sábado, 1 de março de 2008

Contra a Burocracia Escolar

«Não se pode educar sem, ao mesmo tempo, ensinar; uma educação sem aprendizagem é vazia e, portanto, degenera, com muita facilidade, em retórica moral e emocional. É muito fácil, porém, ensinar sem educar, e pode-se aprender durante todo o dia sem por isso ser educado». (Hannah Arendt)
A pedagogia administrada neutralizou o sentido da crítica e, através do seu uso repetido e impreciso, removeu as suas dimensões políticas e culturais. A crítica passou a significar «habilidades de pensamento» e o ensino foi reduzido à sua função conformista de ajudar os estudantes a adquirir níveis mais elevados de "habilidades cognitivas", sem dar atenção ao "propósito" para o qual essas habilidades devem ser dirigidas. Os estudantes são encorajados a serem bem sucedidos no mundo árduo e competitivo do limitado mercado de trabalho.
Ao definir o "sucesso académico" em termos da criação de indivíduos submissos, produtivos e patriotas, as teorias administrativas da educação esquivam-se de qualquer preocupação pelos cidadãos educados, críticos e autónomos. Os estudantes são vistos unicamente como a vanguarda do crescimento económico contínuo. Os burocratas do ensino rejeitam a perspectiva de que as escolas deveriam ser locais para a transformação social e para a emancipação, lugares onde os estudantes fossem educados não somente para adquirir competências, mas também para ver o mundo como um lugar onde as suas acções pudessem contribuir para a mudança social qualitativa.
A escola colonizada pela burocracia persegue sistematicamente a "conhecimento emancipador": ensina uma prática cega, em vez de fomentar iluminações dialécticas susceptíveis de orientar uma praxis da emancipação e de transformação social. O conhecimento emancipador é preterido a favor da obtenção de um "diploma técnico", o qual está basicamente relacionado com a lógica do mercado.
Contra este "imperativo burocrático", a teoria crítica da educação empreendeu uma reconstrução socialmente crítica do que significa «ser escolarizado» (Freire), salientando que
qualquer prática pedagógica verdadeira exige um compromisso com a transformação social, em solidariedade com os «oprimidos». A sua missão pedagógica é iluminar dialecticamente (consciencializar) as mentes imersas na coisificação e faze-las emergir para a tarefa prática da eliminação das condições que geram o sofrimento humano (Feire). Os «oprimidos» que aceitam levar a cabo a sua libertação não são somente aqueles que vivem na privação material (os pobres), mas todos os indivíduos que ainda não emergiram da sociedade opressora interiorizada. Quem diz que não pode saber mais porque a situação não o permite, não merece a atenção que se lhe dedica: as dificuldades materiais não respondem pela falta de conhecimento e, muito menos, pela inércia mental.
A afirmação dos burocratas do sistema de ensino, segundo a qual as escolas funcionam como um mecanismo para o desenvolvimento e aprofundamento da democracia e da igualdade social, é claramente desmentida pela realidade escolar efectiva. As escolas não oferecem oportunidades humanísticas para a capacitação (competência) pessoal e social e, na realidade, trabalham frequentemente contra essas oportunidades. As vítimas desse processo são não somente os alunos mas também os próprios professores.
A adopção crescente de pedagogias administrativas e de esquemas de contabilidade para satisfazer a lógica das exigências do mercado promove activamente a "incapacidade dos professores". A proliferação de currículos adoptados pelo Estado, «à prova de professores», revela claramente que os professores não participam, de um modo responsável e digno, na elaboração das propostas de programas e, muito menos, na sua escolha. H. Giroux
verificou que o papel do professor é efectivamente equiparado ao de um secretário não competente e mal-remunerado. Nas escolas administradas, o aperfeiçoamento da democracia é mantido zelosamente num estado de hibernação: o opressor governa a escola em todas as suas esferas como se fosse um representante legítimo daqueles que democraticamente silencia, obrigando-os a cumprir e a executar as suas ordens.
A necessidade escolar de planificação reprime a liberdade e a formação cultural. Defender o "pensamento independente" é resistir à inércia administrativa dos Programas e das Planificações impostos de cima — exterior e heteronomamente, e, portanto, dignificar o professor, o aluno e a escola, na sua capacidade autónoma de decidir o que é mais adequado para si mesmos e para os outros, em função da natureza das situações sociais com que se deparam diariamente e da análise racional que fazem das mesmas. A autonomia conquista-se vencendo o «medo à liberdade» (Fromm)
e assumindo, nesse acto, a tarefa de recuperar a subjectividade rebelde esquecida no fundo da sua consciência: a única que os pode proteger da estupidificação em curso.
A invasão do ensino por parte do sistema burocrático demite os professores da sua missão de educar e estes, não satisfeitos com a sua hetero-demissão, auto-demitem-se quando se refugiam nas "visitas de estudo"
e nos "projectos da área escola", de resto previstos pelos planos administrativos, sob a alegação de que a educação passa também pela distracção. Ao pretender invadir o espaço exterior a si mesma, como se se tratasse de uma esfera com vida e legalidade próprias, a escola, sem disso tomar consciência, deixa-se invadir passivamente pela sociedade administrada: a visita de estudo revela-se como instalação definitiva e castradora da sociedade que supostamente pretende invadir. A escola não tem um exterior a si mesma, na medida em que ela própria é esse exterior. O seu isolamento não se afirma frente à sociedade, mas frente à crítica. Por detrás de cada uma das suas decisões supostamente autónomas, sobretudo no caso das visitas de estudo, insinua-se claramente a presença omnipotente da planificação centralizada. As motivações que secretamente as movem reduzem-se, afinal, à planificação de um potencial "encontro sexual". A planificação do sexo desenrola-se no âmbito da planificação escolar centralizada.
