sexta-feira, 3 de junho de 2011

Porto: Liberta-te do teu opressor interno - o PSD

Amigo portuense! Muda o sentido de voto do Distrito do Porto: Derrota a arrogância do PSD nas urnas! Luta pelo teu futuro! Liberta a nossa cidade desta máfia laranja! (Photo: Ponte da Arrábida, OPorto, Portugal)

O Porto vai derrotar o PSD nas urnas

Os cidadãos do Porto vão penitenciar-se dos seus erros passados e, no próximo domingo, pretendem derrotar o PSD nas urnas, para livrar Portugal da humilhação estrangeira e das políticas suicidárias neoliberais. Estamos cansados da governação de Rui Rio que tudo faz para eclipsar os méritos da Cidade Invicta e da sua marca de prestígio mundial - o Futebol Clube do Porto. O PSD é responsável pela decadência económica e cultural do Norte. Derrotar o PSD nas urnas é abrir as portas do futuro à Cidade Invicta e, acima de tudo, é enterrar as múmias paralíticas que monopolizam a visibilidade do Porto, dando-lhe má imagem. O Porto só conheceu a via da modernização quando Fernando Gomes e o seu sucessor conquistaram a Câmara Municipal do Porto: a grande mudança introduzida pela governação socialista foi anulada pelo PSD de Rui Rio, o que mostra que o PSD é visceralmente incapaz de protagonizar grandes mudanças. (Photo: Ponte da Arrábida, OPorto, Portugal)

PSD: Betinhos, Pobrezinhos e Decadência Burguesa

Oh, Zé-Ninguém, Zé-das-Orelhas-de-Burro que vota no PSD, diz-me lá qual é o teu lugar nesta sociedade burguesa decadente? És um dos betinhos deste mural de Diego Rivera, ou serás antes - o mais provável, certo? - um dos pobrezinhos desprezados pelas feias e velhas damas da burguesia? A tua indigência mental e cognitiva desencadeia em mim um riso de desprezo. Tu que estás profundamente endividado finges ser aquilo que não és - um "betinho" manipulado e desprezado pelos verdadeiros betinhos. Afinal, és uma mentira encarnada, isto é, feita figura-animal. Cuida da tua saúde mental, porque depois de teres escutado o discurso mentiroso do PSD perdeste o contacto com o mundo real: já nem sequer te conheces a ti mesmo, tal é a magnitude da tua alucinação.

PSD: A Miséria como Destino de Portugal

Ai, ai, Zé-Ninguém - Zé-do-Pipo e Maria-do-Pipo, é isto que queres quando pretendes votar na Direita liderada pelo PSD de Passos Coelho? O teu ódio contra José Sócrates será a tua desgraça nesta vida! Tu que não tens onde cair morto pretendes votar no PSD, o escolhido por Belmiro de Azevedo? Estranha escolha a tua, Zé-Endividado, Zé-Pedinte: votas como os teus opressores! Penitencia-te e, pelo menos uma vez na vida, usa a cabeça para salvares Portugal desta desgraça!

PSD: a Múmia Feia que aterroriza Portugal

Nestas eleições legislativas, votar PSD é mumificar o mal-existente! Pensa antes de votares, mas pensa com a cabeça e não com a marmita, como fazes frequentemente, Zé-Ninguém. Lembra-te que nem todos os portugueses querem morrer na pobreza e na miséria, impostas pelas políticas neoliberais que visam fazer do capitalismo de casino uma fatalidade incontornável. Ou és assim tão rico - ou tão cruel e inumano! - para desperdiçar um voto no mal-existente? Ou és tão tonto a ponto de pensares que os betinhos, apologistas da economia académica neoliberal, estão deveras preocupados com o teu triste destino? Zé-Ninguém, já tens idade para teres juízo: usa o cérebro para pensar nas terríveis consequências do teu voto na Direita!

