segunda-feira, 3 de março de 2008

Portugal: O Reino das Mafias do Poder

Diversos amigos colocam-me constantemente esta questão: O que faz de Portugal um país medíocre e sem futuro? Respondo sempre: "Os próprios portugueses". Mas, antes de clarificar um pouco mais esta minha posição, pretendo fazer um desvio pelo novo programa de Maria Elisa.
O programa de Maria Elisa, "Depois do Adeus", tratou hoje (2 de Março de 2008) dos chamados «retornados». Já dediquei alguns posts às questões da "descolonização" e da "Guerra do Ultramar", mas este programa trouxe alguma verdade que tem sido sistematicamente omitida. Os «retornados» das excolónias, em particular de Moçambique e de Angola, tinham um nível de escolarização muito superior ao dos portugueses da metrópole. Aliás, quando foram viver para as colónias já tinham essas habilitações. Eles criaram duas potenciais grandes nações: Moçambique e Angola que, durante a governação portuguesa, foram não só grandes economias em crescimento como também territórios onde se respirava a liberdade, a iniciativa privada e a cultura, o que quer dizer que os portugueses fora de Portugal se tornam mais produtivos e afirmativos.
O 25 de Abril de 1974 precipitou tudo: abandonou literalmente os portugueses do ultramar, entregando esses territórios aos respectivos "movimentos de terroristas", responsáveis pela destruição das infra-estruturas das novas nações independentes. Os portugueses foram forçados a regressar a Portugal, onde eram vistos pelos meios de comunicação social (Dacosta) e pelas populações como "exploradores" que mereciam ser «atirados ao mar». Este silenciar do regresso dos «retornados» resultou claramente da propaganda do Partido Comunista Português e de outras forças de Extrema-Esquerda, que, paradoxalmente, ainda detêm muito poder de influência nos destinos nacionais, juntamente com os sindicatos. Mas isso todos os que pensam pela sua própria cabeça já sabiam: o que me impressionou foi o facto de alguns (quantos?) desses «retornados» já velhos estarem praticamente à beira da ruína, apesar da sua cultura superior. Geralmente, o capitalismo cresce com estes aumentos demográficos. Porém, aqui neste triste país nem isso sucedeu...
Não há, pois, futuro em Portugal e isto por uma razão simples: a mediocridade generalizada instalada sobretudo nos centros de decisão política. As pseudo-elites em todas as esferas da sociedade, em especial politico-jurídica, económica, comunicativa e educativa, são profundamente ignorantes. A aliada desta inteligência reduzida é a luso-inveja e o resultado é sempre o mesmo: a reprodução da mediocridade que condena Portugal à inércia e à exclusão intencional e, portanto, maldosa, daqueles poucos indivíduos que poderiam ajudar a mudar o status quo português. Estas pseudo-elites medíocres mantêm-se no poder através da corrupção. Portanto, associo a inteligência reduzida dos portugueses, sobretudo daqueles que pensam fazer parte das elites, ao fenómeno da corrupção, da mentira política e da maldade nacional. E estou cada vez mais convicto que já não conseguimos combater a corrupção política fazendo o jogo da democracia, pelo menos da democracia vigente em Portugal, de resto mais uma plutocracia cleptocrática do que uma «democracia».
Bem sei que outros portugueses têm outras perspectivas, muitas vezes formuladas numa linguagem tipicamente nacional. Desafio-os a deixar aqui as suas perspectivas e, assim, procurarmos em cooperação dizer a verdade sobre Portugal. A minha tese pode parecer, à partida, demasiado elitista, sobretudo quando as pessoas julgam ser todas "iguais"! Este discurso da "igualdade" legitima as desigualdades sociais reais, ao mesmo tempo que não encara o problema político da "igualdade de oportunidades", o único capaz de valorizar o mérito em detrimento do "sistema de favores nacional". Ora, o ensino e a educação, os meios de comunicação social, o sistema de justiça, as universidades, as instituições públicas e privadas, as empresas, enfim tudo aquilo por onde circula dinheiro e poder estão sob controle das classes dirigentes. Entre Oliveira Salazar e os lideres pós-revolucionários a diferença reside no facto do primeiro ser «honesto» e os outros serem corruptos. Apesar da lavagem democrática, o regime português continua a ser fascista e, nestes tempos obscuros, mafioso.
Em suma: Vejo os portugueses em geral, mas sobretudo as suas elites mafiosas, como seres de inteligência reduzida, profundamente maldosos, invejosos, mentirosos e corruptos, e, portanto, como seres muito emotivos. Estes traços do carácter nacional agravaram-se após o 25 de Abril. A ausência de disciplina e de punição tornou-os meros reivindicadores, pouco produtivos em termos de trabalho e profundamente dependentes dos subsídios do Estado. Os portugueses vivem fora da realidade. A elevação do seu nível de vida, sobretudo operada pelos governos de Cavaco Silva, aconteceu sem reformas qualitativas no sistema de ensino e de educação. O resultado é que os luso-burricos são agora "diplomados". Mas como os diplomas não lhes garantem inteligência não deixaram de ser os "parolos" que sempre foram. A sua emotividade deve-se a esta falta de segurança e de confiança em si mesmos. Como não podem argumentar racionalmente insultam-se e agridem-se. (Reveja, entre outros, este post Corrupção e Ideologia Sem Nome.)
J Francisco Saraiva de Sousa

