sábado, 5 de janeiro de 2008

Sex Drive e Diferenças de Género

Com este post, pretendo apresentar alguns indicadores comportamentais que revelam a existência de diferenças entre os homens e as mulheres no que se refere ao "sex drive". (Usarei esta expressão inglesa no masculino.) Como vou recorrer a muitos estudos empíricos, algumas largas dezenas, optei por não os referir neste post, de modo a torná-lo mais legível e, portanto, menos «académico».
Uso a expressão "sex drive" para referir a motivação sexual, geralmente dirigida à procura de actividade sexual e de prazer sexual. A capacidade sexual e o gozo sexual são outros dois conceitos associados: o primeiro é usado para referir o limite máximo de actividade sexual que cada indivíduo pode realizar, e o segundo, a quantidade de prazer que cada pessoa pode obter da actividade sexual. Como o "sex drive" pode ser melhor compreendido em termos da frequência e da intensidade do desejo, decidimos escolher alguns comportamentos, cognições e emoções, que, em conjunto, indicam motivação sexual.
1. Pensamentos, Fantasias e Excitação Espontânea. Os homens pensam mais em sexo do que as mulheres. As fantasias sexuais ocorrem com maior frequência nos homens do que nas mulheres. E os homens relatam mais excitação sexual espontânea do que as mulheres. Comparados com as mulheres, os homens pensam mais em sexo, relatam mais excitação sexual, e têm mais fantasias sexuais de diversos tipos, incluindo frequentemente sexo com diversos parceiros sexuais e envolvendo uma enorme variedade de actos sexuais. Estes dados mostram que os homens têm um elevado sex drive.
2. Frequência Desejada de Sexo. Os homens desejam ter sexo mais frequentemente do que as mulheres. E, se levarmos em conta a orientação sexual, verifica-se que os homens gay fazem mais sexo e com múltiplos parceiros sexuais, do que as lésbicas. Estes dados parecem indicar que os homens têm maior sex drive do que as mulheres, mesmo levando em conta a orientação sexual.
3. Número Desejado de Parceiros Sexuais. Os homens desejam e relatam significativamente mais parceiros sexuais do que as mulheres. Os estudos relatam a escassez de mulheres sexualmente promíscuas. Este desejo por parceiros múltiplos leva à actividade extramarital ou actividade extradiádica. Independentemente da orientação sexual, os homens relatam mais actividade extramarital, com parceiros múltiplos, do que as mulheres. Além disso, os homens são mais propensos a fazer sexo com pessoas (estranhas) que acabaram de conhecer. Os homens gay são, nestes comportamentos, muito mais hipermasculinos do que os homens heterossexuais e, nalguns estudos, relatam ter feito sexo com cerca de 500 parceiros sexuais diferentes.
4. Masturbação. As mulheres e as raparigas masturbam-se menos do que os homens e os rapazes. Estes dados mostram que os homens têm maior sex drive do que as mulheres e, por isso, masturbam-se com maior frequência.
5. Privação ou Descontinuidade Sexual. As mulheres adaptam-se mais facilmente a uma completa ausência de actividade sexual durante longos períodos de abstinência involuntária do que os homens. Estes são, portanto, mais relutantes a "passar sem sexo" do que as mulheres e, por isso, o seu sex drive parece ser mais elevado. O celibato entre mulheres católicas religiosas é melhor sucedido do que entre o clero. Com efeito, os homens católicos do clero relatam com frequência episódios de actividade sexual, e, se forem gays, essa frequência parece aumentar.
6. Emergência do Desejo Sexual. As raparigas iniciam a puberdade e alcançam a maturidade sexual mais cedo do que os rapazes. Apesar disso, os rapazes exibem interesse sexual e iniciam a actividade sexual mais cedo do que as raparigas, que começam a ter actividade sexual numa idade mais tardia. (Alguns homens homossexuais exibem um padrão feminino de puberdade.) Estes dados mostram que uma pessoa com elevado sex drive inicia a actividade sexual mais cedo do que uma pessoa com baixo sex drive. E também neste aspecto os homens revelam maior sex drive.