quinta-feira, 2 de junho de 2011

Estamos cansados da cassete neoliberal do PSD

Embora não tenha um programa de governo autónomo, capaz de aproveitar o escasso espaço de manobra permitido pelo Memorando da troika, Passos Coelho tem uma lista interminável de "boys", eternos candidatos a cargos do Estado e das empresas de regime. O objectivo do PSD não é mudar de navio e de rumo, mas mudar a tripulação do velho navio que está a afundar-se. A renovação do PSD é falsa, bastando olhar para o fotografia anexa onde se vê em primeiro plano Manuela Ferreira Leite e outras velhas figuras cavaquistas: os saudosistas do PSD do BPN e do cavaquismo que fabricou pseudo-empresários ultra-milionários inventaram a campanha da difamação e dos insultos para enganar os tristes e pobres portugueses, induzindo-os a votar na velha mentira neoliberal que conduziu Portugal ao abismo e à bancarrota. Amigos, a verdade é que o PSD não é alternativa: a sua fórmula de governação - privatizar para entregar todas as empresas e instituições públicas - Água, Educação, Saúde, RTP1, Caixa Geral de Depósitos, etc. - aos "boys" que depois estendem as mãos ao Estado - não vai tirar o país da crise; pelo contrário, afunda-o ainda mais. O que precisamos não é mudar de tripulação; o que precisamos é mudar de navio e imprimir um novo rumo ao navio. Estamos cansados da cassete neoliberal do PSD, o partido que nega a existência da crise de 2007-08 para não ter de mudar de cassete e de assumir responsabilidade política por ter implementado no passado recente as medidas terríveis da agenda neoliberal. O PSD é um partido esclerosado e só os indivíduos neuronalmente mortos votam nessa múmia que aterroriza Portugal. O PSD não só é o pai da corrupção nacional, como também é o partido da pequena política: a política da rede de bolsos privados que esvaziam os cofres do Estado. Para o PSD, economia de mercado significa assalto aos cofres do Estado: o PSD não governa para o povo, mas para si mesmo e para a sua rede de fãs sedenta de cargos pornograficamente remunerados. Vota PSD! Vota na Bancarrota! Vota na MISÉRIA que te aguarda! Vota na tua doença! Vota na FOME! Vota no DESEMPREGO! Vota no despedimento! Vota na privatização! Vota na tua sujidade! Vota no teu analfabetismo! Vota na censura! Vota na vingança! Vota na não-liberdade! Vota na banca corrupta! Vota nos ricos deslumbrados! Vota na caça às bruxas! Vota nas alucinações americanas! Vota na falta de experiência e de sabedoria da vida! Vota na aventura! Vota nos betinhos! Enfim, vota no PSD que é isso tudo! Acaba com esta história de terror e vota na MORTE! Eu cá estarei para me RIR da tua irresponsabilidade e da tua estupidez!

Anexo. Manuela Ferreira Leite foi derrotada nas últimas eleições legislativas, mas, como é uma pessoa extremamente "democrática", nunca aceitou a vitória do PS, e até hoje continua a querer expulsar José Sócrates do governo. Viva a ditadura laranja da mentira sórdida! Sobre esta ilustre figura da "democracia" portuguesa, consultar este texto recheado de humor - A Foto de Família de Manuela Ferreira Leite.

J Francisco Saraiva de Sousa

quarta-feira, 1 de junho de 2011

Apocalipse e História: a Filosofia da História revisitada

«A "vocação" do século XIX para o estudo da história e para a absoluta necessidade vital desse estudo tem o seu ano de nascimento na revolução francesa. A "história" é experimentada desde então como crise em permanência ou como revolução permanente, não susceptível de ser contida e impossível de sujeitar. Por isso, os historiadores e os filósofos da história concentraram-se, quer com um desejo conservador, quer com um desejo revolucionário, na dominação espiritual, política e social desta crise permanente. A ciência da história e a filosofia da história são forçadas a tornar compreensível a "história", para deste modo tornar domináveis o caos, a catástrofe e as crises, e, com isso, a história enquanto tal. A orientação metafísico-cosmológica do mundo é substituída desde então por uma orientação filosófico-histórica do presente. Foi precisamente o derrubamento da continuidade histórica que provocou aquela apoteose da "história" que levou à religião da história nos movimentos messiânicos do século XIX». (Jürgen Moltmann)

«As revelações que os seus autores receberam de Deus eram muito diversas daquelas recebidas pelos profetas bíblicos. Não há, nos apocalipses, nenhuma sugestão de que os seres humanos possam, pela sua obediência ou desobediência, alterar a forma dos acontecimentos futuros. O futuro já está determinado; na verdade, o seu curso já está escrito num livro celestial. E o seu resultado será diverso de tudo o que havia sido indicado pela profecia clássica. Haverá um julgamento final. Haverá uma vida após a morte na qual os seres humanos, inclusive os mortos ressuscitados, irão receber as recompensas e as punições justas. E se alguns seres humanos serão transformados em anjos, outros serão condenados ao tormento eterno». (Norman Cohn)

Mas Deus alienou-se quando criou o mundo e, como perdeu o seu poder na criação, aguarda o seu resgate! Hoje é a impotência de Deus que nos revela o Apocalipse sem redenção possível: «Oh, os caminhos primaveris das meditações crepusculares do solitário. /Oh, filhos de uma ensombrada estirpe. /Oh, os filhos da noite. Oh, os malditos. /Estranhos são os caminhos nocturnos do homem. /Um morto vem visitar-te. Do coração corre-lhe o sangue que ele próprio verteu, e no sobrolho negro aninha-se um instante indizível. Encontro lúgubre. Tu - uma lua de púrpura, quando o outro aparece na sombra verde da oliveira. Segue-o a noite eterna» (Georg Trakl). Amigos da noite eterna, anjos de rosto negro, enterremos a soteriologia, porque já não precisamos de ilusões para viver!

