quarta-feira, 14 de abril de 2010

Pensamento Conservador e Inquisição


O pensamento conservador de matriz cristã é terrorismo inquisitorial que, no caso de ter uma oportunidade, elimina fisicamente todos aqueles que amam a liberdade e o pensamento. A Inquisição Romana condenou à morte na fogueira Giordano Bruno (1548-1600), acusando-o de ser herético. Quando menciona Espinosa, Goethe está a fazer alusão a Giordano Bruno: a sua substância é vista com os olhos ébrios do mundo de Bruno, cujo fogo ilumina a interpretação que apresenta de Espinosa. O panteísmo bruniano - a sua heresia - é, como observou Schopenhauer, «a forma mais cordial de abdicar de Deus». Porém, antes de o ter queimado na fogueira, o Santo Ofício submeteu-o a terríveis torturas e maus tratos durante os seus últimos oito anos de vida. A peripécia da prisão de Bruno é verdadeiramente macabra: Com a desculpa de desejar aprender a arte da memória, Giovanni Mocenigo conseguiu atrair Giordano Bruno - que vivia em Frankfurt - até Veneza. Depois de o ter trancado num quarto, Mocenigo chamou os carrascos do Santo Ofício para o prenderem. Preso no San Castello no dia 23 de Maio de 1592, Bruno foi torturado durante oito anos consecutivos até ser finalmente queimado na fogueira no Campo de Fiori no dia 17 de Fevereiro de 1600. A morte bárbara e cruel de Giordano Bruno irá ajudar a Filosofia a reconquistar a sua independência em relação à religião em geral e ao cristianismo em particular. O Renascimento situa-se já no terreno dessa luta pela autonomia na passagem histórica do mundo fechado para o universo infinito, da ordem feudal para a sociedade capitalista, do mundo da intolerância para a democracia: a Filosofia recusa ser escrava de uma teologia obscurantista, intolerante e criminosa. O que caracteriza a Filosofia enquanto forma de consciência esclarecida é precisamente a sua luta contra as tradições dogmáticas das sociedades fechadas. Tendo nascido livre e crítica na cidade dos homens livres, a Filosofia quer continuar a ser livre e crítica, purificando-se do nefasto contágio cristão. O cristianismo é pensamento arcaico, bárbaro e primitivo que emergiu num outro território. O nascimento da Filosofia precede o cristianismo e não tem nada a ver com a ideologia das suas seitas primitivas. Filosofia e cristianismo são geneticamente fenómenos autónomos e, em termos cognitivos, divergentes e antagónicos: o universo de Platão e o universo de Jesus Cristo são completamente distintos e a distância que os separa é a clivagem qualitativa que existe entre o pensamento esclarecido e o pensamento primitivo. Werner Jaeger defende que o pensamento cosmológico dos gregos teve um efeito directo sobre a sua maneira de conceber o que chamaram - num sentido novo - "Deus" ou "o divino", mas esta "teologia natural" fundada na compreensão racional da própria natureza da realidade não tem nada a ver com a teologia cristã que foi posteriormente elaborada. Se a ideia de teologia é uma criação especificamente grega, como afirma Jaeger, então a cópula que ocorreu mais tarde entre o pensamento grego e o cristianismo deve ser vista como uma helenização do cristianismo: a teologia significa a aproximação a Deus ou aos deuses por meio do logos, a grande descoberta grega. O cristianismo apropria-se do logos grego para se tornar civilizado: o cristianismo civilizado é o cristianismo helenizado. Sem esta articulação teórica que o eleva ao domínio da teo-logia, o cristianismo seria mais uma religião ou uma dispersão de seitas fundamentalistas tão bárbaras como as suas congéneres islâmicas: a Inquisição e a homofobia mostram a todos o bárbaro que há em cada católico ou cristão. A Filosofia despreza o mundo mesquinho e sujo dos conservadores cristãos que assassinaram o divino e soube lutar contra eles, minando o seu «pensamento» e difundindo as suas próprias sementes: um filósofo iniciado não precisa do cristianismo para recolher as sementes, cuidar delas e deixá-las germinar. A autonomia absoluta da Filosofia sempre esteve garantida, mesmo nos tempos sombrios em que a Igreja Católica perseguia o pensamento superior e queimava os seus representantes. A flor da complexidade da civilização ocidental é a Filosofia e ela não tem adversários à sua altura. Só muito recentemente alguns teólogos - eles próprios agentes filosóficos infiltrados na organização feudal - descobriram a presença da filosofia grega no cristianismo, mas já era demasiado tarde para corrigir o destino: ou se convertem à Dialéctica da Libertação ou regressam às suas misérias bárbaras, num mundo que já não as tolera, porque o cristianismo foi completamente esvaziado pela filosofia moderna desde Descartes e Espinosa até Hegel e Marx, passando por Kant. Voegelin usa o termo gnosticismo para designar todo o caminho percorrido pacientemente pelo pensamento filosófico para matar a barbaridade cristã, mas, como é um mero conservador, isto é, um zombie que não pensa, não se apercebeu que, invocando o divino Platão, dava um tiro no seu próprio coração: a Filosofia não nega "o divino"; o que a Filosofia não suporta é o cristianismo bárbaro e a sua revelação dogmática, como o testemunha a própria gnose. Até mesmo Santo Agostinho, Scoto de Erígena, Anselmo, Abelardo, Alberto Magno, Tomás de Aquino, Rogério Bacon, Duns Escoto, Guilherme Ockham e Nicolau de Cusa, ajudaram-nos a destruir o cristianismo bárbaro: o homem conservador - essa terrível criatura diabólica da Idade Média - é um louco que vagueia sozinho num mundo que não o suporta e não deseja a sua companhia. O conservadorismo cristão tornou-se desagradável - e anacrónico - por estar fora de prazo há muito tempo: cheira mal, cheira a putrefacção.