32 comentários:

Manuel Rocha disse...

Imensos assuntos para comentar...:))

1. É evidente que só aos portugueses em geral e a cada português em particular podem ser atribuidas as responsabilidades pelas razões das mossas lamúrias. Responsabilizar os poderes é curto: mero refelxo da mediocridade vigente que se demite da governação e dela quer apenas ser gordo espectador passivo. Não me parece legitima qualquer outra análise porque em rigor não se consegue demonstrar que Portugal não estaria melhor governado se houvesse maior participação cívica na governança, e não há !

2. Retornados. Falar da Africa colonial é falar de um papel em branco sobre o qual se desenhou quase sem necessidade de reformar. Diverso da velha Europa onde estava o velhinho Portugal que nem arrasado pelas guerras foi. Ainda assim é bom lembrar que por aqui ( como lá ) havia um instrumento de planeamento que deva pelo nome de Plano de Fomento, graças aos quais se registaram consideráveis esforços de organização da economia com resultados comprovados pelos maiores ritmos de crescimento económico do século. Certo ?
O regresso dos retornados tendo sido um drama, é bom que se diga que teve apoio. O IARN não foi mera figura decorativa. Distribuiu dinheiro e não foi pouco, e nessa medida o estado da altura deu aos seus retornados um estatuto de excepção.
Excepcionoal foi também a forma como os retornados ingressaram na vida pública. Recordar que na função pública, por exemplo, para as mesmas funções a letra de classificação era superior ( incentivo à colonização ) estattuto que se manteve no regresso e que teve um efeito de bloqueio pouco falado: com letras superiores, funcionários de classificações inferiores chegaram e ocuparam directamente cargos de chefia, situação que criou naturais resistências e bloqueou muitos serviços ( caso tipico do MA ).

Para já chega...até logo ...:))

Helena Antunes disse...

«O que faz de Portugal um país medíocre e sem futuro? Respondo sempre: "Os próprios portugueses".»
Concordo!

"O mal não está nos políticos, está em nós" de João César das Neves, hoje no DN.
http://dn.sapo.pt/2008/03/03/opiniao/o_nao_esta_politicos_esta_nos.html

J Francisco Saraiva de Sousa disse...

Manuel

Convém distinguir entre os portugueses de Moçambique e os de Angola. Se o que diz "com letras superiores, funcionários de classificações inferiores chegaram e ocuparam directamente cargos de chefia, situação que criou naturais resistências e bloqueou muitos serviços (caso tipico do MA) é verdade, então tb é uma injustiça. Mas penso que os retornados ajudaram a melhorar a vida aqui em Portugal, até porque eram pessoas mais "esclarecidas" e mais libertas.
Para mim, o Poder deve constituir um exemplo de competência e de honestidade. Se o poder não fosse corrupto, podíamos combater melhor as outras corrupções instaladas na sociedade. Em Portugal, não se brinda e se valoriza o mérito, mas a CUNHA e o grau de parentesco! Este é o vício mais grave da sociedade portuguesa!