Adoro as escadarias da Cidade do Porto e, sob o signo das escadas da Sé-Catedral do Porto, proponho a revisitação de alguns textos sobre Filosofia da História. A filosofia apocalíptica da História tem claramente um propósito político: preencher o vazio político deixado pelo marxismo. O seu conceito nuclear - o Apocalipse sem salvação possível como sentido derradeiro da história - visa minar a doutrina burguesa do progresso que move o capitalismo na sua marcha triunfal e que o conduzem à destruição da vida sobre a terra. A teoria de Marx é completamente depurada da presença de elementos ideológicos que lhe são estranhos e adversos: travar a marcha triunfal do capitalismo que mergulha o mundo no abismo é a tarefa de uma nova prática política marxista. Porém, ao rejeitar a doutrina do progresso, a nova teoria crítica abandona qualquer tipo de colonização do futuro: a sua função prática é iluminar uma prática política capaz de salvar o sofrimento passado do esquecimento, de modo a que ele não possa repetir-se no tempo de agora. Garantir a restituição integral da história em cada uma das sucessivas conjunturas políticas até ao fim do mundo do homem é resistir ao fluxo do tempo que ameaça aniquilar o mundo e adiar heroicamente a catástrofe final. A história deve ser lida e feita à luz deste final trágico da humanidade.

Apocalipse significa revelação antecipada da destruição do mundo: o homem pode tentar adiar por tempo indeterminado a catástrofe final, mas não pode evitá-la. A caducidade do homem não lhe permite sonhar uma vida futura garantida aqui na terra ou noutro lugar ou não-lugar qualquer: a Grande Política convida o homem a produzir sentido para aquilo que está condenado à destruição - o sentido derradeiro de toda a existência. Nada neste mundo caduco e entrópico está a salvo da aniquilação total, incluindo a própria alma do homem. O fim de todas as ilusões atiça a luta revolucionária contra as mentiras milenares das classes dominantes: nenhum homem tem direito a apropriar-se daquilo que pertence a todos por direito de nascimento. O capitalismo que gera continuamente pobreza e miséria não tem justificação possível: ele deve ser destruído para que o homem possa ter direito à dignidade humana. O sofrimento das vítimas da dominação e da crueldade só será resgatado quando os homens assumirem a caducidade da sua vida e tomarem coragem para sacrificar os carrascos e derramar o seu sangue sobre os altares das Catedrais. Nesse dia libertador até Deus será salvo da sua mentira milenar. (Os portugueses, os gregos e os irlandeses não precisam submeter-se aos caprichos da banca ladra e do FMI, desde que aceitem a sua condição de seres estranhos neste mundo caduco, vivendo livremente vidas austeras e, tanto quanto possível, sem angústia. O Poder que nos rouba essa vida efémera pode e deve ser destruído. Tem coragem e pensa que não nasceste para ser explorado e oprimido: esmaga e liquida os poderes opressores. Só depois desse acto rebelde poderás renegociar um novo "contrato social". Aliás, até hoje não houve verdadeiramente contrato social...)

1. A concepção apocalíptica da história foi esboçada nestes dois textos:

2. Há duas influências filosóficas determinantes que deixaram marca profunda no meu pensamento filosófico, mas com as quais me debato para formular e desenvolver a nova filosofia apocalíptica da História:
2.1. A Filosofia Messiânica da História de Walter Benjamin: Walter Benjamin Revisitado (6 textos sobre o pensamento filosófico de Walter Benjamin).
2.2. A Filosofia da Esperança de Ernst Bloch: Ernst Bloch Revisitado (7 textos sobre a filosofia de Ernst Bloch).

3. O confronto necessário com o pensamento conservador:
3.1. Oswald Spengler Revisitado: A Introdução e os 2 primeiros textos expõem a tese da decadência do Ocidente. A filosofia da História de Spengler exerceu uma grande influência sobre mim, até porque quando li a sua obra era ainda adolescente.
3.2. Pensamento Conservador Revisitado: Abomino a filosofia da História de Eric Voegelin, bem como a política que ela implica.

4. Uma paixão juvenil: as afinidades da concepção apocalíptica da História com o pensamento mexicano, em especial Maia, Tolteca e, sobretudo, Asteca.
4.1. Civilizações Pré-Colombianas Revisitadas. A Introdução expõe a ideia nuclear da cosmologia asteca que a concepção apocalíptica da História retém numa fórmula filosófica e científica desembaraçada da sua matriz religiosa e mitológica.

5. A matriz originária do meu pensamento filosófico:
5.3. A Redescoberta de Georg Lukács: 1 e 2.

Como é evidente, a selecção de textos aqui apresentada não esgota todos os textos dedicados à filosofia da história, bastando clicar sobre a etiqueta (tag) Filosofia da História para o constatar. Porém, os textos escolhidos são suficientes para testemunhar o nascimento da Filosofia Apocalíptica da História.