Em Portugal, a Inquisição foi introduzida em 1536 e extinta em 1821. António José Saraiva acompanha de perto a perspectiva de H.C. Lea e de J.C. Baroja quando destaca a Inquisição portuguesa e espanhola como um caso à parte dentro da história geral da Inquisição, definindo esta particularidade a partir da qualidade dos réus que perseguia: os chamados cristãos-novos ou marranos ou, simplesmente, os judeus. A relação estreita entre o poder estatal e o poder inquisitorial na Península Ibérica e a perseguição organizada e criminosa dos judeus permitem vislumbrar a afinidade estrutural entre a Inquisição e o Nazismo, que o silêncio e a cumplicidade da hierarquia eclesial católica perante o Holocausto testemunham e confirmam. O Nazismo é, no século XX, a versão tecnológica e burocrática da velha Inquisição Católica. Porém, António José Saraiva - pouco versado na teoria crítica - segue um outro caminho que deixa escapar a referida afinidade e, sobretudo, o papel reaccionário desempenhado pela Inquisição em Portugal: 285 anos de organização centralizada e estável do poder inquisitorial e político marcaram profundamente a História de Portugal, bloqueando e adiando indefinidamente o seu desenvolvimento económico, político, social e cultural. Antero de Quental identificou correctamente a causa estrutural do atraso dos povos ibéricos: o domínio da Igreja Católica. A aliança negra entre o poder inquisitorial e o poder político português expulsou os judeus, impediu a Reforma e bloqueou fatalmente o surgimento do capitalismo em Portugal. A tese que associa o desenvolvimento capitalista dos países do Norte da Europa e a conquista de vida independente como resultado da Reforma Protestante foi elaborada por Max Weber, Troeltsch e Sombart, em resposta ao debate iniciado na Alemanha por Marx, e retomada posteriormente por R.H. Tawney. Instalada no Sul da Europa, a Igreja Católica criou uma clivagem de desenvolvimento no mundo ocidental: os países do Norte que fizeram a Reforma desenvolveram-se, libertaram-se e democratizaram-se, enquanto os países do Sul ficaram privados do desenvolvimento, do progresso, da liberdade e da democracia, até serem eclipsados pelo fascismo mediterrânico, a variante do século XX da aliança negra entre poder político e o poder religioso de cariz católico. Ser católico significa literalmente ser atrasado, tradicionalista, feudal, anti-progressista, anti-revolucionário, antiliberal, reaccionário e homófobo: nos lugares do mundo onde a Igreja Católica predomina, como sucede na América Latina, não há desenvolvimento, progresso e liberdade, ou, nas palavras de Montesquieu, «piedade, comércio e liberdade». A Reforma influenciou a perspectiva dos homens face à sociedade, sendo por sua vez influenciada pelas mudanças económicas e sociais que se operaram nos séculos XVI e XVII: a economia deixa de ser um ramo da ética e a ética um ramo da teologia, passando a ser províncias paralelas e independentes, governadas por leis próprias, julgadas segundo diversos padrões e submetidas a diversas autoridades. A Reforma ajudou a quebrar a sua integração num único esquema maior orquestrado pela Igreja Católica. Na luta feroz contra a hegemonia da Igreja Católica encontrou o Ocidente a sua via do progresso material e espiritual: o actual conservadorismo é, por natureza, uma força regressiva e bárbara que anseia pelo regresso da unidade totalitária da velha Cristandade, aquela ordem feudal que amordaçou e oprimiu os nossos antepassados, dando-lhes na terra o sofrimento e prometendo-lhes no além a salvação da alma.
Anexo: Em Portugal, a cidade do Porto - a cidade de Almeida Garrett e de Júlio Dinis - enfrentou desde cedo todas as forças obscurantistas e tradicionalistas, lutando contra o poder dos Bispos e dando protecção aos judeus portugueses. Embora tenha nascido em Lisboa, Alexandre Herculano - deputado eleito pelo Porto em 1840 - captou a fibra única e matricial da cidade do Porto, chamando-lhe o berço da monarquia, «porque dela Portugal tirou o nome». A história do Porto relatada por Herculano na História de Portugal, na História da Origem e Estabelecimento da Inquisição em Portugal e nos Opúsculos, não é uma história conservadora; pelo contrário, é uma história de luta contra o conservadorismo. O Porto já era, no período medieval, um burgo próspero e rico, vocacionado para o comércio, que soube acompanhar ao longo da sua história as grandes mudanças europeias: a industrialização, o liberalismo, o socialismo e a república. Convém lembrar o carácter revolucionário do Porto - a pátria dentro da pátria - para exorcizar o marasmo em que se encontra neste momento.
J Francisco Saraiva de Sousa

