sábado, 5 de julho de 2008

Gaston Bachelard: Poética da Casa (3)

«O vocábulo fundamental que corresponde à imaginação não é imagem, mas imaginário. O valor de uma imagem mede-se pela extensão da sua auréola imaginária. Graças ao imaginário, a imaginação é essencialmente aberta, evasiva. É ela, no psiquismo humano, a própria experiência da abertura, a própria experiência da novidade." (Gaston Bachelard)
Se as filosofias da existência encaravam o homem como um ser lançado num mundo arbitrário, contingente, não escolhido e absolutamente estranho, as filosofias do habitar consideram que a essência do homem é totalmente determinada a partir do habitar. Segundo Bachelard, o homem habita a sua casa antes de habitar o mundo: "Todo o espaço realmente habitado traz a essência da noção de casa" e "a casa é o nosso canto do mundo", "o nosso primeiro universo", porque, antes de ser lançado no mundo, "o homem é colocado no berço". Depois de ter começado a vida bem "agasalhada no regaço da casa", o homem é "expulso" e "posto fora de casa, circunstância em que se acumulam a hostilidade dos homens e a hostilidade do universo". A expulsão do abrigo natal é, de certo modo, preparada pela exploração do espaço livre que circunda a casa: o quintal com o seu jardim, as suas dependências e os seus animais de estimação, um imenso espaço de acção, desprezado por Bachelard, no qual irrompe em segredo o contacto com o mundo exterior. O começo da vida humana ocorre numa conexão essencial com a casa: o estado de abrigado em casa tem objectivamente primazia sobre o estado de "ser lançado no mundo", o qual é experimentado posteriormente. O "encontrar-se" no espaço abrigado da casa opõe-se ao estado de lançado no mundo. Habitar não significa estar abandonado em qualquer lugar de um mundo hostil; mas significa estar abrigado graças ao "amparo da casa".
Minkowski elaborou o conceito de "ressonância no espaço" para qualificar um carácter geral do "espaço vivido", para além da sua significação meramente acústica: o homem pode sentir-se amparado no espaço total como se estivesse num espaço fechado. O espaço pode cumprir esta missão, porque o homem não se encontra originariamente nele como um "estranho" lançado num elemento que lhe é alheio, mas se sente ligado ao espaço, amalgamado com o espaço e sustentado pelo espaço. Daqui resulta que todo o ser vivo pode viver em simpatia, em harmonia e de acordo com o seu meio: a ressonância designa um estado primacial muito mais "primitivo que a antítese do eu e do mundo". Anulada a cisão entre sujeito e objecto, o espaço originário não pode ser objectivado. Embora tenha com o espaço uma relação oscilante, precisamente no ponto central entre o ter e o ser, o homem pode identificar-se com o espaço e, neste caso, ser o espaço onde está. Bachelard cita o verso de Noël Arnaud: "Sou o espaço onde estou". Assim, podemos alargar o conceito de habitar ao modo de ser do homem no espaço e afirmar que o homem mora no espaço, tal como habita na casa. Ora, o habitar na casa só pode dar amparo quando o homem morar de modo mais dilatado no espaço. Retomando o conceito de "encarnação", podemos afirmar que o "homem está encarnado no espaço". Esta expressão significa que o homem não só se encontra num meio e pode mover-se nele, mas que ele próprio é parte integrante desse meio, separado por um limite do meio circundante e, apesar disso, unido e sustentado pelo meio.
Gaston Bachelard destacou fundamentalmente a função de protecção da casa e viu os "espaços felizes" como "espaços de posse": espaços imaginados, construídos, edificados e possuídos pelo homem e defendidos contra as "forças adversas" da natureza e da economia capitalista que reduz a casa à sua mera funcionalidade e à "satisfação do instinto de proprietário", negando-lhe a sua dimensão onírica impulsionada pelos "sonhos que querem enraizar-se". A geografia e a etnografia descrevem os mais diversos tipos de habitação, enquanto a fenomenologia procura revelar a "função original do habitar" e compreender o germe da "felicidade central, segura, imediata": "Encontrar a concha inicial em toda a moradia, no próprio castelo, eis a tarefa básica do fenomenólogo": "A imagem poética (da casa) está sob o signo de um novo ser" e "esse novo ser é o homem feliz". A fenomenologia da casa é, pois, uma "topofilia", que visa determinar o "valor humano" dos "espaços amados", sem levar em conta os "espaços de hostilidade" e os "espaços de ódio e de combate" associados a "imagens apocalípticas" e a matérias ardentes, tais como o fogo, os incêndios, os vulcões ou as guerras.
