domingo, 13 de julho de 2008

Mutilações Genitais e Cultura Feminina

Dedico este post ao primeiro aniversário de "Rabiscos e Garatujas" da Denise, com votos de vida longa e feliz.
As intervenções cirúrgicas, tais como a subincisão ou a infibulação, são procedimentos praticados frequentemente nas nações islâmicas de África e do Médio Oriente que restringem e reduzem directamente a capacidade das mulheres para experienciar gratificação sexual nas relações sexuais. A infibulação é uma cirurgia genital destinada a impedir as relações sexuais. No homem, consiste numa perfuração do prepúcio, na qual se introduz um anel ou fivela com o objectivo de o fechar, como sucedia entre os antigos romanos, e na mulher esse resultado é obtido pela excisão ou mutilação do clitóris, seguida pela ressecção e costura das paredes labiais da vulva, de modo a reduzir aproximadamente a metade o diâmetro do orifício vaginal. Esta última prática é realizada geralmente antes da puberdade e é seguida pela abertura da vulva no momento do casamento, como sucede com as "mulheres cosidas" dos Somalis. A excisão consiste na ablação de certos órgãos genitais femininos externos: a labiotomia consiste na ablação mais ou menos extensa das paredes labiais da vulva, e a clitoridectomia, na ablação do clitóris. Outra prática de mutilação genital frequente em certas tribos australianas é a discissão da uretra: a perfuração ritual da uretra na base do pénis, cuja efeito é impedir a fecundação por meio do desvio do esperma, obrigando os homens a urinar como as mulheres, pela força da gravidade. Todas estas cirurgias visam suprimir certas partes dos órgãos genitais externos e, por isso, constituem mutilações genitais.
A circuncisão é uma cirurgia que consiste na ablação do prepúcio, enquanto a excisão ou subincisão implica uma mutilação do clitóris. Em ambos os casos, trata-se de um rito de iniciação (Van Gennep, Mircea Eliade), cujo objectivo essencial é a confirmação do indivíduo no seu sexo, não só biológico, mas também e sobretudo cultural, como estatuto social definido. A sua finalidade simbólica é, como mostrou Bruno Bettelheim, a supressão de toda a ambivalência (o "fantasma hermafrodita" ou a "constituição bissexual") pela eliminação do símbolo feminino no homem (prepúcio) e do símbolo masculino na mulher (clitóris): a circuncisão e a excisão são "cicatrizes" ou "feridas simbólicas" do género secretamente desejado e não meramente imposto pelos adultos às crianças. Trata-se assim de uma operação simbólica pela qual a natureza biológica é "confirmada" e submetida à ordem da cultura que é, no fundo, a lei dos adultos.
Bruno Bettelheim encarou estes ritos e as suas práticas cirúrgicas como esforços positivos realizados pelas crianças e pela sociedade para conciliar as grandes antíteses entre a criança e o adulto, entre o homem e a mulher, enfim, entre os desejos infantis e o papel prescrito a cada sexo pela biologia e pelos costumes da sociedade. A inveja que cada ser humano tem do outro sexo leva-o a desejar adquirir órgãos semelhantes e também a ter em seu poder e sob o seu controle o aparelho genital do outro e as suas capacidades. Em vez de criar a angústia da castração, os ritos de iniciação tendem a dominá-la, através do controle dos conflitos provenientes dos desejos pulsionais polivalentes e também do conflito entre esses desejos e o papel que a sociedade atribui aos seus indivíduos. O cumprimento do desejo secreto que cada sexo manifesta pelas características do sexo oposto, derivado da diferença sexual, implica a manipulação dos nossos próprios órgãos genitais. Ao contrário de G. Róheim, Bettelheim abandona o modelo androcêntrico, o de Freud, segundo o qual a "inveja pelo pénis" manifestada