44 comentários:

J Francisco Saraiva de Sousa disse...

Este post apresenta 3 teses: autonomia da Filosofia, recusa do pensamento conservador de cariz católico, e a luta do Porto contra esse pensamento que paralisa a vida da cidade. Não posso desenvolver cada uma destas teses e respectivas subteses.

Fräulein Else disse...

http://filosofiamedicinaesociedade.blogspot.com/

J Francisco Saraiva de Sousa disse...

"Eu também sou de raça divina": eis aqui um ensinamento do orfismo que levou Platão a afirmar a divindade da alma.

Ya, Jaeger faz uma leitura curiosa da teologia dos primeiros filósofos gregos. E também analisa o corpus hipocrático e, em especial, a doença sagrada. :)

J Francisco Saraiva de Sousa disse...

Esqueci-me do teor da tese 3. :)

J Francisco Saraiva de Sousa disse...

Mas deve girar em torno do cavaquismo que matou Portugal. :)

Sr disse...

Este blog ainda ta mt conservador pro q é desejavel oh

Veja lá se aparece...
http://stopogm.net/







ps: mas não vá encapuzado, ok?



:)))

J Francisco Saraiva de Sousa disse...

Ya, até fiz arroz doce, mas não vou comer, porque não gosto: deve ser transgénico. :)

O meu blog não é conservador: não posso ser mais claro quando chamo a atenção para a situação portuguesa e sua corrupção.

J Francisco Saraiva de Sousa disse...

ya, andei encapuzado durante a parte final do inverno e início da primavera: agora ando a descoberto.

J Francisco Saraiva de Sousa disse...