A explicitação da essência total da casa exige não só um desenvolvimento horizontal, mas também um desenvolvimento vertical. Isto significa que as moradas devem prolongar-se para a altura e a profundidade, ou seja, devem ter um sótão e um porão: "A verticalidade (da casa) é proporcionada pela polaridade do porão e do sótão". Como arquitecto da casa onírica, Bachelard hesita entre a casa de três e a casa de quatro andares, embora se incline para a casa de três andares: "A casa de três andares, a mais simples com referência à altura essencial, tem um porão, um pavimento térreo e um sótão". O interior da casa repete a significação simbólica do de cima e do de baixo. Entre os andares existem as escadas: "A escada que conduz ao porão tem um carácter diferente da escada que leva ao sótão". Descemos as escadas que conduzem ao porão e subimos as escadas abruptas que levam ao sótão: as restantes escadas nós as subimos e as descemos. Descer ao porão, onde a casa mergulha as suas raízes na terra negra e húmida, significa mergulhar na noite e no frio que moram debaixo da casa e, em princípio, só os homens vão à adega buscar o vinho. Subir ao sótão é ascender para a mais tranquila solidão. O sótão é o lugar onde ocorreram as birras de infância, a contemplação, as leituras intermináveis, o disfarce com as roupas dos nossos avós e a descoberta de imensas velharias que se ligam para sempre à alma da criança: os devaneios do sótão tornam vivos o passado familiar e a juventude dos nossos ancestrais. Para Bachelard, o sótão é o que faz a casa estar enraizada no solo profundo, de resto inquietante e terrível, da terra e das rochas. E, seguindo Henri Bosco, sonha com uma "casa com raízes cósmicas", que se eleva das mais terrestres e aquáticas profundezas até à morada de uma alma que habita no céu: "A casa converte-se num ser da natureza. É solidária com a montanha e com as águas que trabalham a terra". Esta casa evocada por Bosco ilustra a "verticalidade do humano" e é oniricamente completa. A casa é um "arquétipo sintético" que evoluiu: no seu porão está a caverna e no seu sótão está o ninho. O porão é a sua raiz e representa o inconsciente, enquanto o seu telhado é o ninho e representa as funções conscientes: "A casa oniricamente completa é um dos esquemas verticais da psicologia humana".
A vida moderna afrouxa o vigor das imagens oníricas da casa com sótão e porão e a sua "topologia onírica", aceitando a casa como um lugar de tranquilidade, embora de uma "tranquilidade abstracta", e esquecendo o aspecto fundamental: o "aspecto cósmico". As casas de Paris já não são autênticas casas: "Em Paris, não existem casas. Os habitantes da grande cidade vivem em caixas sobrepostas". Na cidade, "a casa não tem raízes" e "os arranha-céus não têm porão". Falta às casas da cidade a raiz e um vínculo cósmico mais profundo: os andares ou apartamentos são, como diz Paul Claudel, "buracos convencionais", destituídos de verticalidade em si mesma e sem espaço ao seu redor. A altura dos edifícios da cidade é apenas exterior, os seus elevadores destroem os "heroísmos da escada", o andar é uma simples horizontalidade e, por isso, "já não há mérito em morar perto do céu". As casas da grande cidade perderam os valores íntimos da verticalidade e a cosmicidade que permitia compreender a "situação da casa no mundo": as casas já não estão na natureza, não conhecem os "dramas do universo", as suas relações com o espaço tornaram-se "artificiais" e as ruas são meros tubos onde os homens são aspirados (Max Picard). Como diz Bachelard: "Viver num andar é viver bloqueado. Uma casa sem sótão é uma casa onde se sublima mal; uma casa sem porão é uma morada sem arquétipos". Os seus habitantes são seres desenraizados e apátridas, sem história, sem memória, sem imaginação. Perderam a verticalidade humana e a compreensão da sua situação no mundo: são seres alheados do mundo. Se for "impossível escrever a história do inconsciente humano sem escrever uma história da casa", então a casa da grande cidade perdeu a riqueza dos arquétipos do seu inconsciente e os seus habitantes tornaram-se seres mutilados e seres exilados na terra, portanto, apátridas. A casa da grande cidade é dominada pela "ideia do superego": tem escadas de serviço onde circulam "rios de provisões de boca" (Michel Leiris) e os elevadores levam rapidamente à sala de estar, onde se "conversa" enquanto se aguarda a refeição.
O Porto edificou-se e cresceu, ao longo da sua gloriosa história de cidade invicta, como Cidade do Sonho, "a própria imagem do futuro sonhado" (M. Torga), que, nas últimas décadas, foi abandonada ao esquecimento, devido à concentração de poderes numa capital necrófila e a erros atávicos urbanos e arquitectónicos. No Porto, existem centenas e centenas de casas cuja topologia se organiza em altura: um porão enterrado, o piso térreo da vida comum, o andar de cima onde se dorme e o sótão onde se sonha. Porém, muitas dessas casas evocadas por Júlio Dinis, Camilo Castelo Branco, Almeida Garrett, Sampaio Bruno, Leonardo Coimbra, Jaime Cortesão, Miguel Torga e Agustina Bessa-Luís, e cantadas por Guerra Junqueiro, Teixeira de Pascoaes, António Nobre, Florbela Espanca, Sophia de Mello Breyner Andresen e Eugénio de Andrade, foram e são demolidas para dar lugar a edifícios residenciais e a condomínios fechados, e outras permanecem abandonadas, à mercê da