J Francisco Saraiva de Sousa

O Problema da Morte Revisitado

«A morte não encerra nenhum mistério. Não abre nenhuma porta. É o fim de um ser humano. O que sobrevive é o que ele deu aos outros seres humanos, o que permanece na sua lembrança». (Nobert Elias)

Com a imagem de fundo das torres da Sé-Catedral do Porto e da Igreja dos Grilos, proponho a revisitação de alguns textos dedicados ao problema da Morte. Eis os textos escolhidos, entre tantos outros:

1. Meditatio Mortis e Sentido da Vida: 1, 2, 3, 4, 5 e 6.

2. Morte, Perda e Luto: 1 e 2.


4. Hegel e o Problema da Morte. (Este texto devia ser reescrito.)

J Francisco Saraiva de Sousa

terça-feira, 31 de maio de 2011

A Filosofia Estética do Atelier de Arte Realista do Porto

Tendo como imagem de fundo esta bela pintura a óleo de Daniel Africano Rocha - Francesca de S Minato del Sera, pretendo chamar a atenção do público em geral para a obra artística do Atelier de Arte Realista do Porto, destacando três figuras desta nova escola de pintura, desenho e escultura do Porto: Daniel Gamelas (escultor), Daniel Africano Rocha (pintor) e Armando Aguiar (pintor hiper-realista). O Porto - ele próprio uma grandiosa e bela obra-de-arte! - foi sempre a grande capital da arte, e é com satisfação redobrada que aplaudo o surgimento de uma nova escola de arte na Cidade Invicta, cujo programa estético é o realismo. Embora não tenham elaborado um programa estético exaustivo, os jovens artistas portuenses reclamam como herança a grande Arte Realista num mundo que parece ter despedido tanto o realismo crítico como a arte de vanguarda. Com a Escola de Frankfurt, em especial com a teoria estética de Theodor W. Adorno, a estética marxista distanciou-se ferozmente do realismo socialista e reclamou a arte de vanguarda, em detrimento do realismo crítico defendido por Georg Lukács. Entretanto, desde a morte destes ilustres e brilhantes estetas do marxismo e da Filosofia, o mundo sofreu profundas transformações sociais, cujo vector fundamental parece apontar mais na direcção da pertinência das análises de Georg Lukács do que das análises de Adorno. Quando escreveu que os pensadores radicais da Escola de Frankfurt, bem como Ernst Bloch, se tinham instalado «no Grande Hotel do Abismo» - «um hotel provido de todo o conforto moderno, mas suspenso à beira de um abismo, do nada, do absurdo. O espectáculo quotidiano do abismo, situado entre a qualidade da cozinha e as distracções artísticas, só pode realçar o prazer que encontram os pensionistas neste conforto refinado», Lukács revelou a sua superior capacidade de antecipação de um futuro terrível que, infelizmente, é o nosso presente. A crise financeira e económica de 2007-08 empurrou o Grande Hotel do Conforto Moderno para as profundezas da garganta do abismo: os pensionistas do Hotel do Conforto e a arte de vanguarda andaram de tal modo distraídos do mundo, completamente afundados na luxúria do conforto e compensados com os prazeres da cozinha - afinal, o animal metabolicamente reduzido prefere comer, beber e fazer sexo compulsivo para compensar falsamente o seu vazio existencial, em vez de pensar! -, que deixaram o capitalismo livre para mergulhar a seu bel-prazer o mundo no abismo e no caos da miséria mais abjecta. Será que o realismo crítico tal como o tematizou Lukács, sobretudo no domínio da grande literatura, está a adquirir a actualidade que lhe foi negada no seu tempo? Ainda é muito cedo para fazer uma avaliação estética e política da nova arte realista do Porto, mas a obra até agora produzida promete abrir novos horizontes ao mundo mergulhado no abismo. A tonalidade apocalíptica que descubro na obra de Daniel Gamelas e de Daniel Africano, bem como nos quadros de transparências e de luz de Armando Aguiar, agrada-me especialmente: os mistérios escondidos nas ruas e no casario do Porto são sinais apocalípticos - memórias e ruínas de um passado que não pode ser esquecido sem que o mundo mergulhe na catástrofe.

J Francisco Saraiva de Sousa

segunda-feira, 30 de maio de 2011

BinPhilosophy: a Catástrofe Final

... ou a Filosofia do Mal Radical

A Filosofia voltada sobre si própria, como se não houvesse nada fora dos textos (Derrida), alienou-se do mundo. Tomada como disciplina orientadora e matriz da Filosofia, a hermenêutica não só esvazia a Filosofia de conteúdos objectivos de conhecimento, como também a reduz a uma inutilidade sem importância teórica e política. De certo modo, a hermenêutica é a filosofia alucinada que melhor corresponde ao espírito subnutrido mental e cognitivamente da actual sociedade de mónadas alucinadas que caminham para o abismo, a noite sem fundo das noites. Ao contrário do que apregoava o profeta do neoliberalismo, Karl Popper, nós vivemos no pior dos mundos possíveis: a banalidade do mal de que falou Hannah Arendt não foi levada em atenção por toda esta geração de filósofos alucinados e de masturbadores compulsivos que, sem disso terem consciência, viram a figura nietzscheana do super-homem realizada no animal metabolicamente reduzido. A verdade é que nem o homem avançou para um nível superior de humanidade, conforme a promessa do super-homem de Nietzsche ou o sonho soviético de criação do novo homem, nem a sociedade comunista se realizou: o que triunfou foi o grande mal que são o neoliberalismo - e o seu companheiro de jornada, o BinLadenTerrorismo. O fracasso global de realização de uma espécie de paraíso na terra exige uma revisão substancial das grandes filosofias políticas do nosso tempo, sobretudo da filosofia de Marx. Num mundo em que a figura do super-homem ou do homem novo é uma figura regressiva, a do animal metabolicamente reduzido, a concepção do homem como paixão inútil de Sartre adquire uma nova actualidade: o homem nunca será Deus, o homem não tem salvação, o que quer dizer que o sentido da sua aventura histórica é a catástrofe final - a aniquilação total. A escatologia hebraico-cristã que alimentou as grandes filosofias da história deve ceder o seu lugar ao Apocalipse sem salvação possível.

