terça-feira, 18 de maio de 2010

Prós e Contras: Medidas Dolorosas

O Debate Prós e Contras de ontem (17 de Maio) foi uma terrível desilusão: José Vieira da Silva (Ministro da Economia), Basílio Horta (AICEP), António Nogueira Leite (PSD) e Octávio Teixeira (PCP) conversaram sobre o Plano de Austeridade acordado entre o PS e o PSD sem terem problematizado a própria natureza das medidas e o futuro de Portugal. Nos últimos 30 anos, os governos do PSD e do PS têm imposto sacríficios aos portugueses em nome de um futuro constantemente adiado: a modernização das infra-estruturas e a introdução de tecnologia sofisticada não produziram desenvolvimento económico e cultural, porque Portugal não se tornou real, subjectiva e objectivamente um país mais rico; a alma dos portugueses foi raptada e o que resta dela mergulhou na depressão profunda. O Plano de Austeridade pode ser expresso deste modo: Eles - as classes dirigentes nacionais - querem o nosso dinheiro - o dinheiro dos portugueses de ontem, de hoje e de amanhã. Para quê? Para «financiar» os seus próprios erros de governação. Portugal pode ter - não estou seguro disso - qualidade de mão-de-obra, como disse Basílio Horta, mas carece de políticos e de gestores competentes: o trabalho dos políticos e dos gestores portugueses é trabalho não qualificado, e eles próprios reconhecem a sua incompetência quando saúdam a perda da soberania nacional. Portugal é, neste momento, governado do exterior: a nossa lider é Angela Merkel e não José Sócrates. O realismo germânico livrou-nos do optimismo socratino: o país está realmente desorientado, deprimido, agressivo e falido. A Europa do Sul - Grécia, Portugal, Espanha e Itália - é profundamente corrupta, mafiosa e, sobretudo, culpada pela sua própria humilhação nos mercados financeiros: os alemães não querem - e com razão - sustentar a irresponsabilidade política e os delírios de grandeza dos chulecos do Sul que desistiram de pensar como seres humanos.
Lisboa nunca soube governar Portugal, preferindo comportar-se como uma chula, ou melhor, como uma prostituta velha, feia e gorda. Primeiro, chulou as colónias em fases sucessivas de oportunidades reais de desenvolvimento económico desperdiçadas, e, depois de ter perdido o império colonial, começou a chular o resto do país, até que finalmente, com a entrada na União Europeia e na zona Euro, alimentou a ilusão néscia de que a Europa iria financiar os seus sonhos de grandeza: o resultado desta ilusão tipicamente lisboeta foi a destruição do tecido produtivo e o endividamento externo de Portugal que nos coloca - a todos os portugueses, porque Lisboa só se lembra de nós na hora do aperto - à mercê da gula especulativa dos mercados financeiros. Os projectos de investimento público deste governo são absolutamente chocantes (Nogueira Leite) e irracionais. Vieira da Silva referiu a educação como indicador da modernização do país pós-25 de Abril, mas a irracionalidade económica das obras públicas planeadas desmente-o cabalmente: o sistema de educação diplomou atrasados mentais de tal calibre que Portugal já não tem futuro. Lisboa repete os mesmos erros de sempre e teima em investir em si mesma e na sua região - a construção do TGV Lisboa-Madrid para passageiros falidos, do Novo Aeroporto para os credores internacionais que nos governam, da Terceira Travessia do Tejo para entupir e eclipsar Lisboa, e da Auto-Estrada Sines-Beja (Basílio Horta), continuando a endividar o país, a hipotecar o destino de todos os portugueses - e não tanto o dos seus beneficiários sulistas - e a não produzir riqueza e emprego estrutural: a capital asteca sem dinheiro empobrece o país para realizar o seu sonho de grandeza saloia, improdutiva e néscia. O desenvolvimento improdutivo de Lisboa mergulha o país na miséria e na pobreza, roubando-lhe a alma e exilando-o na pátria. Eu estou cansado desta mediocridade nacional. Não vale a pena sonhar Portugal, porque não temos futuro enquanto não tivermos coragem para desmantelar a rede de corrupção que preside aos nossos destinos. Mas de uma coisa estou certo: os recentes sacrifícios - sujeitos a ser continuamente agravados -, acordados entre o PS e o PSD, irão ser - mais uma vez - EM VÃO. Sacrifícios em vão são política terrorista: Lisboa - a capital do endividamento externo - é o terror de Portugal, que um bando de adeptos anormais do Benfica materializa na prática de apedrejamento - impune!!! - das pessoas do Norte e dos seus bens. O Norte possui todos os elementos para fazer o diagnóstico e encontrar o tratamento adequado: a autodeterminação.
J Francisco Saraiva de Sousa

21 comentários:

J Francisco Saraiva de Sousa disse...

Há outro factor estrutural de atraso que ressalta desta crise: o mundo não pode ser governado pela economia e por economistas viciados no paradigma da economia liberal: eles não têm uma visão humana da sociedade e da cultura e tendem a reduzir tudo a cifras que matam a humanidade. O fetichismo das estatísticas deve ser denunciado: o número é também um adversário da humanidade.