especulação imobiliária irracional, carente de visão do passado glorioso e do futuro aberto ao novo. Estas casas burguesas, ou até mesmo as casas pobres, são sonhos realizados e concretizados na pedra granítica e, na sua topologia onírica, memória e imaginação não se deixam dissociar, trabalhando para o seu aprofundamento mútuo: "Ambas constituem, na ordem dos valores, uma união da lembrança com a imagem". O Porto é a cidade da "bela arquitectura" diversa e plural, cujos quarteirões abrigam no seu interior espaços de sonho, e até mesmo os mais "pobres", as "ilhas", são labirintos que projectam horizontalmente os sonhos diurnos dos seus habitantes, em contraste com as casas burguesas que se elevam na verticalidade, procurando contacto com a "morada celestial" e dando um ar fálico à cidade. No Porto, os edifícios são real e virtualmente corpos de imagens que dão aos seus habitantes, os portuenses ou os homens portugueses "mais livres, mais progressivos, mais responsáveis e mais capazes" (M. Torga), razões ou ilusões de estabilidade e de segurança: as casas portuenses são seres verticais que se elevam e se diferenciam no sentido da sua verticalidade, fazendo apelo à nossa consciência de verticalidade, e são seres concentrados, levando-nos à consciência de centralidade. Segundo Miguel Torga, "os valores autênticos da vida têm de ser sólidos como a Praça da Liberdade e altos como a Torre dos Clérigos". O Porto é imaginariamente uma enorme cidade-abrigo, uma cidade-fortaleza, uma cidade-invicta. Contudo, esta cidade de sonho precisa de cuidados redobrados: conservar os seus valores de intimidade e de cosmicidade, abrindo-se ao futuro e à modernização e ampliando a sua rica confluência de estilos arquitectónicos, em harmonia com a natureza e no resguardo da quadratura (Heidegger).
Porém, as casas autênticas, na estrutura vertical das suas funções como moradas, são mais do que aquilo que está contido nas ideias espaciais geométricas. Assim, Bachelard estabelece uma distinção forte entre a casa como espaço vivido concreto e o conceito de espaço matemático abstracto: "A casa vivida não é uma caixa inerte. O espaço habitado transcende o espaço geométrico". Esta transcendência torna-se evidente na rivalidade dinâmica entre a casa e o universo, na espessura da qual "a casa remodela o homem", adquirindo qualidades e valores humanos. O ser abrigado vive a casa na sua realidade e na sua virtualidade, através do pensamento e dos sonhos diurnos. A casa não é vivida na sua positividade e no momento presente em que reconhecemos os seus benefícios. A casa tem um passado que vem viver, pelo sonho, numa nova casa: "A casa não vive somente no dia-a-dia, no curso de uma história, na narrativa da nossa história. Pelos sonhos, as diversas moradas da nossa vida interpenetram-se e guardam os tesouros dos dias antigos. Quando, na nova casa, retornam as lembranças das antigas moradas, transportamo-nos ao país da Infância Imóvel, imóvel como o Imemorial. Vivemos fixações, fixações de felicidade. Reconfortamo-nos ao reviver lembranças de protecção".
Na nossa sociedade urbana tardia, o homem distancia-se velozmente do abrigo da sua casa: "Por que nos saciámos tão depressa da felicidade de habitar a morada?", eis a questão colocada por Bachelard. Poderíamos procurar uma resposta na dialéctica da casa e do universo ou mesmo na dialéctica do exterior e do interior: o homem "escolhe" um aspecto em detrimento do outro, quando ambos os aspectos são realmente complementares. Porém, Bachelard alude a algo mais profundo, na medida em que não se refere a um distanciamento temporal da casa para voltar novamente ao lar, exemplificado com os casos da viagem ou da ida para o emprego ou para o serviço militar, mas a uma insuficiência definitiva de todas as casas: "Alguma coisa mais do que a realidade faltou à realidade. Na casa não sonhámos o tempo suficiente". A casa perfeita sonhada não pode ser alcançada em nenhuma morada real: "Na minha casa real, sinto exaurida a minha liberdade de habitar: há sempre que deixar aberta a possibilidade de que exista outro lugar". Isto aponta para a conexão da casa e da distância, aquela nostalgia última que arrasta o homem sonhador para a distância. "Alojado em todas as partes, mas em nenhuma parte encerrado", eis como Bachelard formulou o "lema do sonhador do habitar". Isto significa que o homem só pode alcançar a sua última pátria com as criações da fantasia, desencadeada pela nostalgia e pelo sonhar "com aquilo que (na casa natal) deveria ter sido, com o que teria estabilizado para sempre os nossos devaneios íntimos". A nostalgia é vizinha da morte: o sonhador do lar aguarda a chegada da morte (Florbela Espanca) e a sua última morada terrestre (Guerra Junqueiro): o túmulo, o cadáver fechado num caixão e enterrado no interior da terra fria e húmida. A cidade dos vivos nasceu da cidade dos mortos e a ela regressa. (FIM)
(Leia estes textos do Manuel Rocha e da Denise.)
J Francisco Saraiva de Sousa