A concepção apocalíptica da história que estou a sugerir radicaliza o pessimismo teológico do velho Max Horkheimer, ao mesmo tempo que abandona definitivamente as narrativas das grandes ilusões da humanidade, incluindo a de justiça plena projectada num futuro distante que nunca será pura actualidade. O materialismo pensado por Althusser como filosofia que não alimenta ilusões é a figura de pensamento adequada a esta nova concepção apocalíptica da história. Quem pensa que uma tal filosofia da história desvaloriza a política engana-se redondamente, porque a sua tarefa é preencher o vazio político deixado pelo marxismo. A catástrofe final como sentido derradeiro da história não só valoriza a política como actividade capaz de a adiar, como também permite traçar uma linha de demarcação entre a pequena política e a grande política em função das conjunturas sociais e políticas. A política entendida como actividade nobre capaz de adiar por tempo indeterminado a catástrofe final converte-se em grande política quando, além disso, é capaz de operar uma tentativa de restituição integral da história no tempo de agora (Walter Benjamin). Neste sentido, pelo facto de tentar negar - no momento presente - a última palavra aos carrascos, cuja marcha triunfal sobre um monte de cadáveres acelera o caminhar histórico para o final trágico da humanidade, a grande política permanece fiel ao velho espírito da política de esquerda clássica. Mas o que diferencia a nova prática política marxista da sua forma clássica é o facto de não reconduzir para o futuro a única tarefa de salvação possível: o resgate do sofrimento passado. Como é evidente, a morte foi sempre o grande obstáculo contra o qual esbarraram todas as filosofias da história que secularizaram a escatologia hebraico-cristã: Ernst Bloch e Herbert Marcuse confrontaram-se com o problema da morte, sem no entanto o conseguir contornar com eficácia teórica e política. Aos seres mortais está vedado o sonho diurno de um futuro feliz garantido. E, como não podem garantir um final feliz, projectado sobre a tela de um futuro distante que não podem controlar, resta-lhes tentar garantir - aqui e agora - aquilo que pode ser salvo do esquecimento: o passado. Salvar o passado da humanidade oprimida do esquecimento é já uma tentativa de adiar heroicamente o final trágico. Porém, não é só a morte que esmorece o sonho de um futuro garantido e conquistado de uma vez por todas: o título deste texto aponta para a necessidade de fundamentar a concepção apocalíptica da história numa teoria do mal radical. A matriz religiosa desta teoria da natureza humana - a grande lacuna da filosofia de Marx - é sobejamente conhecida, a doutrina do pecado original, e o próprio Kant que a formulou reconheceu a sua derivação cristã. Porém, como nos movemos no horizonte do Apocalipse sem salvação possível, rejeitamos a concepção optimista da história que lhe é subjacente: não há redenção do homem nem aqui na terra, nem noutro lugar ou não-lugar qualquer. Hannah Arendt retomou a teoria kantiana do mal radical, convertendo-a na teoria da banalização do mal, para condenar justamente as doutrinas do progresso. O que aproxima Konrad Lorenz da filosofia de Kant não é apenas o seu realismo crítico que empresta uma base biológica à doutrina kantiana das categorias e das formas a priori da sensibilidade, mas fundamentalmente a sua teoria do instinto agressivo do homem. A antropologia filosófica - com excepção das primeiras obras de cariz antropológico de Paul Ricoeur e da filosofia pessimista de Schopenhauer - nunca pensou a sério as estruturas fundamentais do mal: a hermenêutica e a desconstrução têm privado a Filosofia dos conhecimentos sobre a agressão e a violência elaborados pelas ciências biológicas e pelas neurociências. O diálogo produtivo da Filosofia com as ciências biomédicas é fundamental para reformular a teoria do mal radical, não com o objectivo prático de neutralizar farmacológica e neuro-quimicamente a maldade humana, propondo uma utopia química, cujo resultado final será encurtar o caminho para a catástrofe final, mas com a finalidade de definir novas metas de humanização que a grande política deve implementar. A sociedade metabolicamente reduzida gerou expectativas e ilusões nas "suas" mónadas alucinadas que não pode satisfazer, a não ser precipitando a catástrofe final através da frustração geradora de violência e de terrorismo: o sonho de felicidade universal e de bem-estar é uma força diabólica que está a mergulhar o mundo na violência e no caos. O que ontem foi utopia é hoje um terrível pesadelo: os vídeos de jovens a espancar outros jovens mostram o fracasso total das políticas de educação. Sem punição e esforço, habituado a viver desde o berço até à morte uma vida fácil, o homem não sabe sentir a alegria de pertencer a um colectivo que o transcende: os que lutaram ontem contra a punição - como se o homem fosse um ser bom por natureza - abriram as portas da Casa do Homem ao Diabo Antropogénico Aniquilador, o anti-Homem, o cérebro réptil e paleo-mamiliano do modelo evolutivo do cérebro triuno de Paul MacLean. A grande política deve corrigir os erros colossais cometidos pela pequena política do passado recente e isto se quiser adiar a catástrofe final, preparando os homens para fazer face à revolta da natureza contra o homem, a força incontrolável que desde o início da aventura humana sobre a terra a condena à aniquilação total. O homem é uma bio-figura passageira nesta imensa aventura biológica que se desenrola há muito tempo neste belo planeta do sistema solar chamado Terra.