7. Procura versus Evitação, Iniciação versus Recusa. Uma pessoa com forte sex drive inicia e procura mais actividade sexual do que uma pessoa com fraco sex drive. As mulheres iniciam sexo menos frequentemente do que os homens, além de recusarem fazer sexo mais frequentemente que os homens. Porém, entre os homens, os gays são demasiado "fáceis" e disponíveis e, também aqui, exibem padrões hipermasculinos.
8. Preferência por Várias Práticas Sexuais. Uma pessoa com elevado sex drive pode desejar envolver-se num conjunto mais diverso de práticas sexuais do que uma pessoa com fraco sex drive. As mulheres sentem apelo por poucas práticas sexuais, ao contrário dos homens que desejam experimentar um vasto conjunto de práticas sexuais, tais como ver o parceiro despir-se, receber sexo oral ou mesmo a estimulação do ânus com o dedo. Além disso, os homens sentem um maior apelo por todas as parafilias do que as mulheres, que parecem ser pouco atraídas pela prática de sexo oral. Muitas realizam-na mais por obrigação do que por desejo sexual genuíno.
9. Sacrifício de Recursos para Ter Sexo. Uma pessoa com elevado sex drive sacrifica mais recursos para obter gratificação sexual do que uma pessoa com fraco sex drive. Os homens sacrificam mais recursos do que as mulheres para obter gratificação sexual. Compram mais produtos sexuais, consomem mais pornografia e filmes e revistas eróticos e põem mais frequentemente o seu casamento em risco, devido ao seu desejo de terem sexo extraconjugal, e recorrem mais aos anúncios íntimos. Os homens homossexuais tendem a exibir nestes aspectos comportamentais padrões hipermasculinos.
10. Atitudes Favoráveis em Relação ao Sexo. As mulheres exibem atitudes menos permissivas em relação ao sexo do que os homens. Em geral, são mais críticas em relação à promiscuidade sexual, ao sexo pré-marital, ao sexo extramarital e a diversas outras actividades sexuais, embora sejam mais tolerantes em relação à homossexualidade do que os homens heterossexuais. Criticam severamente a pornografia e exibem atitudes menos favoráveis em relação aos órgãos sexuais do que os homens, os quais não só admiram os seus pénis, como também falam das vaginas das suas companheiras.
11. Prevalência de Baixo Desejo Sexual. As mulheres exibem mais disfunções sexuais do que os homens, o que parece mostrar que estes têm maior sex drive do que elas, que relatam ausência séria ou patológica de desejo sexual, incluindo a perturbação de desejo sexual hipoactivo (APA). A maior parte dos conflitos e dos problemas vividos pelos casais é devida à ausência de desejo sexual das mulheres.
12. Auto-Avaliação do Sex Drive. As mulheres avaliam (e falam) as suas actividades sexuais menos frequentemente do que os homens. Como se trata de uma dimensão muito complexa de expor, preferimos não acrescentar mais detalhes sobre este comportamento.
Conclusão: Em todas estas 12 medidas, os homens têm um maior sex drive do que as mulheres. Falta explicar estas diferenças, mas, dado já ser tarde, direi apenas que a explicação biológica tende a explicá-las pelos níveis de testosterona no sangue ou sanguínea. Como os níveis de testosterona são maiores nos homens do que nas mulheres, o seu elevado sex drive pode ser explicado por esses elevados níveis de testosterona. Esta explicação recebe suporte empírico dos estudos de populações clínicas, dos transexuais e dos homossexuais masculinos e femininos. Todos estes estudos mostram que elevados níveis de testosterona estão associados a elevado sex drive. Contudo, outros estudos mostram que o papel da biologia pode ser moderado por factores sociais, mais no caso das mulheres do que no caso dos homens. O papel dos factores culturais também não deve ser desprezado.
J Francisco Saraiva de Sousa