Helena

O multiculturalismo não significa necessariamente o respeito pela diferença. Não podemos relativizar a nossa cultura ocidental e colocá-la ao nível de outras claramente "inferiores". Nós criámos a democracia que possibilita o direito à diferença, mas a democracia deve defender-se dos seus inimigos: não podemos tolerar aqueles que querem destruir a nossa cultura democrática. Mas, reconheço, há muito trabalho a fazer neste campo.

J Francisco Saraiva de Sousa disse...

Ou em linguagem simples e clara

Sou branco e europeu. Tenho direito a viver numa Europa com os meus pares, sem ser incomodado por "terroristas" que usam a nossa democracia para a destruir. Já que são todos tão amigos da multiculturalidade porque não emigram para esses países e se candidatam à chefia dos seus Estados? Acham que eles aceitam o multiculturalismo nos países deles?
Obama candidata-se nos USA mas H. Clinton nunca poderia candidatar-se no Quénia! :)

Manuel Rocha disse...

"Tenho o direito de viver na Europa com os meus pares"...eu subscrevo isso mas acrecento algo mais para que esteja de bem com a minha consciência na hora em que tivesse de defender esse modo de vida: sem que seja à custa dos recursos alheios !

Retornados...

O problema, Francisco, é que a juntar a tudo o mais essa entrada dos funcionários públicos vindos de alèm mar, cuja competência não está em causa, gerou um clima de duplo ressentimento: deles porque vinham contra vontade e ressentidos pelo resultado de uma descolonização cujas culpas atribuiram aos "metropolotinos"; dos que cá estavam porque administrativamente ultrapassados deixaram de cooperar. Junte o clima pós revolucionário e tem a sopa em que se transformou o funcionalismo em Portugal no pós 74.

J Francisco Saraiva de Sousa disse...

Manuel

Quanto aos retornados, penso que o jornalista Dacosta fez uma reportagem cuja publicação foi na altura adiada, por razões políticas. Os retornados sempre foram portugueses. A prova dos fortes laços entre estes portugueses e os negros, muitos dos quais se sentiam tb portugueses, foi dada por um empresário de Braga que regressou a Moçambique para trazer para Portugal os seus empregados negros! Bonita atitude que mostra que o nosso colonialismo nunca foi racista!
Esse ressentimento é justificável, porque foram abandonados e muitos foram presos e assassinados após a independência das colónias pelos chamados movimentos de libertação. Além disso, foram espoliados e enganados. Deixaram os seus bens nas colónias e regressaram a Portugal em condições difíceis e humilhados! Essa página da nossa História deve ser "limpa" e devemos ter orgulho naquilo que foi feito nas excolónias! Actualmente, tudo foi praticamente destruído e depois somos responsabilizados pela incompetência e estupidez dos dirigentes africanos. Por isso, penso que precisamos de uma Nova Esquerda liberta dos disparates defendidos pela Esquerda tradicional e dos seus traumas.

J Francisco Saraiva de Sousa disse...

Como sabe, sou contra essas formas desastrosas de exploração! :)

J Francisco Saraiva de Sousa disse...

Também concordo com a sua crítica pertinente e justa do funcionalismo público português! Néscio e incompetênte! Sei que alguns eram moços de recado nos bancos e agora são gerentes! Etc. Por isso, estamos mal servidos! :(

Manuel Rocha disse...

Nessa matéria estamos completamente de acordo.

Os meus comentários anteriores tinham sobretudo em vista deixar a minha convicção de que o Portugal de hoje é ainda fruto desses tempos conturbados. Sem atribuir culpas a ninguém nem negar o natural descontentamento de quem quer que seja, o certo é que se geraram dinâmicas conflituais que muitas vezes se exprimiram em grupos de poder e de cujos efeitos ainda hoje ressacamos.

Concordo que vai sendo tempo de recontar essa história da descolonização e de revolução sem a preocupação de procurar culpados, mas antes com uma atitude de tentarmos entender-nos para ver se conseguimos seguir viagem pacificados com o que somos como povo.

Assumir responsabilidades não tem que ser sempre um exercicio de auto-flagelação, certo ?

:)

J Francisco Saraiva de Sousa disse...

