terça-feira, 18 de março de 2008

Prós e Contras: A Confiança dos Portugueses

Mais um programa "Prós e Contras" (17 de Março de 2008) dedicado à economia. O «maior debate da televisão portuguesa» reuniu "mais do mesmo": Manuel Pinho, o ministro da economia, Fernando Ulrich, presidente executivo do BPI, António Mexia, presidente-executivo da EDP, Carlos Martins, presidente da Martifer, António Nogueira Leite, administrador do grupo CUF, e, na plateia, «um grupo alargado de gestores e de responsáveis de diferentes áreas de negócio», bem como os embaixadores do Reino Unido e de Espanha.
Partindo do pressuposto errado de que «a economia constitui o miolo da política», Fátima Campos colocou três questões: Está Portugal a criar a riqueza que necessita? Quem e como gera valor no país? Qual o nível de confiança nos negócios nacionais? Contudo, a questão orientadora foi outra: Está a economia portuguesa preparada para fazer face à actual crise financeira? O ministro da economia apresentou os resultados económicos positivos e, efectivamente, todos foram unânimes em reconhecer que, com este governo de José Sócrates, a economia começou a mostrar sinais de crescimento, com as exportações a subirem e o défice a ser controlado. Os gestores e responsáveis de diferentes áreas de negócio foram «optimistas», relatando o sucesso global das empresas portuguesas num mundo cada vez mais global, competitivo e inovador. O mundo do negócio português está muito confiante e, dado que exportamos chapéus para os USA, em especial para o presidente Bush, partilho moderadamente esta confiança empresarial (tese 1). Se não acreditasse em Portugal e nos portugueses, não me dava ao trabalho de criticar a nossa situação. (Já falei das duas cidadanias e dos dois países noutros posts.)
Deste debate retive uma outra leitura de fundo, ligeiramente ironizada por António Mexia e compreende-se a razão: Os governos do PSD, sozinho ou em coligação com o CDS, em especial os dois últimos (Durão Barroso e Santana Lopes), são os principais responsáveis pela situação nacional de pobreza, de atraso e de corrupção, e Miguel Cadilhe chegou mesmo a responsabilizar um dos governos de Cavaco Silva pelo défice, aquele que o actual governo socialista conseguiu controlar (tese 2).
Isto já todos sabíamos e convém relembrá-lo constantemente, mas o ministro da economia destacou um factor particular que nos afasta da média europeia: aquilo a que chamo o Estado Gordo e o seu funcionalismo público privilegiado e não-avaliado (tese 3). O Estado português e o seu vastíssimo corpo de funcionários tal como os conhecemos constituem a principal razão da nossa miséria nacional e, segundo penso com clareza, da corrupção nacional, porque, ao contrário do que se pensa, os funcionários públicos (em sentido lato, incluindo as elites dirigentes) não concentram os melhores e mais excelentes quadros nacionais; pelo contrário, são cidadãos "privilegiados" que nunca foram dignamente avaliados e que, neste momento de mudança qualitativa, se aliam aos sindicatos «comunistas» para garantir injustamente as suas regalias, o seu padrão de vida fácil, a sua arbitrariedade e incompetência e a sua reforma, fugindo à avaliação. Eles são os coveiros de Portugal: fruto da má governação, fomentam a corrupção e a degradação da democracia, da liberdade, da justiça e da igualdade em Portugal.