18 comentários:

Aveugle.Papillon disse...

N há nada para comentar aqui. E a minha opinião já a sabe: estes estudos n revelam a verdadeira natureza das mulheres, porquanto elas continuam na sua viagem de libertação... Mas há países que já se esforçam por demonstrar os preconceitos científicos que assinala, como é o caso da Holanda. :))

Manuel Rocha disse...

Bem...estite eu a espremer a imaginação para uma sugestão de post sobre os média e a democracia e eis o resultado...::)).

Sobre o post, acho que devia começar onde acaba.

Explico-me.

Os estudos que conduzem a estes resultados nunca irão conseguir ultrapassar as barreiras comportamentais de indução cultural. Para o homem de várias culturas, falar da sua sex drive é sinal de masculinidade (mas sabemos que os cães que ladram muito nem sempre mordem...), para as mulheres ( ainda ) não parece ser por aí que se afirmam.

Em qualquer caso, obrigado por me ter feito rir com gosto logo de manhã.

Aveugle.Papillon disse...

Queria só fazer um post-scriptum, visto ter lido com mais atenção: os pontos 1, 2, 3, 4, 6 e 8 são os mais desfasados da realidade, em particular o 8. E o 12 é muito curioso, porque por um lado parece-me que as mulheres falam muito mais de sexo que os homens, basta sociabilizar muito com elas para perceber, e, por exemplo, a quantidade de blogs de mulheres que relatam as suas experiências sexuais é incomparavelmente maior que a dos homens... Por outro lado, se falassem todas talvez os pontos supracitados tornar-se-iam mais claros.

J Francisco Saraiva de Sousa disse...

Não neguei a interferência de factores culturais ou mesmo étnicos. Os estudos não foram referidos na sua complexidade intrínseca. Mas muitos deles são extremamente válidos e contam com mulheres nas suas equipas de investigação. Estes resultados são consensuais e incluem estudos de diversa natureza, incluindo estudos interculturais.
Concordo com a Papillon quando diz que as mulheres actualmente são mais livres. Até podem ter uma fase de experimentação sexual com múltiplos parceiros mais precoce e prolongada, mas geralmente são menos promíscuas do que os homens. O que parece ser nem sempre é!
M. Rocha: tenho diversos posts sobre comunicação editados neste e noutros blogues meus. A teoria marxista da comunicação mais dominante é a da indústria cultural de Adorno E Horkheimer. Investiguei os homens e as mulheres: alguns ladram mas os demais fazem sex.
Num estudo editado parcialmente no "NeuroFilosofia" mostro a partir da análise comparada de 4 léxicos eróticos masculinos alguns destes indicadores aqui apontados. Os homens falam mais dos seus atributos sexuais do que as mulheres, que nem um léxico erótico autónomo possuem. Podem fazê-lo mas será sempre a partir dos masculinos existentes desde a poesia clássica que a Papillon deve conhecer bem (grega e romana).
Muitos estudos eram da Holanda. Devo dizer que estudos recentes realizados nos países do Norte da Europa mostram que os casais actuais prezam muito mais a fidelidade conjugal.
Abraço
PS: Mas prometo voltar à comunicação. :)

J Francisco Saraiva de Sousa disse...

Mais uma nota: Muitas vezes estes estudos são criticados pela sua suposta orientação anti-feminista, como se fossem contrários à libertação das mulheres. Esta crítica é falsa. Muitos deles foram e são feitos por mulheres livres e competentes.
Estes estudos levam em conta que nós humanos somos mamíferos: a nossa herança filogenética. Contudo, mostram que homens e mulheres são diferentes. E, em termos médicos (por ex.), essas diferenças podem reflectir-se em tratamentos diferentes. Igualdade de oportunidades é uma coisa diferente de "igualdade imposta de cima". Podemos fazer uma leitura política: se o governo decidir impor uma lei que diga que em qualquer instituição metade dos funcionários deve ser masculina, e a outra, feminina, esta medida será justa? Não..., evidentemente. :)

J Francisco Saraiva de Sousa disse...

Papillon: o ponto 8 merece-lhe reservas? Não percebo: os homens desejam maior variedade de actos sexuais que as mulheres e as parafilias são mais masculinas. Porém, também existem mulheres que abusam sexualmente de crianças. Talvez um dia fale disso. Mas pense: a terminologia é sempre usada no masculino e só muito recentemente se procura inventar termos para serem aplicados às mulheres. :))

J Francisco Saraiva de Sousa disse...