Manuel

É isso mesmo que devemos fazer. Virar a página, assumindo a nossa história, sem aqueles traumas que nos oprimem.
Estava aqui a falar com um colega e ele dizia que, por ex., na Turquia nós ocidentais brancos «não podemos passar os limites», porque eles não respeitam a diferença. Nos restantes paises islâmicos (e não só) passa-se o mesmo ou pior. Depois querem vender o "multiculturalismo". Aqui em Portugal certos estudantes do Erasmus colocam as suas bandeiras nacionais à janela, mas nós nunca o poderíamos fazer nalguns desses paises! Revolta-me essa atitude!

Manuel Rocha disse...

Pois...

Mas essa tentativa de vender o multiculturalismo e, melhor ainda, a interculturalidade, é uma invenção ocidental ! Sentimento de culpa ? Provavelmente ! Sentido de oportunismo pacificador ? Bem possivel !

O capitalismo ocidental precisa do neo-colonialismo e nesse sentido irá sempre procurar formulas alternativas para o exercer. Se tiver para isso que "embrulhar" o pacote, onde é que está a dúvida ?

:))

J Francisco Saraiva de Sousa disse...

Mas precisamos de um projecto político "mais positivo" para seduzir as pessoas! A crítica sem essa "luz" torna-se vazia! Pura demolição sem alternativas! Contudo, sabemos que todos, com excepção dos professores, estamos profundamente insatisfeitos e revoltados contra o sistema educativo português! Uma enorme "escola da ignorância".

Helena Antunes disse...

Francisco, não recebeu o convite para integrar o Artes & Manias?

J Francisco Saraiva de Sousa disse...

Sim, Helena, recebi, mas já tenho uma conta Gmail e, se criar outra, fico confuso! Não posso editar sem a conta?

lp disse...