J Francisco Saraiva de Sousa disse...

Eu acho uma graça aos amigos americanos que frequentam este blogue, fazendo traduções automáticas - suponho. Uns defendem Obama, outros atacam o homem e a família - e eu como sou dialéctico ajudo a definir a oposição: eles sabem que recuso a reconciliação. O mundo precisa de boas lutas e de cisões radicais. Porém, a minha alma torce mais por um dos partidos em confronto.

J Francisco Saraiva de Sousa disse...

A besta neonazi editou um post a atacar Cavaco Silva por ter promulgado a lei dos casamentos de pessoas do mesmo sexo: anda a defender o Sul como se o sul da Europa tivesse defesa. Mentalidade de chulo! :(

J Francisco Saraiva de Sousa disse...

Ai, fico lixado com a homofobia: se anda com o cu aos pulos, pode ir até uma estação de serviço e dá-lo. Que cu homofóbico insaciável esse - o da besta! :(

J Francisco Saraiva de Sousa disse...

O que é engraçado é que a Direita já não o quer - a ele e à sua homofobia: os seus amigos descobriram que ele é um "panasca" insaciável digno da clínica de Egas Moniz: piripiri no cu e na língua - essa enorme esfregona - é o que precisa.

J Francisco Saraiva de Sousa disse...

Estava a pensar um futuro para o Porto: negociar a nossa integração como estado federado na Alemanha, porque a UE vai romper-se. Esta integração seria benéfica para ambas as partes: teríamos investimento alemão garantido, disputaríamos o campeonato alemão - sem ser apedrejados -, falaríamos alemão - enfim seria um sonho fazer parte de uma nação desenvolvida. :))

J Francisco Saraiva de Sousa disse...

E como Portugal deriva o seu nome do Porto seríamos o estado de Portugal genuíno no seio da federação alemã: a nossa localização seria vista pela Alemanha não como periferia - como diz Lx - mas como estratégica... :)

J Francisco Saraiva de Sousa disse...

Enfim, seria o sonho realizado: o fim da grande depressão em que vivemos por causa da capital saloia. Tanta felicidade nos pode aguardar nesse sonho...

J Francisco Saraiva de Sousa disse...

Deixariamos de ser tratados como marroquinos ou mouros: nós portuenses não somos mouros. Porém, dado termos português colocado no BI, somos tratados como tal no mundo desenvolvido e nos USA pensam que somos hispânicos - um insulto. :(

J Francisco Saraiva de Sousa disse...

O conselho é este: Se queres ser tratado como humano no mundo do Norte, não digas que és português - inventa uma genealogia nórdica.

J Francisco Saraiva de Sousa disse...

E se vires um tuga nas imediações do grupo que frequentas faz o jogo desse grupo e goza-o... :)

J Francisco Saraiva de Sousa disse...

Sim, eu sou um filósofo duro e maquiavélico, mas sei como quebrar o feitiço em que vivemos: conversão radical. :)

Aveugle.Papillon disse...

Francisco mandei-lhe um mail, já n atende aos pedidos dos comentadores frequentes? Temos de ser formados em universidades brasileiras?? Vá lá n lhe pedi nada de especial, n se faça rogado.

Aveugle.Papillon disse...

"nos USA pensam que somos hispânicos"
pensam isso e pensam muito mais q, aliás, o povo norte americano é conhecido pela sua sapiência.
http://www.youtube.com/watch?v=fJuNgBkloFE

divirta-se

J Francisco Saraiva de Sousa disse...

Hi

Que saiba não há artigos ou livros sobre esse tema em português, mas ainda não conferi. Dou-lhe um nome - Steven W. Gangestad. Preciso localizar internamente os artigos e depois posso enviar um ou outro, mas eles não devem ser reproduzidos. Isso pode criar um problema para mim: perda de confiança. Mas preciso de mais tempo: tenho milhares de artigos científicos.

J Francisco Saraiva de Sousa disse...

Outro nome é Lisa M. DeBruine, aliás a minha preferida. Ou Randy Thornhill ou John P. Swaddle.

J Francisco Saraiva de Sousa disse...

E há um ou dois livros de David M. Buss traduzidos em português, mas não sei se trata das simetrias faciais - aliás não é a área dele.

J Francisco Saraiva de Sousa disse...

Ah, mas nos livros de neurociências editados por Artes Médicas encontra muita informação sobre processamento facial: António Damásio tem artigos nessa área.

J Francisco Saraiva de Sousa disse...

Hummm... Também quer uma lista bibliográfica? Já fiz uma... para o Brasil, posso fazer outra para si. Afinal, posso promover as editoras e a ciência americana, já que o holandês me chamou espião americano, cortando-me o acesso, que já retomei subindo na hierarquia. Enfim, mandei o tal à merde.

J Francisco Saraiva de Sousa disse...

De vez em quanto no desempenho de certas funções abro o acesso a arquivos científicos durante pouco tempo: acesso livre e gratis.

J Francisco Saraiva de Sousa disse...

É uma espécie de promoção do trabalho de certas equipas de pesquisa e, nessa altura, a abertura não é ilegal. Mas vou enviar-lhe um ou dois artigos.