Esta leitura de fundo que faço do debate tem implicações em todas as políticas em curso (tese 4). Lisboa como capital concentra o maior número de elementos deste funcionalismo público. Se este governo deseja emagrecer o Estado para que o nosso crescimento económico alcance a média europeia, criando empregos bem remunerados, então deve "descentralizar", não só o poder político, mas também os investimentos. Assim, por exemplo, embora o Algarve constitua um destino turístico privilegiado, as campanhas de promoção do turismo português e da marca "made in Portugal" devem ser mais diversificadas, até porque os turistas do Japão, da China, da Índia, dos USA ou mesmo da Europa, não visitam Portugal para fazer (somente) praia ou golfe, mas para «saborear» a nossa cultura e o nosso património histórico ou mesmo «natural». Aquilo que fez a Espanha ou mesmo a Itália deve ser feito por Portugal: promover o seu património de Norte a Sul no mundo, portanto, reordenar o território, sem ser tentado a reduzir tudo a Lisboa e ao Algarve. Além disso, existem outras formas de turismo, em especial o turismo verde e o turismo paisagístico. O Douro e outras regiões (Gerês) deviam ser mais exploradas nesse sentido: viajar pelo Douro relaxa muito mais do que fazer praia no Algarve, sobretudo à noite!
Infelizmente, se os cursos de economia, de direito e de engenharia souberam garantir qualidade, de resto reconhecida internacionalmente, dado muitos portugueses emigrarem para outros países europeus, onde desempenham cargos de responsabilidade e de decisão, os cursos de Letras, Humanidades e de Ciências Sociais e Humanas constituem o lixo das Universidades portuguesas, devido à corrupção que invadiu as Universidades, com a preciosa ajuda de más políticas, da pressão católica e do sistema partidário. Tenho defendido desinteressadamente a Filosofia, mas sei bem que a maior parte dos professores de «filosofia» são destituídos de conhecimentos e de competências, e o mesmo pode ser dito de tantos outros cursos. Reconheço esta verdade triste, mas devo confessar que desenvolvi uma certa lusophobia ao longo da vida, não por ter medo mas por ter muita vergonha e nojo desses portugueses "diplomados", medíocres, invejosos, pouco inteligentes e corruptos maldosos. Portanto, devemos dizer que os maus professores não estão todos no ensino pré-universitário, mas também no ensino universitário. Sem alterar este sistema de favores e de cunhas, a reforma do ensino será sempre incompleta e eternamente adiada. A cultura superior simplesmente não existe em Portugal e os empresários pouco ajudam na sua criação (tese 5). Daí que seja uma seca dialogar com os membros das "elites nacionais" tão admiradas e promovidas por Fátima Campos. O emagrecimento do Estado deve ser feito de modo a melhorar o seu papel regulador na economia, o «motor da sociedade», não consentindo que as empresas aumentem as suas mais-valias à custa dos trabalhadores (tese 6). Os empresários portugueses também devem investir na "cultura viva" e não apenas na "cultura morta", até porque esse seria um caminho para aprenderem a fazer negócios em sintonia com o espírito que tem movido a Cultura Ocidental.
Anexo: Neste debate, como noutros, tem sido repetida constantemente uma in-verdade, ou melhor, uma terrível mentira: As Universidades Portuguesas e outras instituições do género não seleccionam os "MELHORES" alunos, mas aqueles que têm CUNHAS e/ou FILIAÇÕES religiosas, familiares ou partidárias adequadas. É o sistema de corrupção nacional em funcionamento normal. Tendo em conta esta terrível verdade nacional, o optimismo exibido pode ser lido em chave metabolicamente reduzida. Trata-se de realismo político. (Veja este post Catedráticos da Merda.)
J Francisco Saraiva de Sousa

