quinta-feira, 10 de janeiro de 2008

Ecologia Profunda e Política

O racionalismo cartesiano é alvo da animosidade do discurso ecológico contemporâneo, em particular da Ecologia Profunda elaborada por E. Goldsmith.
A ecologia profunda considera que o paradigma económico e o paradigma científico reflectem a mesma concepção do mundo: a concepção modernista do mundo (Heidegger), tematizada, pela primeira vez, de um modo explícito e teoricamente elaborado, por Descartes (Veja DESCARTES: Dominação e Revolta da Natureza e Fisiologia Cartesiana).
A metafísica cartesiana estabelece uma «distinção totalmente artificial» entre duas substâncias – a res cogitans e a res extensa, com o propósito de «proporcionar à ciência uma esfera de influência» crescente, liberta «dos grilhões com que a teologia a mantinha aprisionada». Reconhecer a substancialidade do corpo significa, em primeiro lugar, para Descartes, tornar possível a consideração e o estudo do corpo como tal, sem qualquer referência à alma ou aos seus atributos. A substância corpórea, quer seja o corpo humano, quer seja o corpo natural, tem um único atributo fundamental – a extensão em comprimento, largura e profundidade. Este é o resultado da abstracção pela qual se eliminam da natureza todas as suas qualidades e propriedades, reduzindo-as à extensão, o único atributo susceptível de ser inteiramente quantificado.
Muito antes de Descartes, Galileu tinha estabelecido como princípio que «só era real o que era quantificável, sendo assim o não quantificável excluído do domínio da ciência. A nova filosofia da natureza concebida por Descartes e por Galileu anunciava a ideia newtoniana segundo a qual a natureza consiste em átomos de matéria em movimento no tempo e no espaço. Isolar as características da matéria em movimento, que podem ser medidas e ligadas entre si por leis matemáticas, era compreender o funcionamento da natureza. O próprio Descartes dizia que se lhe dessem a extensão e o tempo, poderia construir o universo». A redução da natureza à extensão permitiu que Descartes pudesse «ver o mundo como uma imensa máquina – tese mecanicista que ainda hoje justifica a ciência moderna e que constitui a base racionalizadora do desenvolvimento económico e da industrialização».
A ecologia profunda capta um aspecto fundamental da teoria crítica da natureza: a crítica da racionalidade instrumental (Horkheimer & Adorno; Gadamer) é inseparável da crítica da economia de mercado generalizada, do seu sistema burocrático e da sua ideologia do crescimento económico infinito ou, como se diz no momento presente, da sua «ideologia de mercado» (Ricoeur). O programa racionalista é denunciado, a partir deste princípio, como uma legitimação ideológica do sistema económico capitalista, responsável pela degradação e destruição da natureza, levadas a efeito em nome do progresso e do bem-estar do homem. A concepção modernista do mundo que corporifica assenta em duas crenças fundamentais:
1) a crença «de que todos os benefícios e, por conseguinte, os nossos bem-estar e riqueza verdadeira são antropogénicos; por outras palavras: produtos das ciências, da técnica e da indústria e, por isso, também do desenvolvimento económico que as alimenta: os benefícios inestimáveis proporcionados em tempo normal pela ecosfera – um clima estável e clemente, solos férteis e água pura, coisas sem as quais não há vida possível – são totalmente silenciados ou considerados como sem valor»;
2) a crença de que, «para a maximização de qualquer benefício, e portanto dos nossos bem-estar e riqueza, é preciso maximizarmos o desenvolvimento económico».
Ao impedir a compreensão das nossas relações com a natureza e a nossa adaptação a ela de maneira a aumentarmos ao máximo o nosso bem-estar e as nossas verdadeiras riquezas, a concepção modernista serve para «legitimar o desenvolvimento económico ou “progresso” – comportamento que, precisamente, nos leva à destruição do mundo natural, com as conhecidas consequências: pobreza, desnutrição, infelicidade humana generalizada».