57 comentários:

Denise disse...

É sempre um prazer regressar a Bachelard! Muito bom, uma vez mais, o seu post.

"O homem habita a sua casa antes de habitar o mundo". Metonímica e metaforicamente falamos de família e de comunidade. É na estrutura da casa e da família que se garante a estrutura do mundo e da humanidade. Algo anda a correr mal, porque uma grande percentagem da população apresenta-se muito destruturada...

A expulsão de casa remete mais uma vez para a sabedoria dos antigos. Atente à tradição oral: aos mitos, às lendas, aos contos. Propp e Greimas, por exemplo, referem a situação de desequilíbrio que leva à dita expulsão.

Ainda no âmbito literário, lembro-me de «Quarto Crescente» de Mário Ventura e de «Casas Pardas» de Maria Velho da Costa. Há ainda o Bairro Lisboeta como casa de Baptista-Bastos ou a própria Palavra como casa (ou demanda ontológica) de, por exemplo, Manuel António Pina e António Ramos Rosa.

Há efectivamente uma relação de simbiose entre o ser humano e o meio que habita, seja ele físico, psicológico ou social: o ser humano é como é e o que é graças à relação que estabelece com op espaço que o circunda; por sua vez, o espaço em si, aparentemente imutável, sofre as suas transformações intérminas no devir dessa mesma relação.
Reflexo, portanto.
A bem dizer, a casa é um espelho.

A casa de três andares de Bachelard é uma metáfora do ser humano: id, ego e superego.
Assim, a nossa casa somos nós.

Denise disse...

O ARCO, E LOGO, A FOLHA ALTA
O arco, e logo, a folha alta.
o dia. O espaço,
o silêncio, um bloco transparente.
A casa vive o que eu escrevo,
e a margem branca (intransponível)
é o corpo que eu não sei,
vivo na claridade.

Um corpo, digo, não um cristal.
Que permanece, ainda que eu hesite
ou falhe ou recomece. E longamente
se abre, no dia, o arco, e a mão que o perde.
Só uma distância, ou o desejo, o quer.
Mas onde e quando, enquanto existe?
A vulnerada folha não o rasga.
O corpo, no horizonte, dura, intacto.

António Ramos Rosa

J Francisco Saraiva de Sousa disse...

Oi Denise

Exacto: "A casa de três andares de Bachelard é uma metáfora do ser humano: id, ego e superego." Porém, mais ligada a Jung do que a Freud. Não deu para explicitar melhor esse aspecto, talvez o retome brevemente na crítica da vida urbana.

Ainda não está concluído: amanhã estará completo e vou dar por finalizada a série, sem entrar nos pormenores da topologia e da topoanálise da casa.

Sim, os poetas sabem cantar a casa. Ainda só analisei dois nacionais a sério: Guerra Junqueiro e Florbela Espanca. Os outros são estrangeiros...

Denise disse...

"Os outros são estrangeiros..."
:))))))

Sim, terá mais a ver com Carl Jung que com Freud. Mas não dá para escrever tudo. Não é este o espaço nem é este o tempo ;-)

Denise disse...

Quer deixar umas linhas sobre as casas de F.E. e G.J, para satisfazer a minha curiosidade? Aqui mesmo, no espaço dos comentários...

Denise disse...

ainda a propósito da questão da expulsão ou saída deliberada da casa. Podíamos fazer uma leitura dos Descobrimentos sob esse ponto de vista.
:))

Denise disse...

Pestanejo de sono...
Boa noite, Francisco. Os meus dias começam muito cedo...

J Francisco Saraiva de Sousa disse...

Boa noite e durma bem, Denise. :)

Ok, fiz dois links. E tem razão: os descobrimentos podem ser lidos nessa chave e Camões tem o seu sonho diurno.

Abraço

J Francisco Saraiva de Sousa disse...

Denise

Deixei-lhe mais links e existem outros posts que tratam de matérias similares. Vou ver um filme de terror; caso contrário, adormeço. :)

J Francisco Saraiva de Sousa disse...

Amigos

O post e a série de posts dedicados a Bachelard estão concluídos. Prometo não acrescantar mais nada, deixando o final aberto a novas divagações. :)

Denise disse...