29 comentários:

Aveugle.Papillon disse...

Precisamente! Uma seca!
Aos empresários interessa-lhes o lucro e, sinceramente, n os estou a ver a criarem a identidade e a independência que Portugal precisa. Se vamos a outros países da Europa: Espanha, França, Itália and so on... vemos marcas e distintivos do próprio país; pelo contrário aqui somos invadidos e sodomizados pelas marcas estrangeiras. Uma tristeza, passear numa baixa de qualquer cidade portuguesa... N há nada de "nosso", ou muito pouco.

Quanto à exploração do Gerês, acho que ele já é suficientemente "explorado"; tenho lá casa, conheço relativamente bem, pelo menos da parte do meu concelho, e mais "exploração" traria mais incêndios, sujidade e destruição. Já n basta terem "estragado" o Algarve.

J Francisco Saraiva de Sousa disse...

Papillon

Ontem o programa foi um desfile de empresas e gestores de "sucesso". Por isso, interrogo onde está a cultura superior e qual o papel que os empresários têm na promoção dessa cultura. Só conheço um que investiu nesse âmbito, Calouste, e não era português! Que centros de excelência não viciada são financiados pelos Amorins ou Belmiros?
Temos lugares muito bonitos que podem ser "explorados" de modo interessante, combatendo a desertificação e o isolamento dessas populações que precisam de contactos para sair da miséria cognitiva. :)

J Francisco Saraiva de Sousa disse...

De facto, aqui no Porto temos umas pseudo-elites fechadas que bloqueiam o desenvolvimento da city. São homens e mulheres có-có!

Aveugle.Papillon disse...

Já pensou que essas pessoas podem elas próprias procurar o isolamento?

N sei se tem conhecimento mas no Gerês há vários imigrantes de países desenvolvidos que vêm à procura de sossego. Tal como para as aldeias alentejanas e algarvias da costa vicentina.

Os aldeãos do Gerês (porque as vilas, nomeadamente, aquela onde tenho casa, é fora do parque nacional) são pagos por terem terrenos com árvores e os manterem assim.
A peculariedade daquela zona adveio precisamente pelo seu isolamento: fundindo ritos pagãos celtas e um fortíssimo culto católico. Trás-os-montes em geral, é extraordinário do ponto de vista social e antropológico pela sua "miséria cognitiva", ou o que o Francisco diz que é...

"Homens-cócó" são os que têm tanta coisa a atafulhar o cérebro que n conseguem ver a simplicidade como ela é.

J Francisco Saraiva de Sousa disse...

Papillon escreveu:

«"Homens-cócó" são os que têm tanta coisa a atafulhar o cérebro que n conseguem ver a simplicidade como ela é».

Para mim, são bloqueadores do futuro e coveiros do mérito. Basta ler o JN e analisar as críticas feitas aos novos projectos.

Protecção do ambiente é uma coisa diferente. Esse nunca seria um turismo de massas. Muitas aldeias abandonadas. A região que refere é muito pobre. Quando falo do isolamento, não me referi aos turistas mas às populações que aí vivem e viveram as suas vidas. Precisam de investimentos e novas oportunidades.
Já lhe disse que Portugal é pequeno e não precisa de mega-cidades mas de uma rede bem planeada que eleve TODO o país unido! Porto e Lisboa chegam como grandes cidades: acredito na "alta velocidade" para ligar mais. Porém, o Porto está a merecer especial atenção: o empreendorismo de que falaram ontem existe desde sempre no Porto, mas também pode ser desviado para más vias, as da droga, da prostituição e outras fáceis. Acredito (e sei) que Lisboa tb precisa disso, até porque uma cidade muito alastrada não é boa ideia! As outras cidades devem apostar na qualidade, sem sonhar com o GRANDE.

lp disse...

Vira o disco e toca o mesmo!
O atraso português encontra a sua explicação, segundo a cartilha do Francisco (e que qualquer neoliberal subscreveria), no «Estado gordo», nos «privilegiados» e corruptos que «vivem à sua custa» e nos governos PSDs - mas não nos PSs, quando até o «grande» Sócrates já nem problemas em criticar o governo Guterres (e de que aquele fazia parte!) para ao mesmo tempo se auto-elogiar e considerar-se como o «salvador» de Portugal!
Só se pode concluír, portanto, que a baixa produtividade da economia portuguesa tem as suas causas no Estado, mas nunca nas próprias empresas nem nos gestores e empresários apostados na exploração da mão-de-obra barata (que como disse o «grande» Ministro da Economia, em visita à China, é a nossa grande «vantagem» em relação a outros países europeus). São os funcionários públicos e o Estado quem impede que o empreendedorismo, a qualidade e o dinamismo dos empresários portugueses se manifeste e revele.
Qual é pois a solução para ultrapassar este estado de coisas? A receita neoliberal dá a resposta, e o PS (o «socialismo» moderno) encarregar-se-á de a pôr em prática: despedimentos mais fáceis, flexibilização das relações laborais, privatização dos serviços públicos e\ou o desviar dos portugueses da utilização de serviços públicos para os privados, etc, etc.
Não é por acaso que empresários de «sucesso» e «não corruptos», antigos PSDs e desde sempre grandes defensores da «causa socialista» apoiam o governo Sócrates. Primeiro foi o Júdice, agora é o Proença de Carvalho... Quem será o próximo?