A Ecologia Profunda de E. Goldsmith é, em última análise, uma crítica da economia de mercado globalizada e da sua racionalidade funcional, que, rejeitando a abordagem mecanicista e tecnomorfa dos diversos ecossistemas que constituem a ecoesfera, procura libertar a natureza da exploração técnica e económica a que tem sido submetida, de modo a conservar a sua ordem específica e a sua estabilidade. Para isso, propõe uma visão ecológica do mundo, assente em dois princípios fundamentais:
1) «O primeiro afirma que o mundo vivo, ou ecosfera, é a fonte original de todos os benefícios e de toda a riqueza, mas que só nos dispensará os seus benefícios na condição de preservarmos a sua ordem específica».
2) O segundo princípio diz que «o alvo supremo do comportamento numa sociedade ecológica deve ser a preservação da ordem do mundo natural ou do cosmos», tal como este surge aos olhos dos povos vernaculares.
A hipótese Gaia – elaborada por James Lovelock, com a preciosa colaboração de Lynn Margulis – é essencial para a construção desta nova visão ecológica do mundo, na medida em que, ao desmentir cabalmente o mecanicismo cartesiano, recupera uma velha noção de natureza incompatível com a sua dominação. De acordo com esta hipótese, «toda a variedade de matéria viva na Terra, das baleias aos vírus, dos carvalhos às algas, poderia ser encarada como constituindo uma única entidade viva, capaz de levar a atmosfera da Terra a adequar-se às necessidades gerais e dotada de faculdades e poderes superiores aos das suas partes constituintes»
. Assim, Lovelock define «Gaia como uma entidade complexa que abrange a biosfera, a atmosfera, os oceanos e o solo da Terra; na sua totalidade, constituem um sistema cibernético ou de realimentação que procura um meio físico e químico óptimo para a vida neste planeta». A concepção da natureza como um organismo vivo é assim a negação do mecanicismo e da sua lógica da dominação (Marcuse).
Condenando o crescimento económico e a ideia de progresso infinito que lhe é subjacente, E. Goldsmith profetiza um Novo Caminho ou, se quisermos, uma nova política do ambiente: o regresso à natureza, à harmonia e à co-adaptação entre homem e natureza, tal como se verifica nas sociedades vernaculares. O Caminho é o contrário do Progresso: segui-lo é conservar e manter a ordem específica e a estabilidade da ecosfera. O Progresso é, pelo contrário, o falso Caminho, na medida em que perturba a ordem específica e reduz a estabilidade dos diversos sistemas naturais que compõem a ecosfera. O progresso é inegavelmente destruição, mas, como observa M. Horkheimer, o regresso à natureza seria ainda mais terrível:
«Somos os herdeiros, para melhor ou para pior, do Iluminismo e do progresso tecnológico. Opor-se aos mesmos por um regresso a estágios mais primitivos não alivia a crise permanente que deles resultou. Pelo contrário, tais expedientes conduzem-nos do que é historicamente racional às formas mais horrendamente bárbaras de dominação social. O único meio de auxiliar a natureza é libertar o seu pretenso opositor, o pensamento independente»
.
A visão ecológica do mundo não se conforma «com o paradigma das ciências»
. Ao conhecimento científico opõe uma nova ecologia, definida, de modo provocante, como uma ecologia holística, una, qualitativa, subjectiva, teleológica, inata, inefável, enfim, como uma fé – «uma fé na sabedoria das forças que criaram o mundo natural e o cosmos de que fazemos parte; uma fé na sua capacidade de nos proporcionar benefícios […] vitais para a satisfação das nossas necessidades decisivas; uma fé na nossa capacidade para desenvolvermos esquemas culturais que nos permitam preservar o que resta da integridade e da estabilidade do mundo natural».
Minar a fé no programa racionalista (Ernest Gellner) e substituí-la por uma fé no projecto ecológico é uma tarefa eminentemente prática, portanto, política, só possível mediante a sedução de indivíduos rebeldes que desejam alternar entre sistemas de significado lógica e cognitivamente contraditórios. Ciente desta dificuldade, J. Lovelock define, desde logo, o perfil psicológico e cognitivo dos seus «destinatários»:
«A hipótese de Gaia destina-se a quem gostar de caminhar ou simplesmente ficar a observar, a magicar sobre as consequências da nossa experiência nela. É como um alternativa àquela perspectiva pessimista que vê a natureza como uma força primitiva a subjugar e a conquistar. É também uma alternativa àquela imagem igualmente deprimente no nosso planeta como uma nave espacial demente em viagem contínua, sem condutor nem objectivo, em torno de um círculo interior do Sol»
.
De um modo mais radical e desesperado, a aceitação da ecologia profunda de E. Goldsmith exige «o abandono do próprio paradigma científico e da concepção modernista do mundo que é o seu fiel reflexo: ambos devem ser substituídos pela concepção ecológica do mundo»
. Esta substituição implica uma conversão, de cariz religioso, na medida em que «acarreta uma profunda reorganização do saber que forma a nossa visão do mundo». Diante da catástrofe ecológica que se adivinha, o homem terá que escolher, sob pena de morrer juntamente com o planeta, entre a utopia ou a morte, para usar os termos de R. Dumont.
Em face desta revolta da natureza contra a sua instrumentalização, as ciências biomédicas e a eco-filosofia respondem com uma nova concepção da natureza, da ciência e do homem, fundada em novos pressupostos metafísicos, éticos e estéticos (Herbert Marcuse). Mergulhada num horizonte instrumental que a usa como instrumento para garantir o crescimento económico e o controle social, a ciência moderna tem sido até hoje um saber de dominação (Max Scheler). De acordo com o «procedimento normal» instituído pelas grandes empresas capitalistas, conhecemos algo na medida em que podemos dominá-lo e compreendemos algo quando o «apreendemos» (Heidegger). Definimos os objectos mediante conceitos científicos e, com o recurso às definições operacionais, determinamos objectos e fazemo-los identificáveis, em função dos imperativos das grandes empresas económicas que subsidiam os projectos de investigação científica. Tendo como objectivo reconciliar o homem com a natureza, a síntese ecológica moderna não quer conhecer para dominar; em vez disso, deseja conhecer para participar na conservação da natureza maltratada pelo agir instrumental (Habermas). O conhecimento ecológico cria comunhão, cooperação e convivencialidade (Ivan Illich). A designação mais adequada a dar-lhe seria, talvez, por oposição ao saber de domínio, saber de comunhão (Max Scheler).
A biologia conservacionista, tal como a estabelece E. Wilson, aliando-se à nova consciência ecológica que emerge por todas as partes do planeta e querendo reforçá-la, não se inibe em propor uma ética do ambiente, na qual a natureza, além de ser amada como se ama a uma Mãe (biofilia), passa a ser perspectivada como Sujeito: «Uma ética ambiental duradoura almejará preservar não apenas a saúde, o bem-estar e a liberdade da nossa espécie, mas também o acesso ao mundo em que o espírito humano nasceu»
. Se a comunhão ecológica planetária conseguir inverter o crescimento económico capitalista, então a natureza estará aí, não para ser dominada, mas sim para ser conservada, amada e glorificada como a Terra sem a qual não seríamos nada.
No início do século XX, Edward Münch escreveu:
«Eu ia pela estrada fora com dois amigos. Era o pôr do Sol. Invadia-me a melancolia. De súbito o Sol ficou vermelho de sangue. Parei e encostei-me à sebe, morto de cansaço, e olhei para as nuvens chamejantes que pendiam como sangue e uma espada sobre o fiorde azul escuro e sobre a cidade. Os meus amigos continuavam a caminhar. Eu fiquei ali tremendo de medo. E ouvi um grito alto e prolongado que atravessava a natureza»
.
Tal como Edward Münch, também nós devemos estar a interrogar-nos: De quem seria aquele grito que ainda hoje se ouve? É o grito de uma parturiente que está a ser devorada por dentro pelos seus próprios filhos. Gaia não é um mecanismo: Gaia é a matriz da biodiversidade e da vida, cujo sofrimento é colocado em linguagem pela teoria crítica da natureza.
J Francisco Saraiva de Sousa