Aqui a planificação mostra o seu verdadeiro rosto: o processo de debilitação do eu leva-o a procurar fora de si mesmo aquilo que só a ele lhe pertence e que só nele próprio pode encontrar. A promiscuidade sexual
é afinal a única distracção disponível, já que «a falta de fantasia, implantada e insistentemente recomendada pela sociedade, deixa as pessoas desamparadas no seu tempo livre» (Adorno). Na distracção o eu débil afunda-se «livremente» nos outros, sem se aperceber o quanto não é livre aí onde mais livre se sente — no comércio anónimo do sexo ocasional —, «porque a regra de tal ausência de liberdade foi abstraída» dele. A liberdade organizada é falsa liberdade. Até mesmo como fuga às rotinas escolares as visitas de estudo e as actividades extra-curriculares não deixam de ser prolongamentos de actividades accionadas e organizadas pelo sistema administrativo escolar.
A afinidade entre a escola e a diversão mostra-se assim no seu próprio sentido: a apologia da sociedade que a isola cada vez mais da crítica redentora, na medida em que, como demonstraram Adorno & Horkheimer, «divertir significa estar de acordo» e estar de acordo significa, por sua vez, «não ter que pensar nisso, esquecer o sofrimento até mesmo onde ele é mostrado. A impotência é a sua própria base. É, na verdade, uma fuga, mas não, como afirma, uma fuga da realidade perversa, mas da última ideia de resistência que essa realidade ainda deixa subsistir. A libertação prometida pela diversão é a libertação do pensamento como negação» (Adorno & Horkheimer)
. O chamado «professor fixe», bem como a sua «pedagogia do gajo porreiro», é cúmplice passivo desta estratégia de manter todos os indivíduos na dependência pueril do sistema administrativo. A puerilidade (Devereux) é, portanto, um estado contínuo de dependência, no qual se substitui a dependência materna pela dependência social administrada, quando não se consegue, por alguma razão fatídica, conservar as duas dependências em simultâneo. Os que negam conquistar a sua autonomia nunca terão acesso à experiência genuína do tempo livre produtivo. Sob o domínio da heteronomia, tornam-se heterónomos também para si próprios.
Até mesmo a suposição de que as escolas funcionam como os principais promotores da mobilidade social e económica é falsa (Michael Apple)
. A escolarização não oferece oportunidades a um grande número de estudantes para se tornarem capazes como cidadãos críticos e activos. O facto dos filhos dos trabalhadores poderem tirar um curso superior e ascenderem a um camada social (supostamente) superior não implica mobilidade social e cultural e, muito menos, mobilidade vertical. Diante da sociedade todos são consumidores, não só de bens de consumo, mas também de ideias esvaziadas do seu conteúdo cognitivo transcendente e, por isso, tornadas equivalentes. Todos são iguais na sua incapacidade de pensar para além da realidade opressora, na medida em que partilham a mesma cultura: a cultura comercializada de consumo.
A neutralização da oposição ameaça desvirtuar irreversivelmente a essência da democracia. O sistema cinzento é o único que efectivamente governa, deixando o elemento feminino predominante «à beira de um ataque de nervos». A pedagogia transforma-se fatalmente em intriga e em «guerras de poder», cujos objectivos escapam a qualquer tentativa de compreensão racional
, a não ser a uma interpretação psiquiátrica.
Se, como afirmou Adorno, «a chave de uma mudança profunda reside na sociedade e na sua relação com a escola»
, então somos confrontados com uma dupla tarefa: a escola que devia contribuir para a mudança social qualitativa precisa, ela mesma, ser transformada e preparada antes de poder assumir a sua verdadeira missão. A escola oscila, nas actuais circunstâncias, entre a perpetuação da barbárie, enquanto mecanismo de reprodução da sociedade repressiva, e o combate contra a barbárie, enquanto instituição empenhada na formação cultural. Consciente dessa ambiguidade essencial da escola, Adorno não deixa de fazer um apelo, no sentido de convencer os professores a libertarem-se dos tabus que os impedem de educar:
«A barbárie é um estado no qual todas essas formações às quais serve a escola se mostram fracassadas. Por certo que, enquanto a sociedade engendre de si mesma a barbárie, a escola não será capaz de se opor a esta mais que em grau mínimo. Mas se a barbárie, a terrível sombra que se abate sobre a nossa existência, é precisamente o contrário da formação, também é algo de essencial que os indivíduos sejam desbarbarizados. A desbarbarização da humanidade é a pré-condição imediata da sua sobrevivência. A esta deve servir a escola, por limitados que sejam o seu âmbito de influência e as suas possibilidades e, para isso, necessita libertar-se dos tabus, sob cuja pressão a barbárie se reproduz. O pathos da escola — hoje a sua seriedade moral —, nas presentes circunstâncias, reside em que, somente ela, se é consciente da situação, é capaz de trabalhar imediatamente pela desbarbarização da humanidade. Por barbárie, não entendo os Beatles, embora o seu culto faça parte dela, mas sim o extremo: o preconceito delirante, a repressão, o genocídio e a tortura; aqui não há lugar para dúvidas. Opor-se a isso, tal como se nos oferece o mundo de hoje, onde pelo menos não é possível vislumbrar nenhuma outra possibilidade de mais amplo alcance, compete antes de mais nada à escola. Daí que, a despeito de todos os argumentos teórico-sociais contrários, seja tão importante desde o ponto de vista social que a escola cumpra a sua missão. E, para isso, ajuda a tomada de consciência da fatídica herança de representações que pesa sobre ela»
. (Este post está sujeito a correcções.)
J Francisco Saraiva de Sousa