pelas raparigas as leva a admitir que é desejável "ser homem", a favor de um modelo ginocêntrico: os homens invejam as mulheres, sobretudo os seus poderes de fertilidade, e desejariam "ter nascido mulheres". Se a vagina kleiniana era a cavidade que recebia o seio e, ao mesmo tempo, a cavidade habitada pelo pénis do pai, herdeiro do seio, o intenso desejo de castração dos homens anseia por uma vagina que exclui, na perspectiva implícita de Bettelheim, o falo do pai e subordina a concepção à fertilidade como condição fundamental da feminilidade. Contudo, num segundo momento, as mutilações genitais acabam por levar à decepção: os indivíduos são confirmados nos seus respectivos papéis sexuais e desse desejo secreto restam apenas as feridas simbólicas.
As organizações feministas têm protestado recentemente contra as práticas cirúrgicas da excisão (mas não da circuncisão) que fazem parte integrante, na maior parte das culturas arcaicas e civilizadas, dos ritos de iniciação que começam no berço e terminam no túmulo, sem levar em conta que os ritos de passagem são fundamentalmente renascimentos simbólicos que dão acesso a um "estatuto social superior". Germaine Greer, uma feminista, além de denunciar o etnocentrismo subjacente a estes protestos europeus, rejeita a ideia feminista predominante de que a infibulação e a subincisão são apoiadas e produzidas pelos homens. Deste modo, ajuda-nos a recolocar a questão das mutilações genitais à luz da teoria da troca social e a testar os seus dois modelos: o do controle masculino e o do controle feminino.
Quem apoia e realiza estas práticas de cirurgia genital feminina? Diversos estudos empíricos revelaram que são as mães ou as avós que decidem quando, onde e qual a rapariga que irá ser submetida à operação. O grupo das mulheres encara esta cirurgia como uma "marca de status positivo" e as raparigas que ainda não foram sujeitas a tais procedimentos cirúrgicos são escarnecidas, atormentadas e depreciadas pelas suas próprias amigas. A cirurgia genital é quase sempre realizada por uma mulher, geralmente uma parteira, e os homens são completamente excluídos. As mulheres justificam estas cirurgias genitais, alegando que promovem a saúde e que preparam as mulheres para o casamento, como se os homens preferissem casar com mulheres sexualmente mutiladas.
Contudo, diversos estudos mostraram que os homens sudaneses casados com diversas mulheres preferem as mulheres não submetidas à cirurgia genital, portanto, mulheres intactas ou, pelo menos, pouco mutiladas. O facto de preferirem as mulheres europeias mostra que os homens preferem mulheres que possam gozar, apreciar e desfrutar o prazer sexual. Isto significa que a subincisão e a infibulação não parecem favorecer o prazer sexual masculino e, embora possam ser vistas como uma maneira de assegurar a fidelidade das mulheres através da danificação da sua capacidade para desfrutar sexo extraconjugal, a preferência dos homens por mulheres sexualmente intactas não abona a favor da teoria do controle masculino abraçada pelas organizações feministas, a qual tem maior capacidade explanatória em relação às mutilações genitais masculinas. Embora sejam geralmente contrários à mutilação genital extensa e profunda das filhas, os pais tendem a não exprimir nenhuma opinião, deixando o assunto entregue às mães e às mulheres. Os procedimentos cirúrgicos são basicamente decididos e apoiados pelas mães e pelas avós e estão muito enraizados e controlados na e pela cultura feminina. A evidência empírica disponível indica que as mulheres controlam e conservam estas práticas cirúrgicas, o que abona a favor da teoria do controle feminino e contradiz a teoria do controle masculino.
J Francisco Saraiva de Sousa