J Francisco Saraiva de Sousa

domingo, 29 de maio de 2011

Ainda sobre a Língua Portuguesa

«A autora do livro “Por uma vida melhor”, que foi distribuído pelo MEC recentemente, quer abolir o que ela chama de “preconceito linguístico”. Para tal, ela imagina que o melhor método é dizer que ninguém mais escreve errado, ou seja, que o “certo” e o “errado” devem ser abolidos da escola, em se tratando do uso de nossa língua. A intenção da autora é boa, mas o caminho que ela pega não é útil. E a sua inutilidade vem do uso pouco aconselhável que ela faz do termo “preconceito”.» (Paulo Ghiraldelli Jr)

Paulo Ghiraldelli Jr escreveu este texto sobre O Tal do Preconceito Linguístico, um tema que parece estar a dividir os brasileiros e que já tinha sido tratado neste texto: A Corrupção também na Língua Portuguesa. Como não conheço o livro Por uma Vida Melhor, distribuído pelo MEC do Brasil, devolvo a palavra aos brasileiros que o leram e o criticaram. Partilho a defesa da "pureza" da língua portuguesa, mas não acompanho de perto a argumentação que Paulo Ghiraldelli Jr dirige contra o livro: o texto de Paulo Ghiraldelli Jr vale mais pela defesa da integridade da língua portuguesa - a norma culta da língua - do que pela crítica do livro em questão. O preconceito linguístico que a autora do livro pretende abolir por decreto acaba por entrar na própria argumentação de Paulo Ghiraldelli Jr, contaminando-a e tornando-a opaca em termos de inteligibilidade: o preconceito como pré-conceito não é o mesmo que preconceito social. (Pré-conceito é todo o stock de conhecimentos prévios que possuo e que me permite apropriar toda a tradição, através do método da pergunta e da resposta. Ora, não vejo como pessoas destituídas de esquemas linguístico-cognitivos possam ler e travar um diálogo produtivo com a tradição: uma língua(gem) pobre não pode apropriar-se da riqueza daquilo que foi dito numa língua complexa e rica.) Se a autora do livro os baralha e os confunde - estes dois sentidos do preconceito, claro!, Paulo Ghiraldelli Jr não consegue livrar-se dessa rede conceptual e politicamente confusa, ficando demasiado "pegado" ao termo, como se a ideia da autora fosse efectivamente "boa" - o pré-conceito politicamente defeituoso não tematizado e não problematizado pelo filósofo brasileiro. Por isso, prefiro o texto apresentado anteriormente: ele abre o horizonte linguisticamente alargado que o texto de Paulo Ghiraldelli Jr fecha. Daí que tenha escolhido esta estrutura do Parque da Cidade do Porto para ilustrar este post: os brasileiros são co-responsáveis pela integridade da língua portuguesa. Ai, Ai, tanta "pega" inútil! Afinal, o tal (do) preconceito linguístico é, ele próprio, um preconceito não tematizado: aprender a falar e a escrever correctamente a língua portuguesa não é preconceito; preconceito é dizer aos oprimidos que falam e escrevem bem, quando na verdade eles revelam um fraco desempenho linguístico, conservando-os assim presos na teia da ignorância. Como é que pessoas com baixo desempenho linguístico podem aprender filosofia, lógica, matemática e ciências? A autora do livro e todos aqueles que a seguem fazem o jogo dos opressores internos e externos. Com uma tal pedagogia da abolição do esforço e do rigor, o Brasil corre o sério risco de não conseguir acompanhar os países desenvolvidos.