No seu post estão presentes inúmeros equívocos – pelo menos para quem se afirma de esquerda. Com isto eu não quero dizer que alguém de esquerda tenha que, obrigatoriamente, subscrever qualquer posição vinda dessa área política, abdicando do pensamento próprio e crítico. No entanto, este mesmo pensamento critico exige que se ponha a questão de se as últimas ideias defendidas por si se enquadram mais facilmente num discurso de esquerda ou de direita. E para mim é óbvio que é à direita, por mais autores situados à esquerda que o Francisco cite.
Em primeiro lugar, quando você elogia a economia, a «liberdade» de «potenciais grandes nações» (talvez como o «exemplar» Brasil?) e culpa o 25 de Abril pelo fim desse projecto, esquece-se de uma coisa fundamental: todos os países europeus com colónias em África já tinham iniciado ou feito as suas descolonizações - aliás, quando se diz que Portugal fez uma péssima descolonização, é caso para perguntar qual foi o país que a fez bem. A verdade é que o grande responsável pelo que aconteceu nas colónias africanas foi Salazar, que não querendo ver o que se estava a passar no resto de África enfiou Portugal numa guerra sem saída militar possível, e que culminou com o 25 de Abril. O regime anterior teve muito tempo para resolver a questão colonial, e ao não fazê-lo aconteceu o que tinha de acontecer: a independência, mais ou menos rápida, das colónias.
Em segundo lugar, a sua explicação para o atraso português recorre a um chavão tipicamente de direita e que é o da inveja. Um chavão psicologista que apenas pretende legitimar a desigualdade social, por forma a evitar que se questionem as grandes diferenças de rendimentos entre os mais ricos e os mais pobres, assim como as verdadeiras razões estruturais que estão por detrás dessa desigualdade. Neste discurso, estas diferenças seriam« naturais» e até «saudáveis», já que seriam uma consequência da diferenciação entre os bons e os medíocres, entre os que teriam mérito e aqueles que não o teriam. Qualquer tentativa de correcção deste tipo de situações é depois vista como uma reacção dos invejosos, que seria também ela uma reacção natural própria dos medíocres. Para si a justiça social reduz-se à falácia da «igualdade» de oportunidades, quando, para estas serem de facto reais, torna-se necessário que todos tenham acesso um mínimo de condições económicas que tornem possível essas oportunidades: quem é pobre não está em pé de igualdade (de oportunidades) com quem à partida já está liberto de um destino de miséria. E quanto mais o fosso entre ricos e pobres se agrava, mais essa desigualdade de oportunidades se instala. Logo, só mesmo por favor e cunha se consegue depois alguma coisa.
Segundo o Francisco, a solução para os problemas de Portugal passa por um regime autoritário (ou musculado) saudoso da disciplina e da «honestidade» dos líderes (ou líder) de outros tempos. Começo a perceber a sua simpatia para com Sócrates, um centrista sem ideologia de quem os insuspeitos António Barreto e Pulido Valente disseram ser uma espécie de fascista. Só que Sócrates é um dos melhores exemplos da falta de honestidade, do oportunismo político e dos «luso-burricos» que têm diplomas comprados e fabricados. Sócrates e os seus amigos «moços de recados nos bancos e que agora são gerentes», como o Armando Vara.
Enfim, o seu discurso está em sintonia com o dos «Césares das Neves» da nossa praça, como aqui alguém se deu conta. Eu também me apercebi dessa semelhança, mas diria que você ainda consegue ter uma posição mais reaccionária (sejamos claros e simples como você disse) do que as que ele habitualmente tem. Nas suas palavras encontram-se claramente ideias racistas e xenófobas que se pretendem passar por democráticas, quando sugere que nós até tratávamos bem os negros (você faz generalizações muito apressadas e falaciosas, como já se viu acerca dos professores, deixe-me que lhe diga). Adopta uma posição paternalista e de superioridade (racial) que transforma os negros (mas não só) em seres sub-humanos, em cidadãos de segunda, necessitados de alguém que lhes indique as suas funções, obrigações e «direitos». Daí que você se classifique como um branco europeu (mas lembre-se que para muitos europeus Africa começa nos Pirinéus), e não como um cidadão com os mesmos direitos e deveres dos outros seres humanos. Você defende uma espédie de Apartheid.... num mundo e numa economia globais e neoliberalizados! Um neocolonialismo, de facto. Revolta-o a atitude de quem não aceita a diferença, mas depois não quer se incomodado pelos «diferentes», logo apelidados de «terroristas». E é escusado dizer que as minhas criticas são de alguém «politicamente correcto», porque do seu discurso pode-se dizer o mesmo: que é o discurso politicamente correcto da direita.
Em contraponto ao seu post e ao artigo do César das Neves deixo-lhe o link para a última crónica de alguém claramente de esquerda: estou a referir-me ao Baptista Bastos. As diferenças entre o seu discurso e o dele são de facto gritantes e revelam a diferença entre a tal nova «esquerda» (de que ele também fala) e a «velha» esquerda (de que ele é um representante).

http://www.negocios.pt/default.asp?Session=&SqlPage=Content_Opiniao&CpContentId=312454

J Francisco Saraiva de Sousa disse...

lp

Sou efectivamente um homem de Esquerda, porque defendo a mudança social qualitativa em todas as frentes da sociedade portuguesa, incluindo evidentemente o ensino e a educação. Por isso, defendemos reformas da educação!
A chamada esquerda tradicional é actualmente a Direita: Defende os "privilégios" adquiridos injustamente após o 25 de Abril! A Direita está "à esquerda do Partido Socialista" e faz o jogo da direita tradicional (CDS e PSD).
Todos os grandes marxistas defenderam a mudança social qualitativa e não interesses corporativistas. O PCP é profundamente reaccionário e totalitário: o seu objectivo é atrasar o país.
Quanto ao C. das Neves, é um homem que diz as "suas" verdades, com frontalidade! B. Bastos não representa nada de especial na filosofia política de esquerda! :)

Helena Antunes disse...

Mas não tem de criar outra conta. Eu enviei-lhe o convite para a sua já existente conta do gmail, é só aceitar o convite e usar esse mail.

Abraço!

J Francisco Saraiva de Sousa disse...

Mas tenho de confessar (sou honesto) que me orgulho de ser BRANCO e defensor confesso da biodiversidade racial.

Helena

Vou criar nova conta e depois envio. Estou sobrecarregado de trabalho hoje! Abraço

Aveugle.Papillon disse...

Se os problemas do nosso país residem nos próprios portugueses, e se ser português é possuir fraco poder de entendimento, cobardia e preguiça, percebo porque o fatalismo se gerou tão bem aqui… A especulação é um exercício desnecessário!