18 comentários:

Aveugle.Papillon disse...

Gostei da relação contrária entre educação (concentração) e distracção, porque diante da "desmotivação" dos alunos, os educadores criam 1001 maneiras atraentes de "dar a matéria", (pois já nem se trata de ensinar), delegando essa tarefa aos novos dispositivos tecnológicos.

Por outro lado, a visita de estudo é um exemplo flagrante! Fez-me lembrar as minhas! E eu como aluna terrível que fui (por isso sou um bom exemplo para esclarecer o fenómeno) digo que, de manhã, para apanhar o autocarro que nos levaria ao destino, já tínhamos as mochilas carregadas de Gold Strike e outros licores benditos. Fala de "encontros sexuais", mas eu e os meus colegas era mais álcool e outros tóxicos que nos faziam "distrair" muito, até ao final do dia, quando regressávamos a casa, felizes pela visita de estudo. :) Não é q esperássemos pelas visitas de estudo para nos "distrairmos", mas sabíamos que era um dia santo. E os próprios professores ignoravam ou eram complacentes, porque a visita de estudo tinha sempre esse cariz: de recreação. :) Os trabalhos q nos eram exigidos acerca da mesma, eram de caca, por isso muita gente durante o dia desaparecia, para reaparecer ao final do dia. Volto a sublinhar que eu era "rebelde", mas n era sozinha!

Essa afinidade entre escola e diversão, foi uma equação que desenvolvi bem.
Talvez por isso perceba a sede dos jovens! Eu n era "desmotivada". Muito pelo contrário! Mas os educadores, ou a sua grande parte, n têm sensbilidade para escutá-los na sua individualidade.
Eu amansava com muito poucos professores, os que me ficaram na cabeça, que me ensinaram verdadeiramente alguma coisa.
A energia n deve ser tida como algo diabólico, deve ser reorientada, desenvolvida naturalmente, mas a estrutura da escola actual n o permite: os programas, a pressa de "dar a matéria", "a matéria que sai para o teste", ou seja, aquela que conta, porque o aluno só é avaliado quantitativamente. Ele não passa de uma escala, um número, uma coisa.

J Francisco Saraiva de Sousa disse...

Excelente, Papillon.
Todos sabemos o que eram e são as visitas de estudo: diversão (n sou contra) e, entre os professores, uma oportunidade para algo mais.
Arendt tem um ensaio sobre educação muito actual e bastante pertinente: o "mundo das crianças" é adiar a sua entrada no verdadeiro mundo, o dos adultos. Os professores não educam nem ensinam, porque perderam o bom senso.
Ser rebelde é bom! :)

J Francisco Saraiva de Sousa disse...