Amigo,
Agradeço-lhe os links para JD, SB, FE e GJ que lerei com atenção no final deste dia.
Relerei, também, com atenção, a versão final do seu texto. Gostei do final ou, pelo menos, a interpretação que lhe dou de acordo com o meu conceito de morte ( e sua relação inerente com a casa espiritual.
Não concordo com a indicação do meu post para leitura complementar, porque ali não refiro nem aprofundo qualquer conceito de casa ou habitação. Fiquemo-nos pelo link ao texto do Manuel. ;-)

J Francisco Saraiva de Sousa disse...

Olá Denise

O seu post trata da literatura para a infância e o sonhar abrange essa fase da vida. :)

Quando fala da casa metafísica de Antero, refere-se a que obra e a uma metafísica? O sonhar acordado tem e é uma metafísica da consciência, embora eu prefira vê-lo como uma ontologia do ainda-não-existente.

Aveugle.Papillon disse...

SABIÁ

Vou voltar, sei que ainda vou
Voltar, para o meu lugar, foi lá e é ainda lá
Que eu hei-de ouvir cantar uma sabiá, cantar o meu sabiá.
Vou voltar, sei que ainda vou
Voltar, vou deitar à sombra de uma palmeira que já não há,
Colher a flor que já não dá
E algum amor talvez possa espantar
As noites que eu não queria
E anunciar o dia.
Vou voltar, sei que ainda vou
Voltar, não vai ser em vão que fiz tantos planos de me enganar,
Como fiz enganos de me encontrar,
Como fiz estradas de me perder,
Fiz de tudo e nada de te esquecer.

CHICO BUARQUE

Francisco,

É a partir desta belíssima canção de Jobim que estou a ouvir que passo a comentar o seu texto. :)
A poética da casa, ou do espaço, de Bachelard parece ser interessante, mas o que retenho essencialmente é o último parágrafo em que ele admite a insuficiência da vida domiciliada.
De facto, a estrutura do ser humano é uma estrutura de inquietação: só há regresso se houver ímpeto de partida e antes de partir já se vislumbra um regresso. O regresso é, afinal, uma procura de sentido, que não se constitui como uma regressão a uma vida intra-uterina ou à casa das memórias de infância ou pela morte, pois a morte é precisamente não-sentido. A vida é como um retorno que se quer com sucesso, que se quer feliz, mas isto não é seguro, é um sonho, um projecto onírico. Podemos sempre ser defraudados, ou ser amaldiçoados ou podemos ter perdido o nosso momento: "colher a flor que já não dá".

Depois, gostaria de perceber algo: quando diz, referindo-se à concepção de espaço de Minkowski, que «a ressonância designa um estado primacial muito mais "primitivo que a antítese do eu e do mundo"», os fenomenólogos (e existencialistas) defendem que a relação eu-mundo é indissociável e princípio de tudo o resto, não é uma "antítese". Além disso, o ser-no-mundo não é espectador indiferente, mas sempre em cuidado; daí que o espaço n seja topográfico, mas qualitativo.

J Francisco Saraiva de Sousa disse...

Oi Papillon

De certo modo, concordo consigo e penso ter dito que a fenomenologia da casa de Bachelard se limita aos "espaços felizes", deixando de fora os "espaços de ódio e de combate" e tem uma visão muito "rural" da "casa pobre". Por isso, referi alguns poetas portugueses que revelam esses aspectos. Contudo, enquadrei Bachelard em chave marxista, mantendo a sua poética do espaço de sonho, referindo Guerra Junqueiro que aponta para outras moradas que já analisei algures.

Sim, para Sartre ou mesmo Bloch, a morte não tem sentido, mas procuro uma outra leitura da morte.

Minkowski é muito interessante e a sua noção não entra em colisão com o que diz: o espaço da ressonância é primordial e fundamental para pensar a espacialidade da vida humana: o "espaço vivido" é qualitativo. Esta é uma questão que me absorve e está ligada à "temporalidade". Estive para escrever um post sobre ele, mas adiei... :)

J Francisco Saraiva de Sousa disse...

Há uma razão pessoal: nasci e cresci numa casa semelhante à casa onírica de Bachelard: o sótão atrai-me e dá guarida ao meu espírito intelectual. Sempre tive os meus esconderijos!

Aveugle.Papillon disse...

Eu tb nasci e cresci com sótão, com adega (as mulheres tb vão buscar vinho!), mas essas memórias são "sombras de um sonho", como diria Píndaro... e, aliás, comprovam que a criança instintivamente procura o seu lugar, porque a casa já é mundo, isto é, já é adversa.

J Francisco Saraiva de Sousa disse...

Repare que eu referi o espaço que circunda a casa: o quintal, o jardim, uma área negligenciada por Bachelard.

Ah, quanto ao "adverso", Bachelard estava consciente dele e diz não tratar da casa como património da família: inclina-se mais para o habitante "sonhador solitário"... Verticalidade e centralidade são os valores básicos: a casa educa.

J Francisco Saraiva de Sousa disse...