Contudo, se há algo que os portugueses fizeram de interessante foi, precisamente, a miscigenação! Como disse alguém que não me lembro, o melhor que Portugal fez foi a mulata… e subscrevo inteiramente, na medida em que os “meus pares” não são os brancos ocidentais, apesar de ser muito branca até, mas os meus irmãos são todos os cidadãos do mundo, de todas as cores e feitios. O renascimento, época gloriosa da Modernidade, foi marcado pelos Descobrimentos; não obstante as crueldades perpetradas pelos portugueses e espanhóis (denunciadas eloquentemente por Montaigne, por exemplo), fundaram esse projecto, o multiculturalismo, ainda muito imberbe na altura, e ainda hoje pouco esclarecido. Mas penso que não seja vão! Tem sentido, e para mim, é o único sentido de Portugal. Infelizmente, dada a educação fraca, ele não é tomado enquanto tal.

Com esta minha “tese”, ainda se salvam os baluartes da civilização Ocidental. Multiculturalismo não significa uma confusão tal, que impeça o discernimento. É, pelo contrário, uma vivência muito racional e luminosa, se for, evidentemente, honesta. Porque a base constituinte de identidade é, precisamente, a razão.
Actos terroristas existem de todos os lados. O Estado de Israel para mim é imoral, e portanto, de terror contínuo e prolongado. A prepotência americana, que, de resto, lhe saiu muito cara, não me identifico com ela. Por isso, espero que, enquanto for viva, não tenha que escolher um lado ou outro…

J Francisco Saraiva de Sousa disse...

Hummm Papillon

Foi Gilberto Freyre em "Casa Grande & Senzala", mas disse mais: Que eramos bissexuais e africanos!
O que disse não é incompatível com o que disse, suponho. Até porque existiam muitos negros (e outras cores) que se consideravam justamente portugueses. Não gosto de "racistas", embora como disse B. Brecht todos somos racistas...
Não partilho a sua "negatividade" em relação aos USA (a maior democracia do mundo e a mais velha) ou mesmo a Israel. Os judeus têm direito à sua terra e sãp ocidentais. Aliás, o melhor do pensamento traz a sua marca! Até Marx era meio-judeu! :)))

J Francisco Saraiva de Sousa disse...

O multiculturalismo é actualmente um pensamento muito conservador. Veja o debate entre Habermas e Taylor! Esquerda versus Direita! Isto não significa que esteja de acordo totalmente com Habermas e em desacordo totalmente com Taylor.
Mas os "terroristas" não querem o multiculturalismo: eles deliram com o nosso "estilo de vida" (querem consumir), conservando o seu islão! :(

Aveugle.Papillon disse...

N tenho nada contra os Judeus, tenho contra a usurpação indevida daquele território que não era deles. Neste caso, sou claramente a favor dos árabes.

Eu considero-me um pouco africana, sim, e mourisca tb. Nunca foi a Marrocos, ou à Tunísia? Vai ver que somos mais iguais do que diferentes. Esse mito da raça branca é ridículo!

Os árabes não são terroristas, isso é falso! E é isto que cria preconceitos. A atitude do Islão, como a cristã, é de expansão e de conversão e da pressuposição de uma verdade absoluta, daí serem incompatíveis; mas podem ser sustentáveis paralelamente.

André LF disse...

Francisco, vc acha que as universidades portuguesas facilitam o aparecimento das pseudo-elites?
Obs: Percebo que as assombrações nunca desaparecem :)

J Francisco Saraiva de Sousa disse...

André

Claro, as Universidades Portuguesas estão bastante corrompidas e invadidas pelos aparelhos partidários e religiosos e familiares! :(((

J Francisco Saraiva de Sousa disse...

Papillon

Acho que não estou de acordo com esse "pluralismo". De facto, os países islâmicos não são abertos ao cristianismo e ao judaísmo.
O multiculturalismo pode resultar nisto: sermos nós colonizados por "crenças tribais" que iriam destruir a nossa civilização. Veja o que aconteceu em angola e Moçambique! E não era um problema religioso!
Mais: nós secularizámos o Estado e a sociedade! Porquê regressar à Idade Média??? Sejamos LIVRES! Já combatemos o "cristianismo helenizado". BASTA DE RELIGIÃO! É isso a Filosofia!