54 comentários:

Aveugle.Papillon disse...

Bom dia.

O Klatuu deixou um comment no meu blog e fui visitar o blog dele e o seu último post, (não percebi se era fictício ou não), fala de um estudo sobre as preferências sexuais de vários povos.
http://cronicasdapeste.blogspot.com/

J Francisco Saraiva de Sousa disse...

Olá Papillon

O blogue da Denise festeja o seu primeiro aniversário. Já lhe deixei as minhas felicitações.

Li o tal post que referiu e fiquei com a impressão que se trata de um estudo dos estereótipos nacionais relativos ao sexo. :)

Aveugle.Papillon disse...

A teoria é: nascemos imperfeitos, porque possuímos um sexo dominante e um vestígio do outro, o qual pode desencadear "desejos pulsionais polivalentes", portanto, se o desejo for unívoco, este causará menos sofrimento ao indivíduo e menos possibilidades de perturbar o equilíbrio da comunidade. A inveja natural é atenuada culturalmente, na base da certificação. É isto?

Depois: a teoria do controle feminino sobre as mutilações genitais femininas, advém do quê especificamente? Falou ontem da competição intrassexual: significa competição entre mulheres para receberem a semente do macho alfa? Quanto mais assexuadas, mais desejáveis? Acabou por desconfirmar isto, por isso, gostava de perceber. :)

Aveugle.Papillon disse...

Ah, espere, a resposta deve ser a que está no post abaixo, sobre a gestão dos "recursos" femininos! Se a mulher for o mais assexuada possível, ou pelo menos, se segurar o seu bem, tem mais margem de manobra na obtenção dos recursos masculinos! Temos, então, respostas de duas ordens para a mutilação genital feminina.

J Francisco Saraiva de Sousa disse...

Exacto, e também estava a pensar que os dois modelos podem ser integrados num modelo de antagonismo sexual: intrasexual e intersexual.

Sim, o BB é mais interessante ao nível da criação de termos e de conceitos. Porém, procurou desembaraçar-se do falocratismo de Freud. Ambos esqueceram que no Ocidente, com excepção dos judeus, nunca predominou a circuncisão...

J Francisco Saraiva de Sousa disse...

Sim, este post está na continuidade do post anterior e gira em torno da teoria da troca e dos seus dois modelos: controle masculino versus controle feminino. Introduz BB, porque a teoria da troca é avessa à psicanálise; o BB é revisionista e tem frases que indicam a manipulação masculina e feminina. Daí que possa ser uma fonte de inspiração para uma versão sofisticada do antagonismo sexual.

Os estudos que refiro são provenientes das nações africanas islâmicas: Etiópia, Sudão... nessa zona. As mutilações australianas e africanas primitivas têm uma especificidade especial, explorada por Róheim em sintonia com Freud: o domínio masculino, como se esses homens fossem homofóbicos e submetemssem as mulheres a mutilações para não encontrar nelas algo pendente que lhes faz lembrar o seu próprio pénis.

Aveugle.Papillon disse...

"algo pendente"... o clítoris só muito forçadamente se parece com um pénis!
Mas há mulheres que podem ter clítoris um pouco maiores... Lembro-me, numa colónia de férias de Verão, de ver uma colega nua com um grande clítoris. Fiquei chocada, nunca mais me esqueci da imagem. :)

J Francisco Saraiva de Sousa disse...

Sim, esse é outro aspecto da questão: o exercícios de alongamento do clitóris e o travestismo (usar roupa do sexo oposto nos rituais de iniciação). Existem outras mutilações corporais, mas é difícil integrar tudo.

J Francisco Saraiva de Sousa disse...

Claro, Freud via isso como uma separação da criança da mãe, a homossexualização da sua relação com o pai (o consumo do sémen dos Sambia), a interiorização do modelo e da proibição paternal e a emergência do superego. O BB não captou intencionalmente esse momento de separação que faz parte dos rituais de iniciação: separação, transformação e reagregação. Supõe esse desejo primordial...

Aveugle.Papillon disse...

Mutilar significa amputar, extrair. Fazer alongar o clítoris, (que não foi o exemplo que eu dei, porque nós tínhamos 12 anos, ela nasceu assim), deve-se inscrever num âmbito mais geral, como metamorfose ou devir.

J Francisco Saraiva de Sousa disse...

Sim, os tamanhos variam em função de factores genéticos e hormonais, embora possam ser trabalhados pela prática...

Sim, não são mutilações..., mas podem ser vistos como manifestação dessa inveja pelos atributos e capacidades do sexo oposto. Apenas uma pista, nada mais...

J Francisco Saraiva de Sousa disse...

Mas tb pensava no pénis subincisado à la Róheim, o qual parece ser mais grosso quando erecto do que o pénis normal. A consequência é a acentuação da angústia do penis captivus fora do coito.

Aveugle.Papillon disse...

Sim, eu concordo com essa teoria da inveja. O ideal é o hermafroditismo, como diz Platão no Symposium. Mas, acho que a inveja por parte dos homens não é pela concepção, mas pela receptibilidade sexual, não sei encontrar melhor termo.

Aveugle.Papillon disse...

Não percebi o comentário das 17h19m. O que é "subincisado"?

J Francisco Saraiva de Sousa disse...

Sim, talvez... Klein conduz-nos à oralidade e repare que nela a vagina abriga o seio: oralidade.