J Francisco Saraiva de Sousa

Teologia Feminista

«Teologia feminista é o esforço para repensar as religiões e a teologia a partir de um referencial não patriarcal. O advento da teologia feminista se deu quando a dimensão sexual dos comportamentos, as questões relativas à demografia, à sexualidade e à limitação da natalidade começaram a encontrar sérias barreiras provindas das igrejas cristãs e, particularmente, da Igreja Católica Romana. A teologia feminista é um movimento de contracultura no interior mesmo da cultura religiosa vigente.» (Cláudio, Zekzander)

«O Marxismo não é um ateísmo tal como a física moderna não é uma física anti-aristotélica. (.../...) Teoricamente falando, o marxismo não é um ateísmo, é uma doutrina que, na medida em que a religião existe como obstáculo, se vê obrigado a lutar contra ela. É preciso que isto se diga porque é verdade.» (Louis Althusser)

Tendo como imagem de fundo a Pia Baptismal da Sé-Catedral do Porto, recomendo vivamente a leitura deste texto do meu amigo de luta, Cláudio, autor do blogue Zekzander: Teologia Feminista - um outro olhar sobre a religião. Infelizmente, a filosofia não tem dado a atenção necessária às novas teologias, algumas das quais se servem de determinadas filosofias - incluindo a filosofia de Marx - para renovar e actualizar a mensagem cristã. Apesar do seu ateísmo teórico - ou não (Althusser)!, a filosofia de Marx não permite fundamentar nenhuma teologia. Independentemente de ser patriarcal ou feminista, a teologia é, para o marxismo, uma «ciência sem objecto»: emprestar a feminidade a Deus não altera substancialmente o nosso posicionamento filosófico e político perante a teologia feminista. Mas reconheço ser necessário desconstruir a teologia feminista, pelo menos para a enterrar de vez. E, pessoalmente, "prefiro" (sabendo que não se trata de uma mera questão de preferência pessoal!) um Deus masculino, tal como se revelou efectivamente na história dos homens, porque Ele permite compreender real e criticamente a história da religião monoteísta na sua conexão essencial com o poder político. O discurso feminista ofusca mais do que esclarece a história da exploração e da opressão, fazendo falsamente dela a história da luta dos sexos, em vez de a ver como história da luta de classes, como se pretendesse substituir a dominação masculina pela dominação feminina. O feminismo não é capaz de romper com o discurso da dominação: ele é tão totalitário quanto o seu pretenso opositor. Homens e mulheres carrascos são a mesma coisa - opressores. Neste sentido, uma sociedade governada por mulheres não seria melhor que a sociedade governada por homens, e um(a) Deus(a)-Mãe - curiosamente esta figura não é estranha ao catolicismo que ousa falar da Mãe de Deus, a blasfémia das blasfémias! - não seria melhor que o "nosso" Deus-Pai. Porém, não é Deus - e muito menos a questão ridícula do sexo de Deus - que está em causa numa controvérsia científica ou filosófica, mas a ideologia dominante que o usa para justificar a opressão e legitimar o poder instituído. A teologia da libertação soube libertar Deus da prisão do poder instituído e fazer dele o atiçador teológico do protesto contra a opressão.

Anexo. A desconstrução dos feminismos é uma tarefa urgente de todo o pensamento que ainda merece ser chamado filosófico. A noção de história como guerra dos sexos é uma invenção da sociedade metabolicamente reduzida, a sociedade condenada a devorar-se a si própria nesse fastidioso processo de trocas metabólicas do homem com a natureza e com os outros homens: o pensamento de esquerda que abraça o feminismo perde a sua identidade histórica e faz o jogo necrófilo do capitalismo. Foi a pensar neste perigo real que, num texto anterior, avancei com uma nova tese sobre o objectivo derradeiro da nova prática política marxista: adiar a catástrofe final. (Sim, é verdade que o recurso a Althusser me tem ajudado a substituir a "escatologia" pelo Apocalipse! Um marxismo apocalíptico? Devo confessar que o conceito me seduz, tal como seduziu Ernst Bloch quando escreveu a última secção de O Espírito da Utopia: Karl Marx, A Morte e O Apocalipse. Mas há outra influência que não tem sido nomeada: o pensamento (proto-filosófico) dos astecas.)