Aveugle.Papillon disse...

N entendeu.

Eu disse que deveríamos ser colonizados por eles? Digo que a missão de Portugal é a efectivação do que iniciou: uma sociedade multicultural e que para esta existir sem promiscuidade e abusos, deve ser fundada na razão. A mesma raiz da Filosofia e do Humanismo.

A religião existe e deve ser respeitada, assim diz a constituição de qq país democrático. O que n exclui que possa ser questionada. Como qq costume e regra. Isso faz parte da expressão do ser humano livre, condição sine qua non do que tenho vindo a dizer.

Os muçulmanos n são abertos, tal como os cristãos n são abertos. Mas respeitam-nos.

Aveugle.Papillon disse...

Sim, porque isso de dizer q nós somos muito abertos (nós, ocidentais) é uma farsa!!! Os habitantes do Norte da Europa, cultos , racionais e muito desenvolvidos, são racistas e xenófobos! E como disse alguém aqui, nós, portugueses tb somos vítimas! Eles n têm essa acepção de "Ocidental" q o F. tem!

J Francisco Saraiva de Sousa disse...

Percebi, mas temo que essa ideia possa ser uma cilada. Por isso, lembrei a nossa luta contra a "cristandade" ou as guerras religiosas entre católicos e protestantes. Esse problema foi internamente resolvido e actualmente a Igreja aceita o jogo democrático.
O Islão ainda está na fase da "teocracia": não fizeram a sua secularização. Os cristãos já não matam; eles querem a guerra santa e o poder total! A democracia não pode tolerar isso! Seja realista, Papillon. Como mulher estaria "tramada"... Não há esclarecimento: até a coca-cola e as jeans atacam e dizem ser ilustres professores universitários de Columbia, New York... Mas, se pensa assim, respeito... Afinal, aqui vivemos ainda em democracia (apesar da cleptocracia)!

J Francisco Saraiva de Sousa disse...

Já lidei com nórdicos que os há aqui no Porto e nunca senti esse "racismo"! Mas nós devemos limpar a nossa imagem, devido à emigração de tugas incultos para França e Europa central.

Aveugle.Papillon disse...

Ai! Pelo amor de Deus! Quer dizer: o F. convive com 2 ou 3 nórdicos e diz q n são racistas, e com muçulmanos e árabes já conviveu??? Então como pode saber que querem a guerra santa? Que raio de argumentação!

olhe, vou-me: vou para a minha bem ORIENTAL aula de yôga, para me purificar desta conversa!

BYE

J Francisco Saraiva de Sousa disse...

2 ou 3!
São às centenas, sobretudo com o turismo, erasmus, universidade/investigação, futebol e outros que já cá vivem!
Veja se o Yoga lhe faz mal em excesso!!!
BYE

lp disse...

Orgulha-se de ser branco? E esse seu estatuto foi alcançado por mérito, ou é antes um ou «privilégio» dado pela natureza?
Se o Baptista Bastos não representa nada na matriz politica de esquerda, quem representa? Não me diga que são os «ideólogos» (ou propagandistas) do socratismo, como o Vital Moreira ou o Vitorino. Este último, numa reunião partidária, até ironizou e riu-se com o facto do Seguro dizer que o PS é um partido de esquerda.
E não insista na ideia de que se pretendem fazer reformas na educação a pensar na qualidade. Está mais do que visto que os objectivos são meramente financeiros e estatisticos. A farsa atingiu o rídiculo com as últimas declarações doutro diplomado (ou doutorado) por fax: o Valter Lemos, depois das criticas da Ana Benavente, responsabilizou esta pelos piores resultados escolares de sempre. Mas quem é que era o Ministro da Educação da altura? O Santos Silva, actual Ministro dos assuntos parlamentares, que naturalmente não quis comentar! E quem é que também fazia parte desse governo? Sócrates, pois claro, um dos meninos bonitos de Guterres! É caso para pôr a cassete de Sócrates a tocar: por que é que quando estes senhores passaram pelo governo de há 10 anos não fizeram nada pela melhoria do ensino? Talvez porque agora também não estejam apostados nisso...