Interessante, porque o homem metabolicamente reduzido pode ser "oral", o que nos leva a uma sindrome: Klüver-Bucy.

J Francisco Saraiva de Sousa disse...

O pénis... sem prepúcio, aquele que é "desejado" hoje por homens adultos que procuram a cirurgia por questões de prazer e dimensão...

Aveugle.Papillon disse...

O pénis que falava ontem era muito grande. Mas pensava q era por genética! :)

Aveugle.Papillon disse...

Hmmmm... o Francisco é perverso no que diz, se eu entendi bem.

Quando fala em "oral", significa que tenha ficado retido na fase oral? E associa-a à feminilidade? Logo associa à feminilidade ao seu "metabolicamente reduzido" - mau!

J Francisco Saraiva de Sousa disse...

Eu nunca falei das personalidades no pénis aqui? Também não me apetece: um delírio..., ao qual se adiciona o superorgasmo, mais outro delírio... :(

Aveugle.Papillon disse...

Tem um texto sobre isso, sim, que eu li e comentei. :)

J Francisco Saraiva de Sousa disse...

Eu... estava a pensar nos centros cerebrais do sistema límbico e nas suas comunicações químicas e em lesões ou danificações dessas áreas... Muito longe do que me atribuiu! :(

Aveugle.Papillon disse...

Ok, então, peço desculpa - eu avisei: "se eu o entendi bem". ;)

J Francisco Saraiva de Sousa disse...

A Pappilon é que insinuou a fase anal... :)

J Francisco Saraiva de Sousa disse...

Essa teoria do desenvolvimento psicosexual de Freud precisa ser criticada, emboras as áreas cerebrais estejam todas concentradas...

Aveugle.Papillon disse...

Sim, insinuei, pûs em hipótese, mas n sei; aliás, só tento perceber.

J Francisco Saraiva de Sousa disse...

Sim, há a passividade generalizada que talvez provoque essa analidade..., a qual tem ligação com a agressividade. Ya, uma pista...

J Francisco Saraiva de Sousa disse...

Aliás, induzindo lesões selectivas na amígdala dos macacos observamos esses comportamentos: levar tudo à boca, explorar com a boca, ausência de concentração, comportamento homossexual, etc. :)

Aveugle.Papillon disse...

Uma pista, bom! :)

Vou agora ver a Orquestra de Jazz de Matosinhos no CCB! :)

J Francisco Saraiva de Sousa disse...

Um desafio que coloco é saber como o modelo do controle feminino explica o homicídio conjugal e a violência doméstica! O modelo do controle masculino explica estes fenómenos facilmente: o homem para evitar a infidelidade da parceira adquiriu esse programa de assassinar a mulher sempre que esta desafiava a segurança da sua paternidade. Um dia faço esse post! :)

Outro desafio: as leis feitas pelos homens controlam mais as mulheres ou os outros homens? As penas atribuidas aos crimes sexuais são mais pesadas para os homens... ou não?

Aveugle.Papillon disse...

No outro dia falava do Pinho Vargas, e hoje esteve mesmo ao meu lado, a escrever num caderninho em cima do muro onde eu estava sentada! Velhinho querido. :)

Vi uma vez num programa norte-americano discutir-se sobre o homicídio de mulheres grávidas por parte dos seus relativos maridos, devendo-se ao ciúme que teriam dos futuros filhos. Já não seriam o centro da atenção, a mulher-grávida e a mulher-mãe perderiam a sua disposição sexual, e daí, a justificação da união.

J Francisco Saraiva de Sousa disse...

Tadinho do Pinho Vargas, o "Velhinho querido" no conceito da Papillon. É poeta ou músico? Viu o que ele escrevia no "caderninho"? Estou a brincar; estou a ver Tróia, o filme.

Já me deu uma ideia: só os heróis são imortais; os outros são esquecidos. Aquiles é imortal, porque viveu a matar simplesmente pelo desejo da imortalidade. Estou atraído pela luta contra esta falsa paz... Precisamos de um Aquiles!

Denise disse...

Agradeço-llhe, Francisco, o mimo da dédicace :)

A mutilação genital, seja ela feminina ou masculina horripila-me sobremaneira. Incluo os piercings como variantes soft. Aliás, tudo o que provoque alteração do corpo. Tatuagens, incluídas.