J Francisco Saraiva de Sousa disse...

lp

Portugal está a mudar e quem olha para trás corre o risco de ser excluído. Ou melhor: auto-exclui-se e torna-se incapaz de compreender o mundo em que vive. A vida facilitada e garantida da "função pública" não trouxe qualidade mas inércia. Por exemplo, os professores alienaram-se das suas supostas competências e pensam unicamente na sua vidinha metabolicamente reduzida, nas férias e nas reformas.
Sim, os trabalhadores por conta própria ou no sector privado é que estão "lixados", porque trabalham e são avaliados.
O liberalismo político constitiu efectivamente uma grande vitória da Cultura Ocidental. E Marx está nessa grande linha ao reclamar a liberdade para TODOS!
O objectivo já não assenta em salários baixos: é precisamente esse modelo que está a ser mudado. Os portugueses não podem ser sacrificados para manter os privilégios injustos da Função Pública sem qualidade!

J Francisco Saraiva de Sousa disse...

Quanto ao enriquecimento do PS com quadros provenientes do PSD, não vejo onde esteja o mal. Significa que o partido está a crescer e a modernizar-se. :)

J Francisco Saraiva de Sousa disse...

lp

Claro que a receita é essa: a "segurança estatal" vai contra a livre iniciativa, a auto-realização, a competência, o mérito, a aprendizagem constante, enfim a mudança, gerando sempre mais corrupção, que actualmente anseia pela legitimação monárquica! Estranha coincidência! Um marxista sabe ler o seu sentido! O Estado português deve recriar-se em chave liberal e garantir a "igualdade de oportunidades" para TODOS. Isto é "socialismo moderno", sim...

J Francisco Saraiva de Sousa disse...

lp

Pensei e, como tenho falado de "marxismo liberal", tenho uma nova designação para o "socialismo moderno": LIBERAL-SOCIALISMO, a nova leitura de Marx que revela aquilo que foi rasurado pela "ortodoxia comunista": o carácter dialéctico do marxismo e a sua ansia pela libertação. Viva a Liberdade e a Solidariedade!

BEJA TRINDADE disse...

J. Francisco Saraiva de Sousa

Não basta encher a boca de liberdade.
Mas qual delas, a de uma minoria de fortes e poderosos esmagar a maioria dos fracos, como ontem e noutros programas, ditos de prós e contras, quando afinal está todo do mesmo lado como se viu?
É esta a liberdade da informação, que eu diria de manipulação que o sr. defende?
Estes programas, está provado que existem, nem mais, para servir os desígnios do Governo Sócrates/PS.
Não é necessário ser muito inteligente para ver, mais cego é aquele que não quer ver!

J Francisco Saraiva de Sousa disse...

Beja Trindade

Claro, os convidados da Fátima são todos bem posicionados. Ironizo sempre com esse traço do programa. Contudo, é preciso ter confiança no futuro e lutar para que ele seja sorridente! A liberdade também tem uma dimensão cognitiva, aliás a mais importante: Uma mente instruída é "mais" livre e independente. Por isso, luto pela qualidade da educação! :)

BEJA TRINDADE disse...

