Althusser, descartando a questão da origem do conhecimento, falando das "estruturas prévias" do conhecimento, os horizontes de Popper, como "sempre-já". Quer se queira ou não, sempre já estamos "invadidos" de conhecimentos ou envolvidos em problemáticas teóricas, os nossos limites.

Aveugle.Papillon disse...

"balde mental"... muito engraçado...:)))

sim, mas o problema assim apresentado, como notificação de um limite e suspensão da acção, isso é análise heideggeriana, n é?

J Francisco Saraiva de Sousa disse...

Um pouquinho de Heidegger, fica bem! Sim e Wittgenstein... :)