Enfim, se ainda não compreenderam, o mundo - o nosso mundo - está em processo de regressão: viver na ilusão não ajuda a pensar este processo e a tentar encontrar um compromisso viável. E esta regressão social e cultural coincide com uma terrível revolta da natureza: o mundo pode desabar e matar-nos. É este sentido de profundidade que distingue um filósofo de um sofista da palavra.

J Francisco Saraiva de Sousa disse...

A ilusão de paraíso chegou ao fim, mas ninguém liga a isso, continuando na ilusão, e a morte à porta. Ainda vamos assistir a uma grande catástrofe. O meu desejo é o de que os carrascos sofram mais do que os menos carrascos: vai ser uma visão sublime - a terra a engolir a vida humana...

J Francisco Saraiva de Sousa disse...

E acho que o homem merece a morte - uma criatura feia e inútil. A morte desta humanidade dará lugar à humanidade que ainda não nasceu.

Tiago r disse...

E o mais tolo é q toda a gente condena o Nazismo pelas respectivas barbaridades, mas a velhaca Igreja é perdoada por ter a vileza de recorrer ao perdão... cujo objectivo ñ é senão perpetuarem a sua inutilidade e fraqueza.

Qd a terra nos engolir (é lá para Dezembro de 2012, ñ é? :P na volta...), é bom q dp a natureza ñ se resolva a trazer uma nova humanidade. Mas, na volta, fá-lo-á só para se divertir a engoli-la de novo ;P

J Francisco Saraiva de Sousa disse...

Olá Tiago

Estava a ler a heresia do Tomás de Aquino: a noção de matéria incriada que nega o mito da criação.

Ya, dizem que acaba nessa data! :)

J Francisco Saraiva de Sousa disse...

Averróis e Avicena são mais heréticos: o pensamento divino só pode ver universalia. Donde resulta duas implicações libertadoras:

a. o homem pode fazer o que quiser, porque o senhor dos exércitos não vê o que fazem. Subtrai-se assim o apoio teológico.

b. da essência universal não deriva a existência do indivíduo: só podemos chegar racionalmente à quodditas através da percepção sensível.

J Francisco Saraiva de Sousa disse...

Afinal, os jogadores do Benfica não fazem controle antidopping! Agora compreendo aquele comportamento agressivo em jogo e a raiva que o acompanha: a vitória do benfica é a vitória da DROGA. :(

J Francisco Saraiva de Sousa disse...

Finalmente, arranjaram-me outra tradução portuguesa de Lukács: "Significado Presente do Realismo Crítico". E, segundo dizem, há outros estudos traduzidos.

J Francisco Saraiva de Sousa disse...

Ando perdido no meio de tantos livros: entrei em depressão cognitiva. Agora só pensado no suicídio regresso à vida! :(

J Francisco Saraiva de Sousa disse...

Estou todo a cheirar as livros. Enfim, vou tomar banho e perfumar-me, já que não tenho argumentos perante os meus amigos reaccionários: antes do 25 de Abril publicavam-se grandes obras e muitas delas eram marxistas. O pior é que em Espanha sucedia o mesmo. Precisamos eliminar os últimos 30 anos - foi uma tremenda merda.

J Francisco Saraiva de Sousa disse...

Ando lixado com os burrecos que circulam pela esfera pública: um país liderado por burros não vai longe. Com o 25 de Abril, os burros invadiram a praça pública.

Os burros falam de Kant sem ter lido Kant: falam por falar. O mundo tornou-se uma mentira.`É preciso eliminar os burros: matá-los. Não há outra saída para Portugal e para a Europa.

Se me suicidar, não sei quem herdará a minha biblioteca: não queria que ela fosse vendida e dispersada. Acho que ainda não vou suicidar-me. :)

J Francisco Saraiva de Sousa disse...

Ah, Lukács apreciava Kafka, apesar de optar por Mann: estive a reler os ensaios e retive a noção de ateísmo religioso: um conceito brilhante.

J Francisco Saraiva de Sousa disse...

E estive a rever a Estética de Lukács e verdade seja dita: aprende-se mais lendo-a do que lendo a Teoria Estética de Adorno. Ando a ficar desiludido com o mestre Adorno...