Sim, a criança procura o seu "lugar": referi o esconderijo, as gavetas, o armário, uma infinidade de lugares onde se escondem segregos ou intimidades, todos "localizados" no interior da casa. Bachelard trata disso mas tive de fazer opções e deixar temas para futuros posts ou entregá-los ao esquecimento.

J Francisco Saraiva de Sousa disse...

Aliás, nós cibernautas escondemos na memória do computador os nossos segredos! :)))

Aveugle.Papillon disse...

Então se ele se refere ao indivíduo sonhador solitário, o "berço" é um princípio meramente heurístico, não antecede historicamente a situação de estar lançado no mundo.
A casa ganha esse cariz orgânico, pela nossa situação de queda. Temos necessidade de criar represas.

J Francisco Saraiva de Sousa disse...

Como assim? O sonhador já foi criança! E viveu no berço antes de ser expulso de casa! Memória e imaginação trabalham em colaboração estreita!

Em relação a Bachelard, o problema é outro: a relação entre ciência ( sua filosofia da ciência) e a poesia. Mas não foquei esse problema. É evidente que a ciência não tem o monopólio do conhecimento! :)

Aveugle.Papillon disse...

O que digo é que não reconheço o "berço" antes da expulsão. A expulsão é a vida, a vida é queda. A casa n protege de nada, aliás a casa primordial pode ser uma casa de horrores, e seguindo a visão de Bachelard, nestas condições, onde reside o núcleo de sentido? Somente no imaginário dado pelo mundo.

J Francisco Saraiva de Sousa disse...

Então, de acordo com Bachelard, a Papillon é apátrida: não tem raizes. A casa ou mesmo a sua quase-ausência educa. Não percebo como pode sentir-me mais protegida na rua do que em casa: o homem precisa de abrigo; a casa é esse abrigo. Sem esse abrigo, o homem erra pelo mundo sem rumo e torna-se sem-abrigo. A casa natal = paternal é diferente da casa onírica e esta é diferente da casa real.

J Francisco Saraiva de Sousa disse...

A Papillon não pode esquecer o ventre materno e a casa materna: o berço onde a criança se faz humana...

J Francisco Saraiva de Sousa disse...

É em casa que a criança aprende a andar de pé: verticalidade..., mas, com isto, estamos a ir ao encontro da casa como espaço familiar: outra "história".

Aveugle.Papillon disse...

O Francisco n compreende, porque n contempla a hipótese da casa poder ser um calabouço. Pode ter a certeza que há muitas situações, (mais do que as desejáveis), em que a rua é mais segura do que uma casa.
Dizer-me que a casa é um abrigo é tautológico, esse é o sentido da casa.
Por outro lado, quando me diz que segundo Bachelard seria apátrida, é uma dedução correcta, porque eu como uma larga geração de urbanos e suburbanos não criamos identificação com nenhuma terra ou pátria. Somos desterrados desde que nascemos.

Aveugle.Papillon disse...

*queria ter dito: mais do que as expectáveis. :)

J Francisco Saraiva de Sousa disse...

Percebi, mas não ter casa não é bom. Eu não desprezo essa casa terrível, nem Bachelard o fez, mas essa não é a casa onírica que sonhamos. Há a casa do terror e do medo, mas não é casa sonhada.

Em termos marxistas, não ter o abrigo e o amparo da casa requer atenção política: o capitalismo inventou a pobreza e a miséria. Os pássaros fazem ninhos mas não compram ou alugam as árvores ou o lugar onde o fazem. O capitalismo apropriou-se da terra e cercou-a com vedações. Há uma noção de habitar que deve ser recuperada e a casa onírica desperta-a...

J Francisco Saraiva de Sousa disse...

Identificação leva-nos ao problema da identidade, aquele que consome interiormente as pessoas... O sentido! A casa educa e protege... Se esse valor se perdeu, devemos colocá-lo na ordem do dia no espaço público... Política da casa e da habitação...

Aveugle.Papillon disse...

Mas eu n recuso a casa onírica: na minha primeira intervenção referi o projecto onírico. Apenas recuso a incidência no berço, é muito freudiano e, daí, determinista.
Acredito na minha liberdade, no meu futuro, nem que seja para me escusar de paranóias. :)

Aveugle.Papillon disse...

Esse outro problema que enunciou, esse é importante de discutir: o "tornarmo-nos naquilo que somos" torna-se impraticável se partirmos de um quase-nada que é a casa desconjunta de hoje.

J Francisco Saraiva de Sousa disse...

Ya, eu luto e procuro sensibilizar as pessoas para a necessidade de mudança qualitativa, mas de repente fica tudo cego, surdo e mudo. É uma tristeza viver rodeado de pessoas pouco inteligentes e corajosas! :(

Por isso, sonho sozinho, sabendo que nada vai mudar para melhor. Não sei o que possa fazer mais! :(

Aveugle.Papillon disse...