25 comentários:

Manuel Rocha disse...

"Rasparta-o", Francisco :)

Não sabe fazer posts mais curtos ?!

Pagam-lhe a metro ?!

:)

E agora começo por onde ??

A recensão está óptima. Mas tenho divergências relativamente a algumas derivas.

Uma delas é a que bebe directamente da mitologia do paraíso ( Gaia ), onde a ordem impera e a conflitualidade não tem lugar. Tenho da natureza a ideia de uma conflitualidade permanente que se dilui na nossa percepção graças à formidável escala do tempo em que ocorrem...
Desta decorre uma outra, a deriva conservacionista, segundo a qual há quem pense que "metendo um pausinho" em certas engrenagens se travam os mecanismos geológicos, do clima....por aí....
Haverá na minha "rebeldia ecológica" uma outra dimensão que escapa aos estereótipos que passa em revista, a de que há racionalidades possiveis na gestão de determinadas lógicas de "dominação" inerentes ao estatuto de qualquer espécie viva.
Ou seja, não sou "neo-verde" ( ver o Manifesto anti-neo-verde que tenho lá no meu canto :)) !

E faça obséquio de não me responder com outro post...:)

J Francisco Saraiva de Sousa disse...

Compreendo a sua perspectiva da repartição, mas depois fico confuso, embora saiba que os posts devam ser mais pequenos.
Não aceito completamente a hipótese Gaia, mas também não a recuso, porque aponta no sentido de uma "medicina do ambiente". Pelo menos, pode ajudar a criar uma nova sensibilidade que, na peugada de Marcuse, digo ser rebelde.
Actualmente, alguns filósofos, em particular americanos, começam a recuperar a filosofia da natureza, e alguns falam mesmo de uma ética ambiental ou mesmo animal. Contudo, os alemães dizem que os animais não são parceiros de diálogo e, portanto, não lhes podemos "imputar responsabilidades". Mas o mesmo se passa com as crianças e já existem os "direitos da criança". Uma questão ética que deve ser repensada.
A visão da natureza como fonte de matérias-primas, em que assenta a dominação, deve ser destruída, porque implica também a noção extraterrestre de homem. Ora, estamos juntos: homem, natureza e os outros. :)))

J Francisco Saraiva de Sousa disse...

Vou editar post sobre a cultura e percepção repartidos... :)))

J Francisco Saraiva de Sousa disse...

Wilson, além de ser um dos pais da sociobiologia, é um defensor da biodiversidade e o seu contributo para a biologia conservacionista é fabuloso.
Todos sabemos que a geologia nos transcende, como diz, mas devemos ser mais cuidadosos e ecológicos e biófilos, como diz Wilson.

Manuel Rocha disse...

Absolutamente !

Tudo depende de algum bom senso e de uma visão macroscópica ( Rosnay ) destas dinâmicas. Schumaker ( Small is Beutifull )há muito que deu um optimo contributo para esta análise senda do Relatório Meadows e do Padre Fevebre ( IRFED).

Gostei que tivesse ido buscar Illich, um profeta do nosso tempo quase esquecido.

Soljenitzin tb tem alguns excelentes apontamentos sobre estas matérias, sobretudo na abordagem da auto-limitação como dimensão ética essencial a uma interacção mais equilibrada com o o que nos rodeia.

J Francisco Saraiva de Sousa disse...

Tenho pensado numa política de Esquerda para o ambiente ou políticas, como prefere dizer, para além da reciclagem ou dos seus 3 R's. Mas o assunto é complexo...
O capitalismo quer elevada natalidade, logo muitos consumidores, mas Lorenz tem razão quando fala da ameaça do excesso populacional. O problema não é a Europa mas a China e outros continentes: as economias emergentes têm custos ambientais elevados...

Manuel Rocha disse...

Tenho andado a tentar produzir um post sobre o erre do meio ( reutilizar), mas falar dele sem abordar os conceitos de utilidade e necessidade é complicado...bem que me podia dar uma ajuda tratando você desse aspecto :)

Já Malthus fez contas, com progressões geométricas, à dinâmica populacional, mas parece que as variáveis que condicionam a reprodução escapam ( como muitas outras ) a previsões de longo prazo :)
Aparentemente a abundância entre os humanos do nosso tempo não leva a crescimentos populacionais...

Do post inicial apreciei uma outra questão, a que tem a ver com um certo cientismo na leitura do mundo e que se alheia de um sentido devir ...

J Francisco Saraiva de Sousa disse...

Esse devir de que fala, embora presente no pensamento desde Heráclito, é difícil de apreender, porque o nosso cérebro (masculino)está "encharcado" de testosterona: arranjamos sempre qualquer estratagema para domesticar a mudança...
Escreva o post: o assunto é pertinente e, se puder, ajudo-o...

J Francisco Saraiva de Sousa disse...

Um autor que o deve ajudar é Veblen, porque me lembro de ter lido num post seu sobre o desperdício, mais precisamente o consumo conspícuo, mas ele já foi integrado nos cálculos económicos capitalistas. Mas podemos libertá-lo dessa prisão economicista :)

Manuel Rocha disse...

:)

Por sinal sempre esperei que a chegada das mulheres ao poder alterasse a abordagem da governança, trazendo-lhe uma sensibilidade que falta no pragmatismo autista de que o género masculino abusa para resolver as coisas. Mas ou as que lá chegaram tb têm testosterona em excesso ou então ...não sei explicar..

:))

Pode ser que a Papillon tenha alguma explicação para este fenómeno... :))

J Francisco Saraiva de Sousa disse...

Aguardemos pela Papillon :))

J Francisco Saraiva de Sousa disse...

A Papillon diz que resposta foi ada aqui:
"Esse devir de que fala, embora presente no pensamento desde Heráclito, é difícil de apreender, porque o nosso cérebro (masculino)está "encharcado" de testosterona: arranjamos sempre qualquer estratagema para domesticar a mudança..." :)

Manuel Rocha disse...

Portanto o fenómeno é unisexo...ok !!