Papillon,
Não sei se deveremos considerar o Pinho Vargas um "velhinho". É um homem na sua plenitude e charmoso por sinal ;-)

Aveugle.Papillon disse...

Bom dia.

"Velhinho querido" foi uma maneira amorosa - não se alarmem! :)
O Pinho Vargas é músico, senhor F. Músico de Jazz e portuense. Falámos disso no outro dia.

Francisco, quer ser Aquiles?
O Francisco é maravilhoso de inominável que é, mas n se esqueça que os guerreiros da Ilíada são falso ideal, são bárbaros, à maneira da "besta loira" de Nietzsche. O puro exercício da força não transforma.
(Por acaso o Brad Pitt é mesmo besta loira! Prefiro o Orlando Bloom - mais fino!)

J Francisco Saraiva de Sousa disse...

Olá Papillon, Olá Denise

Hoje estou cheio de sono, porque não dormi quase nada...

Ser um Aquiles? Até seria bom... A vida é tão ridícula e ninguém se apercebe disso: vivem como se estes jogos valessem a pena.

O Jacques André associa a sexualidade feminina com a oralidade, mas não estou com cabeça para lhe prestar atenção. :(

Aveugle.Papillon disse...

Ai! O que é que se passou?
Nem parece o mesmo! Acordou trágico!
Hoje dorme melhor e depois passa!

Vou investigar esse Jacques André!

J Francisco Saraiva de Sousa disse...

Estou com sono; é isso... Andei toda a noite frenético e o resultado foi este. Quando fiu tomar café, nem cabia a cor das notas e fiquei confuso. Mas passa...

Esse JA é meio tolinho, mas produziu uma teoria das origens femininas da sexualidade que inclui o orgasmo bulímico e anorético.

J Francisco Saraiva de Sousa disse...

Ou melhor:

Bulimia: orgasmo alimentar.
Anorexia: orgasmo da fome.

Ambas são momentos da sexualidade feminina: da genitalidade à oralidade. Segundo o JA.

Aveugle.Papillon disse...

Não percebi essa diferença de orgasmos: é metafórica ou real?
Jacques André segue Klein ao relacionar a sexualidade feminina à oralidade e analidade, a sexualidade da sucção e da recepção. :)

J Francisco Saraiva de Sousa disse...

É tudo um universo simbólico resultante de exegese. Hoje não estou com paciência para tanta castração narcísica. Por isso, não gosto da psicanálise: um universo muito fictício e "patológico", além de circular.

(Quanto ao outro assunto, a resposta é um sorriso filosófico: estou noutra!) :)

Aveugle.Papillon disse...

Qual outro assunto?

J Francisco Saraiva de Sousa disse...

Referia-me ao outro cyberdiálogo..., mas já lhe respondi lá... Estamos em Portugal onde esses comportamentos são vulgares... Não há nada a fazer. :)

J Francisco Saraiva de Sousa disse...

Amigos

Adicionei dois blogues de um amigo poeta brasileiro: Prosamundo e Poemargens. :)

André LF disse...

Olá, amigos!
Francisco disse:
"Por isso, não gosto da psicanálise: um universo muito fictício e "patológico", além de circular".

Além da psicanálise, muitas escolas da Psicologia também apresentam tais características. Já estou farto de ser psicólogo. É muita lama psíquica e poucas flores da alma:(
Há até uma anedota sobre o psicanalista:
O psicanalista é aquele profissional que, diante de um jardim de rosas, pergunta "onde está o estrume"?
:)

J Francisco Saraiva de Sousa disse...

Olá André

Também ando atarefado mas arranjo sempre um tempinho para os cyberamigos. Espero que esteja tudo fixe consigo.

Sim, a psicanálise diz cada barbaridade! Nós não somos submetidos à circuncisão..., apenas os judeus o são. Já é difícil aturar as nossas "manias", mas a "castração" é muito forte. :)

J Francisco Saraiva de Sousa disse...

Denise

Conheci um dominicano casado com uma bigbigbig-portuguesa que o trouxe das férias na R. Dominicana, e o homem que diz "ser quenteee" é muito feioooooo, um coiro de man... Afinal, não são só as canadianas mas tb algumas portuguesas que desfrutam dos pénis dominicanos... ;)

André LF disse...