Os gregos desconheciam o optimismo. A esperança foi-nos trazida pelo Redentor e ela é individual e solitária. On mourre seul.

J Francisco Saraiva de Sousa disse...

O redentor fez discipulos e estes lutam: daí a sua institucionalização como Igreja.

Eu gosto de trabalhar sozinho: os outros só distraem e não deixam fazer nada. Portugal não sabe o que é trabalhar e ter prumo.

Aveugle.Papillon disse...

Nada disso. Deus não se encontra no mundo - a Igreja é do mundo - encontramo-lo em nós. Os missionários e sacerdotes propagam a Palavra de Deus, mas a fé é íntima e não tem mediadores. :)

Se precisa de encontrar "discípulos" e eles aqui n se encontram, tem sempre a hipótese de se exilar da "pátria"... o seu "problema" n é grave. :)

J Francisco Saraiva de Sousa disse...

Eu estou feliz na "pátria": se ninguém luta pelo futuro colectivo, isso não me afecta. Faço o que penso dever fazer. Já aprendi a contar comigo e com o círculo próximo estreito. Não sou um homem "dorido" ou "magoado": sou cerebral.

Qual o plural de climax?

Aveugle.Papillon disse...

Ainda bem que não está "magoado". Apenas acho que devemos ser consequentes naquilo que proferimos. Ou como diria a vox populi: quem está mal, muda-se. :)


Penso que n tenha plural!

Aveugle.Papillon disse...

Mas a haver será "climaxes". Confirme com a Denise!

J Francisco Saraiva de Sousa disse...

Ya, coloquei no singular mas soa mal: clímax românticos? Não sei; vou continuar a escrever em directo, mas penso que não devo alargar-me muito; caso contrário, entro em diálogo com Adorno e vai dar faísca. Ele é muito elitista e eu gosto de música rock!

Curiosamente, a "brincar" começo a expôr de modo acessível as molas secretas da dialéctica negativa: é uma questão de abstração e de uso de terminologia ultra-técnica. :)

Aveugle.Papillon disse...

Além de elistista é racista, disse que o Jazz era "a música do escravos"... De qualquer maneira, a referência ao Jazz no seu texto, a ser rigoroso, deve-se cingir às décadas 30 a 50 (be bop e swing).

J Francisco Saraiva de Sousa disse...

Eu sou como Adorno: o Ocidente basta-me; não me interessa conhecer culturas de "escravos" ou de talibãs. Só incido a atenção nelas quando começam a colidir com os interesses ocidentais.

Não sou "racista", para além do modo de Brecht. Aliás, tenho orgulho em ser europeu, ocidental e branco. :)

Aveugle.Papillon disse...

Eu não sou racista e, sobretudo, não me orgulho da ignorância. ;)

J Francisco Saraiva de Sousa disse...

Sim, Adorno analisa essas versões de jazz, mas a sua crítica é pertinente e revelou-se "profética": a música regrediu muito e perdeu a sua negatividade; foi integrada pela cultura de massas e convertida em bem de consumo servido como se se tratasse de um prato culinário.

E repare que as pessoas não se escutam realmente umas às outras. Escutam música no seu desenrolar temporal ou "abanam os esqueletos" freneticamente? Há regressão... :(

J Francisco Saraiva de Sousa disse...

Já Lacan lamentava a ignorância activa, isto é, o horror pelo conhecimento. O programa da Oprah Winfrey exibe em abundância essa ignorância de que fala, indiferente ao sofrimento imposto por Mugabe no Zimbabwé. A melanina não se adquire!

J Francisco Saraiva de Sousa disse...

A minha mente não se deixa colonizar por opressores ou tiranos: sou livre e amo a vida na sua biodiversidade e pluralidade cultural. O racismo repugna-me!

J Francisco Saraiva de Sousa disse...

Estou cansado da vista e, por isso, termino o post amanhã.

Boa noite.

Aveugle.Papillon disse...

Já Platão na República recusa os sete modos musicais gregos e redu-los a dois: o dório que inspiraria contemplação e o frígio que inspiraria virilidade. Considerava também que os ritmos "orgíacos" pervertiam os espíritos e deveriam ser proibidos - esta breve alusão para dizer que a precupação de Adorno, ainda que não nos mesmos termos, não é "nova". Não sei, portanto, se há regressão. Sempre houve música "popular" com a qual as pessoas dançavam "freneticamente" e se libertavam. E popular entre aspas porque ela se designou assim, em oposição à designação de "música erudita", esta sendo académica e canónica.
Tinha um prof que dizia que a música só nos afastava aparentemente da inquietação, e não interessa se estamos a falar de Beethoven, Lester Young ou de trance progressivo. O efeito terapêutico é o mesmo. :)

A Oprah Winfrey ela mesma é racista.... :(

Boa noite! Sonhos melómanos!

André LF disse...