J Francisco Saraiva de Sousa

sexta-feira, 27 de maio de 2011

Estou assustado com Passos Coelho... e o PSD

Votar em Passos Coelho é como escolher aleatoriamente na rua de uma cidade portuguesa um transeunte desconhecido: o risco é total, porque podemos tanto ter sorte como também ser brindados com o azar. Ora, Passos Coelho tem revelado no decurso desta triste campanha eleitoral falta de preparação para desempenhar o papel de Primeiro-Ministro: Passos Coelho quer governar, não porque tenha um projecto nacional, mas porque acha "giro" ser Primeiro-Ministro. Mas isto já todos sabem, sobretudo aqueles que lhe chamam "betinho": o que me assusta mais é a irresponsabilidade que tem revelado em matérias tão sensíveis como são a avaliação dos professores ou a questão do aborto. Embora não tenha um projecto nacional, a não ser a radicalização das medidas neoliberais do memorando da troika, Passos Coelho promete tudo - incluindo o que não pode cumprir - para caçar os votos dos portugueses: homem formado no e pelo aparelho partidário, Passos Coelho joga em todas as frentes sem conhecer as regras elementares dos respectivos jogos. Infelizmente, os políticos portugueses mais jovens não são mais competentes do que os políticos das gerações anteriores: o actual debate político faz lembrar o fatídico debate político da I República, com os partidos políticos em guerra permanente uns com os outros, sem levar em conta o interesse nacional. Em Portugal, a democracia tem gerado uma luta pelo poder que reveste a forma de uma luta pelo emprego público. Em vez de fazerem política, os políticos portugueses andam à caça de oportunidades e de empregos bem-remunerados. A política-caça não só gera a corrupção generalizada, como também quebra a continuidade das políticas e das reformas estruturais tão necessárias ao desenvolvimento nacional. Quando pretende realizar um novo referendo sobre o aborto, pelo menos durante um período do dia de ontem, Passos Coelho está a sacrificar o interesse nacional - a continuidade de políticas já implementadas e susceptíveis de melhoramentos qualitativos - no altar da caça ao voto de determinados sectores sociais do eleitorado: o oportunismo político bloqueia o futuro de Portugal. O PSD finge não ter nada a ver com a corrupção, mas esta é uma feia herança do cavaquismo, bastando pensar no buraco do BPN: os fundos comunitários evaporaram-se algures, talvez nos bolsos de particulares. A verdade é que Passos Coelho não é uma alternativa credível a José Sócrates e não digo isto por me sentir particularmente contente: trata-se de uma mera constatação política. A sociedade portuguesa é uma sociedade bloqueada: aqueles que alcançam as esferas do poder imobilizam tudo à sua volta e queimam a terra para não terem adversários com mérito. Portugal é vítima desta política de terra queimada. Será necessário um dia pensar objectivamente as forças que bloqueiam a sociedade portuguesa e que lhe negam a via do desenvolvimento. De momento, bastará dizer que o grande bloqueio reside nos próprios portugueses: a implementação indiscriminada das medidas propostas pela troika irá evidenciar a violência inerente à sociedade portuguesa. O discurso alucinado de um país moderno e desenvolvido - o discurso de José Sócrates que afinal também é o de Passos Coelho numa versão menos coerente e mais trapalhona! - gerou frustração e esta frustração começa a manifestar-se em actos violentos: os portugueses devem preparar-se para o pior. A violência confinada até aqui na esfera doméstica - o número de homicídios bárbaros está a crescer! - ameaça invadir toda a vida quotidiana dos portugueses. A sociedade portuguesa é demasiado débil, pobre e desigual para sofrer medidas neoliberais: o neoliberalismo caseiro do PSD - aliás um partido mais feudal do que liberal ou social-democrata! - ameaça mergulhar o país na pobreza mais abjecta e na violência.

Os portugueses não podem cair no erro fatal de permitir a formação de uma maioria absoluta de Direita no próximo Parlamento: as sondagens mostram claramente que os portugueses querem forçar os partidos a procurar entendimentos inter-partidários. Penso que o eleitorado português tem alimentado a degradação da vida pública, dando o seu voto aos partidos que alimentam o estado de alucinação colectiva, mas neste caso particular concordo com a intenção de voto: não dar a maioria absoluta a nenhum partido do arco do poder e negá-la à Direita que sonha com a concentração do poder político - um Presidente, um Parlamento e um Governo de Direita. Num cenário em que os lideres políticos não merecem confiança, até porque não são competentes, o melhor é obrigá-los a um entendimento inter-partidário e, se possível, forçar os próprios partidos políticos a substitui-los na chefia do próximo governo. Os portugueses são, pelo menos teoricamente, soberanos no uso que pretendem fazer dos seus votos: o meu voto não pertence a José Sócrates - cujo discurso optimista me arrepia profundamente! - mas ao Partido Socialista. É certo que me movo no terreno do chamado "centrão", mas não me identifico política e ideologicamente com ele. Aliás, penso que o "centrão" é a maior força de bloqueio nacional: o eleitorado do centro é responsável pela decadência nacional, porque vota alternadamente no PS ou no PSD em função de interesses corporativistas completamente estranhos e adversos ao interesse nacional. Quando digo que o meu voto pertence ao PS, faço-o na esperança remota de que o PS resolva assumir uma nova atitude política de esquerda perante o país. (A formação e a composição das listas partidárias do PS e do PSD não permitem depositar a nossa confiança no próximo Parlamento que será o agravamento e a ruína da alucinação nacional!) Tal como o voto de tantos outros portugueses, o meu voto pretende impedir a formação de uma maioria absoluta da Direita feudal portuguesa. Apesar de tudo, votar no PS é garantir alguma prudência na implementação das terríveis medidas propostas pela troika e fechar a porta ao aventureirismo da Direita sedenta de poder. Neste cenário politicamente indigente, é o melhor que posso ou que podemos fazer nestas eleições legislativas: não dar a palavra à Direita reaccionária, aventureira e oportunista! Faz um uso racional do teu voto se quiseres ter futuro...

J Francisco Saraiva de Sousa

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A foto clássica da Cidade do Porto em dia de chuva: Rio Douro, Centro Histórico e Ponte D Luís I, OPorto, Portugal.

O nosso destino é o Porto

Praia do Castelo do Queijo: OPorto, Portugal. Porto: a Cidade-Estado implantada em território português.

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O nosso destino é o Porto: OPorto, Portugal.

Porto: Largo do Colégio