Francisco, curioso é ver os gringos babões vindo ao Brasil atrás da aBUNDÂncia das brasileiras. Parecem marinheiros que não vêem mulheres há anos. Trata-se de mais uma manifestação da sexualidade metabolicamente reduzida :(

André LF disse...

Certa vez, no Rio de Janeiro, vi um alemão desesperado por ninfetas cariocas. Como se diz por aqui, ele estava numa "seca brava", sem ver mulher há anos :)

J Francisco Saraiva de Sousa disse...

Sim, há certos fenómenos que são difíceis de compreender: com as mulheres nada, com as outras ficam esfomeados. Os alemães estão a ficar sem imaginação erótica a avaliar pela sua produção pornográfica...

André LF disse...

Vi alguns filmes pornôs alemães e fiquei estarrecido com a falta de imaginação dos atores e com o excesso de condutas barbáras.

André LF disse...

"bárbaras"

J Francisco Saraiva de Sousa disse...

Sim, a Europa está moralmente decadente e a degenerar: as crianças iniciam-se muito cedo na vida sexual e as raparigas não largam os rapazes. Somando os efeitos dos mass media e a vida sem problemas e dificuldades, esses rapazes acabam por se cansar do sexo convencional e partem para outra...

André LF disse...

Francisco, hoje me aconteceu um fato muito curioso:
Enquanto lia um livro, em um banco de ponto de ônibus, fui abordado por uma senhora que me pediu dinheiro para tomar café. Nada lhe dei, pois desconfiei de seus propósitos. Ela ficou me rodeando e decidiu interpelar a moça que estava ao meu lado. Pediu-lhe dinheiro e a moça também não lhe deu. Insistente, a velhinha lhe ofereceu um folheto contendo recados “edificantes” de determinada igreja e afirmou que era missionária. A moça foi embora e a velha continuou ao meu lado. De repente aparece um sujeito com feições grosseiras – como a maior parte dos brasileiros – e trata a senhora de modo ríspido. Mete-lhe na bolsa aqueles folhetos que ela tinha dado à moça. Além do dinheiro, o malandro depositou na bolsa da velha cerca de dois reais, possivelmente o salário da senhora. Imediatamente percebi que o bárbaro tupiniquim estava explorando aquela senhora. Indignado, perguntei a ela se aquele rapaz a estava explorando. Assustada com a minha raiva, ela me disse, resignadamente: “Fazer o que não é?”. Afirmei que ele era um criminoso e que a polícia tinha de saber destes fatos ilegais. Assustada, ela me disse que aquele era o seu filho e que ambos estavam cumprindo uma missão de Deus. Afirmei que certamente Deus achava aquilo um absurdo e esperava que aquela senhora tivesse uma velhice digna e oportunidade de descanso, afinal ser alvo da ganância de um malandro daqueles era uma tremenda injustiça. Aí o tempo fechou para mim. Ela me disse que não se importava com a minha opinião e que ela estava a serviço de Deus. “Senhora – protestei – Deus deve estar cansado de tipos como este que a está explorando. Ele deve estar de saco cheio da humanidade”
Ela ficou furiosa. Fui embora, sob uma saraivada de imprecações da velha. Chamou-me até de demônio...
Sinceramente o mundo está um hospício a céu aberto. Pululam malandros, velhas oportunistas, mendigos, empresários facínoras, etc. A lista de doidos é imensa.
Meu Deus, mas e esta senhora? Será ela mais malandra que o seu “filhinho” estelionatário? Ah, se eu fosse policial. Metia aquele vagabundo na cadeia. Dava-lhe uma sova daquelas.
Assim que disse à senhora o que pensava sobre aquele esquema criminoso, ela sai-me uma velhinha diabólica. Seus olhos ficaram injetados e aquela postura resignada, de cristã submissa, deu lugar à fúria e à indignação contra aquele que descobriu os seus estratagemas.
No Brasil o crime possui múltiplas feições. Somos um povo muito engenhoso em conceber maquinações criminosas...

J Francisco Saraiva de Sousa disse...

Bom texto, André. Cheguei agora... :)

André LF disse...

Gostaria que este texto fosse obra da minha imaginação, Francisco.
O pior é que ele é um registro fiel do que me aconteceu hoje de manhã, enquanto esperava pelo ônibus :)