sábado, 14 de novembro de 2009

Raul Brandão: Portugal é Corrupto

«De forma que o homem vive sozinho. O que o obriga a ser justo e grande? A educação? O exemplo? A educação ensina-lhe a guerra; pedaços de ciência fazem-no balofo e seco; e o exemplo mostra-lhe o triunfo dos habilidosos, dos que se curvam e transigem, sabendo ameaçar ou recuar conforme a ocasião; dos que alijando os preconceitos — coração, ilusões, sonho — ficam mais lestos para um combate sem tréguas. A pobreza parece-lhe a desonra, porque vê sempre o pobre desprezado e calcado; o amor uma irrisão e procura um casamento rico; o sacrifício uma tolice. Só teme a valer a cadeia e a pobreza.
Depois a luta pela vida é aspérrima. Este moço aspira a tudo e tem na sua frente uma multidão compacta, que lhe barra os lugares. O triunfo de quem é? Dos que calcam para passar, sem que haja gritos ou blasfémias que os detenham. Os menos audaciosos ou os mais honestos afundam-se. Não há energia que resista à luta miudinha de todos os dias — se se tem coração. Embota-se a vontade, gasta-se a ambição, e em torno os que adularam ou calcaram sobem, trepam, com risos desdenhosos e ares de protectores.É por isso que quase todos os rapazes, que até aos vinte anos reclamam justiça e se revoltam, começam, depois, curvos e submissos, a entrar no grande rebanho. Soa a hora trágica da vida. Pesam-se as coisas. Começa-se a ver que o que vale na terra não é o talento nem o trabalho. Para se vencer assim era preciso ser-se um herói ou um santo; gastar-se a existência para se conseguir o que um imbecil alcança numa hora, cortejando e dobrando-se. Principia-se então a ser o quê? Charlatão. A vida é uma comédia. Toma-la a sério para quê — se ela é feita de nulidades, de coisas vãs ou ridículas?» (Raul Brandão, 1901, O Padre.)
A compreensão deste texto de Raul Brandão é esclarecida à luz do poema Falam as Escolas em Ruínas de Guerra Junqueiro:
«A alma da infância é um passarinho;
Gorjeia o ninho e a escola chora:
Na infância cai a noite; e o ninho
Tem sobre as plúmulas d'arminho
A aurora.
A alma da infância é flor mimosa;
A escola é triste e a flor vermelha:
Na escola paira a c'ruja odiosa,
E sobre o cálice da rosa
A abelha.
Tu fazes, Pátria, as almas cegas,
Prendendo a infância num covil.
Aves não cantam nas adegas;
Se a infância é flor. porque lhe negas
Abril?!»
A escola portuguesa é um covil que aprisiona as almas nascidas para o mundo e que não as deixa cantar, tornando-as cegas à aurora e a Abril. A escola portuguesa é a escola do crime: os professores-zombies, os professores-carrascos, os professores-cegos, enfim os anti-professores, tudo fazem para cegar as crianças e os jovens que nasceram para o mundo comum. Em vez de lhes abrir as portas desse mundo, atrofiam os órgãos mentais e cognitivos, embotam a vontade e penalizam a ambição: o currículo oculto visa formar charlatães preparados para um dia mais tarde adularem e calcarem o mérito, de modo a treparem sem mérito pela escada social da vida e a roubar aos outros o seu próprio lugar natural ao sol. Portugal corrupto reprime todos aqueles que anseiam pelo justiça e que estão prontos a lutar pela transparência da vida pública: a Pátria portuguesa não é um ninho, mas sim uma prisão que, através de diversos dispositivos punitivos de exclusão e de ostracismo, força os portugueses a curvarem-se diante do estado de coisas estabelecido e a submeterem-se às ordens irracionais dos charlatães que se apropriam corruptamente de todos os centros de decisão nacional. Nesta pátria corrupta e madrasta , os portugueses são obrigados a ingressar no rebanho, isto é, no coro do silêncio cúmplice, porque, pesando as coisas, eles sabem que em Portugal o talento, o mérito e o trabalho carecem de valor: o que garante um lugar ao sol não é a competência, mas a imbecilidade - ou a esperteza - que se curva e se dobra aos caprichos dos charlatães que nos governam e lideram. De um ou de outro modo, uns mais recompensados, outros menos recompensados ou mesmo excluídos, todos os portugueses são charlatães. E nesta ausência de coração reside o carácter trágico de Portugal, cujo temor não lhe permite conquistar o futuro. Os habilidosos que nos governam, lideram e dirigem são assassinos imbecis formados numa escola siciliana: eles calcam para passar e os gritos dos que são calcados já não os cobrem de vergonha. Os corruptos perderam a vergonha.
J Francisco Saraiva de Sousa