Concordo muito quando diz que poucos são os professores que nos marcam, o resto é para passar tempo! :)

Manuel Rocha disse...

É muito pertinente esta dissertação.

Deixo-lhe um bom exemplo do que diz na prática daquilo a que se convencionou chamar "educação ambiental", que está em "alta" e que se limita a promover slogans publicitários que mais não fazem que substituir um cabaz de compras por outro, tido por mais verde.

A falta de capacidade de pensamento critico fica bem ilustrada neste exemplo bem fresco de um grupo de professores do 2º ciclo que em contexto de acção de formação sobre EA, tendo-lhes sido pedido que elaborassem um plano de aula sobre uma laranja ( a acção era no Algarve, com profs do Algarve e a laranja também era do Algarve ) o melhor que conseguiram foi elaborar sobre a importãncia da laranja para evitar o escorbuto !!!

Portanto, o Francisco diz bem quando refere que a escola não ensina a pensar. Mas pode acrescentar que depois de sairmos da escola também poucos são os que se esforçam nesse sentido. E não é proibido ! Ou será ?

:))

Papillon,

Olhe que um trabalho sobre "caca" tem muito que se lhe diga...nem imagina o que teria de suar se tivesse sido eu a pedir-lhe um trabalho desses...teria que varrer o tema desda a microbilogia à quimica do solo, passando pela produção e aproveitamento do metano, e pelo papel da "caca" em geral no processo civilizacional...:))))

Eis um bom tema para um post, Francisco...:))

J Francisco Saraiva de Sousa disse...

Manuel

É isso mesmo: já não se pensa, embora na papelada dos objectivos apareça sempre este termo "espírito crítico". As planificações das aulas estão repletas destes "erros". O problema é que tb derivam da Universidade: o ciclo está fechado!
A Papillon usou "caca" noutro sentido, mas de facto poderiamos fazer uma "filosofia da caca de ensino".
Vejo que domina este assunto do ensino. E se quiser podemos trabalhar no papel da caca no processo civilizacional! :)

J Francisco Saraiva de Sousa disse...

Penso que a "autoridade" do professor depende muito da sua "real" competência científica, da qual deriva a sua competência pedagógica. Arendt tb diz que a "pedagogia" (profissionalização) constitui um dos factores de crise permanente da educação.
Os professores reduziram o seu papel a preencher papéis: a aprendizagem morreu. Burocracia que trava a entrada das crianças e dos jovens no mundo comum, o dos adultos, ao mesmo tempo que incapacita os professores. Podemos mesmo dizer: Actualmente, "ser professor é ser incapacitado" ou "deficiente! :(

Aveugle.Papillon disse...

Algumas notas:

Francisco,

Falava de sexo entre professores nas visitas de estudo? Ahahah... não sabia! Só tive um episódio (leve) de assédio por parte do prof "porreiro", tb no âmbito de uma visita de estudo. As coisas que o Francisco sabe! :)))

Não sei em que contexto Arendt fala sobre a passagem do "mundo das crianças" para para o "mundo dos adultos", mas penso que para tal não haja "iniciações aos Mistérios"! Ou seja, a criança e o adolescente devem sempre ser vistos como tal, com responsabilidades e autonomia próprias e não como adultos em potência. Isto é um erro de leitura, para mim. Não que as instâncias não existam de facto, mas não entendo o ponto de vista do adulto superior ao da criança e ao do adolescente: é isto que nos leva aos equívocos de pensarmos que eles são burrinhos ou ineptos. Temos que prepará-los para o mundo, o mundo que espera deles alguma coisa, claro, mas n esquecer que eles desde sempre estiveram no mundo, portanto, eles têm as suas experiências e são seres pensantes! Para mim não há ponto de maturação, pelos menos, intelectualmente. Por isso o mundo dos adultos não é o mais "verdadeiro".


Manuel,

Eu disse "de caca" e não "sobre caca".
Esse exemplo que deu é claro para provar que os professores deixam de se actualizar e de investigar. (Atento aqui para a generalização abusiva que cometi, porque sei que há professores que detêm realmente o sentido da profissão que desempenham).

J Francisco Saraiva de Sousa disse...