Ok: estou a ser penalizado por ser mais anglófono e anglófilo. :(

J Francisco Saraiva de Sousa disse...

Manuel Rocha:

Estou a pensar apresentar um post sobre comunicação que leva em conta estas diferenças de género. Também neste domínio existem estudos de género muito bons e muitos de orientação marxista.
Abraço

J Francisco Saraiva de Sousa disse...

Para que a Papillon não fique triste comigo devo dizer que as mulheres têm muito maior capacidade sexual que os homens, porque, devido à estrutura biológica dos seus órgãos sexuais, podem copular com mais parceiros consecutivos que os homens, podem copular por longos períodos de tempo e podem ter mais orgasmos durante uma mera sessão única que os homens, com o seu período refractário após uma mera ejaculação. Além disso, são mais afectivas e a sua sexualidade é mais moldável social e culturalmente do que a de género masculino. PAZ!

Aveugle.Papillon disse...

As mulheres sentem apelo por poucas práticas sexuais, ao contrário dos homens que desejam experimentar um vasto conjunto de práticas sexuais, tais como ver o parceiro despir-se, receber sexo oral ou mesmo a estimulação do ânus com o dedo. Além disso, os homens sentem um maior apelo por todas as parafilias do que as mulheres, que parecem ser pouco atraídas pela prática de sexo oral. Muitas realizam-na mais por obrigação do que por desejo sexual genuíno.

É claro que o ponto 8 merece reservas. As mulheres têm estas práticas, tanto ou mais que os homens. Quem receber sexo oral por "obrigação" tem que estar perturbado psicologicamente ou sexualmente.

Eu n estou triste consigo e n precisa de me exemplificar que as mulheres tb vivem sexualmente.

J Francisco Saraiva de Sousa disse...

Ah... As práticas sexuais referem-se aqui à diversidade de actos sexuais e, nesse aspecto, a média das mulheres dizem (são elas que dizem) que não gostam de as fazer: fazer sexo oral nos parceiros, ser penetradas analmente, assistir a filmes porno durante o sexo, etc. Deve ver estesresultados em termos de média: existem valores acima e abaixo das médias. :)

J Francisco Saraiva de Sousa disse...

Papillon

São estudos realizados: as mulheres e os homens responderam desse modo e muitos deles usam outras metodologias para avaliar a excitação sexual, nomeadamente falometria, ressonância mágnética funcional, para além dos questionários e das escalas. O que escrevi não é uma opinião minha, mas resultados de estudos empíricos. :)

Aveugle.Papillon disse...

Eu sei q n é uma opinião sua, mas por acaso seria interessante haver uma reflexão sobre os dados, uma responsabilidade sobre os mesmos.

But... whatever! A borboleta oficialmente demite-se de tecer comentários sobre textos que tenham "sex"/"sexo"/"género" inscritos. São e seriam palavras vãs.

J Francisco Saraiva de Sousa disse...

Por isso, os referi. Sempre pode fazer essa reflexão. Eu não vejo nenhum problema: preocupa-me mais os efeitos nefastos de certos comportamentos. E tenho referido isso aqui. :)

J Francisco Saraiva de Sousa disse...

ok. Então não leia um post onde vou expor mais "notas sobre sadomasoquismo". :(

Alvorada disse...

upps...estarei a mais ?!

Rápidamente: cheguei aqui depois de passar pelo excelente Bolinas, no rasto de um comentário seu.

Agradam-me o que vejo e regressarei com mais tempo.

Desculpem se interrompi algo...

( risos...)

Maria

J Francisco Saraiva de Sousa disse...

Bem-vinda Maria

Não interrompeu nada. Já vi o seu blogue e gostei. :))

J Francisco Saraiva de Sousa disse...

Mas, como pode imaginar, vi muita pornografia: revistas, jornais, filmes, TV e Internet. Além disso, fotografei sessões de sexo de todos os tipos. Talvez possa ir falando desses assuntos em próximos posts.