:))

Quando tiver tempo e disposição agradeço que passe pelo meu canto e leve a faca afiada sff...

:))

Aveugle.Papillon disse...

N é preciso falar por mim, Sr. Falocrático-ansioso!

O que o Manuel sugere é uma impossibilidade, como já lhe dito na casa de Hípias. :) A potência e linguagem da mulher n é política e nunca será, por isso mesmo as que surgem no poder, não são femininas. A potência da mulher é a do afecto, virtualmente infinita, ao passo que o homem veste-se do seu fato empedernido de virilidade. O exercício de dominação é um exclusivo masculino. O poder é rígido, a mulher é plástica, daí que Nietzsche tivesse dito: se fores ter com uma mulher leva o chicote... :)

J Francisco Saraiva de Sousa disse...

Hummmm... chicote? :)
Foi o Manuel que a nomeou, primeiro, e estavamos à espera do seu comentário. Concordo. :)))

Aveugle.Papillon disse...

Sim, é isso que Nietzsche quer dizer com essa frase. Ele reconhece a natureza indómita da mulher. Obviamente que n estava a falar literalmente, até porque Nietzsche, qual Diónisos encarnado, desejou sempre a sua Ariadne... que nunca teve. :)

Manuel Rocha disse...

Hipias-Mulher-Maior,
Mui Nobre e Gentil Senhora:

Sois lúcida, clara e assertiva !! Mas não nos haveis esclarecido sobre o tempo e o modo em que tão ilustres senhoras poderosas incorporarm tão malévola rigidez masculina !!


Além disso sois possuidora de inominável-corrosiva-poção-de-humor!!
"Falocrático-ansioso" D. Francisco ?! Essa foi de antologia !!!

AHAHAH!!!

Francisco, cuide-se, cuide-se....

J Francisco Saraiva de Sousa disse...

Manuel
Entenda bem o meu repensar o fascismo: trata-se de controlar a economia e ver os aspectos comuns às duas conjunturas... Durabilidade do mundo!!!
A Papillon é companheira de viagem. :)

Aveugle.Papillon disse...

Manuel, a potência da mulher n é boa nem má, é amoral. Pode ser, obviamente, deformada pela força masculina, a dela e a de todos os grupos minoritários - no sentido em que n se encontram no poder institucionalizado, cristalizado. Os homens podem tocar a energia feminina, serem mulheres de certa forma, se assim o quiserem, e dessa maneira renovarem-se, engradecerem-se criativamente. Os grandes homens fazem-no.

Aveugle.Papillon disse...

http://hipias-maior.blogspot.com/2007/07/uma-mulher-de-todos-e-de-ningum.html

Manuel Rocha disse...

La Passionária, pressupuesto...
:))

Entendi perfeitamente e concordo !
Participei no pós 25 de Abril no grupo de trabalho que o Dr Soares encarregou de relançar os então famigerados planos de fomento dos governos Salazaristas. O grupo era liderado pela Manuela Silva, e os resultados foram devidamente engavetados :))

Curioso que a esquerda democrática aqui de serviço elogie as performances dos nuestros hermanos quando eles se limitaram na transição democrática a manter o funcionamento económico do Franquismo, mas isso são as outras estórias...

Acho que básicamente convergimos em que não há como instalar dinâmicas de "ecologia profunda" com "menos estado", certo ?

Aveugle.Papillon disse...

Só agora li o seu texto, Francisco e adorei, sobretudo a última parte que é um hino à natureza pela urgência do nosso reencontro com ela, na sua essência, como um fim. Talvez haja e subsista uma sabedoria distinta da ciência, veraz e directriz... :)

J Francisco Saraiva de Sousa disse...

Menos mas mais racional e interveniente Estado: a nossa economia deve aprender a gerar emprego e lucro. (A dimensão do Estado tb depende disto...)
Mas não defendo nenhum regresso atrás: algumas medidas económicas e visões podem ser hoje úteis. Sim, a Espanha foi mais prudente.

J Francisco Saraiva de Sousa disse...

Oi Papillon
Fico feliz por ter gostado da "mãe natureza". Obrigado. Mas ainda não tenho alternativa clara, mas acarinho a filosofia da natureza. :)))

J Francisco Saraiva de Sousa disse...

Manuel Rocha

Compreendi agora a sua distinção entre necessidades e utilidade. Marcuse retomou essa teoria das necessidades a partir do jovem-Marx, tentando rejeitar o utilitarismo. Em termos teóricos, podemos repensar esses conceitos, mas o capitalismo sabe assimilar os novos "axiomas"... :)