11 comentários:

J Francisco Saraiva de Sousa disse...

Hummmmm... Dia chuvoso! É bom para dormir! :)

J Francisco Saraiva de Sousa disse...

Prós e Contras debate hoje o tal referendo: Portugal é o país da conversa interminável que não leva a nenhum lado. curiosamente, hoje testei a maldade portuguesa: simplesmente terrível. O mal radical são os próprios portugueses! :(

J Francisco Saraiva de Sousa disse...

Se conhecesse Portugal, Nietzsche não tinha feito filosofia à martelada, mas comprava uma metralhadora e matava tugas! :)

J Francisco Saraiva de Sousa disse...

O tal maluco quer queimar as obras de Nietzsche e de Heidegger - é assim que fala o tuga típico, o burreco criminoso! Bem, pode ser que surja uma ditadura militar progressista e elimine o maluco! :)

J Francisco Saraiva de Sousa disse...

Já deu para perceber que, apesar de cansado, estou imensamente irónico e divertido! Sou ultratreinado a lidar com malucos! :)

J Francisco Saraiva de Sousa disse...

Ah, é preciso dizer que os homófobos sonham com ânus, têm fantasias anais e, frequentemente, estimulam o seu próprio recto, introduzindo os dedos. Diante de um gay saudável, e em privado, o homófobo tenta fazer-se de homem, mas com jeito acaba por abrir as pernas ao gay - tendem a ser passivos.

J Francisco Saraiva de Sousa disse...

Bem, já que os homens heterossexuais começam a apreciar a estimulação anal, o melhor que as mulheres podem fazer é comprar um pequeno vibrador e fazer a estimulação. Ah, procurando estimular a próstata, para que gemam muito.

Há mulheres que ficam arrepiadas, pensando que os maridos vão ficar gays. Bem, só conheço dois casos em que isso aconteceu, mas sem abandono da heterossexualidade - dizem-se bissexuais.

Porém, esta preocupação pode ser dirigida ao sexo oral aplicado ao clitóris. Alguns homens ficam com vontade de experimentar um pénis. É a vida... e não há nada a fazer.

J Francisco Saraiva de Sousa disse...

Ah, amigas, nada de grandes vibradores ou de dildos, porque se ele aceitar essa penetração profunda pode gostar e, nalguns casos, pode ter dificuldade em conjugar a penetração vaginal e a sua própria penetração anal - uma espécie de conflito de desejos que pode neutralizar a erecção do pénis. Noutros casos, tem o efeito de a aumentar... Enfim... é um mistério tipo surpresa! :)

J Francisco Saraiva de Sousa disse...

Ah, mais outro conselho para os tugas que frequentam certos sites: Oh, malta, usem lubrificante, porque melhora a imagem e a qualidade da erecção. Até porque nesse capítulo Portugal não está mal servido! :)

Sr disse...

O tal maluco quer queimar as obras de Nietzsche e de Heidegger






Uh! quem??? ai dele, até lhe dou um nó nas tripas e enforco-o com elas!!


Pessoal q passa ozolhos por aqui, baixem o fake-doc SLAVTOJ ZIZEK que postei no topico de documentários da minha comuni. Tá excelente como análise psicanalitica do cinema e mt divertido :P
Os nabos informáticos não terão dificuldade em baixar, pois é so clicar no link e, uma vez feito o dl, o documentário começa logo a ser exibido automaticamente no media player o.O


C YA 0/

J Francisco Saraiva de Sousa disse...

É o homófobo aqui do Porto! :(