J Francisco Saraiva de Sousa disse...

E na polémica com Adorno - As Idades da Música - e com Benjamin - O Drama Barroco, Lukács ganha pontos...

J Francisco Saraiva de Sousa disse...

Enfim, estava a amontoar Hegel e os seus comentadores e, de repente, fui invadido por outras obras e conduzido a elas.

Consciência Infeliz: eis o conceito hegeliano que Lukács não tematizou bem e que os ditos irracionalistas tematizaram. Era sobre isso que pensava antes da invasão: agora bloquei... aparentemente, claro, porque vejo a solução.

J Francisco Saraiva de Sousa disse...

A vida é um enigma que me envolve e me conduz ao abismo. Sartre escreveu:

«O homem é o ser cuja aparição faz com que um mundo exista».

Ora, nada acontece por acaso: a consciência infeliz é consciência da nulidade, consciência duplice em todas as suas manifestações: nela insinua-se o Outro - Deus.

Ora, tinha estado a rever Kant e a sua filosofia religiosa: religião = ética, ética = liberdade, Deus cede o lugar ao Homem. Captei uma mega-conexão. E no nosso tempo esse Homem anda perdido. Eis o problema que preocupa a Filosofia.

Sempre que o enfrento fico com depressão cognitiva que supero no suicídio: lanço-me no jovem Lukács. E fico lixado quando vejo o gado humano. Penso em Calvino... E eis o enigma deste post insinuado. Claro que agarrei Platão..., por onde tinha começado.

Enfim, não podemos despedir o século XIX: estamos a pagar um preço demasiado elevado pela sua despedida. A ciência não clarifica nenhum destes problemas. Tal como está a ser orientada, animaliza o homem...

J Francisco Saraiva de Sousa disse...

A Filosofia gerou uma terrível Ilusão: a igualdade. Para um homem como eu, nem tudo o que parece ser humano é humano: uma forma de traduzir a ideia de Calvino. A Europa Central leva ao segredo dos segredos. Lukács tem um ensaio sobre Cabala..., mas foi democrático, demasiado democrático...

J Francisco Saraiva de Sousa disse...

A Estética de Lukács compreende 4 volumes muito grossos: uma erudição total que começa na Grécia até ao nosso tempo - Aristóteles-Vico-Hegel-Marx. A referência a Gehlen e ao homem primitivo significa que ele dominava tudo para ter ido mais longe na ontologia do ser social.

NR disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
J Francisco Saraiva de Sousa disse...

Ou oportunismo monárquico!

J Francisco Saraiva de Sousa disse...

O séquito monárquico e seu rei estavam mais interessado nos bens dos judeus do que o povo: afinal, são responsáveis pelo atraso nacional...

NR disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
J Francisco Saraiva de Sousa disse...

Isso de queimar o Judas no Carnaval é outra história, mas é sintomático: o ódio contra os judeus foi alimentado pelo cristianismo e pela Igreja. O antisemitismo alastrou-se por todo o mundo. No Japão, tb são contra os judeus ou usam o termo em sentido negativo. O preconceito foi alimentado pela Igreja.

Quanto às relações do poder com os judeus, já não há nada a fazer: a expulsão foi um erro terrível para o nosso destino. E os judeus radicados no Norte foram durante muito tempo conhecidos como comunidades portuguesas, mas o tempo acabou por apagar essa relação com Portugal.

Sim, Portugal é uma nação atávica: os nossos monarcas, com uma ou outra excepção, não foram grandes governantes. E o séquito dos outros ditos nobres foi sempre oportunista e bajulador. E ainda continuamos infelizmente nesse rumo...

J Francisco Saraiva de Sousa disse...

Bem, já detectei que não gosta de A Herculano, que não era muito filosófico: temos Sérgio ou Cortesão. A escrita da história de Portugal ou do Porto exige uma nova perspectiva filosófica: uma nova filosofia da história que aproprie o passado noutros moldes abertos ao futuro.

NR disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
J Francisco Saraiva de Sousa disse...