Olá, amigos! Francisco, seus últimos textos me ajudaram a compreender algumas concepções de Bachelard.

Sim, as pessoas não se escutam realmente umas às outras.
"Escutam música no seu desenrolar temporal ou 'abanam os esqueletos' freneticamente?" Acho que abanam os seus esqueletos :(

Além de uma educação do olhar, os seres dotado de uma escuta metabolicamente reduzida necessitam de uma educação auditiva. Seria bom começar por Bach :)

Penso que o plural de clímax é clímax mesmo.

André LF disse...

Os clímax.

É feio, mas acho que está correto...

Aveugle.Papillon disse...

* seria: o efeito balsâmico (e não terapêutico), dado que não há cura. :)

André,

Também concordo que deva haver uma educação musical mais especializada, e não da forma leviana como é ministrada no Ensino Básico português.
Infelizmente, há bem pouco tempo, foi decretada uma lei a suspender o acesso à Escola de Música do Conservatório Nacional pelas crianças (6 a 9 anos), ou seja, o estado n quer encargos com a educação musical séria. :(

E a mesma educação com qualidade deveria acontecer com a dança:
"Let us follow the scent like hounds, and go in pursuit of beauty of
figure and dance; if these escape us, there will be no use in talking about true education, whether Hellenic or barbarian."
Platão nas Leis, livro II

J Francisco Saraiva de Sousa disse...

Bom dia Papillon e André

André, segui a sua recomendação e usei "clímax" como plural. Sim, é necessário uma "educação auditiva": ouvido metabolicamente reduzido impede a conversação genuína e a amizade.

Papillon, seria interessante ver as afinidades entre Platão e Adorno, embora o último tenha escrito sobre filosofia da música com maior conhecimento e numa época mais avançada em termos tecnológicos, musicais e sociais. Adorno não é contra a sexualidade e a sua expressão; pelo contrário, ele defendeu a sua expressão livre e responsável e disse que era necessário sermos felizes.

Aveugle.Papillon disse...

Platão também não era, definitivamente, contra a sexualidade; um dos textos mais belos e sensuais da História da Humanidade é o monológo de Alcibíades a Sócrates no Symposium de Platão e isto sem nos reportarmos aos seus diálogos da juventude. Aliás, nem percebo porque estabeleceu essa comparação. Orgia na Grécia Antiga não significa um grupo de pessoas a fazer sexo todas juntas, mas celebrações dionisíacas. O que está em causa, precisamente, é a crítica aos ritmos e melodias novos, e um apelo à tradição apolínea. Tal como Adorno, ele suspeitava da democratização da arte.

J Francisco Saraiva de Sousa disse...

Preferia distinguir entre democratização da arte (algo político e justo: acesso de todos à arte) e massificação comercializada e publicitada instrumentalmente da "arte". Entre ambas, há a mediação da educação e a segunda ameaça destruir e já destruiu a educação.

Denise disse...

Diz a regra que o plural das palavras terminadas em -x é igual ao singular.
Quanot a "clímax", fui pesquisar a resposta no ciberdúvidas:
http://ciberduvidas.sapo.pt/pergunta.php?id=7318

O André tem razão: o clímax / os clímax
Existe tb a palavra "clímace" cujo plural é "clímaces"

J Francisco Saraiva de Sousa disse...

Oi Denise

Obrigado. Também tinha seguido a recomendação do André. e fico satisfeito por estar sob a regra. :)

Mariana Netto disse...

"Numa situação de emergência, sendo o dormir um acto íntimo, de que modo se consegue proporcionar uma identificação pessoal a diferentes etnias?"
Por situação de emergência entende-se um Abrigo temporário para pessoas que, por exemplo, têm a casa em obras de reabilitação por motivos de incidentes ou motivos naturais. Esse abrigo é de 33m2, 165m3 (2 pisos) e tem que acolher 6 ocupantes (desconhecidos ou não). Dada a pouca área e volumetria, não existem “quartos”, mas sim uma zona de dormida, espaço de estar, zona de higiene e de refeições, todas conjuntas.

As etnias em estudo são Ciganos, Africanos, Europeus e Indianos.
A pergunta já foi respondida: "tornar o utente susceptível de aceitar uma moldagem"... Mas, como se faz isso? Qual é o estímulo (benévolo) a que todas as culturas, com maior ou menor consciência disso, reagem espontaneamente? Qual? O jogo, claro. Não o jogo de azar (certas culturas condenam-no violentamente)! As actividades lúdicas a que nos entregamos na infãncia e que fazem parte do nosso processo normal de aprendizagem - simulamos a vida para nos familiarizarmos com ela. É que, assim, a necessidade da ritualidade fica reduzida à sua expressão mais simples para não perturbar o "jogo"... Como se consegue isto com adultos no acto de habitar?

Que me diz disto?

Mariana Netto disse...
Este comentário foi removido pelo autor.