Papillon

Arendt vê no excesso de pedagogia burocrática um modo de ninguém se responsabilizar pelo mundo comum. E no pragmatismo (privilegiar o fazer em vez do conhecer) o modo mais simples de eliminar o ensino. Ela não nega a infância, mas vê na escola um longo processo de introdução das crianças no mundo. Por isso, diz que a questão fundamental da educação é a "natalidade". (Repare que não a estou a defender, mas admiro a sua abordagem da educação).
Sim, sei muitas coisas sobre o ensino: alugam-me os ouvidos! Aliás, penso que alguns virus da hepatite B ou HIV vieram de Paris ou Barcelona ou... :)))

J Francisco Saraiva de Sousa disse...

Papillon:

"Temos que prepará-los para o mundo, o mundo que espera deles alguma coisa, claro, mas n esquecer que eles desde sempre estiveram no mundo, portanto, eles têm as suas experiências e são seres pensantes!"

Concordo totalmente e penso que tb era isso que Arendt tinha em mente: prepará-los para o mundo e responsabilizá-los pelos destinos do mundo. :)

Aveugle.Papillon disse...

Ahahahah... vc é maravilhoso!
Ao menos, esses professores são cosmopolitas e tiveram bom gosto!
O F. é um pouquinho hipocondríaco, n é? Porque, quando se refere a promiscuidade sexual, em vez, por exemplo, de apontar razões morais ou psicológicas, aponta somente as consequências eventuais de propagação de doenças!

O fazer é essencial no próprio processo de conhecer! Conhecer não é só engolir conhecimento. Os alunos têm de interiorizar o processo de investigação, cumprindo-o. N sei se concordo com Arendt.

J Francisco Saraiva de Sousa disse...

"Hipocondríaco": não sou nada disso! Mas tem razão: raramente alego "razões morais"! As psicológicas e de saúde, sim, recorro a elas frequentemente. Mas, Papillon, quando falo de promiscuidade sexual, não me refiro a experimentação sexual, mas a um estilo de vida degradante em termos sociais e psicológicos.

Aveugle.Papillon disse...

Mas, então, referia-se à experimentação? Sim, ela basta como causa de transporte de HIV de Barcelona até ao Porto! Basta uma experiência sexual incauta para se apanhar DST, n é preciso chegar ao "degrego".
Mas os professores devem saber isto bem, eles ensinam-no. :)

J Francisco Saraiva de Sousa disse...

Sabe que as doenças voam com muita velocidade e as práticas de ensino criam situações propícias a esses voos.
Sim, actualmente todos os jovens têm uma fase de experimentação: o problema é quando persistem nela eternamente. A vida escapa-lhes e, quando se apercebem disso, já é tarde. Aliás, em muitos casos nem sequer os podemos verdadeiramente responsabilizar: é a genética a exibir-se num mundo favorável ao efemero.
Porto, mesmo Porto, deve ser diferente, porque os profs são de outra geração.

Aveugle.Papillon disse...

Sei que as doenças voam, não sei que as práticas de ensino o favorecem.

Não só actualmente, mas sempre os jovens "experimentam"; é intrínseco à sua condição. Se eles prolongam a adolescência é porque neste momento há facilidade para tal, mas n quer dizer q n tenham responsabilidade. Têm, pois podem sempre decidir.

Nomeei o Porto, por acaso. Não sei, nem pretendo saber a realidade psicológica da classe de professores da cidade invicta.

J Francisco Saraiva de Sousa disse...

As práticas: actividades extracurriculares, as visitas de estudo, os dias dos namorados, as festas de carnaval, as praxes académicas, erasmus... etc.
E tenho um casal de aves no jardim que não sei identificar! Nunca as vi por aqui. As aves são belas! :)

Aveugle.Papillon disse...

Então, mas fala dos professores ou dos jovens?
Já n o entendo... um bom dia para si!

J Francisco Saraiva de Sousa disse...

Papillon

Há um ditado que diz que a "oportunidade cria o ladrão" (ou coisa do género). Todas estas práticas, além de não trazem uma mais-valia real ao ensino, favorecem essas actividades, tanto nos professores como nos alunos.
Outro bom dia para si! :)

Leandro Lopes Claro disse...

Reflexão contundente! Sou professor, do Ensino Fundamental II no Brasil. Há tempos tive uma intuição de que "disciplinas do curso de Administração" estariam invadindo as escolas, com a promessa de salvá-las de seu fiasco. Que mentira!
O tempo com quantidade de papéis burocráticos a serem preenchidos, alías, inúteis, que o professor perde, ao invés de estar lendo um livro, pesquisando, é tremenda por aqui.
A cada dia o professor em grande parte do tempo parece ser convidado pela burocracia escolar ao emburrecimento docente. Desde modo a sociedade permane assim: tão decadende que já nem é mais capaz de perceber a própria decadência!