J. Francisco Saraiva de Sousa

Se quere que lhe diga, por falar em qualidade da educação, em minha opinião o ensino em Portugal dificilmente sairá dos padrões actuais, ou seja, um ensino feito à medida dos interesses instalados, para não dizer outra coisa.
É perfeitamente notório a qualidade que sobretudo as universidades "debitam" cá para fora, formados com muitas lacunas na área de conhecimentos gerais, que se tem verifica nos concursos televisivos, isto para além de outros factores de ordem ideológica, que então aí, é um autêntico descalabro, dire-se-ia
que parecem (perdoem-me a expressão) "cachorrinhos amestrados", naturalmente que há excepções.
Eles saiem de maneira geral afinados pelo mesmo diapasão de matriz ideológica conservadora.
Já fui aluno, do ensino técnico- profissional, e naturalmente que a maioria dos professores, dão as aulas transmitindo em simultâneo a sua matriz ideológica, segundo o bem estar e conforto da sua vidinha, não haverá aqui o culto da revolução, isso ficará para aqueles porventura mais esclarecidos, que sempre sofreram com a vida que tem.

BEJA TRINDADE disse...

J. Francisco Saraiva de Sousa

Se quere que lhe diga, por falar em qualidade da educação, em minha opinião o ensino em Portugal dificilmente sairá dos padrões actuais, ou seja, um ensino feito à medida dos interesses instalados, para não dizer outra coisa.
É perfeitamente notório a qualidade que sobretudo as universidades "debitam" cá para fora, formados com muitas lacunas na área de conhecimentos gerais, que se tem verifica nos concursos televisivos, isto para além de outros factores de ordem ideológica, que então aí, é um autêntico descalabro, dire-se-ia
que parecem (perdoem-me a expressão) "cachorrinhos amestrados", naturalmente que há excepções.
Eles saiem de maneira geral afinados pelo mesmo diapasão de matriz ideológica conservadora.
Já fui aluno, do ensino técnico- profissional, e naturalmente que a maioria dos professores, dão as aulas transmitindo em simultâneo a sua matriz ideológica, segundo o bem estar e conforto da sua vidinha, não haverá aqui o culto da revolução, isso ficará para aqueles porventura mais esclarecidos, que sempre sofreram com a vida que tem.

J Francisco Saraiva de Sousa disse...

Concordo, sou contra esse ensino. por isso, falo de "professores da merda". É evidente que só tratam da sua vidinha e, em relação aos privados, são privilegiados. Agora na Páscoa vão fazer férias a um país tropical...

lp disse...

O ensino está mal devido aos professores, diz o Francisco. A solução passa pelo plano «educativo» socrático: aquele plano que consegue o «milagre» de ter mais alunos no ensino, mas ao mesmo tempo ter menos professores e gastar menos dinheiro. Mas, a bem da verdade, andar a dar diplomas através dos «novos oportunismos» também não fica caro, de facto... Este milagre educativo passa também, como ontem foi anunciado por Sócrates, por equipar todas as escolas com ligações à internet de 100 Mbps e com quadros electrónicos. Excelente! Agora a aprendizagem e o estudo dos alunos só podem dar-se a grande velocidade! À velocidade da infantilização acelerada, dos cliques e dos copy\pastes...
Deste «novo» sistema de ensino só podem sair pessoas mais qualificadas e preparadas para o mundo competitivo global. Com um diploma na mão e com um computador na outra (mas com nada na cabeça) os salários destes novos profissionais só podem ser mais elevados... que os de alguém que viva no mundo subdesenvolvido e que esquece a formação. Mas depois a culpa é dos professores e do Estado. Do Estado até será enquanto tivermos oportunistas e políticos de plástico à frente do governo. Dos professores só será se eles se resignarem e pactuarem com esses tais políticos.
Agora, quem não se resigna mas pactua com este governo são os Júdices e os Proenças da nossa praça. Porque eles sabem muito bem que não são eles que enriquecem o PS (antes o descaracterizam - qualquer dia até o Portas adere a este PS mais moderno). O que eles sabem é que este PS é que os enriquece a eles: como disse, o verdadeiro Marx, é o Estado a pôr-se ao serviço da classe dominante. O Júdice acabou de comprar um grande hotel do Porto e anda de olho na zona ribeirinha de Lisboa; o Proença quer ver se apanha o novo canal de televisão. Mas os corruptos e privilegiados são os funcionários públicos...
Foi aquele mesmo Marx quem falou em luta de classes (na dialéctica da luta de classes) e que o Francisco prefere ignorar para inventar (na linha dos Vitais Moreiras e ideólogos do novo «socialismo») uma nova dialéctica que opõe os trabalhadores do sector privado aos do público, como qualquer neoliberal faria.
Acho muito bem que você se modernize ideologicamente, mas seja coerente e modernize-se absolutamente: rejeite as palavras «marxismo» e «socialismo» que estão a mais em qualquer linguagem moderna e virada para o futuro (semelhante ao passado do século XIX); deite-as para o lixo (até porque já não há gavetas para isso) porque são antiquadas demais para este tempo «moderno». Ou será melhor dizer, pós-moderno? Sim, o «liberal-socialismo» só pode ser um exemplo de uma corrente mais própria de tempos pós-modernos e relativistas...