Os factos do passado são factos inertes? Não há hermenêutica que aceite tal afirmação: fazer do passado algo inerte é reduzir a história a um conjunto de opiniões conservadoras. Ou fazer dela uma narrativa de coisas banais.

J Francisco Saraiva de Sousa disse...

Aliás, não há teoria que solidifique o passado, e o afaste das outras temporalidades. A sua noção de temporalidade é atávica e anticientífica.

J Francisco Saraiva de Sousa disse...

E eu não insultei ninguém: o atraso estrutural de Portugal exige uma explicação, sem a qual não podemos mudar de rumo.

J Francisco Saraiva de Sousa disse...

A sua noção dos factos históricos como factos inertes implica a neutralização do movimento da temporalidade, das conexões causais, enfim a ruptura do sentido. Se a história é uma pedra, então deve ser estudada por um geólogo ou coisa do género. Aliás, nesse caso, nem merecia a nossa atenção.

J Francisco Saraiva de Sousa disse...

Aliás, tratar a história como algo inerte é já uma falsificação da própria história.

J Francisco Saraiva de Sousa disse...

Bem, os comentários do NR eram estes:

1. "«Em Portugal, a cidade do Porto - a cidade de Almeida Garrett e de Júlio Dinis - enfrentou desde cedo todas as forças obscurantistas e tradicionalistas, lutando contra o poder dos Bispos e dando protecção aos judeus portugueses.» Sim? Veja lá, apesar de historiador e investigador sobre o Porto já aprendi algo... E eu que pensava que fora a mentalidade de mercador e «ética da vizinhança» (expressão de Armindo de Sousa) a urdir um santo patrono para a cidade e que, mais do que a Igreja e o Bispo, foram os cidadãos do Porto que escorraçaram os seus «concorrentes» judeus, afinal estava equivocado. Essa ideia de liberdade e «humanismo» municipalista tem muito que se lhe diga...Talvez fosse melhor utilizar a expressão «oportunismo comunalista»."

2. "Estamos a falar do Porto... de resto, pelo seu comentário, algo redutor e atávico, não conhece a relação de D. João II com a comunidade judaica. Os bens do Outro, sendo o Outro o Judeu ou outrem, foram sempre cobiçados por quem estava no mesmo círculo de sociabilidade. Não existe, na História, um «anti-semitismo de elite». De resto ainda por várias comunidades de Portugal se queima o Judas por altura do Carnaval como se fosse uma tradição inofensiva."

3. "«A escrita da história de Portugal ou do Porto exige uma nova perspectiva filosófica: uma nova filosofia da história que aproprie o passado noutros moldes abertos ao futuro.» Discordo. A História deve é ser redigida por historiadores e deixar de ser, ou uma carolice de amadores (como os memorialistas) ou um hobby de académicos de outras áreas. E se a historiografia é tão redutora, em Portugal, é porque foi sempre escrita com esse atavismo: qualificar a Igreja ou a Monarquia, ou os actuais governantes com insultos não é «fazer» História, é tão-só um exercício opinativo. Os factos passados são factos inertes. Se são bons, ou não, não interessa. A História não se leva a tribunal. Nesse aspecto a História não serve se não para remoer ideologias actuais. Para mim isso é um insulto ao Saber."

:-)

J Francisco Saraiva de Sousa disse...

E o NR colabora neste blogue:

http://centenario-republica.blogspot.com/

:-)))

J Francisco Saraiva de Sousa disse...

Ya, uma espécie de sindicato dos que dizem narrar a história dos "factos inertes". :)

J Francisco Saraiva de Sousa disse...

Gosto especialmente deste atavismo de pensamento ideológico:

"Os factos passados são factos inertes. Se são bons, ou não, não interessa. A História não se leva a tribunal. Nesse aspecto a História não serve se não para remoer ideologias actuais. Para mim isso é um insulto ao Saber."

Um espanto! :-)

J Francisco Saraiva de Sousa disse...

Não é apenas um insulto ao Saber, é sobretudo um insulto à inteligência dialéctica. :(

NR disse...

Já reparou que está a falar sozinho?