J Francisco Saraiva de Sousa disse...

lp

Na minha análise, já alertei para a ascensão das "novas classes dirigentes" e a cleptocracia! É a classe dominante que usa e usou o Estado para enriquecer. Parece que defende esse Estado corrompido! Estranho!
Se os alunos não têm nada na cabeça, os professores são responsáveis!
Quem ganha o salário mínimo ou equivalente são os trabalhadores privados e não os funcionários públicos. Francamente, Marx nunca defendeu funcionários públicos! Defendeu os explorados e oprimidos! E defendeu a LIBERDADE para TODOS! Eis a diferença: Socialismo liberal!

J Francisco Saraiva de Sousa disse...

lp

O seu "Marx" parece um "ditador burocrático" tipo kafkiano. Isso não é Marx: um teórico da libertação.
Há uma diferença entre a Ideologia Alemã e O Capital, embora a obra mais relevante neste momento seja a Contribuição à Crítica da Economia Política e os Manuscritos de 1844.

Aveugle.Papillon disse...

Sim, mas eles próprios, os que residem no Gerês, tb carecem de ideias para potenciar a sua terra. São alemães, por exemplo, que se lembram de fazer artesanato e marcenaria com matéria-prima de lá. Pessoas com iniciativa e a pensar na "cultura viva" são poucas. Durante este tempo todo têm-se apoiado nos subsíduos; parece que agora vão acabar e ter gado, por exemplo, já n vai ser tão rentável...

Mas n queria ter parecido snob e resguardar o meu pequeno paraíso. Aliás, faço imensa publicidade para as pessoas viajarem até lá e comungarem com a natureza, ainda selvagem.
Sou uma progressista. :)

p.s.: o seu texto "catedráticos de merda" está num tom muito mordaz, como eu gosto! :))

ps.2: uma auxiliar de acção educativa recebe salário mínimo e é funcionária pública.

Aveugle.Papillon disse...

http://www.avaaz.org/en/tibet_end_the_violence/97.php/?cl_tf_sign=1

Stand with Tibet - Support the Dalai Lama

lp disse...

«Se os alunos não têm nada na cabeça, os professores são responsáveis!»

Pois... O meu comentário anterior já responde a isso. Por isso não vou repetir-me. Para isso já chega a Ministra da Educação que, como hoje se viu no Parlamento, só repete a mesma cassete de sempre (aulas de substituição, inglês na primária - que está visto que é para este governo mais importante do que o português) evitando responder às diversas questões colocadas por todos os partidos (com a excepção do PS, claro), para depois fazer o mesmo que você: culpar os professores.
Marx defendeu os trabalhadores e a sua emancipação em relação ao patronato, aos proprietários dos meios de produção. Você é que se apropriou da linguagem neoliberal para opôr trabalhadores «privilegiados» do Estado a trabalhadores do sector privado. Mais: como eu já disse, você «esquece-se» da classe que se opõe aos trabalhadores, do que é a luta de classes, e por isso é natural que você transforme o marxismo num neoliberalismo, e queira nivelar as condições de trabalho por baixo. Porque eu nunca o vi muito preocupado com os baixos salários e condições laborais do sector privado, mas sim com os «privilégios» de quem trabalha para o Estado.

J Francisco Saraiva de Sousa disse...

lp

Claro, os professores não constituem uma classe social e, na luta de classes, são, como dizia Lenine, "pequeno-buegueses". quem não está preocupado com os salários mínimos, o desemprego e os verdadeiros trabalhadores são os professores. Ou já têm um projecto político que transcenda os seus interesses privados ou corporativos? O Estado não pode objectivamente sustentar a população ou, pior ainda, os funcionários públicos à custa da população! Meios de produção e sua propriedade: acha que é isso que distingue Marx? Acha que o Estado produz dinheiro do nada? Faz a apologia da burocracia? Luta de classes? Os professores? Querem conquistar o poder político? Ou querem manter privilégios fáceis? A escola não são somente os professores! O "público" significa acesso à escola por parte dos alunos, porque os professores são pagos pelo Estado! Cumpriram a sua missão educativa? Sabe que há bons professores que, mesmo em condições adversas, ensinam e educam, sem exigir pagamentos adicionais! Isto chama-se VOCAÇÃO! Um conceito moderno e não pós-moderno. Pós-modernos são os professores vazios!

J Francisco Saraiva de Sousa disse...

Papillon

Concordo com a independência do Tibete! :)))

Manuel Rocha disse...

Hummm....

Voltando ao tema do post, é para mim óbvio que as questões que hoje se colocam à "economia" são terrivelmente limitadas e conjunturais. Algo bastante em linha com o carácter imediatista da nossa maneira de estar no mundo. Veja, por exemplo, se a questão da sustentabilidade do aprovisionamento energético foi tocada ? Nada ! E no entanto, o corpinho do comum mortal todos os dias consome 2.500 kcal ! Não são nem euros nem dólares, e não varia em linha com a bolsa nova iorquina. Mas disso não se fala! Saberá a Papillon como sucedeu este enorme desvio relativamente ao conceito grego fundador da economia ? Eu não !

J Francisco Saraiva de Sousa disse...

Não se fala dos verdadeiros problemas numa linguagem verdadeira. Há qualquer coisa na atmosfera que enloquece os neurónios...

BEJA TRINDADE disse...

J. Francisco

quando faço a crítica ao ensino que temos, não quero de maneira geral culpar os professores, mas sim os programas estabelecidos pela burguesia reinante!

J Francisco Saraiva de Sousa disse...

Sim, percebi isso: já critiquei esses programas! :)

quintarantino disse...

Duas achegas apenas e quase desnecessárias tal a qualidade das intervenções aqui tecidas e com as quais nem sempre concordo.

O discurso sobre o funcionalismo público não se pode circunscrever a essa dicotomia de privilégios públicos/sacrifícios privados.

Enveredar por essa via é ignorar que os maiores privilegiados são os que integram os ditos corpos/carreiras especiais, alguns quadros de topo e que quase tudo o resto é paisagem.

Como alguém já disse, um auxiliar de acção educativa é funcionário público mas sabem mesmo quantoa aufere?
E sabem quanto auferem os quadros da Administração Local?

Há privilégios, é certo mas não tão desmessurados quanto isso.

Avaliação? Sim e não.
Conheço casos aqui no Vale do Ave de empresas onde em certas secções há 4 trabalhadores que deitam abaixo um garrafão de vinho no período laboral.
Ou que não fazem nada.
Que trazem material para casa.

Maus e bons há-os em toda a parte, embora entre nós predominem mais os primeiros.

No que ao Ensino concerne, não posso deixar de me interrogar como é que alguns querem que todos os intervenientes do processo educativo e factores sejam culpados pelos males do Ensino, menos os professores ...

J Francisco Saraiva de Sousa disse...

Quintarantino

Obrigado pelas "achegas" pertinentes, com as quais concordo. Como lhe disse no seu post, a mudança é um imperativo.